Talvez Seja Amor
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura :)
POV BELLA
Espreguicei-me ao acordar naquela manhã ensolarada, porém não fazia tanto calor, e só então me dei conta o quão rápido os dias haviam passado. Levantei-me da cama um pouco mais tarde, pois não iria à escola. Em primeiro lugar, porque era o dia do meu aniversário, e segundo, porque finalmente tinha decidido fazer o tal teste, o que eu estive durante todos esses dias em dúvida. Minha mãe me convencera a ir, afinal de contas – palavras dela –, não custava nada, levando em consideração que era realmente uma grande oportunidade. O máximo que poderia acontecer seria eu não passar, o que era bem provável. Mas ainda assim eu iria tentar, embora as chances fossem remotas.
Após o banho, vesti rapidamente uma camiseta caramelo de mangas curtas com dizeres estampados, calça skinny e tênis nos pés. Desci para tomar o café da manhã, percebendo o quanto silenciosa e vazia a casa se encontrava. Todos já haviam saído para os seus respectivos trabalhos. Chegando à cozinha, comi um pretzel com suco de laranja, degustando enquanto pensava em nada em específico. Quando finalizei, saí de casa e caminhei até a garagem, tirando de dentro o meu carro.
Ao chegar ao endereço indicado no bilhete escrito pelo Sr. Gottan, o professor de teatro da escola, permaneci sentada no interior do automóvel enquanto contemplava com admiração o local. O Teatro Espejo era realmente um dos teatros mais lindos que já vi. Era pomposo, ao mesmo tempo em que tinha uma arquitetura meio moderna, meio rústica, antiga, e era muito maior do que eu pensava, do que eu tinha visto em artigos na internet. Não conhecia muito sobre sua história, o pouco que sabia tinha sido pelo Sr. Gottan e pelo que tinha lido nesses artigos, que diziam que o mesmo era uma franquia do conhecidíssimo teatro de mesmo nome que existia há séculos em Londres. Algo que me chamara atenção quando li e que eu não fazia idéia era que, deste teatro, saíram excelentes atores que hoje eram grandes estrelas de Hollywood.
Nem que este fosse o maior sonho da minha vida eu chegaria a ser uma estrela de Hollywood um dia. Sou muito realista, tenho os dois pés totalmente fincados no chão, não costumo sonhar tão alto.
Quando percebi que estava há muito tempo dentro do carro, desafivelei o cinto e respirei fundo antes de sair. Subi os degraus, encontrando um homem vestido com um uniforme do teatro na entrada, devendo ser o porteiro. Um pouco incerta, perguntei a ele onde estava acontecendo os testes, o que foi respondido gentilmente por ele, que me indicou uma das portas de vidro. Agradeci e caminhei até elas. Com a mão um pouco trêmula, empurrei lentamente a porta indicada. Adentrei o ambiente, uma espécie de sala-recepção, onde quase tudo era branco, com sofás também brancos, arranjos de flores, quadros na parede, algumas esculturas no canto. Antes que eu fosse em direção à mulher sentada ao balcão, notei que havia alguém sentado no sofá, no lado oposto, falando ao celular. Levei as duas mãos à boca quando me dei conta de quem se tratava. Era o Kimmy Crowler. Um dos maiores nomes do cinema da atualidade. Grande cineasta e que havia dirigido vários filmes que eu simplesmente adorava. Ele desligou o celular e levantou-se para falar com um rapaz que só então percebi que acabara de chegar.
– Desculpe, um telefonema de última hora. – disse quando se aproximou. – David já se encontra no teatro?
– Já sim, senhor. – o rapaz respondeu com um sorriso. – Está a sua espera, na primeira fileira.
– Os testes já vão começar? É que não tenho muito tempo. – explicou Kimmy, dando uma rápida olhada no relógio de pulso, enquanto os dois começavam a deixar a sala.
– Sim, Sr. Crowler. Há vários jovens lá dentro aguardando o início dos testes. O senhor pode observá-los o tempo que quiser. Nós estamos... – o rapaz continuou falando até que eu não pude mais escutar.
Kimmy Crowler estava aqui e também iria observar a seleção para novos integrantes à Companhia de Teatro Espejo. Minha nossa!
De repente comecei a hiperventilar e a suar frio. Se já estava apreensiva e insegura antes, nada se comparava ao estado de nervos que eu me encontrava neste momento. Eu não conseguiria fazer esse teste, não com alguém tão importante me avaliando. Quem mais estaria? Será que havia platéia? Meu Deus!
– Olá senhorita. Posso ajudar? – a moça no balcão chamou-me atenção, enquanto permanecia ali, de pé.
Pisquei os olhos algumas vezes antes de olhar para ela.
– Ér... e-eu – gaguejei –, eu... vim por causa do teste. – consegui dizer.
– Suspeitei. – ela sorriu. – Você pode vir até aqui para que eu possa preencher sua ficha?
– C-claro. – lentamente caminhei até ela.
– Você veio indicada por alguém ou por contra própria? – perguntou enquanto colocava uma ficha em cima do balcão e começava a escrever nela.
– O meu professor de teatro da escola me falou sobre os testes. O Sr. Gottan. – informei a ela.
– Max Gottan? – ela ergueu os olhos, parecendo surpresa. – Hummm. O David vai querer saber disso. – disse, voltando os olhos para o formulário.
– Quem é David? – perguntei.
– Você não o conhece? – balancei negativamente a cabeça. – David e Max são irmãos. Digamos que o David seja o proprietário do Teatro Espejo, já que fora ele quem conseguiu licença para inaugurá-lo aqui em Sacramento. Não sei se você sabe, mas o Espejo é muito famoso em Londres. Por favor, dê-me seu documento. – pediu.
– Claro. – entreguei a minha identidade, um pouco atordoada com o que ela acabara de me dizer. Irmãos? O Sr. Gottan nunca havia comentado sobre isso na escola.
Não conseguia compreender. Se o Espejo, tão famoso e promissor nas artes cênicas, além de pertencer ao irmão, logo, da família, por que o Sr. Gottan perdia seu tempo dando aulas numa escola?
– Pronto Isabella. – ela disse ao olhar meu nome na carteira de identidade, em seguida me devolvendo. – Você pode me acompanhar?
– Sim.
A segui pelo corredor quando ela voltou a falar.
– Os testes já devem ter começado. Você será a última, ok?
– Ok. – falei não tendo certeza se realmente estava tudo bem.
– A propósito, meu nome é Agatha. – ela sorriu.
Agatha me levou até uma pequena sala. Sorri para ela agradecida e sentei no canto do estofado. Nesta hora, um rapaz segurando uma prancheta entrou na sala, pegando a minha ficha de inscrição das mãos de Agatha. Enquanto os dois conversavam entre si, fiquei ali sentada observando o local onde estava. Vários pensamentos percorreram minha mente naquele momento. Eu estava prestes a fazer um teste importante, e me perguntava o que eu ainda estava fazendo ali. Não estava tensa quando cheguei, mas as últimas informações me deixaram aturdida. Embora tentasse manter a calma, e dizer para mim mesma que era apenas um teste, não podia ignorar a ilustre presença do Kimmy, que provavelmente estava aqui como olheiro. Minhas mãos suavam só em pensar que ele iria me ver, me avaliar. Crowler me veria atuando.
O rapaz, que conversava com Agatha, aproximou-se de mim com uma folha de papel na mão. Quando meus olhos caíram no crachá preso em sua camisa, vi que nele estava escrito o nome Brad.
– Olá, Isabella. Isto aqui – disse ele, entregando-me a folha de papel. –, é o diálogo da cena que você irá executar. Foram tiradas do roteiro da versão de Romeu e Julieta interpretados por Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Obviamente você fará a Julieta. Como há várias pessoas na sua frente, terá bastante tempo para decorar. Mas acredite, gostamos de improviso. – disse, antes de começar a se retirar.
– Er... aqui há falas do Romeu. – eu disse, parando-o – Tenho que decorar estas também?
– Oh, não. – ele riu. – Perdoe-me. Você irá encenar com um integrante nosso. Ele já faz teatro há muito tempo, é experiente e conhece as falar de Romeu como ninguém. Você teve sorte – ele deu às costas para sair, voltando-se para mim de novo. – Oh! Outra coisa. O Kimmy Crowler está na primeira fileira. – disse, saindo em seguida.
Assenti enquanto assistia ele e Agatha saírem. Bom, não me restava nada a não ser tentar decorar aquelas falas, agora que já tinha chegado até aqui. Não parecia muito difícil, além do mais o trecho era pequeno.
Fiquei mais de uma hora esperando a minha vez chegar enquanto decorava os diálogos entre Romeu e Julieta. Quando achei que já tinha lido e decorado o suficiente, larguei o papel e fechei os olhos, encostando a cabeça no encosto da cadeira. Eu queria muito que desse certo, e gostaria de acreditar que eu não estava prestes a passar a vergonha. Mas como no final das contas eu passaria bem com isso se eu não fazia idéia de quem encenaria comigo? O Brad falou que ele era experiente. Será que ele era legal, pelo menos? Eu esperava que sim. Esperava que ele tivesse paciência com a minha falta de experiência.
Meus olhos se abriram abruptamente quando ouvi a porta se abrir e uma voz masculina, suave como veludo, pronunciar meu nome. Levantei-me da cadeira e olhei em direção ao autor da voz, e o que vi me deixou tonta.
– Isabella. – ele sorri. Os seus dentes são tão perfeitos. – Sua vez. Quero dizer, nossa vez.
Assenti, engolindo em seco em seguida. Esforcei-me para não parecer uma idiota, mas eu simplesmente não conseguia desgrudar os meus olhos dele. Acompanhei quando os dedos de sua mão correram pelos fios bronzes do seu cabelo desarrumado, em seguida meus olhos caíram para as linhas do rosto impecavelmente deslumbrante, o quadrado do queixo, nariz reto, e os olhos num tom verde brilhantes como esmeraldas. E como ele era alto! Deus, ele era lindo! Sua beleza havia me deixado atordoada.
Espera. Ele disse nossa? Ele é o Romeu?
Ouvi um pigarro.
– Isabella? – pronunciou meu nome mais uma vez, e me olhou como se eu fosse louca.
– Ér... desculpe. – limpei a garganta. – Nossa vez. Certo. E, por favor, me chame apenas de Bella.
– Bella, certo. Oh, me desculpe. Não me apresentei. Meu nome é Edward. Edward Cullen. – ele sorriu meio torto.
– Edward. – digo o seu nome um pouco abobada.
– Vou ser o seu parceiro no teste, ok? Pronta?
– Sim. – balancei a cabeça. – Sim, estou pronta.
Ele sorriu e estendeu a mão. Olhei para ela antes de estender a minha. Sorri para ele e então deixamos a sala. Era a hora.
Entramos pelo lado esquerdo do palco e caminhamos até o centro deste. Assim que olhei a primeira e única fila ocupada do teatro, localizei Kimmy Crowler com um grupo de pessoas que eu não sabia se fazia parte do grupo de teatro, ou se estavam o acompanhando. Um tremor emanou pelo meu corpo. Edward deve ter percebido e tentou me tranqüilizar.
– Bella, tenta manter a calma. Isso vai te ajudar muito. Sei que está apreensiva com a presença do Crowler, mas olha, apesar de eu já fazer parte do grupo de teatro, isso aqui também é um teste para mim. Ele está nos observando, nós veteranos. – disse-me Edward.
– Ele vai avaliar você? Não a mim? – perguntei, franzindo a testa.
– Nós dois seremos avaliados. Você pelo corpo do Espejo, e eu pelo Crowler e sua equipe. – explicou. – Aparentemente eles estão em busca de rostos desconhecidos uma franquia de filmes.
Eu assenti.
– Edward? Tudo bem? – alguém sentado na primeira fila perguntou a ele.
– Podemos começar? – Edward me inquiriu em voz baixa.
– Sim. – suspirei e prometi que daria o meu melhor naquele teste. Por mim, e agora por Edward.
E assim aconteceram os minutos mais longos da minha vida. Nós dois encenando, improvisadamente, um trecho de Romeu e Julieta, do William Shakespeare.
Ao fim da encenação, ouvi a primeira batida de palmas, seguida por outras que vinham da primeira fileira do teatro. Olhei timidamente para o local de onde vinha o som dos aplausos e puder ver satisfação naqueles rostos.
Teriam eles gostado da nossa encenação? Teria eu ido bem aos seus olhos?
Bem, de uma coisa eu não tinha dúvida: Edward tinha sido espetacular. Se já não bastasse ser tão estonteantemente lindo fisicamente, Edward demonstrou que a beleza não era um de seus únicos atributos. Ele não parecia ser apenas experiente, mas um profissional da arte de atuar. Ele foi perfeito.
Deixamos o palco, voltando para a mesma salinha que eu estivera antes, enquanto aguardava a minha vez.
– Bella, você foi ótima! – disse-me Edward, sorrindo. Podia ver a sinceridade em seus olhos e em seu sorriso.
– Não mesmo. Você que foi demais, Edward. – passei a mão pelos meus cabelos, ainda sentindo um frio na barriga. – Você foi tão bem! Transmitiu tanta emoção, tanta verdade. Tenho certeza que o Sr. Crowler gostou da sua atuação.
– Ah, qual é, Bella? Você se saiu tão bem quanto eu. Viu como eles gostaram? – inquiriu, apontando para a direção do palco com a cabeça.
– Sim, por sua causa. Você foi...
– Ah, pára com isso Bella. – ele me cortou. – Você foi perfeita. A melhor Julieta com quem eu já encenei.
Sorri, mordendo o lábio inferior.
– Também não exagera. – sorri um pouco tímida.
– Não é exagero, estou sendo honesto. Você não foi a primeira com quem tive que fazer esse teste, e vai por mim, você se sobressaiu. – ele sorriu.
Ficamos ali parados olhando um para o outro enquanto o sorriso não conseguia deixar nossos lábios.
– Há quanto tempo você faz teatro? – perguntei.
– Desde garoto. Bem, não sei se você percebeu pelo meu sotaque que sou inglês – ele sorriu enviesado. –, e foi em Londres que dei os primeiros passos, embora tenha deixado o teatro em segundo plano durante uma época.
Oh meu Deus. Ele é inglês! Como não notei antes?
– Não notei. – sorri. – Se você não tivesse dito provavelmente passaria batido.
– Meses treinando o inglês americano. – ele sorriu, introduzindo a mão em um dos bolsos da calça, enquanto passava a outra pelos cabelos.
– Então você é inglês. – ele concordou com a cabeça. – E está vivendo agora em Sacramento. Quero dizer, você mora aqui, não é?
– Sim, moro. Me mudei para Sacramento a convite de um amigo do meu pai. Ele é ator, professor de teatro e costumava me incentivar a seguir carreira, embora meu pai quisesse que eu fosse médico. Ele diz que eu tenho talento para a coisa. – falou, dando de ombros.
– E você tem. – eu disse.
– Obrigado. – agradeceu, rindo meio sem jeito. – Mas você foi excepcional, Bella, de verdade. E você sabe disso. Eu queria poder te assegurar que uma das vagas já é sua, mas como não tenho esse poder, só me resta dizer que acredito que a verei em breve no nosso grupo. Será um prazer ter alguém tão talentosa como você.
– Obrigada. – sorri.
– Você não acredita nisso, não é? – ele ergueu uma sobrancelha.
Antes que me distraísse com seus olhos, recuperei o foco.
– Na verdade, não gosto muito de criar expectativas. Mas, quem sabe?! – falei, encolhendo os ombros.
– E você? Imagino que já faz teatro há bastante tempo... – sugeriu Edward.
– Não. — eu ri. — Tenho zero de experiência, Edward. Só fiz teatro na escola. O meu professor, o Sr. Gottan, foi quem...
– Espera. – ele me interrompeu. – Sr. Gottan? Max Gottan?
– Sim. Você o conhece? – franzi a testa.
– Sim. – ele riu. – Ele é o amigo do meu pai que acabei de te contar, o que me incentivou e me convenceu a vir para cá. Ele fundou o Espejo de Sacramento junto com o irmão, David Gottan.
– Você conhece o Sr. Gottan? Uau! Que mundo pequeno! – exclamei surpresa, entretanto rapidamente meu rosto assumiu uma expressão confusa. – Não entendo. Por que o Sr. Gottan vai dar aula em escolas se ele é dono disso aqui? – perguntei.
– Como eu disse, Max fundou esse teatro com David. Eles brigaram um tempo atrás, não sei por qual motivo, e romperam a sociedade. Foi a partir de então que ele passou a dar aula em algumas escolas da cidade, e em outras companhias de teatro amador. Mas, bem, pela conversa que tivemos da última vez, ele pretende voltar logo para Londres. Tem o Espejo de lá, que ele não é capaz de abrir mão por nada. Ele ama o teatro. – disse-me Edward.
– Sim. – concordei com a cabeça, refletindo. – Então ele está indo embora...
– Não de imediato, mas em breve sim. – assentiu Edward.
– Vocês se conhecem há muito tempo? O Sr. Gottan quase não fala sobre ele mesmo. – perguntei.
– Muitos anos. Max é um velho amigo do meu pai. Ele me viu crescer. – disse.
– Há quanto tempo você se mudou para Sacramento? – de repente me vi querendo saber mais sobre Edward.
– Hmmm... – ele pensou um pouco antes de responder. – Aproximadamente quatro meses. Mas já estive aqui outras vezes, de férias.
– De férias? Legal. – sorri, sentando-me em uma das cadeiras, Edward fez o mesmo. – Eu nunca fui tão longe. Moro em Sacramento há quase dois anos. Minha família e eu vivíamos em Los Angeles. O lugar mais longe que fui fora Nova York.
– Los Angeles? Você morou lá? – ele parece surpreso.
– Sim, antes de nos mudarmos para cá. No início não fui muito a favor com a mudança, mas acabei me acostumando a viver aqui. Mas ainda sinto saudades de lá.
– Eu sempre quis morar em Los Angeles. Na verdade ainda quero morar, claro que para isso preciso me estabelecer primeiro. Cheguei há pouco tempo, só agora comecei a trabalhar no teatro pra valer, mas ainda não sei se é isso que quero para mim, sabe? – assenti. – Apenas, estou deixando as coisas acontecerem. Sei lá, ver no que vai dar.
– Eu entendo. – disse a ele.
– Então, você disse que viveu em Los Angeles, por que se mudou para cá? – questionou-me Edward.
Sorri.
– É uma longa história. Um dia quem sabe, te conto. – falei dando de ombros. – Então, você está morando com o Sr. Gottan? Quero dizer, já que fora ele quem te convidou. – perguntei.
– Não, não moro com o Sr. Gottan. – ele riu. – Moro com dois irmãos. Pelo que parece, eles não suportaram viver muito tempo longe de mim em Londres.
– Deve ser legal morar só com irmãos.
– Depende do ponto de vista. Às vezes você se pergunta por que não teve a sorte de ser filho único. – Edward riu, fazendo-me rir também.
– E o que você faz, além de teatro? Está começando em alguma faculdade? – perguntei, e só depois de ter feito a questão percebi que isso não era da minha conta.
– O teatro é minha única atividade. Bem, pelo menos por enquanto. Ainda não me decidi sobre a faculdade. Tenho dúvidas sobre o que realmente quero fazer. – respondeu com honestidade, sorrindo levemente.
Assenti com a cabeça.
– Então, você está gostando de morar aqui? – quis saber.
– Sim, estou tendo um bom tempo, apesar de ser bem diferente de Londres.
– Posso imaginar. – anui. – Há realmente uma grande diferença cultural. Aposto que você sente falta dos pubs, da cerveja, da noite eclética. – sorri.
Edward riu e mexeu no cabelo mais uma vez antes de responder.
– Na verdade, sinto um pouco. Não que eu fosse um freqüentador assíduo. É só que, é diferente lá, não sei explicar.
– E aqui? Você costuma sair muito? Digo, à noite, sei lá, se divertir? – questionei, me arrependendo em seguida. Por que estou perguntando o que ele faz para se divertir? Isso também não é da minha conta.
– Não. Quero dizer, no início não, porque estava sozinho. Meus irmãos chegaram só um tempo depois, e com eles em casa, saí um pouco mais, conheci alguns lugares. Sem falar que não sabemos cozinhar, então, os restaurantes têm sido bastante freqüentados por nós. – Edward riu e eu o acompanhei. – Na verdade, sou mais de ficar em casa, ler um pouco, assistir filmes. Digamos que sou um cara caseiro. – ele riu torto, me fitando por alguns momentos.
O engraçado era que eu não conseguia desviar.
Segundos depois, olhou por cima do meu ombro, no instante em que Brad entrava na sala, segurando a prancheta.
– Vim pessoalmente parabenizá-la pela interpretação de Julieta e avisar que está liberada. Aguarde nosso contato, com o resultado do teste e possível ingresso. Talvez demore um pouco, pois o grupo está saindo em turnê por vários Estados durante algo em torno de dois a três meses. Quando retornamos, entraremos em contato de imediato. Boa sorte e tenha um bom dia. E, quem sabe, até a próxima. – ele piscou o olho para mim.
– Obrigada. – agradeci, vendo-o sair em seguida.
– Acho que a turnê termina em dezembro. – comentou Edward.
– Você também vai? – perguntei.
– Sim. Estamos com uma peça chamada "Sonhos Obscuros Nas Noites de Inverno". Conta a história de um rapaz que se apaixona por uma garota que ele encontra todas as noites quando leva o cachorro para passear. É um roteiro interessante. Sombrio, às vezes dramático, mas é um romance. – disse ele, e eu não pude deixar de notar o orgulho enquanto falava. – Estamos viajando nesta sexta.
– E quem é você na peça?
– Sou o...
– Você fará o papel principal? – inquiri, sorrindo.
– Sim. – respondeu-me timidamente.
– Uau! Isso é tão... insano. Quero dizer, só me apresentei em peças de escola. Nunca me vi atuando assim, num teatro grande, lotado de pessoas. – eu disse rindo.
– É meio assustador nas primeiras vezes, mas depois você simplesmente esquece o públco e deixa o personagem te levar. – ele me lançou um sorriso tão lindo. – E aconselho começar a ir se acostumando, porque tenho certeza que ainda vamos dividir o mesmo palco um dia. – ele disse.
Apenas sorri, não fazendo nenhum comentário sobre isso. Talvez porque não acreditasse que realmente fosse acontecer, mas não posso negar que a idéia de dividir o palco com Edward mais uma vez, ou encenar qualquer outra coisa com ele, me agradava.
Ficamos ali sentados conversando mais algum tempo sobre a peça que ele estava saindo em turnê. Edward me falou um pouco mais sobre o seu personagem, suas expectativas com a crítica, detalhes sobre o Espejo, sobre os outros componentes. Além disso, me contou um pouco sobre o teatro em Londres. Ele também quis saber como era a vida em Los Angeles, que eu relatei saudosa. Me vi contando fatos sobre mim mesma, e quando a nossa conversa parecia alcançar um patamar mais íntimo, seu celular toca. Bom, deveria ser uma mensagem, uma vez que ele estava lendo.
– Eu preciso ir. – disse-me Edward, ainda olhando para o celular. – Tenho algumas coisas para resolver antes da minha viagem. – acrescentou.
– Certo. – concordei um pouco desapontada, me levantando. Estava gostando de passar esse tempo aqui conversando com ele.
– Foi um prazer conhecer você, Bella. Tenho certeza que nos veremos em breve. – ele sorriu, se levantando em seguida.
– Também foi um prazer conhecer você, Edward. Até qualquer dia. – sorri antes de me virar e então ir embora.
.
Notas finais
hahahahaha
E aí, o que acharam? Claro que ainda é muito cedo, eles acabaram de se conhecer, mas a reação da Bella foi engraçada, digam se não foi rsss
Querem fazer uma pobre autora feliz?? Deixem reviews ;)
Beijossss
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