Talvez, Só Talvez Hoje Você Fosse Minha.
1 One shot - Algo que eu não posso ter.
Notas iniciais
Raiva? Seria isso que o moreno sentia enquanto olhava tal cena ao longe. Não, talvez não. Ciúmes? Sim, possivelmente. E, indo mais além, arrependimento.
Virou-se andando em direção oposta da onde a garota de cabelos scarlet e seu amigo Dio conversavam até que animado demais para o seu gosto.
Não poderia reclamar, não tinha esse direito. Sempre tirando com a cara dela, com o temperamento dela, com o jeito dela. Sempre a irritando, provocando, metendo-a em encrencas, fazendo-a se meter em brigas por causa de seu orgulho, logo depois ir para a diretoria e, pronto, uma suspensão de três dias para fechar a história.
Cenas como essa eram normais.
Mas ele se esqueceu, esqueceu que ela era uma mulher, que ela tinha sentimentos. Não, antes talvez ela fosse apenas um Ogro disfarçado de humano.
Ah, quanto apelidos horríveis e ofensivos não inventou para ela? E quantos mais não disse em sua cara, em frente à escola toda?
Não poderia reclamar, não poderia ir lá e dizer que ela era sua, não depois de tudo o que fizera a ela, além do mais sua fama não permitia isso.
Sieghart, o mais bonito e pegador da escola.
O que ela pensaria? Obviamente riria, afinal até onde este se conhecia por gente, nunca tive a ruiva em seus braços, talvez fosse isso que o deixou frustrado. Ela é a única que nunca se entregou para ele, é diferente. Ela, obviamente, deixou claro que ela é algo que ele nunca iria possuir, que ela não é um brinquedo, mas se fosse seria que alguém que a cuidasse.
Mordeu a língua.
Idiota!
Claro, não poderia tê-la sem tentar, e sim ele tentou, e muito, obviamente não conseguiu. Na verdade, desistiu após notar que certo a um certo tempo parecia estar perseguindo-a como um cachorro sem dono.
Elesis não era boba, sabia de suas verdadeiras intenções.
Talvez ela não fosse tão desligada e cabeça de vento assim.
Então os apelidos começaram: Maria homem, travesti machão, Ogro. Todos os apelidos imagináveis e inimagináveis ele usou para provoca-la, para ofende lá, deixou claro, pelo menos para ela, que este era o preço a se pagar por nunca ser dele.
Logo, não era só ele, mas sim quase toda a escola. Meninas olhavam para ela indignadas, mas ela não ligava. Trotes ocorreram, mas ela os ignorava.
Sempre tão forte.
Uma breve memória percorreu sua mente, com esta, seguindo a raiva de si mesmo. Socou a parede.
Lembrou-se do dia em que, quase sete meses depois que as brincadeiras começaram — uma pior que a outra, ofensas a sua família não eram poupadas, principalmente quando descobriram que esta não tinha mãe e que o pai sumira “Sua mãe morreu após ver sua cara” “Seu pai fugiu com outra, com certeza para ter outra filha, melhor que você! ” — Ele a viu chorar, longe da escola, após escapar indiferente de um trote. Sentada no banco da praça, toda suja de ovo.
Trincou os dentes.
Era um idiota.
Filmou toda a cena, espalhou para a escola e as brincadeiras pioraram. Ela poderia ter mudado de escola, poderia ter evitado tudo isso. Mas não, seu orgulho não permitia.
Sempre tão teimosa.
Agora, perto do final do ano, no final do 3EM ele a observava, nos braços de outro. Outro que a ajudou a se levantar, que aguentou os trotes ao lado dela, que socou vários alunos, principalmente ele, outro que agora tinha ela em seus braços.
Foram quase cinco anos nestes jogos. Como fora tolo. Agora que não tinha mais nada via seus erros.
Tudo mudou drasticamente a quase três anos e alguns meses atrás.
Final do nono ano, oitava série.
O baile.
Ah, não iria admitir, mas ela estava linda. Não que reparasse nela. Talvez sim, mas como hoje? Piff, naquela época ela estava começando a mudar, sim, as mudanças já estavam ocorrendo faz tempos, e eram bastante visíveis, mas para ele, naquele dia no baile, que realmente se tornaram visíveis.
Mas tudo aquilo era para o Dio.
Não fez nada fora do normal. Uma olhada rápida, muitas brincadeiras com ela, pegou várias garotas, mais brincadeiras....
Com o passar dos anos isso não deu trégua. Cada dia ela parecia mais feliz, mais arrumada, mais bonita. Não, ele não estava vendo cosias, ela realmente estava se tornando outra pessoa, mas não para ele, não para escola, mais para o Dio. E ele tornou-se mais carinhoso, mais alegre, com ela.
Era o amor.
Ele não poderia aceitar. Algo que ele nunca teve agora estava indo para os braços dos outros, mas isso era tão evidente. Ela brincava com ele, sorria com ele, ria dele e com ele, era até gentil.
Um lado dela que ele só pode observa de longe, nos braços de outros. Um lado que ele ao longo dos anos, desejou.
Talvez, só talvez, se ele tivesse parando com as brincadeiras no 1EM, talvez ele tivesse ela em seus braços agora.
O sinal tocou. Hora de voltar à sala. Novamente foi o primeiro a chegar, sentou-se em seu lugar e ficou olhando a turma voltar para suas carteiras, até o casal volto para sala, de mãos dadas, corados, parecendo mais felizes. Sim, agora finalmente ele a perdeu.
– Hmmm Dio – chamou alto demais, fazendo toda sala olhar para ambos – Que tal nos contar como é beijar a boca de um ogro? – Provocou.
Risadas se espalharam, o jovem apenas encarou o moreno sorrindo de canto.
– Olhe Sieghart, eu não sei como é beijar a boca de um ogro, na verdade iria pergunta para você, já que você parece experiente em beijar a boca de cada tipo de espécie de garotas que aparece... – Puxou a ruiva pela cintura – E, além do mais, eu não beijo ogros, mas sim uma garota extremamente bonita, forte, destemida, mas que diferente de sua personalidade, seu beijo é doce e calmo... tem um leve gosto de morango e cereja. – Sorriu.
Sim, ele havia a perdido.
Talvez, só talvez hoje ela fosse dele.
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