Talvez Seja Amor
11 Capítulo 11
Notas iniciais
;)
POV BELLA
Quando finalmente chegamos à Truxel Road, Mike parou o carro na frente do clube, dizendo que permaneceríamos dentro do automóvel enquanto aguardávamos a vinda do manobrista. Assenti e então meus olhos vagaram para o lado de fora da janela do carro.
Impressionada. Era assim que eu estava.
A casa noturna ficava numa localidade bastante conhecida e movimentada da cidade, basicamente composta por bares, boates, restaurantes e muitos hotéis, poucas residências. Por fora, a boate até poderia ser confundida com um Shopping Center, devido ao seu tamanho e estrutura nada modestos. Luzes em lenta evolução de cores piscavam no alto indicando o nome do estabelecimento: Roxxy. O público que lotava a entrada, espalhados ou os que estavam dispostos na enorme fila, era basicamente mais adulto. Muitos deles se vestiam de forma... hum... estranha. Havia grupos apenas de garotas, ou só de garotos. Juntos, misturados. A maioria solteiros, creio eu. Aleatoriamente casais heterossexuais, além de homem com homem e mulher com mulher. Todas as tribos reunidas.
Meus olhos continuaram vagando entre as pessoas por mais alguns minutos, até que fui surpreendida pela voz do manobrista que acabara de chegar, nos dando 'Boa Noite'.
Descemos do carro e Mike rapidamente estendeu-me sua mão. Segurei-a e então seguimos até uma fila, do lado esquerdo da casa. Não era grande e agitada como a outra, que provavelmente era a fila principal. Parecia mais como entrada para convidados. Só então percebi que dava acesso à área VIP.
Observei Mike tirar o celular do bolso e discar um número.
- Para quem você está ligando? – perguntei.
- Danny, o amigo que te falei que está comemorando o aniversário aqui.
- Ah. – sibilei.
- Hey, Danny, aqui é Mike... hehehe... já estamos aqui na fila... Tudo certo então?... Ok. Certo... só falar nossos nomes... Ok, cara. Te vejo em alguns instantes. – encerrou a chamada em seguida.
- Quem é Danny? – perguntei, franzindo a testa. – Não me lembro de ouvir você falar nele antes.
- Danny é cliente da loja do meu pai, Bella. – o pai de Mike tinha uma loja de material esportivo.
- Hum... – assenti, despreocupada.
- Por quê?
- Por nada. – dei de ombros. – Só perguntei.
Ficamos em silêncio na fila mais alguns minutos, até finalmente chegar nossa vez.
- Boa Noite. Nomes? – um funcionário vestindo terno preto pediu, olhando-nos clinicamente. Provavelmente percebendo que éramos jovens demais para estarmos aqui.
- Michael Newton e Isabella Swan. – informou Mike.
O homem passou os olhos pela lista em sua mão, procurando os nossos nomes.
- Ok. Podem entrar por aqui. – ele apontou para a entrada, onde havia cinco seguranças, uma mulher entre eles.
Fomos revistados e passamos pelo detector de metais.
- A escada para o lounge VIP fica do lado esquerdo. – informou-nos simpaticamente uma das mulheres trajando roupas temáticas que faziam a recepção e colocavam pulseiras em nossos pulsos.
Passamos por um corredor e então encontramos o acesso a área VIP, mais dois seguranças na frente da escada. Eles olharam nossas pulseiras e nos deram passagem. Quando olhei para a escada, percebi que o piso era todo espelhado. Hesitei antes de subir.
- Eu vou escorregar. – disse receosa por causa do scarpin que eu usava. Não estava acostumada.
- Eu te ajudo a subir. – disse Mike.
Subimos lentamente até alcançarmos o piso superior. O ambiente era diferente de qualquer outro que eu estivera antes e já tinha visto em toda minha vida. Havia mesas e puffs iluminados por todo o lugar. O piso era de um concreto pigmentado. Do lado direito funcionava o bar, com um balcão que ia de um canto a outro da parede. E o teto era solar, onde podíamos ver as estrelas. No centro, um círculo aberto, dando a visão do que rolava na parte inferior.
Puxei Mike pela mão e caminhei até a barra de ferro, encostei-me nela e fiquei olhando as pessoas circulando na parte de baixo. A pista de dança não estava muito lotada, ainda, mas era possível ver várias pessoas dançando ao som de uma batida agitada liderada pelo DJ que estava dentro de uma cabine em forma de Ferrari.
- E aí, o que você achou? – perguntou-me Mike.
- Nossa... aqui é fascinante! – exclamei, olhando para o ambiente da parte superior.
- Vamos lá encontrar com o Danny. – disse, puxando-me pela mão.
Caminhamos em direção a uma mesa no canto esquerdo, que por sinal estava bastante cheia. Um rapaz abriu um sorriso quando nos viu, levantando-se em seguida. Danny, acredito.
- E aí, Mike. Você veio!
- Amigos são para essas coisas. Feliz Aniversário. – Mike o abraçou calorosamente. – Quero que você conheça minha namorada. Bella, esse é Danny. Danny, Bella. – Danny estendeu a mão.
- Oi Danny. Feliz Aniversário. – sorri para ele.
- Obrigado, Bella. É um prazer finalmente conhecer você. – ele sorriu. – Vamos lá, sentem por aqui. – ele nos levou até a mesa. – E aí Mike, o que vai beber? O bar fica bem ali, é só pedir o que quiser. A área VIP hoje é só para os meus convidados. Bebidas tudo por minha conta!
- Tenho uma ligeira impressão que alguém aqui vai sair alterado. – Mike brincou.
- Não é impressão, eu pretendo mesmo sair alterado, afinal, só fazemos aniversário uma vez no ano. – eles riram juntos. Pareciam mesmo muitos amigos. – Vou deixar vocês à vontade. Vou receber umas amigas que acabaram de chegar. – ele falou ao olhar por cima do meu ombro, localizando um grupo de cinco garotas. Todas muito bonitas.
Logo que Danny saiu de perto, nos sentamos junto a outras pessoas na mesa, então Mike se virou pra mim.
- Bella, eu sei que você nunca fez isso, mas o que acha de pegarmos algo para beber? Não é sempre que vamos a um lugar desses e além do mais a bebida é à vontade. – sussurrou para que apenas eu ouvisse.
- Não sei...
- Uma bebida leve. Só para você me acompanhar. – insistiu.
- Tudo bem. Só para experimentar. – concordei, sorrindo brevemente.
Pedimos licença e fomos até o bar, onde Mike se apoiou sobre o balcão.
- Boa Noite. – ele cumprimentou o moreno barman. – Er... minha namorada aqui não está acostumada a beber, então será que você teria algo inofensivo? – perguntou.
- Temos uma bebida que a mulherada pede muito. É o pina colada. Preparado com rum, leite condensado, abacaxi e leite de côco. – respondeu.
- E aí, anjo? Você quer beber isso? – Mike me perguntou.
- Hum... Pinaco o que? – perguntei.
- Pina colada. – riu o barman.
- Tudo bem. Pode ser. – eu disse.
- Para mim uma dose pura de Jim Beam Black. Com muito gelo.
- Não sabia que você bebia e entendia de whisky. – comentei, erguendo uma sobrancelha.
- Está sabendo agora, Bella. – ele piscou um olho.
Cinco minutos depois o barman nos serviu com a minha bebida e com a dose de Mike.
- Então, vamos fazer um brinde a esta noite? – ele propôs.
- A esta noite. – murmurei e nós brindamos, dando um gole em nossas bebidas em seguida.
Não é que esse tal de pina colada era bom?
Sem que eu sentisse, poucos minutos depois a taça encontrava-se vazia. Não que eu tenha bebido tudo muito rápido, a taça que era pequena demais. Ok, talvez eu tenha bebido só um pouquinho rápido. É que isso tinha um sabor tão bom!
Pedi a Mike que pegasse outra para mim.
- Sério que você já bebeu tudo? – ele me lançou um olhar surpreso.
- Sim. – eu ri timidamente. – Tem um gosto bom.
- Não vá se empolgar, hein? – ele riu.
- Deixa de ser bobo. Nem dá para sentir o gosto do álcool. É uma bebida doce. – ele se dirigiu ao balcão e pediu outra pina colada para mim.
Peguei a segunda taça e caminhamos de volta a mesa do Danny, nos sentando, onde conhecemos alguns de seus convidados e participando da conversa.
Cerva de uma hora depois, em que eu já tinha perdido as contas de quantas pinas coladas eu havia tomado, inclusive dado alguns goles na bebida de Mike, percebi algo estranho acontecendo comigo. Eu estava muito falante, sorrindo alto, e, além disso, vendo tudo girando.
Espera. O que é isso na minha mão?
Meu Deus!
Um cigarro? Eu estava fumando? Em que momento da noite isso aconteceu?
A primeira vez que fumei eu tinha quatorze anos e foi só por curiosidade. Engasguei com a fumaça e joguei fora rapidamente. Desde então nunca tinha repetido essa experiência decepcionante.
Mike pediu licença para ir ao banheiro e perguntou se estava tudo bem comigo. Assenti e esperei ele sair da mesa, percebendo que ele também estava fumando. Joguei o cigarro que estava em meus dedos no cinzeiro e levantei-me, indo em direção à barra de ferro novamente, para olhar a pista de dança na parte de baixo. Estava totalmente cheia. Alguns dançavam separados, outros juntos, os corpos colados, suados. Muitos casais se beijavam.
Fora então que algo, ou melhor, alguém, chamou-me atenção.
A loira agarrada com aquele cara, por acaso seria a minha irmã? Não dava para ver direito, além da quantidade de gente, a luz não ajudava. Eles... estavam tão ligados. Pela intimidade, parecia um casal que namoram há muito tempo. Não, provavelmente não é ela. Além do mais, Rose saiu com Alice. Ela não seria capaz de deixar Alice sozinha, seria?
Sim. Ela seria.
Senti uma mão em meu ombro.
- Você quer descer? Dançar um pouco? – perguntou-me Mike.
- D-dançar? – perguntei, tentando focar meus olhos nos dele, mas estava tudo um pouco turvo.
- Sim. – ele riu. – Você está bem?
- S-sim. – disse, soluçando.
- E então. Você vem dançar comigo?
- Só se... só se você pedir outra taça p-para mim. Acabou. – fiz um biquinho.
- Claro, meu amor. Eu faço tudo que você quiser. – ele me beijou, nos levando depois até o bar e pedindo mais um pina colada e outra dose da bebida que ele tomava.
- Vamos lá, Bella. A noite só está começando. Uhuu. – ele soltou um grito animado, puxando-me pela mão para descermos a escada.
- M-mike... – chamei, tentando olhar para o chão enquanto descíamos apressadamente as escadas, mas ele continuava me puxando. – M-mike, d-devagar, eu vou cair...
Tarde demais.
Desequilibrei-me com o salto quando estávamos quase alcançando o andar superior e sem querer meu corpo empurrou Mike para frente, que também se desequilibrou e escorregou nos últimos degraus da escada espelhada, me levando junto. No segundo seguinte estava praticamente beijando o chão.
- Bella? Bella? – chamou-me Mike. Então senti um toque em meu braço. – Você está bem? – perguntou-me, preocupado.
- Eu acho que sim. – respondi, levantando a cabeça e abrindo os olhos. A única coisa que eu enxergava era cabeça de Mike girando como ponteiro de relógio.
- Me desculpe. – se lamentou.
- Tudo bem, me ajude a levantar. – pedi, mas logo me arrependendo, porque Mike não só não conseguiu me levantar, como perdeu novamente o equilíbrio e caiu por cima de mim.
Começamos a rir.
Agora eu estava com as costas e as pernas doloridas.
POV MIKE
Quando nossos risos cessaram, nos levantamos lentamente. Ou melhor, quando os meus risos cessaram, porque Bella continuava rindo. Ela estava visivelmente embriagada. Eu, apesar da quantidade de álcool ingerido, ainda tinha noção das minhas ações. Quando enfim estávamos de pé, percebemos que havia várias pessoas nos olhando.
- O-o que vocês estão olhando? – inquiriu Bella, não escondendo sua irritação.
Todos se dispersaram.
- Hum... Bella nervosinha. Gostei desse seu lado. – sussurrei em seu ouvido, empurrando-a para uma parte mais escura, contra a parede. – Quero ver você assim mais vezes. – falei, dando-lhe um beijo ávido. E ela me correspondeu da mesma maneira.
Foi então que minha imaginação começou a vagar.
Imaginei Bella e eu em minha cama. Nos beijávamos freneticamente, do tipo que faltava o ar. Bella arrancava toda a minha roupa, e eu livrava-me das dela em seguida. Ficávamos ali, totalmente nus, como viemos ao mundo. Eu beijava cada centímetro do seu corpo lindo... o pescoço, a clavícula, começava a sugar seus seios, depois descia até a barriga lisa, passando pelo umbigo e chegando até sua feminilidade...
Despertei e voltei à realidade.
O beijo fluía com fervor. Bella puxava o meu cabelo com os dedos, eu segurava com força a sua cintura, de forma a deixá-la colada ao meu corpo. Eu queria que ela sentisse o ponto que já se formava nas minhas calças. Tudo por ela. Esse desejo louco que eu sentia em preenchê-la. Nós estávamos muito afoitos e eu já não sabia se conseguiria me controlar. Talvez eu arrastasse Bella dali para um lugar reservado, onde fossemos só nós dois. Comecei a roçar minha ereção no baixo ventre de Bella. Eu estava descontrolado e já tinha perdido a noção de lugar, até que eu comecei a morder seu pescoço, seus lábios. Mordi com tanta fome que acabei ferindo-a de verdade.
- Ai, Mike! – ela me empurrou. – Você enlouqueceu? – ela gritou, passando o dedo indicador no lábio inferior, no local onde eu mordi. Notei que estava sangrando um pouco.
- Desculpe, eu não queria te machucar. Eu... me empolguei e acabei mordendo sem querer.
- Não faça isso de novo. – disse ela.
- Eu não vou. Sinto muito. Olha, fica aqui, não saia que vou pegar gelo. – deixei-a e corri em busca de gelo, no bar. Quando retornei, Bella já não estava no lugar que eu a havia deixado.
Onde ela se meteu?
POV ALICE
Quando coloquei meus olhos em Jasper pela primeira vez, foi como mágica. Tive a sensação de ter encontrado o que eu nem sabia que estava procurando. Foi a sensação mais estranha e mais maravilhosa que eu já senti. Ele me encarava e eu simplesmente não conseguia desgrudar daqueles olhos.
Será que ele sentiu o mesmo?
Fiquei tão sem reação quando fomos apresentados, quando surpreendentemente descobri que ele era o irmão de Emmett, que não conseguia elaborar nada para falar, me soltando apenas um tempo depois. E agora estávamos aqui, sozinhos à mesa, conversando animadamente. Em pouco tempo, já sabíamos muito um do outro.
- Sério que você deseja escrever um livro um dia? – perguntei surpresa.
- É a minha intenção. – ele disse timidamente.
- Nossa! E você pode falar sobre o quê?
- Hoje não. – ele riu. – Fale mais de você. Por que saiu de Los Angeles?
- Bem... eu trabalhava numa grife. Sempre gostei muito desse universo de moda, desfiles, saber as tendências. – ele riu. Será que ele estava me achando fútil? – Mas percebi que faltava alguma coisa – continuei. –, foi quando me dei conta que eu precisava fazer minhas próprias coisas, ter meu próprio nome, lançar algo meu. Então decidi sair da loja e resolvi vir estudar Moda. Estou desenhando algumas coisas e quero lançar minha própria marca futuramente. Sei que troquei o certo pelo duvidoso, mas preciso tentar.
- Poucas pessoas conseguem trocar o certo pelo duvidoso. Tem que ter muita coragem. – Jasper falou.
- Não foi fácil, Jasper. Eu tinha um bom emprego, ganhava bem. Larguei tudo, mudei de cidade, terei que passar uns tempos na casa dos meus tios. – suspirei. – Mas eu não conseguirei conviver comigo mesma se não arriscar.
- Você é determinada. Aposto que sempre consegue o que quer. – disse ele, olhando-me com intensidade.
Deliberadamente, encarei-o da mesma forma e afaguei uma de suas mãos, que estava sobre a mesa. Aquele toque despertou novas sensações, que eu sequer senti alguma vez, nem mesmo quando Alec me fizera mulher.
Não durou muito e ele rapidamente tirou suas mãos da mesa, deixando apenas a minha ali. Será que me precipitei?
- Ér... está ficando tarde. Acho melhor eu ir pagar a conta e procurar meus irmãos. – ele parecia desconfortável. – Você vem comigo? – ele perguntou.
- Eu vou ficar aqui, vou ligar para Rose. – disse a ele.
- Certo. Eu vou... lá. – ele disse e se foi, parecendo nervoso.
Fiquei confusa.
POV JASPER
Droga. Droga. Droga!
Eu estava sendo um idiota agindo assim, eu sei. Mas é o certo a fazer. Não posso me permitir passar por tudo aquilo novamente. Sei que Alice parece diferente, mas eu não vou arriscar.
Mas ela é tão linda, tão meiga, tão indefesa. Ela é tão irresistível. Não acho que seria capaz de...
Não! Eu não posso pensar nela dessa forma. Só amizade. Não posso ficar sozinho de novo com Alice.
Melhor eu ir logo embora logo daqui.
POV EDWARD
Caminhei de volta ao bar e fiquei sentado no balcão, tomando minha cerveja, sozinho. Dei um último gole e pedi outra.
Fiquei pensando sobre minha viagem. Logo estarei embarcando com a peça. Nossa primeira parada é Nova York, em seguida passaremos por várias cidades, e sabe-se lá quanto tempo durará. O diretor fala em dois ou três meses. Acredita que vai ser um sucesso, uma vez que o roteiro é adaptação de um livro que fez muito sucesso por aqui na década de 1980. Não posso negar que me preocupo se conseguirei dar conta.
Mas logo que o pensamento vinha, eu o fazia ir embora. Claro que vou conseguir. Estudei muito, ensaiei. Não tinha o que temer. Além disso...
- Uhg! – gemi quando senti uma cotovelada em minhas costas. Quando olhei, procurando o autor, percebi uma garota passando praticamente voando por mim, totalmente embriagada. Sequer olhou para trás para se desculpar.
Aquele cabelo... de repente pareceu-me familiar. Mas ela se foi, não pude ver o seu rosto. Bem, não importa. Não deve ser ninguém que conheça.
- Edward. – chamou-me Jasper, aparecendo de repente. – Eu estou indo embora.
- Mas já? Nem é meia-noite ainda. – disse a ele.
- Sim, mas eu quero ir. Este lugar está muito cheio, a cerveja muito quente. – ele disse, parecendo desconfortável.
Estranho. Quando deixei a mesa, Jasper parecia tão relaxado enquanto conversava com Alice, não o vi reclamando nenhuma vez do lugar, e a cerveja não estava quente, como ele falara. Será que aconteceu alguma coisa quando me ausentei?
- Onde está Alice? – perguntei.
- Ela ficou na mesa. Disse que ia ligar para Rose.
- Está tudo bem? – inquiri com cuidado.
- Sim. – ele respondeu simplesmente, sorrindo, mas parecia forçado.
- Ok. Vou embora também. Vamos avisar a Emmett. Eu o vi dançando com Rose, mas acho que eles não vão agora. Se Alice quiser, nós a deixamos em casa. – eu disse, saindo do balcão e caminhando em direção à pista de dança, onde flagrei os dois aos beijos minutos atrás.
- Vamos lá. – disse Jasper, me acompanhando.
POV EMMETT
Eu tinha arrastado Rosalie da mesa com a desculpa da bebida. Ela pareceu entender minha intenção e concordou em me acompanhar. Fomos ao bar e pegamos nossas bebidas, mas no lugar de voltarmos à mesa, fomos para a pista.
A noite prometia.
Começamos a dançar mantendo certa distância, mas logo estávamos dançando com os corpos colados. Rose dançava de forma sensual, com bastante ousadia, e olhava-me o tempo todo com malícia. No ritmo da música, descia até o chão e depois subia lentamente, suas mãos macias vagando pelo seu corpo, suas pernas, chegando à coxa e parando no vestido. Como eu desejava substituir as mãos dela pelas minhas naquele momento. Ela estava me deixando louco.
Eu estava me segurando para não sair correndo deste lugar e levá-la para outro, de preferência onde pudéssemos ficar sozinhos. Se ela soubesse as loucuras que eu estava imaginando...
E quando estava na quinta música, não agüentei. Puxei-a pela cintura e esmaguei os meus lábios contra os dela, dando-lhe um beijo arrebatador. Era desejo, tensão, excitação, tudo junto. Rose correspondeu e parecia estar sentindo tudo que eu sentia. Nós estávamos famintos do outro.
Afastei-me um pouco para tomar um ar, mas ela não permitiu que nos separássemos por muito tempo, puxando o meu rosto de encontro ao dela novamente, onde voltamos a nos beijar freneticamente. Minha mão parecia ter criado vida, passeando suavemente por toda a sua coxa, depois fui trilhando um caminho até parar em sua bunda, com o maior cuidado para que as pessoas não percebessem que eu estava com a intenção de trocar uns amassos com ela.
Se bem que não éramos os únicos pelo que parecia. E o minúsculo vestido de Rosalie estava acabando com meu juízo. Ela estava afundando o meu juízo, especialmente quando mordiscava o lóbulo da minha orelha. Jurei que se ela fizesse aquilo mais uma vez, eu arrancaria o vestido. Esqueceria que estávamos em público.
- Alguém já lhe disse que este vestido é altamente perigoso? – sussurrei em seu ouvido.
- O meu vestido? – sussurrou de volta enquanto passava a mão na coxa, subindo levemente a borda do vestido, quase mostrando a calcinha. – Não. Ninguém disse.
- Sim. Ele é altamente perigoso. Você devia ter medo de usar algo... – olhei-a de cima a baixo. – assim. Deixa as pessoas com vontade de tirá-lo, ver o que há por debaixo. – eu disse, não conseguindo controlar o filtro que era a minha boca. Ela era sexy demais para o próprio bem. E estava me enlouquecendo.
- Quer sair daqui e tirá-lo então? – disse ela e eu quase engasguei. Antes que pudesse pensar em algo para dizer, estava sendo puxado pela gola para fora da pista. Jesus! Essa mulher vai ser minha morte, eu não vou conseguir me segurar. Tenho que ter ela hoje, agora.
Calma, Emmett! Vai devagar.
- Não esta noite. – falei, parando-a perto da entrada do toalete, onde não tinha muito barulho. – Mas quem sabe da próxima vez? – inquiri, encostando-a contra a parede.
- Por que você acha que haverá próxima vez? – perguntou, pegando-me de surpresa.
- Eu só... sinto que haverá. Por quê? Você não quer sair comigo novamente? – questionei.
- E se eu não quiser? – disse sensualmente.
- Não acho que você não queira. – inclinei a cabeça para frente para beijá-la, mas ela me afastou antes que eu fizesse.
- E se eu não quiser sair com você novamente? – perguntou outra vez.
- Eu posso ser bem persuasivo. – sorri.
- E o que você vai fazer para me convencer?
- Você acha que vou revelar? Eu tenho minhas armas.
- Oh, você tem uma arma? – ela sorriu maliciosamente, passando a mão pelo meu peito sobre a camisa, e então entendi o duplo sentido de sua pergunta.
- Oh, sim. – sorri, entrando no seu jogo. – Potente, calibre alto. Causa um estrago. – sussurrei.
- E quando você pretende me mostrar? Sua arma? – inquiriu, e eu me contorci em minha calça jeans.
- Quando você quiser. Está a sua disposição. – em que momento a conversa tinha tomado outro rumo?
- Tipo agora? – perguntou, e eu quase quis morrer.
- Ok. – suspirei. – Na sua casa ou na minha? – pedi.
- Tsc, tsc, tsc. – sibilou me encarando, em seguida me empurrou.
Franzi minha testa para ela, confuso.
- Rose?
- Eu deveria ter imaginado. Você é igual a todos eles. – ela riu sem humor.
- Do que você está falando? – perguntei, sem entender.
- Eu achando você um cara legal, que era diferente, mas no final você é como todos os outros. Só querem me levar para a cama.
- Mas... você quem... eu pensei que... – tentei me explicar, mas eu não sabia o que dizer. Eu estava atordoado. As insinuações, todo aquele papo de arma, achei que ela queria.
- Eu estava testando você, Emmett. – ela vocifera. – E pelo visto, obtive sucesso. – seus olhos estavam em fúria. – Por isso toda a insistência não é? Aquele papo de sou novo na cidade, não conheço ninguém, estou à procura de novas amizades. – zombou. – E tudo que você queria era me levar para a cama.
- Rose, com você é diferente. Eu não vou mentir, estou atraído por você, mas eu não pretendia isso esta noite. Quero dizer – balancei a cabeça. –, eu não quero só sexo... eu...
- Para Emmett. Você só está piorando a sua situação. Eu vou embora, Alice está me esperando lá fora. – disse saindo.
- Eu falo sério, Rose. Rose. – ela continuou andando, deixando-me no mesmo lugar. – Rose!
Gritei mas ela já tinha sumido no meio das pessoas.
O que deu nela? O que eu fiz com a nossa noite?
POV MIKE
Procurei Bella por toda a ela boate. Tinha tanta gente que pensei na possibilidade de pedir para anunciá-la. Mas eu sabia que ela não ia gostar, então desisti da idéia, continuando a procurá-la. Quando já tinha batido em todo lugar, e até passado por onde já estivera antes, estava achando que essa seria a única solução. Eis que enfim a encontro. Bella estava no meio da pista, dançando de um jeito que eu nunca vi. Melhor dizendo, eu nunca a vi dançando. Nunca. Pelo menos não desde que a conheci.
Mesmo com o gelo seco e a luz estroboscópica, aquela luz que dá sensação de movimento em câmera lenta, eu podia vê-la dançar. E Bella dançando era a coisa mais linda que eu já vi. Sei que aquilo não era ela, que se tratava do efeito da bebida, mas ela dançava tão sensual, tão sexy, que parecia como uma expressão corporal inata. Ela colocava as mãos nos longos cabelos, jogando-os para trás e mantinha olhos fechados.
Fiquei hipnotizado assistindo minha namorada dançar.
E então aqueles mesmo pensamentos que surgiram quando nos beijamos minutos atrás, voltaram com força.
Eu a imaginei dançando para mim, vestida em uma lingerie totalmente sexy. Seus movimentos milimetricamente sensuais, deixando qualquer homem louco de prazer só em olhar...
Sacudi a cabeça e recuperei o foco. Bella estava me deixando maluco!
Mas ela estava embriagada. E se eu a levasse para minha casa? As pessoas costumam se soltar quando estão bêbadas. Talvez esta noite ela cedesse. E, provavelmente esqueceria no dia seguinte...
Para, Mike! Que idéia mais sem escrúpulos. Tentar se aproveitar de Bella bêbada?
Porra. Eu também estava bêbado.
Minha sanidade voltara assim que percebi um cara colocar a mão na cintura de Bella.
Espera. Ele está tocando minha namorada? Minha namorada?
Marchei em direção ao filho da puta e congelei quando vi Bella sorrir para ele.
Ela estava flertando com ele? Estava gostando?
Fui até onde os dois estavam e arranquei Bella das garras do maldito.
- Mike, você apareceu. – Bella sorriu, colocando as mãos por cima dos meus ombros enquanto o babaca ia embora. – Vamos dançar. – ela disse, tentando me balançar, mas eu não me mexia.
- Não. Nós vamos para casa. – tirei suas mãos de cima dos meus ombros e comecei a puxá-la em direção a saída.
- Mas nós nem nos divertimos direito... – queixou-se, tentando me puxar de volta, mas ela estava sem força.
- Você já se divertiu por tempo suficiente. – eu a encarei, segurando-a pela mão para sairmos da boate.
- C-como você é chato. – resmungou, enquanto caminhava ao meu lado. Ela quase não podia andar.
Quando estávamos já do lado de fora, pedi para trazerem o meu carro, e ficamos esperando o manobrista trazê-lo. Bella estava com os dois braços em volta do meu pescoço, rindo sem motivos e dizendo coisas sem sentido.
O que havia acontecido com ela? Será que colocaram alguma coisa em sua bebida?
Chequei o relógio, vendo que ainda não era meia-noite. Fiquei pensando se seus pais estavam acordados. Não podia chegar com Bella bêbada desse jeito em casa.
O manobrista informou-me que por falta de vaga no estacionamento interno, meu carro ficara no estacionamento externo, e que me acompanharia até onde ele estava. Fora uma luta carregar Bella até lá, que mal conseguia andar sobre os próprios pés e fechara os olhos. Perguntei-me se ela tinha dormido. Quando enfim alcançamos o meu carro e estávamos prestes a entrar nele, ouço uma voz inconfundível atrás de mim.
- Onde você pensa que está levando ela?
POV Edward
- Jasper, eu não vejo mais os dois, acho que não estão mais aqui. – disse após um tempo em que procurávamos Emmett e Rosalie.
- Vamos nessa, então. Talvez eles já estejam em nossa casa ou outro lugar, não sei. – disse Jasper, sorrindo, imaginando o mesmo que eu. Bem, nós conhecíamos o irmão que tínhamos.
Andávamos em direção à mesa onde Jasper deixara Alice, quando de repente alguém passou por mim, batendo em meu braço.
- De novo?
- De novo o que? – perguntou Jasper.
- É a segunda vez só esta noite que alguém parece não enxergar que estou no caminho. – reclamo.
- Espera. A que bateu em você não parece a...
- Rose. – completei seu raciocínio.
- Para onde ela está indo? Onde está Emmett? – inquiriu Jasper.
- Eu não faço idéia, mas acho melhor voltarmos e procurar por ele. – respondi.
E quando estávamos prestes a voltar para o salão de dança, Emmett surge com uma cara nada boa.
- Emmett, o que houve? Nós vimos a Rose...
- Fiz merda. – ele interrompeu Jasper.
- O que você fez? – perguntei.
- É uma longa história. Mas agora eu tenho que ir atrás dela. Por onde ela foi?
- Por ali. – Jasper apontou.
- Depois falo com vocês. – disse, e saiu correndo.
- Emmett. – Jasper gritou, mas ele já tinha ido embora.
- O que será que aconteceu? – perguntei confuso. Eu os vi mais cedo, eles pareciam tão bem.
- É melhor irmos atrás deles. Não sei o que aconteceu, mas Rosalie parecia estar brava com alguma coisa.
- Sim, você está certo. Vamos lá. – concordei, e então saímos da boate, à procura dos dois.
Caminhamos em direção ao estacionamento, onde suspeitamos que Rosalie deveria ter ido, para pegar o carro. De longe, localizei a figura de Emmett em pé, junto de outras pessoas. Eles pareciam estar discutindo, e isso me deixou ainda mais preocupado.
Estávamos mais próximos quando eu já podia ouvir o que eles falavam.
- Olha só o estado dela, Mike. Ela nunca bebeu na vida. – disse Rose, com um tom de voz beirando ao desespero.
- Eu avisei a ela. Eu disse que ele era um estúpido! – identifiquei a voz de Alice, que parecia estar chorando.
- Vocês podem me explicar o que está acontecendo aqui? – pedia Emmett.
Enfim Jasper e eu os alcançamos.
- O que vocês est...
Fui incapaz de terminar.
Tudo falhou naquele instante.
Minha voz, meu corpo, minha respiração.
Congelei quando vi a figura da garota fascinante que conheci há menos de dois dias.
Ela estava embalada nos braços de uma cara, o corpo imóvel. Eu não sabia dizer se ela estava viva ou se ela estava morta.
Pestanejei por longos minutos, até que pude então falar.
- Bella?
E então, cinco pares de olhos confusos se arregalaram em minha direção.
*
Notas finais
G-zuisss e esse final? Era Bella, óbvio. O que será que aconteceu com ela??
Resposta no próximo capítulo.
Beijosss
P.S.: Ah, aceito um review hahahahahahahaha
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