Talvez Seja Amor
35 Capítulo 35
Notas iniciais
|| ME LEIAM AQUI ||
Yeaa, eu sei que demorei horrores para atualizar, que não justifica, e estou até com vergonha de tentar me explicar. Sou leitora também e entendo, é horrível esperar tanto tempo :/
Mas vamos lá. Primeira razão, e que todo mundo já está careca de saber: escrevo outra fic ao mesmo tempo que TSA, que é Private Party. Segundo: quem me segue no twitter sabe que dia 04 de novembro ganhei sobrinho, e que tanto ele quanto minha cunhada tiveram que ficar na minha casa aos meus cuidados e da minha mãe, uma vez que foi uma cesariana, e eles estavam aqui até ontem. Terceira razão: estréia de Breaking Dawn. Depois do filme tive um bloqueio para fanfics (não conseguia escrever, ler, nada. Não me perguntem o porquê, não sei dizer huahsuahsuhas). Então gente, mês de novembro eu não escrevi absolutamente NADA. Para ser sincera, vim pegar no capítulo mesmo depois do dia 25 de novembro, e ainda tive que administrar o meu tempo escrevendo com minha vida pessoal e também em ajudar a cuidar do bebê, e assessorando a minha cunhada no que ela precisasse.
Bem, como eu havia falado no anterior, esse capítulo realmente demoraria, porque além de eu ter escrito um capítulo de PP depois do capítulo 34 de TSA, todo mundo sabe a importância dos acontecimentos que ocorrem neste aqui para a história. Como já disse, tornei-me chata, muito exigente com o que escrevo, e com o capítulo 35 era de se esperar que eu seria ainda mais. Sem falar que passei praticamente a semana passada travada, sem saber o que escrever. E em respeito a vocês, leitoras e responsáveis pela continuação disto aqui, que eu não iria escrever qualquer coisa. Muito menos neste capítulo!
E é por isso que quero deixar aqui o meu MUITO OBRIGADA aos leitores fieis pela paciência!! As meninas que mandavam MP no Nyah, que me cobravam pelo twitter, obrigada pelo carinho meninas. Assim como vocês estavam ansiosas para lerem, e eu estava para finalizar e postar. E eis o capítulo. Espero que tenham gostado e que tenha ficado do agrado. Vocês não imaginam o trabalho que foi escrever. E é do fundo do coração que ofereço a todas vocês!
Obrigada a Sah por betar este capítulo e a Bi pela força, opinião e palpites de sempre. Vocês são divinas!
E já sabem vou cobrar bombardeio de REVIEWS. Não quero desculpas! (risos) Vamos passar das 1220 no Nyah! Não entendo como Talvez Seja Amor está nos favoritos de 231 pessoas e eu não vejo nem perto da metade disso! E as leitoras do Fanfiction.Net, sei que comecei a postar lá quando Talvez Seja Amor já estava no capítulo 31, mas os números de reviews estão muito baixos. Detesto fazer isso, mas se o número não subir, infelizmente vou passar a postar apenas no Nyah. Tô dizendo isso porque vejo muita gente favoritando, outras dizendo que está lendo lá, e no entanto não vejo comentários. Sinto muito por isso.
Um super beijo e uma ótima leitura. Nos vemos no final... e LEIAM AS NOTAS FINAIS TAMBÉM!
Uma ótima leitura! E para entrarem no clima, ouvir as músicas citadas no decorrer do capítulo como trilha sonora :)
“Amor é querer pertencer ao outro. Não por submissão ou posse, mas por entrega.”
Para ouvir: I Don’t Want To Miss A Thing — Aerosmith
POV BELLA
- Você está bem, querida? – a senhora que ocupava a poltrona ao lado da minha com um semblante preocupado quis saber.
Passei a mão esquerda pela testa e em seguida olhei para ela.
- Vou ficar. – respondi com sinceridade.
- Desculpe a intromissão, é só que notei você tensa durante todo o vôo.
- Vou ficar bem quando chegarmos. Obrigada. – eu a assegurei, lançando-lhe um breve e fraco sorriso.
- Falta pouco tempo agora. – Ela olhou para mim e sorriu. – Sabe, não precisa ficar com vergonha. Quase todo mundo tem pavor a aviões. E não se preocupe comigo caso queira vomitar. – sussurrou ela, acreditando que a minha inquietação devia-se a algum tipo de fobia a aviões. Estava longe de ser isso.
Assenti mas nada disse, voltando a encostar a cabeça na minha poltrona e fechando os olhos, para esperar o restante do tempo da viagem terminar.
Não sei em que momento e muito menos como consegui cochilar, se me encontrava em um estado deplorável de nervos. Só posso afirmar que abri os olhos apenas quando ouvi a voz do comandante no sistema de som.
“Tripulação, preparar para o pouso.”
E então estou nervosa. Novamente. Sentindo-me como se o Eddie Van Halen estivesse tocando um solo de guitarra na boca do meu estômago. Nem mesmo a vista das luzes da deslumbrante cidade do lado de fora da janela conseguiriam me acalmar. Fecho os olhos e deixo um sorriso se formar em meus lábios enquanto a aeronave inicia sua descida. E quando finalmente o avião tocou o solo, meu sorriso cresce ainda mais.
Só alguns minutos me separavam de Edward.
Enquanto o avião ainda está se movimentando na pista do Heathrow, sinto a ansiedade se intensificando, a minha respiração e os batimentos cardíacos se acelerando, e um frio intranqüilo se instalando em minha barriga. Sentia um aperto no peito de felicidade, ao mesmo tempo em que sentia crescendo uma sensação estranha de fraqueza. Sentia-me febril, como se tivesse contraído uma doença nas últimas horas. Eram sensações dúbias, estranhas, porém totalmente explicáveis. Reflexos da falta que Edward me fizera nas últimas semanas. Mesmo que nos comunicássemos todos os dias, seja por telefone, e-mail ou Skype – embora este último meio de comunicação utilizamos apenas quatro vezes, cuja última vez havia sido duas semanas atrás –, não era a mesma coisa, nunca seria a mesma coisa. A ausência física, do calor do seu corpo e a falta dos seus beijos me doía a alma. E agora, finalmente, estava prestes a ter de volta tudo isso.
A senhora já havia se despedido e saído quando Esme surgiu, acompanhada de Carlisle, enquanto eu pegava a minha mochila logo que a saída dos passageiros fora autorizada. Os pais de Edward estavam sentados a algumas poltronas à frente da minha.
- Acabei de ligar, ele está a nossa espera. Pronta? – perguntou-me com um sorriso animado.
Mordi meu lábio inferior e respirei fundo, balançando a cabeça assentindo.
- Pronta. – respondi.
Passavam das duas da madrugada quando conseguimos nos livrar da lenta e maçante fila para sair do avião. Londres enfrentava mais um pico de inverno no mês de fevereiro, mas enquanto caminhávamos pelo terminal, eu estava longe de sentir frio, mesmo usando apenas um fino agasalho. Quando nos aproximamos da esteira para pegar nossas malas, começo a sentir os meus nervos cada vez mais fortes, um tremor e as minhas mãos suando. A distância entre Edward e eu era agora uma questão de metros. De onde estávamos, podia ver a porta automática de desembarque se abrindo e fechando à medida que os passageiros passavam por ela. Ele estava lá, do outro lado.
Minutos depois, que mais pareciam uma eternidade, Carlisle colheu das esteiras todas as nossas malas e enquanto as colocava no carrinho, peguei o olhar de Esme, me observando em silêncio. Ela sorriu suavemente para mim e estendeu as duas mãos para segurar as minhas.
- Suas mãos estão suando. – ela disse. – Não está com frio?
- Não. – sacudi a cabeça em negação. O sorriso dela cresceu ainda mais enquanto ela olhava para as minhas mãos.
- Vamos? – pediu Carlisle.
Esme enlaçou o braço ao meu quando começamos a caminhar. Olhei brevemente para o par de All Star branco em meus pés, observando meus passos cadenciados e agradecendo a Esme mentalmente por ela estar me segurando, e assim eu não correria um risco de tropeçar ao pisar um pé no outro. Eu sabia que naquele momento vários outros passageiros estavam andando na mesma direção em que estávamos indo, ao portão de desembarque, contudo, não conseguia prestar atenção neles, não conseguia enxergá-los. E quando estamos a dois passos da porta automática meu peito se aperta ainda mais, de uma forma tão dolorosa que respirar torna-se sufocante.
A porta automática se abre e Carlisle é o primeiro a passar por ela, empurrando o carrinho, logo após ele, Esme e eu somos as próximas a passar. Quando meus pés atravessam a porta, forço-me a erguer a cabeça, e então paro de andar.
Ele estava lá.
Edward era tudo que eu enxergava, a única coisa que preenchia a minha visão naquele instante.
Ele ainda não tinha nos visto, estava ajudando uma idosa, cuja mala, uma das tantas, caíra do carrinho que ela empurrava, pegando-a do chão e devolvendo a ela. A idosa sorriu para ele em agradecimento antes de seguir seu caminho. Eu permaneci estática, observando toda a cena. Edward usava tênis preto e jeans escuro, camisa cinza e uma jaqueta preta sobreposta por outra jaqueta azul. No rosto, a barba tão crescida como eu nunca vira antes. Ele estava lindo. Como sempre.
Não consigo andar, minhas pernas estão fracas. Minha respiração é ofegante e o aperto em meu peito é esmagador. Sinto o aperto da mão de Esme em meu braço, também sei que ela está falando comigo, mas não consigo escutar nada além de um zumbido. Edward, que ainda estava com um sorriso leve nos lábios resultante da interação com a senhora um segundo atrás, vira lentamente o rosto na nossa direção, e então, os nossos olhos se encontram.
E o seu sorriso desvanece.
Edward arregala os olhos, me fitando como se de repente seu olhar tivesse congelado. Ele parecia paralisado no local, sem reação, completamente imóvel. Não saberia calcular quanto tempo durara o instante em que assisti várias expressões cruzaram o seu rosto; choque, surpresa, incredulidade. Porém, fora a última expressão e o seu sorriso cintilante de tirar o fôlego que me fez desvencilhar-me de Esme e largar a mochila no chão, e correr em disparada na direção dele, que conseguiu finalmente sair do lugar e vir na minha direção. Sorri no mesmo instante em que ele abria os braços e eu pulava em cima dele, atirando os meus braços em volta do seu pescoço, enquanto ele me apertava contra o seu corpo. E quando ficamos ali, envolvidos nos braços do outro, senti-me em casa.
Enterrei o meu rosto na curva do pescoço dele, inspirando o cheiro almiscarado que eu tanto senti falta e soltei um longo suspiro. Senti a respiração de Edward no lado esquerdo do meu pescoço, em seguida o seu nariz corria suavemente pelo local, sua barba roçando de leve a minha pele, enviando centelhas elétricas pelo meu corpo. Ele começou a distribuir pequenos beijos na parte debaixo da minha orelha, fazendo um caminho até a minha mandíbula, até que finalmente seus lábios encontraram os meus.
E então tudo ficou completo. Eu estava finalmente relaxada. Eu estava feliz.
Nosso beijo foi lento. Cheio de ternura e adoração. Sem desconectar nossos lábios, ele me pôs no chão enquanto nos saboreávamos, nossas línguas se chocavam, e nossas mãos tocavam um ao outro, as mãos dele memorizavam o meu rosto e os meus dedos corriam suavemente pelos fios de cabelo bronze e sedosos de sua nuca. Bloqueamos todos à nossa volta, o lugar, o tempo, focando apenas em nós dois, em nosso beijo repleto de amor e saudade. Suas mãos deslizaram para as minhas costas, suas carícias enviando arrepios à minha espinha, deixando a minha pele aquecida. Interrompemos o beijo quando o ar ficara escasso. Edward me abraçou com força e uniu nossas testas.
- Você está aqui. – sussurrou.
- Estou aqui. – murmurei minha voz quase inaudível.
Lentamente nos separamos minhas mãos ainda em sua nuca e as dele ao redor da minha cintura. Abri os olhos no mesmo instante em que Edward abria os dele. Só então pude ver com clareza o seu rosto. Ele tinha círculos escuros sob os olhos, de cansaço.
- Deus, eu senti sua falta. – ele me puxou, me envolvendo em seus braços.
- Eu também senti sua falta, Edward. – ciciei, aninhando a minha cabeça em seu peito.
Ele beijou o topo da minha cabeça, e de modo lento, me virei e olhei para ele. Edward inclinou a cabeça para baixo e me beijou de novo. Ele me ergueu alguns centímetros para o alto e nós dois rimos nos lábios do outro, sentindo o sabor doce do reencontro.
Nos separamos novamente mas não conseguíamos deixar de nos tocar e de olhar nos olhos do outro. Edward sorria exultante, como se ainda não acreditasse que eu estava ali em seus braços, mas por trás do seu olhar e do seu sorriso eu enxergava uma alegria profunda. Ele estava feliz por eu estar aqui.
- Bella. – declamou em voz baixa o meu nome em um tom solene, incapaz de parar de sorrir, assim como eu. Edward levou uma de suas mãos até o meu rosto e afagou minha bochecha. – Você está aqui. – disse mais uma vez. – Como foi isso? Por que não me contou?
- Porque era para ser surpresa, Edward. – respondeu Esme, que chegara perto de nós acompanhada por Carlisle, ambos sorrindo.
- Mãe. – Edward sorriu e, sem me soltar e mantendo um braço na minha cintura, inclinou-se para abraçar a mãe e beijar-lhe o rosto. Em seguida, repetiu o gesto com o pai. – Hey, pai.
- Ei, filho. Como você está? – perguntou Carlisle, dando duas leves tapinhas nas costas de Edward.
Ele olhou para mim, fixo e profundamente, então voltou-se para os pais.
- Bem. – ele sorri. – Muito melhor agora. – concluiu.
- Eu vejo. – Esme sorriu, passando a mão pelos fios do cabelo de Edward, que pareciam maiores que de costume. – Há quanto tempo não corta o cabelo e apara a barba? – perguntou em seguida.
Edward passou a mão livre pela barba, a que não me segurava, antes de responder.
- Não sei. Eu ainda estava em Sacramento. – respondeu. – Eu só... não sei, não tive tempo. Não Estava me importando muito com isso. – ele disse, passando brevemente a mão no cabelo. – Eu vou fazer a barba mais tarde, mas o cabelo está bom assim, para o personagem.
Esme sorriu.
- Não estou repreendendo, filho. Você sabe – ela piscou o olho para mim –, que fica bonito de qualquer jeito. Concorda comigo, Bella?
- Sim. – anui com a cabeça e mordi o lábio inferior, desviando o olhar em seguida para Edward, cujos profundos olhos verdes me fitavam calorosamente, e seus lábios se esticaram lentamente em um sorriso.
- Bom, agora que o show terminou, podemos ir para o hotel? – Carlisle pediu, sorrindo.
Enrubesci, tendo conhecimento que ele estava se referindo aos beijos que Edward e eu trocamos na frente de todo mundo. Só então me lembrei que havia jogado em qualquer lugar a minha mochila.
- A minha mochila... – murmurei.
- Está ali. – Esme apontou para o carrinho de bagagens parado ao lado de Carlisle.
Sorri e assenti. E então começamos a caminhar para o lado de fora do aeroporto, o braço de Edward ao redor da minha cintura enquanto narrávamos para ele como Esme planejara minha vinda. Edward gargalhou quando lhe contei que no início Charlie ficara louco, mas se acalmou quando minha mãe explicou que eu não estava viajando sozinha, mas com seus pais. Quando atravessamos a porta de vidro, o vento frio e gelado da capital inglesa chicoteou-me, fazendo meu corpo enrijecer.
- Está muito frio. – sussurrou Edward, tirando a jaqueta e a colocando ao redor dos meus ombros enquanto caminhávamos pelo estacionamento. Após passarmos por algumas fileiras de carros, Edward parou na frente de um Mercedes prata. – E aí, pai. O que achou? – perguntou. Ele se colocou atrás de mim, passando os braços em cada lado da minha cintura e me abraçou por trás, colocando o queixo no lado esquerdo do meu ombro enquanto olhava para o carro.
- Excelente escolha, Edward. – Carlisle sorriu.
- Meu bem, este... este carro não se parece com o seu? – Esme franziu a testa, fitando o automóvel.
- Este carro é igual ao do papai, mãe. Só muda a cor. – Edward sorriu.
- Oh. – a mãe de Edward sorriu.
- Bom, o papai pediu para alugar um carro, pensei que ele gostaria de algo que já estivesse acostumado. Procurei preto, mas não encontrei algum disponível.
- Está ótimo, filho.
E pela primeira vez desde que nos reencontramos, Edward se afastou de mim. Bem, apenas pelo tempo suficiente de abrir a mala do carro e colocar as nossas bagagens. Logo que concluíra, ele estendeu a chave do Mercedes para Carlisle e voltou para o meu lado, segurando a minha mão para entrarmos no carro.
Durante o trajeto do aeroporto até o hotel, no banco traseiro, Edward e eu nos segurávamos, olhávamos um para o outro, seus dedos tocavam o meu rosto, os meus tocavam o dele, acariciando os pelos da barba, assim como os seus cabelos. Vez em quando seus lábios beijavam minha testa, minhas pálpebras, minhas mãos, ou ele deslizava o nariz delicadamente pelo meu pescoço e cabelo. Algumas vezes ele, ou mesmo Esme, apontavam para algo ou algum ponto turístico pelo qual passávamos no caminho, Edward prometendo levar-me para conhecer toda a cidade assim que pudesse. E embora estar na Europa, mais precisamente na terra da rainha fosse um sonho antigo, não estava verdadeiramente interessada na cidade. Não agora, não naquele momento. Londres ficaria para depois. Porque eu não conseguia tirar os olhos de Edward.
Edward, Carlisle e Esme tentaram me convencer a parar em algum lugar para comer. Mas eu os assegurei que não estava com fome e sim cansada, que não se preocupassem comigo, entretanto os acompanharia se assim eles quisessem. Mesmo sob o olhar de advertência de Edward e os protestos de Esme que eu deveria comer mais, findou que não paramos em lugar algum, seguindo direto para o hotel.
Minutos depois, quando chegamos ao Ritz, onde Edward estava hospedado desde que chegara, meu queixo praticamente caíra diante do luxo, requinte e sofisticação do hotel. E enquanto eu observava o exuberante lustre no alto, a voz da recepcionista que atendia Carlisle durante o check-in chamou-me a atenção.
- Toda a bagagem deverá seguir para a suíte do senhor Carlisle Cullen? – perguntou polidamente olhando para Carlisle e Edward.
- Sim. Exceto esta. – respondeu Edward, erguendo a minha pequena mala. – Eu mesmo levo, vai para o meu quarto.
Vibrei internamente e permiti que um pequeno sorriso brotasse em meus lábios logo que ele dissera isso. Bem, embora Esme e eu não tivéssemos falado nada sobre onde eu ficaria, onde eu dormiria, eu esperava estar dividindo um quarto com Edward.
- Não é necessário, senhor Cullen. Logo a bagagem subirá e a mala da senhorita será entregue em seu quarto. – disse a recepcionista com um sorriso simpático para Edward.
Edward assentiu, agradecendo, colocando a minha mochila em um ombro enquanto segurava a minha mão. Em seguida nós quatro subimos para os quartos, Carlisle e Esme ficando no andar superior ao nosso. Edward e eu nos despedimos de seus pais, saindo do elevador abraçados e rindo, e assim que passamos pela porta, ele acendeu as luzes e antes que eu pudesse ter uma visão do quarto, em um movimento rápido eu estava sendo erguida do chão e carregada até a cama, onde Edward deitou por cima de mim e tomou os meus lábios com os seus.
Quanto mais nos beijávamos, mais eu tinha certeza que nunca nos beijaríamos o suficiente, que ter os lábios de Edward pressionados contra os meus era tão necessário quanto respirar, tão vital quanto qualquer outra necessidade humana. Quando estávamos juntos, nos beijando como agora, era como se eu perdesse o senso da gravidade e estivesse flutuando, nas nuvens, em outra dimensão.
Fomos diminuindo o ritmo, trocando beijos mais lentos e suaves. Edward tirou alguns fios do meu cabelo que caíam em meu rosto, e então plissou os olhos brilhantes nos meus, tão intensamente.
- Você parece cansada. Está com sono? – perguntou com a voz baixa e aveludada, seu hálito doce muito próximo deixando-me inebriada.
Sorri e neguei com a cabeça, correndo meus dedos por seus cabelos. Eu não conseguia tirar os olhos de Edward, não enquanto ele me olhava assim, como se eu fosse a coisa mais importante do seu mundo, da sua vida. Sim, eu estava cansada. Praticamente não dormira na noite anterior e passei quase o dia inteiro dentro de um avião, mas eu estava tentando combater o cansaço e o sono a todo custo. Não queria dormir agora.
Ouvimos uma batida na porta. Edward beijou-me brevemente nos lábios antes de se levantar. Enquanto ele atendia, sentei-me na cama, e só então pude dar uma olhada no quarto, ao mesmo tempo em que tirava do corpo a jaqueta que Edward me dera para vestir no aeroporto e o meu agasalho, jogando-os na cama. O quarto era ainda mais impressionante que o hall. Lindo, aconchegante, esbanjava luxo e era maior que qualquer outro quarto que eu estivera antes. E o melhor, exalava o cheiro de Edward.
Após dar uma gorjeta ao funcionário e fechar a porta, Edward retornou com a minha mala, deixando-a no tapete, ao lado da cama. Um sorriso repentino se formou em seus lábios enquanto me olhava.
- O quê? – perguntei, unindo as sobrancelhas ligeiramente ao levantar-me da cama e parar na frente dele, que no momento também tirava a jaqueta e a colocava no braço da cadeira ao lado da cama.
- Nada. – ele riu, colocando as duas mãos na minha cintura e puxando-me contra o peito dele. – É só que ainda é difícil acreditar que você está mesmo aqui.
Sorri e fiquei na ponta dos pés, colocando meus braços na parte de trás do seu pescoço e o puxei para mais perto, beijando-o apaixonadamente. Os lábios de Edward eram tão gentis, tão delicados. Nossas línguas se encontraram mais uma vez e o beijo se tornou mais profundo. Longo e lento.
- Acredita agora? – sussurrei contra seus lábios. Nós dois rimos e então voltamos a nos beijar. Tínhamos muitos beijos para recuperar.
Movendo-se lentamente, Edward se sentou na borda da cama e me pôs em seu colo enquanto continuávamos a nos beijar, agora de um modo intenso, sôfrego. Uma de suas mãos acariciava minhas costas, por debaixo da blusa, fazendo com que tremores tomassem conta do meu corpo, enquanto a outra segurava a minha nuca; meus dedos roçavam com firmeza os fios do seu cabelo bronze. O ruído ofegante de nossa respiração pesada e o murmúrio dos nossos lábios se movendo em sincronia eram os únicos sons que se ouvia.
Quando afastamos nossos lábios alguns segundos para respirarmos, sem quebrar o contato com os olhos, ergui-me do colo de Edward para envolver a sua cintura com minhas pernas. Suas mãos foram para a minha nuca e ele me puxou para continuarmos de onde havíamos parado, colocando sua língua dentro da minha boca novamente, nossas cabeças inclinadas em direções opostas enquanto nos beijávamos ardentemente. Suas mãos seguravam um punhado dos meus cabelos, em seguida desceram para as minhas costas, até que ele as cravou firmemente na minha cintura, enquanto eu massageava com minhas mãos o seu couro cabeludo. Soltei um gemido baixo em sua boca quando ele me moveu para mais perto de si, permitindo-me então sentir sua ereção rígida através do jeans embaixo de mim, fazendo meu coração acelerar e um calor se concentrar entre as minhas pernas.
Edward depositou suas mãos em cada lado do meu rosto, diminuindo o ritmo do nosso beijo. Ele deslizou os lábios quentes até o meu pescoço, e eu senti como se meu corpo fosse se desmanchar. Arrastei vagarosamente meus dedos até suas costas, e o corpo de Edward estremeceu com a minha carícia. Meu coração deu um novo salto quando me dei conta que estaríamos totalmente sozinhos aqui, neste quarto, nesta cama, pelas próximas noites. Os pais de Edward estavam em outro andar, não havia meus pais, Rosalie, Alice, Emmett ou Jasper. Não haveria nenhuma possibilidade de sermos interrompidos.
Seria apenas eu e Edward.
Abri lentamente os meus olhos, encontrando os dele também abertos. Nossos olhares se fixaram por um instante; nossos rostos a apenas um centímetro de distância, tão pertos que eu podia sentir sua respiração na minha boca. Naquele momento eu soube que ele estava pensando o mesmo que eu.
- Bella, eu... – ele parou, passando a mão suavemente pelo meu rosto. Meu coração martelava audivelmente. – eu realmente não quero que esta noite termine agora. Mas já passa das três da manhã, você acabou de chegar de uma viagem longa, está cansada e eu também preciso estar descansado para a estréia.
De repente senti-me uma completa egoísta. Claro, Edward deveria estar esgotado. Não era tão difícil adivinhar, só olhar para as suaves olheiras abaixo dos seus olhos. Ele me dissera que o dia anterior, a sexta-feira, seria o mais exaustivo de todos.
- E... bem, nós podemos dormir pela manhã inteira se quisermos. Não tenho compromisso até à tarde, e depois da peça nós temos a noite inteira. – seus olhos cintilavam e a sua voz era baixa, embora parecesse alta ao irromper o silêncio do quarto.
Segurei o seu rosto em minhas mãos, e o beijei na testa.
- Isso soa perfeito. – eu disse a ele, que então me deu o meu sorriso favorito.
Nós nos beijamos mais um pouco, até que, aos risos, decidimos parar de vez ou não dormiríamos. Enquanto Edward fora ao banheiro, liguei para a minha mãe, avisando-a que eu chegara e estava tudo bem, prometendo ligar para ela outra hora. Em seguida desloquei-me até a minha pequena mala e tirei de dentro a minha nécessaire. Não tinha trazido muitas opções de pijama, além de um conjunto de short e outro de calças, optando pelo primeiro conjunto, uma vez que o quarto estava bem aquecido. Na verdade, trouxera comigo uma camisola de renda preta, que combinava com a lingerie romã com detalhes pretos que Alice comprara para mim quando fomos a Victoria’s Secret. Ambas estavam bem guardadas em minha mala, para quando a oportunidade chegasse.
Edward saiu do banheiro usando apenas uma calça de moletom cinza do pijama, tão baixa que fez o meu coração parar. Fiquei olhando para o seu abdômen tonificado por tempo demais. Engoli em seco e sorri para ele, que se aproximou de mim e me beijou rapidamente. Em seguida segui para o banheiro. Contemplei por um longo minuto a enorme banheira, um pouco tentada em usá-la. Mas se queria que o banho fosse rápido, era melhor deixá-la para outra hora.
Após a ducha sentia-me bastante relaxada. Vesti o pijama, abri a toalha molhada no box e escovei os dentes. O quarto estava parcialmente iluminado quando voltei. Sorri ao ver que Edward já estava dormindo, de bruços, do lado direito da cama. Apaguei o restante das luzes, deixando o quarto na penumbra. A única luz acesa era a do banheiro. E quando me deitei na opulenta cama, no mesmo segundo senti suas mãos envolverem o meu corpo, puxando-me para o seu peito, entrelaçando as suas pernas nas minhas e colocando o lençol sobre nós. Com um sorriso nos lábios, logo me rendia à inconsciência em seus braços.
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Um fraco feixe de luz bate em meus olhos. Eu os aperto, colocando um braço sobre eles, ainda meio inconsciente. Embora ainda não soubesse as horas, imaginava que teria dormido muito tempo, uma vez que me sentia relaxada. Senti um movimento ao meu lado na cama, em seguida lábios quentes tocarem suavemente meu ombro direito.
Sorri e estiquei os braços preguiçosamente, soltando um bocejo. Lentamente abri os olhos, esfregando-os um pouco antes de me virar e encontrar Edward inclinado sobre o cotovelo, olhando para mim com um sorriso.
- Bom dia. – sua voz suave e angelical ecoou como música em meus ouvidos.
- Ei. – disse em minha voz rouca, baixa, ainda sorrindo.
- Eu amo o seu cabelo quando acorda. – disse Edward, afastando os fios dos meus cabelos que cobriam meu rosto.
Meu sorriso aumentou ainda mais, meio tímido. Fiquei feliz ao ver que as bolsas escuras abaixo dos seus olhos tinham ido embora.
- Que horas são? – perguntei ainda grogue e desorientada do sono.
- Quase onze da manhã. – respondeu. Seus dedos que antes tiravam os fios de cabelo em meu rosto acariciavam agora a minha bochecha.
- Uh, isso tudo? Por que você não me acordou? – inquiri.
- Porque eu senti falta de ficar te olhando. – seus olhos esmeraldas brilharam mais, fixos nos meus. – Você é tão linda enquanto dorme. – murmurou, inclinando o corpo para frente e beijando o canto dos meus lábios.
Meu sangue disparou e eu tremi, seus lábios em minha pele enviando faíscas por todo o meu corpo. Fui obrigada a fechar os olhos.
E então o meu estômago resolveu roncar. Edward riu, enquanto minhas bochechas coravam e eu abria os olhos ainda um pouco atordoada, e agora envergonhada com os protestos do meu estômago. A última vez que havia ingerido alguma coisa tinha sido há muitas horas atrás, um pequeno lanche no avião.
- Você deve estar faminta. – Edward sussurrou. – Que tal um tradicional café da manhã inglês? Ou você prefere que almocemos? O café da manhã do hotel funciona até às onze e meia.
- Não sei... hmm... café da manhã? – perguntei.
- Você decide. – ele riu.
- Então... café da manhã. – sorri.
- Café da manhã. – ele me beijou brevemente antes de se levantar. – Vou tomar um banho rápido.
Quando Edward entrou no banheiro, rolei na cama e fiquei de bruços, fechando os olhos novamente. A minha impressão era de que tinha passado apenas um minuto quando senti um toque em minha perna.
- Ei, linda, acorde.
- Eu estou acordada. – murmurei sorrindo, empurrando meu rosto contra o travesseiro.
- Levanta. – ele beijou meu pescoço, fazendo-me virar na cama com o sobressalto ao sentir seus lábios e sua barba roçarem aquele local sensível.
Sentei-me na cama e encontrei Edward rindo.
Deus, ele estava tão sexy. Os cabelos molhados, uma camiseta cinza com gola em V e jeans escuros. Ele cheirava a desodorante e creme dental.
Sorri timidamente e levantei-me da cama. Indo até minha pequena mala e tirando um conjunto azul claro rendado de calcinha e sutiã de dentro e a nécessaire, seguindo logo após para o banheiro.
Quando retornei ao quarto vestindo apenas minhas peças íntimas, embora estivesse com a toalha enrolada ao redor do meu corpo, encontrei Edward deitado na cama, suas costas relaxavam na cabeceira, e suas pernas estavam esticadas e cruzadas sobre o colchão, enquanto ele assistia algo na televisão. Sorri para ele e caminhei até minha mala. Olhei de esguelha para Edward, que me observava enquanto eu puxava a toalha do meu corpo e revelava a lingerie que eu usava. Eu o ouvi suspirar, mas não virei a cabeça para olhar a expressão em seu rosto. Eu podia adivinhar. Eu mesma já não suportava mais a falta de contato íntimo, e sabia que Edward deveria estar em pior estado. A necessidade, o desejo e a luxúria estavam sempre lá, em cada olhar, em cada toque, em cada beijo.
Sacudindo a cabeça e tentando tirar esses pensamentos por hora, vesti uma calça jeans e um suéter cinza de cashmere com mangas longas. Abaixei-me para calçar o tênis e quando me levantei quase me assustei ao dar de cara com Edward, parado na minha frente. Não o ouvi se aproximar.
- Pegue um casaco. O aquecedor do quarto está forte, mas lá fora está bastante frio. – disse em sua voz de veludo. Percebi que ele estava agora usando um casaco de nylon azul marinho.
Assenti e tirei da mala o casaco preto com capuz, vestindo-o por cima do suéter. Ele segurou a minha mão, e quando dei um passo para então sairmos do quarto, Edward me puxou e antes que seus lábios se chocassem contra os meus num beijo ofegante, tive um lampejo dos seus olhos famintos.
- Vamos? – sussurrou contra meus lábios, suas mãos estavam em minha nuca e eu sentia a evidência da sua excitação contra o meu estômago.
- Sim. – eu disse, tentando respirar.
Eu mal poderia esperar para mais tarde.
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Após o nosso café da manhã no salão privado, Edward encontrou no mesmo local com o Sr. Jones, David Gottan e o diretor da adaptação teatral do clássico de Oscar Wilde – que me fora então apresentado – Chris Duracell, cuja breve reunião havia sido combinada pelo celular enquanto eu tomava banho. Os dois primeiros ficaram igualmente surpresos ao me verem, alegando que a minha presença traria sorte para Edward, que olhou para mim sorrindo e beijou-me brevemente nos lábios.
Fiquei sentada ao lado de Edward, seu braço esquerdo por cima do meu ombro, durante todo o tempo em que os quatro conversavam e acertavam os últimos ajustes. Bebiam cerveja, com exceção de Edward e o diretor, que ficaram apenas na água. Os seus celulares não paravam de tocar um minuto, fazendo com que a minha ansiedade e expectativa para o espetáculo e ver o meu namorado atuando pela primeira vez crescesse progressivamente à medida que os minutos iam passando.
- Claro que há uma estrondosa expectativa em torno da reabertura do teatro centenário, conhecido mundialmente e encontrava-se fechado há muitos anos. – começou o diretor. – Mas há uma forte expectativa também para o espetáculo de reinauguração. Especialmente porque mudamos o roteiro inicial, que era semelhante ao do filme dirigido pelo Oliver Parker, e o deixamos praticamente fiel ao roteiro original.
- E eu não canso de dizer que foi a decisão mais acertada. – comentou David.
- Graças a Edward aqui, que mesmo da Califórnia conseguiu convencer os idealizadores que o ideal seria a versão original. – disse Sr. Jones, colocando uma mão no ombro de Edward.
- Bem, eu só acho esta versão cinematográfica muito modificada. Quero dizer, o filme é bom, mas aborda tópicos que o livro apenas sugere. – disse Edward.
Meus lábios se esticaram em um pequeno sorriso ao lembrar-me as tantas discussões que Edward e eu tivemos acerca do livro, logo que eu terminara a leitura, e do filme Dorian Gray quando assistimos juntos posteriormente. Nós dois compartilhávamos a mesma opinião. Ele ficou tão incomodado na época quando descobrira que usariam o roteiro do filme.
- Concordo com Edward. Claro que adaptações geralmente nunca são completamente fieis ao livro, mas especialmente este filme eu achei muito distante. A própria forma como a Sibyl e sua morte é retratada no filme não é tão teatral quanto à obra de Wilde. – manifestou David Gottan a sua opinião.
- Sem dúvida. O livro é fantástico. – concordou o diretor Chris Duracell, tomando um gole da sua água.
- E a reabertura do Royal será o evento mais falado do ano. – declamou o Sr. Jones. – E nós precisamos nos apressar. Temos que estar no teatro em menos de uma hora. – completou, dando um último gole na sua cerveja.
Os outros dois concordaram, terminando suas bebidas e se levantando da mesa em que estávamos sentados, se despedindo de Edward e me cumprimentando antes de deixarem o salão.
- Vejo você mais tarde, Edward. Foi um prazer conhecer você, Isabella. – sorriu Chris, saindo em seguida.
Edward e eu caminhamos de mãos dadas até o elevador, onde voltamos à suíte.
- Então hoje a sessão será apenas para convidados? – perguntei quando entramos no quarto, tirando em seguida o meu casaco.
- Exatamente. Atores e celebridades local, escritores, pessoas ligadas ao teatro, à literatura, imprensa, e claro – ele sorriu, tirando o próprio casaco também, deitando-se na cama e me levando junto. –, parentes e amigos das pessoas envolvidas. Amanhã e no próximo final de semana será aberto ao público.
- Hmmm. – balancei a cabeça, sorrindo enquanto me ajustava nos braços dele na cama.
- Hoje à noite você vai poder conhecer o meu avô, o meu amigo Tom e sua noiva, a Diane. – disse, beijando o topo da minha cabeça.
- Sério? – inclinei a cabeça para olhar para ele.
- Sim. – ele riu. – E ficarão bastante surpresos quando virem você. Vão achar que eu sabia desde o início.
- Bem, eu posso confirmar que foi uma surpresa de última hora. – falei, beijando o local abaixo do seu queixo.
- Uma inesperada, doce, adorável e linda surpresa. – sussurrou com um sorriso torto antes de me beijar.
Nós ficamos deitados na cama e passamos os últimos minutos nos beijando. Então Edward ligou a TV, embora não estivéssemos interessados em assistir alguma coisa. Conversamos sobre vários assuntos; como andavam as coisas em Sacramento, minha escola, o Espejo, sobre nossas famílias, e sobre nada demais. Edward ficava girando as pontas do meu cabelo ao redor dos seus dedos enquanto conversávamos, o que me fez, sem perceber, cair no sono algum tempo depois. Bem, Edward também dormira, uma vez que despertamos com os sons de batidas na porta quando era aproximadamente duas horas da tarde. Eram Esme e Carlisle, que tinham acabado de chegar da rua após passarem a manhã fazendo compras, nos chamando para almoçar, caso não tivéssemos almoçado ainda. Eu realmente não estava com fome, mas Edward insistiu que descêssemos e tentássemos comer pelo menos um pouco, uma vez que agora só teríamos oportunidade de comer na festa, após a reinauguração. Depois de muita insistência, fui convencida.
Edward e eu quase não tocamos na comida, pela falta de apetite. Ainda assim, ele comera um pouco mais que eu. Me limitei a apenas conversar, ouvindo os pais do meu namorado contarem o que fizeram durante a manhã, que incluiu uma ida à Barnes, para Esme ver o seu pai, que, segundo ela, estava ansioso para me conhecer. Esme combinara de me buscar no quarto quando Edward saísse para o teatro. Assenti e ele concordou um pouco hesitante. Queria que eu fosse junto, mas seus pais o lembraram, que caso eu o acompanhasse, não poderia ficar todo o tempo junto com ele, consequentemente ficaria sozinha.
E horas mais tarde, quando o momento de Edward deixar o hotel chegara, Esme bateu a porta do quarto. Edward estava no banheiro terminando de fazer a barba, então saltei da cama para atender, recebendo uma Esme sorridente, segurando uma sacola. Meu namorado saiu do banheiro sem nenhum pêlo no rosto, pendurado numa chamada no celular com alguém da produção. Ele sorriu brevemente para sua mãe, que se sentou em uma das poltronas ao lado da minha, enquanto esperávamos Edward terminar a ligação, ao mesmo tempo em que ele começava a colher suas coisas.
- Tenho algo para você. – Esme sussurrou.
- Para mim? – inquiri.
- Sim. – ela sorriu. – Pensei em chamá-la para fazermos compras, mas achei melhor não incomodar vocês, então tomei a liberdade de comprar algo para você.
- Hey, mãe. – Edward inclinou a cabeça e beijou a testa de sua mãe.
- Pronto? – ela perguntou a ele.
Edward respirou fundo e em seguida sorriu torto.
- Sim. Eu acho que sim.
- Vai dar tudo certo, meu filho. – Esme se levantou e o abraçou.
Quando se separaram, Edward olhou para mim e suspirou.
- Nos vemos mais tarde? – perguntou, envolvendo a minha cintura com os seus braços.
- Com certeza. – sorri, ficando na ponta dos pés e o beijei nos lábios.
A minha intenção era de apenas ser um selinho, uma vez que Esme estava observando toda a nossa troca. Mas Edward, por outro lado, parecia não estar se importando em ter sua mãe nos assistindo, quando mergulhou a língua dentro da minha boca e aprofundou o beijo.
Só separamos nossos lábios quando alguém pigarreou, e não era Esme. Era um som grave. Quando olhei senti minhas bochechas esquentarem. Era o Sr. Jones, e ele sorria para nós. Eu não tinha certeza se ouvira batidas na porta. Constrangida, afastei-me de Edward, que manteve um dos braços ao redor da minha cintura enquanto trocava algumas palavras com ele.
Edward se afastou de mim e foi em direção à sua mochila, colocando-a no ombro, e em seguida pegou o terno, que estava bem guardado em sua capa negra. Despediu-se da sua mãe, e depois de mim, curvando-se para me beijar na testa.
- Nós vemos em algumas horas. – ele sorriu.
Cruzei os braços e sorri para ele, assistindo-o sair do quarto.
Suspirei e então olhei para Esme.
- Pronta para ver o que eu trouxe para você? – ela perguntou sorrindo.
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- Bella, tudo bem aí? Você está pronta? – Esme pediu do outro lado da porta.
- Só um minuto. – gritei, de dentro do banheiro.
Finalizei a última mecha e puxei o fio do secador do hotel da tomada. Estava pronta. Dei uma última olhada no espelho e voltei para o quarto.
- Oh, Bella! – exclamou Esme efusivamente. – Você está linda!
- Obrigada. – sorri timidamente para ela.
- Eu sabia que ele ficaria incrível em você! – disse se referindo ao vestido que ela comprara para mim quando saíra às compras pela manhã, dizendo que logo que colocou os seus olhos nele, enxergou-me dentro dele.
O vestido era realmente lindo. Ele é preto, curto e trabalhado com rendas na gola alta, nas mangas e na barra. Adorável.
Esme tinha pintado as minhas unhas também de preto e fez uma discreta, mas marcante maquiagem em meu rosto. E enquanto ela voltara para a suíte que compartilhava com Carlisle para se arrumar, me vesti e me encarreguei de cuidar do meu cabelo, que estava antes molhado do banho que havia tomado logo que Edward saiu. Eu os sequei, e com a ajuda da escova fiz alguns cachos nas pontas, deixando os fios ondulados.
- Alguém não vai conseguir manter as mãos longe de você. – ela disse, enquanto continuava me olhando de cima a baixo. Mordi o meu lábio inferior, me perguntando se Edward iria realmente gostar de como eu estava vestida. Senti um doloroso aperto no peito ao pensar nele.
Edward tinha saído há duas horas e eu já estava sentindo saudades dele.
Suspirei audivelmente.
- O que foi querida? – Esme inquiriu, as feições em seu rosto mudando para uma expressão preocupada. Pelo que parecia, externei a saudade que eu sentia de Edward.
- Não foi nada. Eu só... – me interrompi no meio da frase, e então continuei. – Eu só... quero ver Edward. – admiti, de repente achando interessante olhar para os meus pés.
Esme caminhou até parar na minha frente e ergueu o meu rosto com a mão.
- Não fique constrangida. – ela sorriu amorosamente para mim. – É tão bonito o amor de vocês. E o meu coração de mãe só tem a agradecer o que você sente pelo meu filho.
Respirei fundo e assenti.
- Pronta para irmos? – ela perguntou.
- Só... vou colocar os meus sapatos.
Caminhei até onde o meu par de peep toe preto descansava ao lado da cama, e sentei-me para calçá-los. Só então notei o que Esme usava: um vestido longo frente única no tom nude de tule e cetim. Seus cabelos estavam presos em um coque, com alguns fios soltos. No rosto a maquiagem era bem discreta, como ela costumava sempre usar. A mãe de Edward estava deslumbrante. Incrível como ela era parecia tão jovem, como se nem tivesse filhos com as idades que eles têm.
Vesti o sobretudo por cima do vestido, e minutos mais tarde descemos para o hall do hotel, onde Carlisle nos esperava ao lado de um senhor que mesmo eu não o conhecendo, sabia exatamente de quem se tratava. Era o pai de Esme.
Enquanto Carlisle, vestindo um terno preto com gravata da mesma cor do vestido de Esme, deslizou um braço ao redor da cintura de sua esposa, murmurando algo em seu ouvido que provavelmente deveria ser um elogio – uma vez que ela abrira um sorriso amplo após isso –, olhei para o avô de Edward, que também estava elegantemente vestido em um terno cinza.
- Oh. Você deve ser a namorada de Edward. – exprimiu, olhando para mim.
- Sim. – confirmei com um sorriso.
- Bella, este é o meu pai, Roger Evenson. Pai, esta é Isabella Swan, namorada de Edward. – Esme nos apresentou.
- Você é ainda mais linda pessoalmente. – ele estendeu a mão para me cumprimentar, e quando eu estiquei a minha, ele a segurou, depositando um beijo. – Meu neto tem muito bom gosto.
Eu sorri, e agradeci mentalmente a maquiagem cobrindo o rubor que tomou o meu rosto naquele momento. Eu ainda não sabia lidar muito bem com elogios.
- Obrigada. – eu lhe disse.
- E então, vamos? – pediu Carlisle sorrindo, segurando a mão de Esme.
Nós quatro seguimos para a SUV que nos aguardava do lado de fora do hotel. Londres estava congelante. A minha respiração saía fria pela boca, minhas pernas tremiam com o frio, e eu apressadamente fechei os botões do meu sobretudo tentando me aconchegar nele. Carlisle cumprimentou o simpático motorista, que num gesto cortês segurava a porta aberta para que entrássemos, nos dando boa noite.
Conversamos animadamente durante o caminho até o teatro e, diferentemente do trajeto do aeroporto até o hotel, na madrugada, eu observava através da janela com excitação e deslumbramento enquanto o carro seguia pelas ruas de Piccadilly. O Sr Evenson contava histórias sobre a infância dos netos, narrando como Emmett fora o mais agitado dos meninos, Jasper o mais calmo e Edward o meio termo. Contou-me que no último mês em Londres, Edward o visitou três vezes e que em todas elas não parava de falar sobre mim e mostrou-lhe fotos de nós dois juntos, que estavam em seu celular. Meu coração inflou-se em meu peito.
O Sr. Evenson me intimou a ir até sua casa em Barnes e eu lhe assegurei que combinaria com Edward para fazermos uma visita antes da minha partida, dizendo-lhe também para nos visitar em Sacramento.
Quando finalmente chegamos ao teatro Royal, não pude conter um ofego diante do tamanho, beleza e sofisticação da construção. Ele era majestoso! Com colunas na vertical em estilo barroco, ornamentos banhando a ouro e bronze, a escadaria de acesso toda em granito. E quando coloquei os pés em seu interior, me senti em pleno século XVIII. Era tão luxuoso. Grossos carpetes, vitrais espalhados por todo lugar. Eu estava completamente deslumbrada.
O movimento de pessoas tanto na entrada quanto do lado de dentro do teatro era grande. Elegantes mulheres em seus longos vestidos, homens de terno, até mesmo jornalistas, devido à importância do evento, que marcava a reabertura de uma das mais antigas casas de espetáculo do mundo.
Carlisle, que havia saído por um minuto à procura de alguém que eu não ouvira o nome, voltara e pediu que o acompanhássemos em direção ao lugar reservado para nós. E após alguns lances de escadas, alcançamos o andar superior, onde ficavam os camarotes. Quando a cortina da cabine destinada aos convidados de Edward fora aberta pelo meu sogro, constatamos que ocuparíamos o camarote onde se tinha a visão mais privilegiada do teatro. A primeira do lado esquerdo, muito perto do palco.
Estava tudo perfeito, só faltava uma coisa: Edward. Eu queria tanto vê-lo.
Tirei o sobretudo colocando-o no suporte, e sentei-me em um dos lugares enquanto observava a cortina vermelha ainda fechada, os convidados entrando, se acomodando em seus assentos enquanto conversavam uns com os outros. Esme, Carlisle e Sr. Evenson permaneceram de pé, discutindo sobre algo relacionado à casa dos Cullen em Barnes. Pelo que parecia, os pais de Edward estavam indo para lá esta noite, onde ficariam até voltarmos para Sacramento.
Não tinha certeza da hora, nem me incomodei em perguntar, mas imaginei que estava próximo o início da peça, uma vez que o teatro estava ficando cheio. Questionei-me se veria Edward antes de começar. Não tive a oportunidade de desejar-lhe devidamente um ótimo espetáculo quando ele deixou o hotel mais cedo, estava muito ocupada me constrangendo com a platéia assistindo nossa troca de carinho.
Eu queria tanto saber onde ele estava e o que estava fazendo naquele momento. Saber se estava tranqüilo ou ansioso, e se estava pensando em mim. Detestava ficar longe dele, ainda mais nós estando tão perto.
Eu só precisava ver ele antes, nem que fosse por apenas um minuto.
Estava prestes a me levantar e pedir a Carlisle para me levar até ele quando senti duas mãos grandes pousarem em meus ombros. Sorri com o conhecimento.
A primeira coisa que lembro é que no segundo seguinte eu estava de pé, e dominada pelo contentamento incontido me atirei em seus braços. Eu tinha quase certeza que a cabine tinha mais pessoas do que eu sabia, mas ignorei os risos das testemunhas por causa do meu entusiasmo sem controle e o abracei firme. Ele me acomodou em seus braços e as suas mãos afagaram minhas costas.
Relutantemente me afastei dele, mas apenas por espaço suficiente para olhar em seu rosto. As mãos dele continuaram no mesmo lugar.
- Oi, baby. – Edward sussurrou com um sorriso reluzente, acariciando minhas costas.
- Oi. – eu disse, com um sorriso igualmente enorme.
Enquanto eu o olhava, notei algo diferente. O seu cabelo. Edward estava com o cabelo comportadamente penteado, e eu nunca o vi assim antes. E quando meus olhos desceram notei o que ele estava vestindo. Era o figurino da peça. Roupas de época. Mas antes que eu tivesse a chance de fazer algum comentário, ele segurou com as duas mãos a minha nuca, e inclinou o rosto para frente, me beijando suavemente nos lábios. Retribuí o beijo, e embora minha vontade fosse aprofundá-lo, não o fiz. Fora então que percebi que havia realmente mais pessoas além dos pais e o avô de Edward na cabine quando afastamos nossos lábios.
- Quero te apresentar duas pessoas. – Edward segurou a minha mão, e me levou até onde estava um casal parado na entrada. – Bella, estes são Tom e a sua noiva, Diane.
- Oh! – exclamei ao saber de quem se tratavam.
- Até que enfim pude conhecer uma das madrinhas do meu casamento. – disse Diane sorrindo, soltando a mão do Tom para me dar um abraço.
Sorri para ela e a abracei de volta. – É um prazer conhecer você. – eu lhe disse.
- O prazer é meu também. – falou quando nos separamos do abraço.
Tom estendeu a mão para mim.
- É ótimo finalmente conhecer a garota que roubou o coração do meu amigo aqui. – ele me cumprimentou sorrindo.
- Olá, Tom. – sorri e o cumprimentei, apertando sua mão.
- Será que ainda consigo encontrar uma dama disponível e que queira me fazer companhia? Pelo visto sou o único sobrando aqui. – disse o avô de Edward, fazendo todos nós rirmos.
- Bem Sr. Evenson, acredito que a Sra. Mills não hesitaria em...
- Não. – o pai de Esme interrompeu o comentário do Tom. – Ela tem quase a minha idade.
- Papai! – advertiu Esme, rindo ao lado de Carlisle.
- O quê? – ele inquiriu à filha, rogando-se de desentendido. – Eu já sou velho, minha filha, não preciso de outro do meu lado.
Rimos ainda mais.
Segurando o tempo todo a minha mão, Edward trocou mais algumas palavras com Tom e Diane, em seguida comunicou que precisava ir, pois a peça começaria em vinte minutos. Todos o abraçaram, desejando-lhe uma ótima apresentação. Carlisle e Esme o beijaram, dizendo-lhe que sentiam muito orgulho.
Edward me puxou pela mão, me guiando para o lado de fora do camarote. Caminhamos pelo corredor, parando no final deste, onde não havia ninguém circulando. Ele me encostou na parede e segurou o meu rosto com as duas mãos.
- Eu já disse o quanto você está linda nesse vestido? Quero dizer, você fica bem vestindo qualquer coisa, mas esta noite você está de tirar o fôlego, Bella. – ele sussurrou, seus lábios a um centímetro dos meus.
- Você está ótimo também. – mordisquei o meu lábio inferior, segurando-lhe pelo colarinho da camisa.
- Estou é? – ele roçou os lábios nos meus, sem me beijar realmente.
- Sim. – disse em um sussurro quase inaudível, sentindo o meu coração acelerar.
Então ele cansou de brincar com meus lábios e me beijou de verdade. Passei as mãos ao redor da sua cintura, enquanto ele segurava a minha nuca e devorava a minha boca com fervor. Acho que ele também estava com saudades. E quando o beijo ficara ardente demais, a ponto de me fazer sentir a excitação de Edward, ele quebrou o beijo, unindo sua testa à minha ao mesmo tempo em que respirávamos com dificuldade.
- Eu preciso ir. – ele disse.
Abri os meus olhos e Edward abriu os dele logo em seguida.
- Não vou te desejar boa sorte, porque sorte desejamos aos despreparados, então, desejo um ótimo espetáculo, tranqüilidade e boas energias. Vai dar tudo certo, Edward.
Ele sorriu amplamente, inclinando-se para beijar minha testa.
- Obrigado, baby. – ele beijou outra vez. – Obrigado por fazer parte da minha vida. – ele me beijou nos lábios uma última vez.
Relutantemente nos separamos e nos despedimos trocando palavras de carinho, prometendo nos encontrarmos em breve, ao final da peça.
Edward desapareceu pelos bastidores e eu voltei para a cabine. Corei furiosamente enquanto caminhava em direção ao assento desocupado entre Esme e Diane. Todos me olhavam de maneira curiosa e mantinham um sorriso nos lábios.
- Tome. – sussurrou Diane, me estendendo um batom. – Parece que o seu foi embora. – ela riu discretamente.
Ainda corando, peguei o batom de sua mão e agradeci antes de passá-lo nos lábios.
Passado o constrangimento, onde todos pareciam ter esquecido minha entrada à cabine um pouco esbaforida, iniciamos uma conversa sobre os melhores romances já escritos de todos os tempos. Engraçado como o quão divergentes eram as nossas opiniões quando discutimos sobre qual história de amor possuía o casal mais estimado. Diane, assim como eu, elegemos Elizabeth Bennet e Sr. Darcy, causando a discórdia dos demais. E quando o avô de Edward tentava explicar por que em sua opinião Romeu e Julieta, apesar de trágico, ganhava esse título, as luzes foram apagadas, fazendo com que encerrássemos o assunto.
E a excitação tomou conta de mim.
O silêncio se instalou por todo o teatro lotado, até que as cortinas se abriram, e então palmas de saudação emergiram da platéia.
A primeira cena fora entre Lorde Henry e o pintor Basil. Eu só conseguia pensar no quanto estavam perfeitos o cenário e o figurino, ansiosa pelo momento em que Edward entraria no palco. E quando o momento chegara, onde o meu namorado, ou melhor, Dorian Gray, surgira sentado de frente a um piano, em sua beleza extrema, tão semelhante a Adônis, senti as lágrimas brotando em meus olhos de orgulho.
Um sorriso radiante se ampliou em meus lábios quando ele começou a atuar.
Não poderia escolher a minha cena preferida. O diálogo tenso entre Dorian e a Sibyl, as manipulações do Lorde Henry sobre Dorian, a morte do Basil; todas as cenas eram dignas de aplausos. A linguagem requintada e difícil, no perfeito sotaque britânico. E Edward encenava todas elas com maestria. Eu tinha tido um aperitivo do seu talento quando encenamos no Espejo, durante o meu teste, mas, ainda assim, aquele dia não fora nada perto do que eu testemunhava esta noite.
Eu estava além de orgulhosa.
E após a cena final, quando o velho Dorian é encontrado no assoalho, ao lado do amaldiçoado quadro, gritos de excitação e aplausos fervorosos ecoaram por todo o teatro. E ainda sob aplausos, as luzes foram acesas e as cortinas fechadas, mas reabertas segundos depois, fazendo com que todos ficassem de pé, incluindo nós que estávamos em camarotes, para reverenciar todo o elenco e produção da peça que se reuniram no palco em agradecimento à platéia. Tinha sido um sucesso.
E então não pude evitar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
Quando o elenco deixou o palco, organizadores do evento e os responsáveis pela reforma do teatro assumiram o microfone para falar sobre o investimento e a importância da casa de espetáculos para a cidade. Aproveitamos o momento para comentarmos sobre a peça e a atuação de Edward. Esme estava tão emocionada quanto eu. Eu balançava nervosamente a perna, ansiando encontrar Edward e dizer-lhe tudo que eu estava sentindo. A alegria transbordava de mim.
Quando já se passavam trinta minutos do fim da peça, mantive meu sobretudo nas mãos e deixamos a cabine, seguindo em direção aos camarins. Várias pessoas andavam de um lado para o outro. Todos estampando sorrisos de satisfação nos rostos. Quando seguíamos pelo corredor, encontrei Max Gottan, meu professor de teatro da escola. Bem, meu ex-professor, uma vez que ele deixou a escola e voltou para Londres, após voltar às boas com o irmão, David, para voltar a assumir o CTE de Londres.
- Isabella. – ele me abraçou.
- Sr. Gottan. – sorri, retribuindo o abraço.
- Não tinha visto você por aqui. – comentou quando nos afastamos. – E não é que eu encontro o meu amigo Carlisle. – o Sr. Gottan sorriu e em seguida Carlisle e ele trocaram um abraço em cumprimento.
Às vezes esquecia que eles eram amigos e que Max fora quem incentivou Edward a entrar para o teatro, e que graças a ele eu decidi fazer o teste no Espejo, o que me levou a conhecer Edward. Era tão surreal e fascinante ao mesmo tempo.
- Vocês estão à procura de Edward? – ele perguntou.
- Sim. – Esme respondeu com um sorriso. – Onde está o meu filho?
- Edward estava ainda há pouco aqui, sendo cumprimentado por algumas pessoas, mas acredito que voltou para o camarim para se trocar. Vamos, vou levar vocês até lá.
Voltamos a caminhar e o fluxo de pessoas andando de um lado a outro parecia só aumentar.
- É aqui. – Max Gottan parou diante de uma porta. Quando ele a abriu, havia várias pessoas dentro da enorme sala, inclusive Edward. E o meu coração quase parou com a visão. Ele estava com um terno preto de dois botões, camisa social branca por dentro e gravata preta. E o seu cabelo desalinhado que eu tanto amava estava de volta.
Ele sorriu quando me viu.
E com um sorriso no rosto, Edward veio ao nosso encontro, ao mesmo tempo em que adentrávamos o camarim, logo atrás do Sr. Gottan.
- Edward! – nós nos abraçamos. – Você foi perfeito! – eu disse, com a cabeça sobre o seu ombro.
- Obrigado. – ele sorriu, me abraçando firme ainda mais.
- Estou tão orgulhosa de você!
- Obrigado, baby. – ele beijou o topo da minha cabeça. – Não seria o mesmo sem você aqui.
- Seria perfeito do mesmo jeito. – eu ri contra a pele do seu pescoço.
Edward reduziu o aperto dos seus braços sobre o meu corpo e inclinou a cabeça para me olhar.
- Nada é perfeito quando você não está, Bella. Você tira o melhor de mim. – murmurou com intensidade e em seguida me beijou.
Bem, fora um beijo breve, mas o suficiente para me deixar atordoada e implorando por mais. Mas infelizmente não estávamos sozinhos, e além disso, seus pais, avô e amigos gostariam de parabenizá-lo. Logo que todos tiveram a oportunidade de falar com ele, protetoramente com um braço ao redor da minha cintura Edward me apresentou aos atores que formavam o elenco da peça, e a outras pessoas que estavam ali no momento.
- Bom, foi um prazer conhecer você, Isabella. – sorriu Holly, a atriz que fazia o papel da Sibyl Vane, que estava de mãos dadas com o namorado. – Nós estamos saindo para a festa. Vocês estão vindo agora? – inquiriu a mim e a Edward.
- Em breve. Só preciso falar com algumas pessoas e me despedir da minha família. – Edward respondeu a ela.
As pessoas começaram a se dispersar, quando Tom e Diane se aproximaram de nós. Eles parabenizaram Edward mais uma vez, se desculpando por não poderem ir à festa, pois precisavam ir a algum lugar na Kensington. Aparentemente uma festa também. Nós nos despedimos, combinando entrar em contato para marcarmos um encontro de casais antes da minha volta para Sacramento.
Edward falou com mais algumas pessoas, prometendo estar em alguns instantes na festa. Depois disso, ele recolheu suas coisas para entregar a Esme, que levaria de volta para o hotel, uma vez que iríamos à festa, mas ela, Carlisle e o Sr. Evenson não. Eles iriam para Barnes aquela noite. Carlisle já tinha fechado a conta do hotel mais cedo, voltaria apenas para pegar as malas e seguiria para a sua antiga residência, onde ele e Esme ficariam nos próximos dias.
Edward me ajudou a colocar o sobretudo, e então caminhamos até a SUV que levaria os pais e o avô de Edward de volta ao Ritz. O Sr. Evenson lembrou-me mais uma vez de visitá-lo em Barnes, e Edward lhe prometeu que iríamos na segunda-feira.
- Por que só segunda-feira? Por que não amanhã? – ele inquiriu.
- Pai. Amanhã é dia 14. – Esme o informou.
- E o que tem dia 14?
- Dia dos namorados, esqueceu? – ela completou a informação.
- Oh! – o Sr. Evenson riu. – Claro, claro.
Edward e eu rimos enquanto o assistíamos entrar no carro.
- Hmm... pai?
- Sim, Edward.
- Será que você podia... fazer algo para mim? – perguntou. Era apenas impressão minha ou Edward parecia embaraçado?
- Claro, filho.
Edward olhou para mim, e então nos pediu licença. Sem entender, mas percebendo que o filho gostaria de falar em particular, Carlisle o seguiu.
Eles se afastaram apenas um pouco. E mesmo que Esme e eu continuamos conversando, eu não conseguia tirar os meus olhos deles. Edward falava algo próximo ao ouvido de Carlisle, que então lhe respondeu de volta, e Edward apenas balançava a cabeça, concordando. Eles pareciam tão sérios. Antes de retornarem, Carlisle sorriu cúmplice e deu duas batidinhas de leve no braço de Edward, que colocou um braço ao redor da minha cintura quando voltou.
- Bom, nós estamos indo embora. Vocês vão ficar bem?
- Mãe, eu estou hospedado naquele hotel sozinho há exatamente um mês. Com o que você está preocupada agora? – Edward riu.
Esme olhou para Edward, depois para mim, em seguida balançou a cabeça.
- Nada. – ela abriu os lábios em um pequeno sorriso. – Só cuide bem da Bella, Edward. Você é responsável por ela agora. – Esme pediu.
Edward e eu nos entreolhamos. Segundos depois, ele apertou o braço na minha cintura e então olhou para sua mãe.
- Vou cuidar bem dela. Você não tem com o que se preocupar, mãe. – ele sussurrou, fazendo meu coração amolecer.
- Eu sei. – ela estendeu a mão e afagou o rosto de Edward, em seguida o meu. – Nos vemos na segunda-feira. E amanhã – ela sorriu –, tenham um ótimo dia dos namorados.
Nos despedimos e então Esme pode entrar no automóvel. Carlisle e o Sr. Evenson acenou para nós, e logo o carro estava em movimento, indo embora.
- Agora somos só nós dois. – Edward sussurrou ao se virar para mim, me olhando intensamente, fazendo com que borboletas dançassem em meu estômago e o meu coração disparasse. Eu sentia algo que ainda não conseguia articular. Uma tensão, uma antecipação, uma mudança na atmosfera que nos rodeava.
Eu continuava olhando para Edward, e a minha respiração naquele momento era ruidosa e entrecortada.
- Nós temos uma festa para ir... – o tom de sua voz era baixo e suave, seus olhos nunca deixando os meus. –, e depois nós podemos fazer o que você quiser. – Edward concluiu.
Eu sabia o que ele queria dizer. As palavras evocadas deixando claro que a escolha era minha, que ele apenas faria o que eu quisesse, colocando as minhas vontades sobre as dele. Mas eu queria que Edward entendesse que esta noite não era sobre mim, ou sobre ele. Era sobre nós.
- O que nós queremos, Edward. – corrigi, minha voz saindo fraca, quase inaudível.
Ele permaneceu olhando para mim, seu pomo de adão saltava agitado e as suas duas mãos descansavam no final das minhas costas.
- Nós vamos voltar para o hotel. – sussurrei, sentindo um tremor impulsionar o meu corpo como uma avalanche, diante do que as minhas palavras significavam.
Então Edward me puxou para ele e pressionou os lábios nos meus. E nós nos beijamos como se fosse a primeira vez.
- Edward! – uma voz irrompeu, nos fazendo quebrar o beijo. – Sinto muito interromper, é que David pediu para verificar se vocês já estão prontos para sair. – perguntou um dos rapazes da produção do CTE de Londres, cujo nome não me recordava agora.
- Nós estamos indo. – Edward respondeu arfando, tirando as mãos das minhas costas e segurando a minha mão com a sua. – Vamos? – me inquiriu sorrindo, com seus lábios vermelhos e inchados do beijo que acabamos de compartilhar.
- Vamos. – sorri, e em seguida caminhamos de mãos dadas em direção ao carro que nos esperava para levar-nos ao local onde ocorria a festa.
Minutos depois chegávamos ao local. E mais pessoas vieram parabenizar Edward, assim como os demais do elenco que chegara junto conosco. Edward cumprimentava a todos sem largar a minha mão, me apresentando a várias pessoas que não tive oportunidade de conhecer quando ainda estávamos no teatro. Uma banda com dois vocais, um feminino e outro masculino, entoava o ritmo da noite, animando os convidados, que circulavam pelo salão com seus copos de bebida ou garrafas de cerveja à mão, conversando ou se balançando no ritmo das músicas.
Algum tempo depois de cumprimentar as pessoas que o paravam à medida que caminhávamos, Edward finalmente encontrou a nossa mesa, destinada à parte do elenco, alguns produtores, o diretor e outros que estavam nos bastidores. Nos sentamos e eu imediatamente tirei o sobretudo mais uma vez. E enquanto ele dava atenção aos demais ocupantes, respondendo suas perguntas ou palpitando sobre qualquer coisa que o solicitavam, eu apenas o assistia deslumbrada, olhando para nossas mãos entrelaçadas, pensando no quanto eu tivera sorte em tê-lo na minha vida. Eu o amava e o admirava tanto que me perguntava muitas vezes como poderia caber tanto amor, tanto sentimento dentro de mim.
Em vários momentos, Edward me pegava olhando para ele, mas nada dizia. Ele sorria para mim com um brilho cintilante nos olhos, apertava a minha mão e a levava até os lábios, depositando um beijo suave. Porque palavras não precisavam ser ditas. Esses pequenos gestos, olhares, carícias e sorrisos gentis expressavam o que estávamos sentindo. Nós tínhamos ficado longe um do outro por tantos dias, que os nossos corações se aqueciam com qualquer demonstração de afeto. Eu odiei os dias sem ele, era como se viver sem a sua presença não fizesse sentido. Mas agora, estar aqui junto com ele, isso sim fazia todo sentido.
O jantar fora servido, mas eu o rejeitei mesmo sob o olhar de advertência e os protestos de Edward, dizendo que eu tinha comido muito pouco durante todo o dia. Para acalmar suas reclamações, me limitei a experimentar alguns salgados servidos no Buffet, embora alimentar-me fosse a última coisa que o meu organismo queria.
Durante boa parte da festa, Bonnie, a esposa de Jim Hughes, ator que interpretara o Lorde Henry, puxava assunto comigo. Ela era muito simpática, tinha vinte e cinco anos, e estava grávida do primeiro filho, o que me fizera lembrar Paola. Fiquei de telefonar para ela quando voltasse à Sacramento.
Eu conhecia Edward demais para saber que ele queria ir embora, mas não demonstrava isso. Ele continuava firme, com um sorriso no rosto, sendo simpático e falando com todo mundo ao redor. E essa era uma das coisas que eu amava nele. Edward tinha o dom de agradar as pessoas sem nenhum esforço.
Mas tudo que eu queria era voltar para o hotel e tê-lo só para mim, embora ele estivesse neste momento sentado ao meu lado, sua mão acariciando minhas costas ou brincando com os dedos da minha mão; embora vez em quando ele se inclinasse na minha direção para depositar um beijo em minha bochecha ou sussurrar palavras doces em meu ouvido, como o quanto eu estava linda, fazendo meu corpo estremecer em todos os lugares. Mesmo com todos esses gestos, mesmo que ele tenha sido atencioso e perfeito durante toda a noite, ainda assim não era o suficiente para mim.
Esta noite eu queria mais.
Após um tempo, Edward virou a cabeça na minha direção, e sussurrou em meu ouvido.
- Você quer dançar? – pediu.
- Dançar? – indaguei, estreitando um olho.
- Sim. – ele riu torto. – Vamos lá, Bella. Só uma música? – Edward pedia com aquele olhar potente e era praticamente impossível dizer não.
- Tudo bem. – concordei.
Pedimos licença e nos levantamos. Coloquei minha mão sobre a de Edward, e ele nos conduziu até o meio do salão, onde várias pessoas, casais ou não, dançavam no compasso das músicas de artistas britânicos da atualidade ou das últimas décadas que a banda tocava. Era o momento das baladas mais lentas.
Edward envolveu um braço no lado esquerdo da minha cintura, e com a mão esquerda, ele segurava firmemente a minha mão direita, enquanto eu depositava a outra em seu ombro. Nós trocamos um sorriso aquecido quando começamos a nos mover, ao som de ‘Love Is Love’ do Boy George.
Edward me guiava suavemente de um lado para outro, nós nos balançávamos lentamente em silêncio. Compartilhando olhares e pequenos sorrisos cúmplices. E a cada movimento dos nossos corpos, ciente das mãos de Edward me segurando, eu me sentia mais leve.
Dançávamos sem nos importar com o que acontecia a nossa volta. Eu olhava para as nossas mãos unidas, pensando no quanto a minha mão se encaixava perfeitamente na dele. Isso me fez lembrar a primeira vez que ele a segurou. Foi no dia do meu teste no Espejo, que por coincidência também era o dia do meu aniversário. Eu fiquei tão encantada por ele que fiquei sem ação enquanto ele se apresentava a mim. Eu sabia que algo havia acontecido ali.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!- Sabe o que eu estava lembrando? – Edward perguntou, de repente.
- O que? – inquiri, saindo dos meus devaneios.
- Quando dançamos na festa de Ano Novo. Lembra? – ele riu.
- Sim. – eu ri. – Nós estávamos meio bêbados.
- Estávamos. – ele concordou rindo.
- Você quase caiu quando se levantou da cadeira para a contagem regressiva, lembra?
Ele balançou a cabeça e nós dois rimos com as recordações, olhando um para o outro. E mesmo quando nossas risadas cessaram e parávamos de nos mover, não conseguimos desviar os olhos um do outro.
- Foi uma noite maravilhosa, Edward. – murmurei, assaltada pelas lembranças do final daquela noite. – Como esta noite. – completei em um murmúrio.
- Sim. Como esta noite. – repetiu, cravando seus olhos profundamente verdes em mim. – Mas ela está longe de terminar. – sussurrou e então ele desceu os olhos até os meus lábios. Meu coração acelerou com toda força contra o meu peito quando Edward se inclinou e pressionou os lábios macios e gentis nos meus.
Sinto-me como se atingida por um raio produzindo ininterruptas descargas elétricas pelo meu corpo. As sensações que esse beijo causou em mim eram diferentes de qualquer outra coisa que eu sentira em nossos beijos anteriores. Eu me sentia zonza, como se minha cabeça e o meu coração pudessem explodir a qualquer momento, e um latejar profundo em meu peito impossível de descrever. E quando meus lábios se entreabriram para dar passagem a sua língua, minhas pernas perderam o equilíbrio.
E lá estava a atmosfera se intensificando mais uma vez ao nosso redor, nos consumido. Não sei por quanto tempo ficamos ali parados nos beijando, enquanto todos dançavam a nossa volta. Foi um beijo apaixonado, lento e muito longo. E então a música mudou para ‘Too Much Heaven’, do Bee Gees. Edward guiou a minha mão que ele segurava até o seu peito, deixando-a lá, enquanto sua mão agora livre envolvia o outro lado da minha cintura, cravando seus dedos em minhas costas. Quando nossas bocas se separaram, ele pressionou o corpo contra o meu, e eu enterrei a minha cabeça na curva do seu pescoço, fechando os olhos quando voltamos a nos mover. Minha respiração se chocando em sua pele, embalada pelo seu cheiro e pela canção que tocava de fundo como nossa trilha sonora.
Embalada pelo amor.
Sim, o amor é uma coisa tão bonita, como diz a letra da música. Amor é isso que estou sentindo agora. E eu só desejava permanecer nesses braços para sempre. Ser para sempre dele. E esta noite era a prova disso. O meu corpo implorava por isso.
A música mudou mais uma vez, e a vocalista feminina assumiu o microfone quando os acordes de ‘2 become 1’ das Spice Girls começou. E todo aquele sentimento abrasador tomou conta do meu peito.
‘Candle light and soul forever’
‘A dream of you and me together’
‘Say you believe it, say you believe it’
Levantei a minha cabeça do ombro de Edward, e o olhei diretamente nos olhos. Seus orbes intensamente brilhantes queimavam sobre mim como chama de uma vela, e eu desejei saber se ele estava pensando o mesmo que eu.
‘Free your mind of doubt and danger’
‘Be for real don’t be a stranger’
‘We can achieve it, we can achieve it’
Nossos olhares continuaram penetrantes um no outro. Edward suspirou, e então estendeu a mão, tocando delicadamente o meu rosto. Quando seus dedos tocaram minha pele, fechei os olhos, sentindo o meu corpo inteiro se arrepiar.
‘Come a little bit closer baby’
‘Get it on, get it on’
‘Cause tonight is the night when two become one’
Edward ergueu a outra mão, e eu mantive os meus olhos fechados, sentindo o rastro de fogo que seus dedos deixavam quando ele tomou o meu rosto nas mãos.
‘I need some love like I never needed love before’
‘Wanna make love to ya baby’
Abro os olhos, encontrando o verde devastador da sua íris quente e resplandecente me fitando. Eu exalei uma respiração instável quando nossos olhares se comunicaram silenciosamente. Porque naquele momento eu compreendi que ele sabia exatamente o que eu queria. Porque era o que ele queria também. Estávamos em comum acordo.
Nós estávamos prontos.
Palavras eram desnecessárias quando Edward quebrou o contato visual para segurar a minha mão, e sem se despedir de qualquer pessoa, nos conduziu entre os corpos que dançavam animadamente no salão, em direção à saída. Quando o vento frio invernal entrou em contato com a minha pele, lembrei-me do sobretudo esquecido na cadeira. Mas isso era insignificante agora. A última coisa que eu me preocupava era com o frio.
Não demoramos mais de um minuto para encontrarmos um táxi. Quanto ao percurso até o hotel, não poderia calcular o tempo. Porque mesmo que tenha levado a mesma duração do tempo que levamos para coletar o táxi, ainda assim, para mim teria durado uma eternidade. Enquanto estivemos sentados no banco traseiro, nossas mãos permaneceram entrelaçadas, e o braço de Edward descansava ao redor do meu ombro. Nós ainda não tínhamos trocado uma palavra desde que deixamos a festa, e mesmo que eu não estivesse olhando para Edward, podia sentir os seus olhos sobre mim.
E assim se seguiu quando chegamos ao hotel. Caminhamos de mãos dadas até o elevador, e uma vez dentro dele, senti um calor no estômago com a antecipação, e o meu pescoço queimar em expectativa. Eu não sabia se implorava para o elevador chegar rapidamente ao nosso destino quando Edward apertou o botão, ou pedia para que ele fosse um pouco lento, dando-me assim mais um tempo. Estava com uma sensação que iria explodir a qualquer momento. O nervosismo de repente começando a se instalar.
Como que reconhecendo a minha ansiedade, Edward puxou-me para o seu peito, e depositou um beijo no topo da minha cabeça. Mas, àquela altura, eu não conseguia mais fazer contato visual. Eu não queria que ele enxergasse o nervosismo em meus olhos. Eu fazia um esforço hercúleo para manter as minhas pernas paradas.
E quando o elevador alcançou o nosso andar, após alguns passos estávamos diante da porta da nossa suíte, e eu não poderia ajudar o tremor involuntário que se alastrou em minhas entranhas no momento que Edward passou a chave e a abriu. Eu me perguntei se ele estava alheio à palma suada da minha mão que ele segurava, ou o tremor das minhas pernas quando colocamos os pés no quarto. Também me perguntei se ele estava tão nervoso quanto eu. Mas sua expressão não oferecia nada.
Não me preocupei em acender as luzes, assim como Edward, deixando a suíte fracamente iluminada pela luz noturna que penetrava através da enorme janela. De repente o quarto parecia quente e abafado. Eu até poderia arriscar dizer que Edward tinha mexido no aquecedor mais cedo, aumentando a temperatura. Mas eu tinha plena consciência que o calor nada tinha a ver com o aquecedor. O calor irradiava de mim.
Respirei fundo duas vezes e caminhei até a janela. Joguei todo o meu cabelo sobre o ombro esquerdo e passei a mão na nuca, não sei se para sentir minha temperatura corporal ou controlar a minha tensão. Contemplei abrir a janela, mas antes que eu decidisse chegar a fazê-lo, senti uma lufada de calor no lado direito do meu pescoço.
Fechei os olhos e engoli em seco.
Senti o hálito quente de Edward bater mais uma vez contra a minha pele inflamada, mas eu ainda não conseguia me virar e olhar para ele. E quando uma de suas mãos se conectou com a minha cintura e os seus lábios roçaram o local abaixo da minha orelha exposta, meu corpo inteiro latejou, e um arrepio hasteou os pelos da minha nuca. Torci internamente para que ele pensasse que eu estava com frio.
Não conseguia compreender por que razão eu estava tão apavorada, pois não havia nenhuma hesitação da minha parte. Eu me sentia pronta. Meu corpo, minha mente, tudo estava pronto, e não existia nada no mundo que eu mais quisesse neste momento que fazer amor com Edward.
O problema é que eu não fazia idéia do que me esperava com o que estávamos prestes a fazer. O que eu sabia apenas era a forma abstrata. Eu amava que Edward seria o meu primeiro, e odiava ao mesmo tempo ser tão inexperiente. Mas eu não podia deixar que este fato consumisse a minha mente. Precisava chutar os sentimentos de ansiedade e os receios de lado. Afinal este era Edward, o meu amor incondicional, e eu era frondosamente sortuda por ter alguém tão maravilhoso para compartilhar esta experiência.
Controlei a minha respiração e as vibrações do meu estômago, então me virei lentamente para encará-lo, e quando meus olhos fizeram contato com o olhar de Edward, senti a emoção possuindo o meu corpo. Ele tinha removido o paletó, a gravata estava frouxa abaixo do colarinho da camisa branca. Lindo. O calor e o conforto que emanava de seus olhos aqueceram o meu coração. Estávamos aqui, e finalmente estava acontecendo.
Edward ergueu sua mão até o meu rosto, fazendo com que um novo tremor irrompesse sobre a minha pele. Fechei novamente os meus olhos, inclinando a minha cabeça para a mão dele que me afagava, me acariciava.
- Você está com frio? – ele sussurrou. Lentamente abri os olhos.
- Não. – respondi, me esforçando para que a minha voz não falhasse. Eu estava longe de sentir frio.
Nós ficamos um bom tempo com os olhos presos um no outro, até que ele quebrou mais uma vez o silêncio.
- Bella, nós... – ele parou de falar e então fechou os olhos, abrindo-os quase que instantaneamente em seguida. – Por favor, me diga se é isso que você...
- Eu quero. – eu o cortei, antes mesmo que ele pudesse completar a frase.
Nós continuamos nos encarando.
- Você... quer? – perguntei expectante, minha voz quase não saíra da minha garganta.
Tão devagar que fora doloroso, assisti quando Edward se aproximou ainda mais, e colocou os dois braços em volta da minha cintura, descansando suas mãos no final das minhas costas. Quando fiz menção de abaixar a cabeça, ele levantou o meu rosto, e inclinou-se até seus lábios ficarem a um centímetro dos meus.
- Eu quero. – o veludo da sua voz era baixo e rouco, e o seu olhar era intenso e tinha um brilho novo, que eu nunca tinha visto antes. – Eu quis desde o momento em que nos beijamos a primeira vez. – Então ele fechou o espaço entre nós, e a sua boca estava na minha.
O beijo não fora áspero ou desesperado. Era lento, doce e carinhoso. Seus lábios eram suaves e gentis. Mas foi o suficiente para derreter a tensão do meu corpo e crepitar o meu desejo por ele. E sem que eu percebesse, meus dedos se arrastaram até os fios do seu cabelo. As suas mãos, antes em minhas costas, deslizaram para baixo, parando em meu bumbum. Então Edward me ergueu, me fazendo envolver minhas pernas em sua cintura, e me carregou até a cama.
Edward me deitou com as costas sobre os lençóis macios, seu corpo sobre o meu, e nós dois rimos nos lábios do outro quando nossos dentes bateram sem querer. Nós trocamos beijos por mais um tempo, que foi se expandindo gradualmente. Nossas línguas se massageavam gentilmente, Edward escovava os seus dedos na minha bochecha, e gemíamos baixinho, a pressão entre minhas pernas crescendo a cada minuto. E embora ele estivesse evitando deixar o seu corpo fazer peso sobre mim, enquanto nossos lábios se moviam em sincronia como uma orquestra impecavelmente ensaiada, eu era capaz de sentir o seu comprimento duro sutilmente contra o meu baixo ventre.
Os beijos foram ficando mais lentos, até que estávamos trocando pequenos selinhos, então abrimos os nossos olhos ao mesmo tempo. Edward acariciou a minha mandíbula com o polegar e sorriu, olhando nos meus olhos, de um jeito tão carinhoso que outra onda de emoção tomou conta de mim.
- Eu te amo. – ele sussurrou.
Pisquei os olhos algumas vezes, tentando evitar as lágrimas que ameaçavam cair, então olhei para ele, tocando o seu rosto com a minha mão.
- Eu também te amo. – murmurei, minha declaração mais intensa do que nunca.
Sem tirar os olhos dos meus, Edward se arrastou lentamente para os meus pés, removendo um por um os meus sapatos, jogando-os no tapete do quarto. Meu coração já batia ruidosamente acelerado. Ele tirou em seguida os próprios sapatos e as meias, apoiou as mãos na cama e trouxe o corpo de volta para cima do meu. Timidamente, movi minhas mãos até o seu peito. Edward inclinou a cabeça e depositou um beijo em meu antebraço, seus lábios enviando faíscas na minha pele. No segundo seguinte, comecei a desfazer o nó de sua gravata, puxando-a do seu pescoço e a retirei. Após isso, meus dedos encontraram o primeiro botão da sua camisa, e enquanto ele acompanhava com os olhos os meus movimentos, lentamente comecei a abrir os demais, tentando não demonstrar minhas mãos trêmulas.
Quando todos os botões estavam abertos, minhas mãos se espalmaram contra a pele exposta do seu peito firme, e eu comecei a deslizar os dedos por todo o seu tórax e abdômen. Era tão bom senti-lo, e eu tinha sentido tanta falta de tocá-lo. Edward curvou-se até seus lábios tocarem os meus. Enquanto nos beijávamos, eu o ajudei a retirar a camisa, arqueando as costas quando estiquei os meus braços no processo. Antes que eu pudesse voltar à posição anterior, os braços de Edward me envolveram e ele me puxou contra o peito, se sentando na cama e me colocando sentada em seu colo. Meus dedos encontraram novamente o caminho para os fios de cabelo da sua nuca, assim como suas mãos grandes e firmes percorriam sobre minhas coxas, meus quadris, minhas costas, pelos meus cabelos, em todo lugar.
Gentilmente, as mãos de Edward foram empurrando o meu vestido para cima. Levantei os quadris para ajudá-lo, fazendo com que nossos lábios se separassem por alguns instantes. Quando ele conseguiu subir o vestido, ergui os braços, para que ele pudesse puxá-lo por cima da minha cabeça, revelando o conjunto de sutiã e calcinha de rendas sem alça que eu usava. Assisti com deleite quando suas mãos desabotoaram a calça e desceu o zíper. Ele se mudou um pouco para conseguir passá-la pelas pernas, e eu tive que sair de seu colo para que ele pudesse remover, ficando apenas de boxer. Olhei para baixo e tive que lutar para não hiperventilar quando meus olhos fizeram contato com o evidente volume escondido sob o tecido preto. O latejar, o calor e o fluxo de umidade em meu centro eram demasiados agora. Sentia como se o meu corpo estivesse prestes a explodir.
Edward segurou o meu rosto e tomou posse dos meus lábios de novo. Em seguida seus dedos viajaram para as minhas costas, em direção ao fecho do meu sutiã. Cogitei perguntá-lo se queria que eu o fizesse, uma vez que ele parecia estar levando um tempo para remover a parte de cima da minha roupa íntima. Mas antes que eu transformasse os pensamentos em palavras, o sutiã caiu entre nossos corpos quando ele finalmente conseguiu abrir. Ele separou nossos lábios para que seus olhos vagueassem sobre meus seios, e eu quase senti vergonha por ele me olhar assim, como se fosse a primeira vez que ele estivesse vendo. Mas o rubor não veio. Edward era o único permitido a fazer isso, o único a ter tudo de mim.
Gentilmente, Edward me empurrou para que eu pudesse deitar sobre a cama. Seus lábios deslizaram sobre o meu queixo, descendo até o meu pescoço, onde ele percorreu a ponta do nariz em minha pele superaquecida. Meus olhos se fecharam enquanto me rendia às sensações que ele me proporcionava. Edward fez um caminho de beijos até a minha clavícula, alcançando em seguida o espaço entre os meus seios, fazendo-me ofegar. E diferentemente do que eu esperava que fizesse, ele segurou os meus quadris com as mãos e inclinou a cabeça para colocar o ouvido em meu peito, onde se podia ouvir as batidas do meu coração.
Abri os olhos, e olhei para baixo, para onde sua cabeça descansava. Minha respiração era rápida e intensa.
- Seu coração. – sussurrou, soltando um longo suspiro em seguida. – Está tão acelerado.
Senti lágrimas encherem meus olhos, e um aperto sufocante em meu peito, completamente envolvida pelo momento. Eu nunca estive tão emocionada como agora, quando estávamos prestes a culminar o nosso relacionamento, tornando-o físico. Eu nunca estive tão imensamente feliz.
Edward levantou a cabeça e olhou para mim, em seguida os cantos dos seus lábios se esticaram em um sorriso. Eu podia ver a emoção cruzando o seu rosto também. E quando ele ergueu o corpo, ficando de joelhos, suas mãos desceram até as laterais da minha calcinha. E sem nunca tirar os olhos de mim, começou a puxá-la lentamente para baixo. E o ajudei a passá-la pelas minhas pernas, e quando esta se juntou às outras roupas no chão, ele ficou parado, percorrendo com os olhos intensamente em chamas o meu corpo nu.
- Tão linda. – ele exalou.
Mesmo que Edward tenha me visto despida outras vezes, esta noite era diferente. Tudo parecia diferente, novo. A maneira como ele me olhava era inebriante, uma mistura de amor e desejo, porém havia algo mais. Uma espécie de reverência, veneração, como se ele estivesse diante de algo precioso, intocável. Seus olhos me fitavam com adoração.
E eu só sabia que eu o queria. Não importava se eu não tinha noção do que estava fazendo, se eu era inexperiente e estivesse imergindo no desconhecido. Eu só queria que nos uníssemos de todas as formas possíveis. De corpo, alma e coração.
Tremi quando senti seus lábios se conectarem à minha coxa, logo acima do meu joelho direito. Mas antes que eu pudesse sofrer por antecipação uma combustão espontânea, no segundo seguinte Edward estava me beijando. Mergulhei meus dedos nos fios do seu cabelo, massageando-os gentilmente. Minhas mãos foram caindo para o seu rosto, seu tórax, até encontrar o cós da cueca boxer. Edward pressionou a testa na minha, e juntos tiramos a última peça que faltava.
Finalmente estávamos ambos nus.
Edward trouxe os lábios novamente à minha boca, e enquanto trocávamos beijos lentos e delicados, ele guiou os dedos de uma mão até o meu centro molhado. Soltei um gemido e arqueei os quadris quando eles escovaram minhas dobras, para cima e baixo.
- Deus. – ele praticamente gemeu contra os meus lábios. – Senti tanta falta de te tocar. – disse em um sussurro rouco, inclinando a cabeça para trás para olhar diretamente nos meus olhos enquanto ele dizia isso. As vibrações do som da sua voz enviando fagulhas por todo o meu sistema.
Então ele iniciou uma deliciosa tortura com os dedos, fazendo círculos com o polegar em meu clitóris, e usando a ponta do longo dedo médio ao redor de minha entrada. Como se não fosse suficiente, Edward arqueou o corpo para baixo, beijando meu pescoço, até alcançar os meus seios, e tomar um deles em sua boca.
Com os olhos fechados, joguei a minha cabeça para trás. Minha mente começou a girar.
Senti a ponta do seu dedo médio sendo empurrada suavemente contra a minha entrada ao mesmo tempo em que o outro dedo manipulava o ponto rígido do meu sexo com movimentos de baixo para cima, de um lado a outro, e os seus lábios se encarregavam de beijar e sugar os meus mamilos intumescidos. Eu sabia que o meu corpo não agüentaria por muito tempo a atenção que recebia.
- Edward... – gemi. Estava tão próximo que eu mal conseguia respirar.
Portanto, quando ele acelerou o ritmo do polegar em meu clitóris enquanto circulava e pressionava a minha entrada com o outro dedo, e a sua boca se ocupava em entreter os meus seios, com as duas mãos agarrei o travesseiro com força, sentindo os espasmos e os tremores quando um orgasmo intenso cruzou o meu corpo.
Então Edward me abraçou, se aninhando sobre o meu corpo trêmulo.
Meus pensamentos estavam em branco. Minha respiração era pesada e os meus dedos ainda tremiam quando os guiei até as pontas dos cabelos de Edward em sua nuca.
Não sei ao certo por quanto tempo ficamos abraçados naquela posição, meus dedos brincando com os seus cabelos, sua respiração tranqüila contra o lado direito do meu pescoço. Edward beijou o meu ombro, e tinha os braços em cada lado da minha cabeça quando olhou para mim em seguida. O mesmo olhar de adoração, de veneração, estava lá. E eu estava hipnotizada por eles. Era como se através deles eu pudesse enxergar a sua alma.
As costas dos seus dedos correram sem pressa pela minha bochecha, enquanto ele mantinha os olhos sobre mim, fazendo o meu coração bater mais rápido.
- Acho que nunca vou me cansar de olhar para você. – ele sussurrou, antes de desviar os olhos para os meus lábios entreabertos e me beijar novamente.
Nós nos beijamos apaixonadamente por um longo tempo. Minhas mãos acarinhavam suas costas e as dele afagavam minha cabeça, acariciavam meus cabelos que estavam espalhados sobre o travesseiro. O calor entre os nossos corpos estava se intensificando à medida que aprofundávamos o beijo. Senti sua dureza tocando minha coxa, então estremeci. Seria agora? De repente estava nervosa e ansiosa mais uma vez.
Nossos olhares se encontraram novamente, então Edward varreu o quarto com os olhos. Percebi quando sua atenção parou em um objeto sobre a mesinha, que ficava bem ao lado da porta, que eu tinha quase certeza que não estava ali quando eu saí. Ele beijou minha testa e saiu de cima de mim, levantando-se e indo de encontro ao objeto. E quando ele retirou uma caixinha de dentro da sacola, pude ver sobre o que se tratava. Eram camisinhas.
Oh! Será que era isso que ele tinha pedido a Carlisle?
Não, Bella. Isso não é hora de corar ou ficar envergonhada.
Edward tirou um da caixinha, colocando-a de volta à mesa. E enquanto abria a embalagem, encaminhou-se de volta a cama, subindo nesta e se sentando sobre os calcanhares. Assisti suas mãos descerem o látex pelo seu membro ereto, enquanto ele me assistia observar. O ato me fez sentir diferente por dentro, provocando um latejar no local onde ele tinha me tocado minutos atrás, pulsando de necessidade em estar conectada a ele.
Suspirei e fechei os olhos quando gentilmente Edward segurou uma das minhas pernas e começou a massageá-la, fazendo o mesmo em seguida com a outra. Eu sabia que ele estava fazendo isso para me deixar relaxada.
- Você é tão linda, Bella. – ele repetiu várias vezes enquanto suas mãos macias massageavam minha panturrilha, meus joelhos, a parte interna das minhas coxas, tentando tirar a tensão do meu corpo e relaxar os músculos. Tentei ignorar o fato que ele estava olhando para a região entre minhas pernas enquanto fazia isso, afinal, ele já tinha visto outras vezes. Eu só esperava que ele estivesse gostando do que via. Eu não tinha ido à depilação, como na outra ocasião que não tinha dado certo por causa do acidente com Rosalie, e ele nem teve oportunidade de ver. Mas eu tinha aparado os pêlos um dia antes da viagem.
Inesperadamente senti os seus lábios em minha barriga, e eu tive que prender a respiração quando ele beijou próximo ao meu umbigo. Eu estava muito sensível a qualquer toque, a qualquer contato dele com a minha pele. Então ele foi espalhando beijos pelo meu tórax, clavícula, pescoço, queixo, até alcançar os meus lábios. Meus olhos permaneceram fechados.
- Bella, olha para mim. – pediu ele.
Inspirei fundo, segurando o ar por um breve instante, então os abri.
♫ Lost In Your Eyes – Debbie Gibson
- Eu quero que você saiba que esta é a primeira vez que eu faço amor com alguém. – sua voz era calma e os seus olhos verdes refletiam amor, devoção. Meu coração se derreteu, embriagado pela ternura e sinceridade genuína das suas palavras. Eu sabia que apesar de Edward ser experiente, isto era diferente para ele. – Nós vamos devagar, e se eu te machucar, por favor, Bella, eu quero que você me diga.
Eu assenti, incapaz de falar em meio à torrente de emoção que estava tomando conta de mim.
Edward passou a mão por debaixo das minhas costas e levantou o meu corpo para colocar outro travesseiro debaixo da minha cabeça.
- Bella, por favor, me fale quando for demais. Eu não vou hesitar em parar. – disse com fervor.
- Certo. – eu disse em um fio de voz.
- Nós vamos no seu ritmo. – ele disse, afagando o meu rosto.
Olhei em seus brilhantes olhos e coloquei meus braços ao redor do seu pescoço. Ele sorriu, sustentando o próprio peso em um braço e segurou o meu rosto com a outra mão, beijando-me em seguida. Edward me beijou tão apaixonadamente lento, mordiscando meu lábio inferior, acariciando com a sua língua a minha, seus lábios saboreando cada centímetro da minha boca. Era Indescritível.
Ele abriu as minhas pernas com as próprias, e desceu a mão que afagava o meu rosto entre os nossos corpos. Edward se posicionou em minha entrada, e no momento seguinte, senti a ponta do seu membro tentando me penetrar. Meu arfar contra seus lábios fez Edward parar de se mover, permanecendo apenas a me beijar. Mudei minhas mãos para as suas costas agora suadas, em seguida ele impulsionou novamente os quadris para frente, empurrando para o meu interior um pouco mais. Não era bem uma dor que estava sentindo, mas como uma queimadura. No entanto, sentia como se estivesse sendo esticada.
- Você está bem, baby? – ele perguntou, parando de empurrar novamente.
- Sim. – disse a ele, mordiscando meu lábio inferior.
- Você tem certeza? – ele pediu com preocupação.
- Tenho. – eu sorri para ele de um jeito reconfortante e coloquei uma mão em seu rosto, para lhe assegurar que eu estava bem e que ele podia continuar. Edward depositou um beijo demorado em minha pálpebra, em seguida senti mais uma vez a pressão em meu centro quando ele deslizou mais uma polegada.
Comprimi os olhos quando então a dor me atingiu. As minhas mãos em suas costas o apertaram mais contra mim, enquanto a queimadura se intensificava. Meu centro parecia em chamas. Edward recuou um pouco, prendendo os dedos das duas mãos em meus cabelos, beijando minhas pálpebras, minhas bochechas, o meu pescoço.
Lentamente ele empurrou o pênis para frente alguns centímetros mais, me expandindo. Minha respiração era superficial demais agora. Eu sentia as minhas paredes internas se abrindo aos poucos, para recebê-lo, para acomodá-lo.
- Você quer que eu pare? – ele sussurrou com a voz calma, afagando carinhosamente o meu rosto.
- Não. – quase engasguei. – Por favor, não pare. – pedi, abrindo os olhos. Apesar da dor incomoda, não queria que ele parasse. Não queria que isso parasse.
- Não vou parar. – murmurou junto com o meu sorriso torto, beijando-me brevemente nos lábios. – Vamos continuar devagar. – disse e voltou a me beijar.
Edward estava sendo tão maravilhoso. Se ele estava nervoso, nunca deixou que eu sentisse isso. Ele era extremamente paciente, gentil e carinhoso, tentando me deixar o mais próximo do confortável. Meu coração parecia que ia transbordar de tanto amor.
Após enterrar a cabeça novamente na curva do meu pescoço, distribuindo pequenos e suaves beijos de um lado a outro, em meu ombro, abaixo da minha orelha, ele avançou novamente os quadris para frente e eu exalei um forte suspiro, sentindo minha carne sendo esticada ainda mais. Ele parou de se mover outra vez, plantando beijos suaves contra os meus olhos fechados.
- Você está indo tão bem, baby. – ele me incentivava.
Inspirei e soltei o ar para fora dos pulmões repetidas vezes, sentindo o ardor quando ele empurrou-se para dentro com um pouco mais de pressão. Edward acalmou por alguns instantes, voltando a me penetrar novamente, pressionando contra a minha resistência, que parecia mais difícil agora. Eu podia sentir o seu corpo trêmulo, decorrente dos impulsos que ele orquestrava contra o meu corpo, e a sua respiração já não era calma e regular como momentos atrás, estava tão superficial e pesada quanto a minha.
Edward investiu mais algumas vezes contra o meu sexo, sempre de forma gentil e cessando quando a pressão era demais. De repente ele parou de se mover, respirou fundo algumas vezes, assim como eu, e quando retornou a empurrar rígido para frente, veio a pontada, junto com uma sensação como se eu houvesse sido rasgada. E então eu pude sentir.
Edward estava completamente dentro de mim.
Era oficial. Eu não era mais virgem. Edward me fez mulher. A sua mulher.
A dor que eu senti não era nada comparada ao turbilhão de emoções que caíram sobre mim naquele momento. Sim, eu me sentia esticada, expandida, mas eu me sentia preenchida, completa. Eu estava finalmente unida e completamente conectada a Edward. E quando eu abri os olhos, encontrando os seus, me encarando, eu pude enxergar através do brilho intenso dos seus olhos apaixonados a mesma emoção que eu sentia.
Foi quando meus olhos se encheram de lágrimas.
- Bella... está tudo bem? – Edward inquiriu com evidente preocupação no tom de voz.
- Sim. Só... fica parado. Por favor. – sussurrei, fechando os olhos. Ele fez como pedi, dando-me um tempo para acalmar minha respiração e me acostumar com o seu membro em meu interior.
Uma furtiva lágrima rolou dos meus olhos, e Edward a capturou com os lábios, beijando em seguida as minhas pálpebras.
- Bella, eu te machuquei muito? – ele perguntou um pouco hesitante.
- Eu estou bem. – abri os olhos, ainda sentindo-me devastadoramente emocionada. Passei os braços ao redor do seu pescoço e o puxei em um abraço. – Você me faz sentir bem, Edward. – murmurei próximo ao seu ouvido, embriagada pelo seu cheiro, seu calor.
- Eu amo você, Bella. – ele reiterou os seus sentimentos.
- Eu amo você também. – sussurrei, abraçando-o com força.
Após um tempo abraçados, peito contra peito, nossos corpos ainda conectados, afrouxei o aperto dos meus braços em seu pescoço, fazendo com que Edward direcionasse o rosto para o meu. Apoiando os braços em cada lado da minha cabeça, com a minha aquiescência silenciosa e sem tirar os olhos dos meus, Edward suavemente começou a se mover dentro de mim.
Segurei-me em seus ombros e fechei os meus olhos, tentando manter a calma e ignorar o ardor quando ele puxou o comprimento para trás, até a metade, e em seguida encheu-me novamente, ofegando contra a pele do meu pescoço.
Edward iniciou em um ritmo lento e mantinha seus olhos fixos em mim o tempo todo, sussurrando palavras de carinho e incentivo em meu ouvido quando não estava beijando minhas bochechas, minhas pálpebras, minha testa, tocando a ponta do meu nariz com o dele, ou me beijando gentilmente nos lábios.
Eu o observava encantada. A forma como os músculos dos seus braços flexionavam a cada impulso que ele dava, a maneira que os seus olhos se fechavam e ele soltava um suspiro ao retirar-se para fora de mim e empurrava para frente novamente, a atenção e o cuidado que ele tinha comigo, e o modo como seus olhos brilhavam de luxúria, mas ao mesmo tempo estavam cheios de amor e ternura.
Edward jogou o peso para um braço só, e levou a outra mão para a minha nuca, enterrando o rosto nos meus cabelos, gemendo baixinho em meio a sua respiração entrecortada, e sussurrando o meu nome quando me penetrava, fazendo-me ofegar junto com ele.
Tomei uma respiração pesada e levantei um pouco os meus quadris, permitindo-lhe avançar para dentro de mim ainda mais profundo. Eu sentia o seu corpo ficando tenso e a pressão dos seus quadris recuando e voltando de encontro ao meu tornando-se mais intensa. Edward deslizou uma de suas mãos até a minha coxa esquerda, afastando-a mais um pouco da outra, enquanto empurrava fundo, aumentando agora o ritmo.
Eu podia ouvir sob sua respiração os grunhidos e os gemidos aumentando. E então sua boca reivindicou a minha novamente. Sua outra mão mudou-se para a lateral do meu corpo, e ele começa a deslizá-la para cima e para baixo, combinando com o ritmo da sua penetração. Eu sabia que ele estava perto, enquanto eu, no entanto, estava bem longe. Eu sabia que dificilmente sentiria prazer na nossa primeira vez.
Eu sentia o ritmo acelerado das batidas do coração de Edward em seu peito pressionado contra o meu, e a sua respiração ainda mais irregular a cada instante em que os seus movimentos de recuo e avanço ficavam mais rápidos. Ele já não me beijava, mas seus lábios ainda estavam grudados nos meus. Ora mordiscando meus lábios, ora deslizando sua língua quente sobre eles.
- Hmmmmm... – ele ofegou contra meus lábios.
Edward se equilibrou nos dois braços, enterrando os dedos nos meus cabelos, e com os olhos fechados e o corpo enrijecido ele uniu nossas testas enquanto empurrava uma, duas, mais três vezes dentro de mim.
- Bella... – ele gemeu roucamente, investindo uma última vez quando finalmente gozou.
Não pude deixar de observar as expressões que cruzaram o seu rosto quando ele veio. Arrebatadoramente sublime. Se era possível eu estava ainda mais emocionada.
Edward ainda tremia quando seu corpo desabou sobre o meu, enterrando o rosto no meu pescoço e ofegando forte, enquanto eu o apertava firme, com meus braços ao redor do seu pescoço.
Algum tempo depois, quando seu corpo acalmou e o ritmo dos seus batimentos tinha desacelerado, ainda mantendo-se dentro de mim Edward começou a roçar a ponta do nariz no meu pescoço, plantando pequenos beijos pelo local, e os meus dedos corriam pelos fios do seu cabelo na nuca. E quando ele se moveu, tomando o meu rosto em suas mãos e olhou-me nos olhos, meus sentimentos estavam intensos novamente. Então um sorriso radiante lentamente brotou em seus lábios. Sorri afetada para ele também.
- Eu te amo. – eu disse.
- Foi incrível, baby. Eu não posso dizer o suficiente. – ele afastou alguns fios soltos do meu rosto e beijou-me brevemente nos lábios. – Eu te amo também.
Muito devagar, Edward puxou-se para fora de mim e rolou para o lado. Assisti suas mãos retirarem o preservativo usado do seu membro, dar um nó e jogá-lo no chão do quarto. Suas mãos me envolveram e ele me puxou, posicionando o corpo atrás do meu. Quando nos cobriu com o lençol, passou o braço direito ao redor da minha cintura e beijou o meu ombro.
- Feliz dia dos namorados, Bella. – ele sussurrou em meu ouvido.
- Feliz dia dos namorados, Edward. – eu disse, fechando os olhos, caindo em seguida no sono após a melhor noite da minha vida.
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Notas finais
Ouço suspiros? É isso mesmo , produção? rsrsrs. Bom, eu amei escrever esse capítulo, por mais que ele tenha me dado TANTO trabalho, e inclusive um bloqueio, do tipo que eu não sabia o que e como escrever. Espero de coração que tenha caído no gosto de vocês, que tenha saído do jeito que imaginaram. E agora se preparem para o que virá depois, pois sabem aquele ditado né? A prática leva à perfeição! Kkkkkkkkkkkkkkk
Bem, queria aproveitar e dizer uma coisa a vocês: VOCÊS SÃO GUERREIRAS! Isso mesmo! Porque gente, estou reescrevendo os primeiros capítulos de Talvez Seja Amor e me perguntando COMO vocês conseguiram ler aquilo! Pelo amor de Deus, é péssimo. Estou com vergonha de mim mesma!!!! Por isso digo que vocês são guerreiras, por conseguirem chegar até aqui. E eu só tenho a agradecer por isso.
Algumas pessoas já perceberam que estou reescrevendo os capítulos aos poucos. Nesses últimos meses reescrevi os 8 primeiros e pretendo ir até o 12 ou 13. Não são muitas mudanças, apenas tentando melhorar a escrita, deletando coisas e diálogos absurdos que ainda me pergunto como escrevi aquilo, enfim.
Estou atualizando tanto no Nyah quanto no FF e os capítulos também estão sendo postados no TwiZone Brasil (link: http://twizonebr.com/Novidades/?page_id=39725 ). Dêem um pulinho lá no site na sessão de fics e curtam as outras também.
Ah! Estou escrevendo uma one, que se chamará inicialmente INOCENTE DESCOBERTA e estou pensando em postá-la no Natal ou no Ano Novo, decidindo ainda. Só dar uma passadinha no meu perfil depois dar uma lidinha rsrsrs. E quanto às leitoras de Private Party, em breve capítulo, provavelmente entre o Natal e o Ano Novo também.
Mais uma vez, reforçando minha nota inicial, vamos subir esse número de reviews, principalmente as leitoras do FF, para que eu não passe a postar apenas no nyah.
Desejo a vocês um Natal maravilhoso e se não nos vermos por aqui antes do dia 31, uma ótima entrada de ano, que 2012 seja repleto de novidades e realizações. Muitas bênçãos na vida de vocês.
OBRIGADA!
Patti xx
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