Talvez a culpa não seja das estrelas.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Foi difícil escrever isso,
Mas Gus sempre estará
Em nossos corações.
"Alguns infinitos são maiores que os outros."
Estou entre a vida e a morte,parece que meu momento chegou,entãoresolvilembrar do Gus em um dos meus últimos minutos de vida.
Flash Back on
Me lembro também do dia do pre-enterro do Gus onde eu e Isaac falamos para ele nossoselogios fúnebres.
Flash Back on
"O Augustus Waters era um filho da mãe. Mas nós operdoamos. Nós o perdoamos não porque seu coração figurativo era tão bom quanto o coração literal era ruim, nem porque ele sabia segurar um cigarro melhor que qualquer outro não fumante na história, nem porque ele viveu dezoito anos quando deveria ter vivido mais. Estou presumindo que você ainda tenha algum tempo de vida, seu filho da mãe que só sabe interromper os outros. Vou dizer uma coisa para vocês — o Isaac continuou — o Augustus Waters falava tanto que seria capaz de interromper a pessoa falando em seu próprio enterro. E ele era pretensioso: Meu Jesus Cristo, aquele garoto nunca mijava sem ponderar a respeito das ressonâncias metafóricas abundantes na produção de dejetos humanos. E ele era vaidoso: não creio ter conhecido uma pessoa mais atraente fisicamente que tivesse uma consciência tão profunda de sua própria atratividade física. Mas só digo uma coisa: quando os cientistas do futuro aparecerem na minha casa com olhos robóticos e me disserem para experimentá-los, vou mandar eles se foderem, porque não quero ver um mundo sem o Augustus. E aí, depois de ter defendido meu argumento retórico, vou colocar os olhos robóticos, porque, quer dizer, com olhos robóticos pode ser que eu consiga ver através das camisetas das garotas, e tal. Augustus, meu amigo, que bons ventos o levem."
me lembro até hoje das palavras que eu também disse.
"Meu nome é Hazel. O Augustus Waters foi o grande amor estrela-cruzada da minha vida. Nossa história de amor foi épica, e não serei capaz de falar mais de uma frase sobre isso sem me afogar numa poça de lágrimas. O Gus sabia. O Gus sabe. Não vou falar da nossa história de amor para vocês porque, como todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve ser. Eu tinha a expectativa de que ele é quem estaria fazendo o meu elogio fúnebre, porque não há ninguém que eu quisesse tanto que…. — Comecei a chorar. — Tá, como não chorar. Como é que eu… tá. Tá.
Respirei fundo algumas vezes e retomei a leitura.
— Não posso falar da nossa história de amor, então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso."
flash Back off
Também me lembro do dia que nós conhecemos e Patrick perguntou seu maior medo.
Flash Back on
- Talvez você queira falar de seus medos para o grupo.
- Meus medos?
- É.
- Eu tenho medo de ser esquecido.
Flash Back off
Eu por um momento veio a ideia que Gus não ia querer me ver chorando,então me lembrei que passei a maior parte da minha vida tentando não chorar na frente das pessoas que me amavam. Você trinca os dentes. Você olha para cima. Você diz a si mesmo que se eles o virem chorando, aquilo vai magoá-los, e você não vai ser nada mais que uma tristeza na vida deles.
Veio alembrançado dia em que minha mãe insistiu para eu ir ao grupo de apoio,ainda bem que ela insistiu pós foi nesse dia em que eu conheci o amor da minha vida.
Flash Back on
Eu: "Eu me recuso a ir ao Grupo de Apoio."
Mamãe: "Um dos sintomas da depressão é a falta de interesse em participar de atividades."
Eu: "Por favor, mãe, deixe eu ficar vendo America’s Next Top Model. Isso é uma atividade."
Mamãe: "Televisão é passividade."
Eu: "Pô, mãe, por favor…"
Mamãe: "Hazel, você já é adolescente. Não é mais criancinha. Precisa fazer amigos, sair de casa, viver sua vida."
Eu: "Se você quer que eu aja como adolescente, não me mande para o Grupo de Apoio. Compre uma carteira de identidade falsa para mim e aí eu vou sair à noite, beber vodca e tomar baseado."
Mamãe: "Para início de conversa, não se toma baseado."
Eu: "Viu? Esse é o tipo de coisa que eu saberia se você comprasse uma carteira de identidade falsa para mim."
Mamãe: "Você vai para o Grupo de Apoio."
Eu: "SAAAAAAACO."
Mamãe: "Hazel, você merece uma vida."
Flash Back off
Me lembrei de suas piadas baratas
Flash Back on
-Gosta de estrelas?
-Sim.
-Eu conheço um Motel com 5.
Flash Back off
E veio a lembrança dovelóriodo Gus.
Flash Back on
O Augustus estava com o mesmo terno de lapela fina que havia usado no Oranjee.
Quando ajoelhei, percebi que eles haviam fechado seus olhos, claro que tinham feito isso, e que eu nunca mais veria aqueles olhos azuis.
— Eu te amo no presente do indicativo — sussurrei, e coloquei minha mão no meio do peito dele. — Está tudo bem, Gus. Tudo bem. Está. Está tudo bem, ouviu? — Não tinha, e não tenho, absolutamente nenhuma
esperança de que ele pudesse me ouvir. Eu me inclinei para a frente e beijei a bochecha dele. — O.k. — falei. — O.k.
Flash Back off
e por fim minha última e dolorosa lembrança foi a da carta que o Gus mandou para o Van Houten.
Van Houten,
Sou uma pessoa boa, mas um escritor de merda. Você é uma pessoa de merda, mas um bom escritor. Nós formaríamos uma bela equipe. Não quero lhe pedir nenhum favor, mas, se tiver tempo — e pelo que vi, você tem tempo de sobra —, fiquei me perguntando se poderia escrever um elogio fúnebre para a Hazel. Tenho algumas anotações e tudo mais, mas se você pudesse transformá-las num texto completo e coerente, e tal… Ou então só me dizer o que eu deveria escrever de forma diferente.
O bom da Hazel é o seguinte: quase todo mundo é obcecado por deixar uma marca no mundo. Transmitir um legado. Sobreviver à morte. Todos queremos ser lembrados. Eu também. É isso o que me incomoda mais, ser mais uma vítima esquecida na guerra milenar e inglória contra a doença.
Eu quero deixar uma marca.
Mas, Van Houten: as marcas que os seres humanos deixam são, com frequência, cicatrizes. Você constrói um shopping center medonho ou dá um golpe de Estado ou tenta se tornar um astro do rock e pensa: ‚Eles vão se lembrar de mim agora‛, mas: (a) eles não se lembram de você, e (b) tudo o que você deixa para trás são mais cicatrizes. Seu golpe de Estado se transforma numa ditadura. Seu shopping center acaba dando prejuízo. (Tá, talvez eu não seja um escritor tão de merda assim. Mas não consigo organizar minhas ideias, Van Houten. Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações.)
Nós somos como um bando de cães mijando em hidrantes. Nós envenenamos as águas subterrâneas com nosso mijo tóxico, marcando tudo como MEU numa tentativa ridícula de sobreviver à morte. Eu não consigo parar de mijar em hidrantes. Sei que é tolice e inútil — epicamente inútil em meu estado atual —, mas sou um animal como qualquer outro.
A Hazel é diferente. Ela anda suavemente, meu velho. Ela anda suavemente sobre a Terra. A Hazel sabe qual é a verdade: é tão provável que nós consigamos ferir o universo quanto é provável que nós o ajudemos, e é improvável que façamos qualquer uma dessas duas coisas.
As pessoas vão dizer que é triste o fato de ela deixar uma cicatriz menor, que menos pessoas se lembrem dela, que ela tenha sido muito amada mas não por muita gente. Mas isso não é triste, Van Houten. É
triunfante. É heroico. Não é esse o verdadeiro heroísmo? Como dizem os médicos: em primeiro lugar, não cause dano ou mal a alguém.
Os verdadeiros heróis, no fim das contas, não são as pessoas que realizam certas coisas; os verdadeiros heróis são os que REPARAM nas coisas. O cara que inventou a vacina contra varíola não inventou nada, na
verdade. Ele só reparou que as pessoas que tinham varíola bovina não pegavam varíola.
Depois que a minha tomografia acendeu como uma árvore de natal, eu entrei furtivamente na UTI e vi a Hazel quando ainda estava inconsciente. Entrei andando atrás de uma enfermeira de crachá e consegui me sentar ao lado da Hazel por, tipo, uns dez minutos antes de ser pego. Eu realmente achei que ela fosse morrer antes que eu pudesse lhe contar que também ia morrer. Foi brutal: o arengar mecanizado incessante da terapia intensiva. Havia uma água cancerosa escura pingando do peito dela. Os olhos fechados. Entubada. Mas a mão dela ainda era a mão dela, ainda quente, as unhas pintadas de um azul-escuro quase preto, e eu simplesmente segurei sua mão e tentei imaginar o mundo sem nós, e por mais ou menos um segundo fui uma pessoa boa o suficiente para torcer que ela morresse e nunca ficasse sabendo que eu
também ia morrer. Mas aí eu quis mais tempo para que pudéssemos nos apaixonar. Creio que meu desejo foi realizado. Eu deixei a minha cicatriz.
Um enfermeiro chegou e me disse que eu precisava me retirar, que visitas não eram permitidas, e eu perguntei se ela estava melhorando. O cara disse: ‚Ela ainda está fazendo água.‛ Bênção do deserto, maldição do oceano.
O que mais? Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la, Van Houten. Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas.
Espero que a Hazel aceite as dela.
Eu prometi para o Gus que eu iria aceitar elas e eu aceitei,mas não fui forte o bastante...Desculpe Gus.
e esse foi meu último pensamento antes de encontrar o Gus,estava na hora eu estava na cama da UTI pronta para morrer.
Olhei para o criado mudo e vi que tinha um caderno e um lápis,rasguei um pedacinho de papel eescrevi "Fui atrás de Augustus Waters,Amo vocês". tirei a cânula e meu último suspiro foi um "O.K.A.Y".
Notas finais
Amo vocês meus efeitos colaterais! ♥
Um beijo sabor Gus ♥
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