Notas iniciais
Yey! 33 comentários! Que bom que estão gostando! A autora aqui tá morrendo de felicidade e morrendo tb de inspiração! Aproveitem :3

Glenn’s POV

Encurralados.

Estávamos simplesmente encurralados e ferrados.

Errantes por toda a parte cercavam o perímetro, fazendo a gente recuar até ficarmos sem saída.

Judith chorava sem parar, e isso só atraia mais e mais caminhantes até nós.

Nossa munição estava quase chagando ao fim, e logo seriamos devorados impiedosamente por aqueles pedaços de carne podre.

Mandei Carl e Carol ficarem atrás de mim.

Beth havia tropeçado em uma pedra e caído enquanto corríamos. O impacto acabou resultando nela desacordada e seus joelhos ralados.

Carol segurava Beth, com toda sua força. Carl tentava manter a pequena Grimes calma, aparentemente sem obter sucesso enquanto eu tentava protegê-los enquanto podia.

Mas era inevitável. Querendo ou não, todos estávamos nervosos, e com razão.

Senti uma breve vontade de me matar.

De dar um tiro na minha própria cabeça para distrair os errantes e salvar os outros.

Mas tinha Maggie.

Ela sofreria.

Ela e o bebê.

Eu tentava inutilmente diminuir a quantia deles com minha faca. Era muito cedo para se pensar em soluções precipitadas.

Mas eu faria o que fosse preciso para deixá-los a salvo. Era a minha função. Eles era minha família, mesmo não tendo o mesmo sangue.

Meu rosto estava manchado de sangue, minhas roupas, minha mão... E eu só pensava em como aquilo acabaria.

Foi quando uma voz masculina gritou, mandando:

–Se abaixem!

Não pensamos duas vezes antes de obedecê-lo, apesar de não sabermos de quem se tratava. Não dava tempo para pensar ou sequer questionar.

Uma chuva de tiros sobrevoou sob as nossas cabeças, derrubando e matando de vez todos os errantes que antes nos rodeavam.

Ficamos perto uns dos outros o tempo todo durante os tiros. Carol não conseguia mais segurar Beth, ela estava grávida, não podia fazer muita força. Eu tinha mais força física, então segurei a Greene mais nova em meus braços.

Uma faixa forte de luz me fez fechar os olhos. A luminosidade era sem dúvida alguma de automóveis.

Tive vontade de pedir para abaixarem a luz dos faróis, aquela luz estava quase me cegando, e isso me deu dor de cabeça e tontura. Além é claro de dificultar nosso campo de visão. Antes que eu pedisse, eles diminuíram a luz forte.

Foi quando vi uma pessoa se aproximando. Uma silhueta familiar se formava no meio da fumaça que os tiros causaram.

Era ela. Sua silhueta perfeita e inconfundível se aproximava com pressa.

Seu olhar preocupado. Seus olhos demonstrando cansaço e medo. Meu coração palpitou. Era ela. O amor da minha vida. Maggie Greene.

–Maggie?- Perguntei, mesmo tendo certeza que era ela. Eu só queria envolvê-la em meus braços, para nunca mais soltá-la.

Mas eles estavam ocupados segurando sua irmã mais nova, Beth Greene.

Ao me reconhecer, Maggie abriu seu lindo sorriso de alivio. Alivio por termos nos encontrado. Alivio por ainda estarmos vivos.

Mas sua expressão mudou assim que ela viu Beth. Ela correu na nossa direção com rapidez.

Ela provavelmente deduziu que sua irmã estava morta.

–Beth...Beth...-Ela começou a chorar e se aproximar de mim, enquanto descansava sua mão no rosto da jovem Greene.- Ela, ela...Ela está morta?- Ela perguntou, temendo que a resposta fosse sim.

–Não. Não. Ela só está desacordada...Ela acabou caindo e desmaiando, mas está tudo bem.- Falei.- Já disse que você fica linda quando sorri?- Murmurei.

–Sim, você já disse.- Ela enxugou algumas lágrimas e sorriu, abonançada.

Olhei para os outros. Hershel se aproximava para ver sua filha.

–Ela está bem, só precisa descansar.- Falei, antes que ele tirasse alguma conclusão antecipada.

Ele apenas assentiu a cabeça, sorrindo.

–Venha, vamos colocá-la no carro.-Maggie disse, me conduzindo até um dos veículos.

Rick abraçava Michonne e seus dois filhos. Eles estavam contentes, reunidos.

E Daryl abraçava Carol.

–Onde está Sophia?- Ele indagou. A atenção de todos foi voltada para eles dois. Daryl olhou para Carol e em seguida para todos nós, que desviamos o olhar.

Ela abaixou a cabeça, sombria.

–Eu, eu fiz...Eu fiz o que foi preciso.- Quando ele se afastou dela, pode ver ser olhos cheio de água.

–Calma, calma.- Ele fazia carinho em seu cabelo.- A sua garotinha está bem. Ela está em um lugar melhor agora.

Confesso que aquela cena me deixou abalado. Todos ficaram em silêncio, sem ter o que dizer. Todos estavam de luto.

Fiquei me imaginando contar a Maggie caso algo acontecesse a Beth. Como ela reagiria, o peso que eu carregaria em ter que contá-la e vê-la sofrer.

Percebi que Aaron, Tara e Andrea estavam conversando no carro. Além de haver também um homem forte e ruivo, uma mulher de marias-chiquinhas que mascava chiclete e um homem fora de forma que parecia assustado. Nunca havia visto nenhum deles em toda a minha vida.

–Quem são eles?- Perguntei só para Maggie ouvir, enquanto ajustava Beth no banco passageiro.

–Encontramos eles na estrada. Ouvimos os gritos e viemos imediatamente para cá. São Abraham, Rosita e Eugene. Eles nos levarão até Alexandria.

Abri um sorriso e olhei para ela. Percebi a sorte que tinha em tê-la como esposa. De tê-la encontrado no atual mundo obscuro em que vivemos.

Senti lágrimas de emoção brotarem em meus olhos. Não eram lágrimas de tristeza, mas sim de emoção.

Ela estava viva, e eu havia a encontrado. Ou melhor, ela me encontrou.

–Eu já disse que senti a sua falta?- Perguntei.

Ela apenas sorriu, selando nossos lábios e colocando sua mão em meus ombros. Eu queria que o gosto dos seus lábios permanecesse para sempre na minha boca.

Eu queria quebrar toda a distância possível entre a gente, pressionando nossos corpos até ficarem ao máximo grudados. Queria sentir o calor de sua pele. O calor de seus beijos.

–Eu senti tanto a sua falta...-Ela cochichou.

–Não mais do que eu.- Sorri, puxando-a para mais um beijo.

Levantei ela no ar, fazendo-a rir. Aquele riso que eu não ouvia faz dias. Abracei ela com força.

Foi aí que eu recordei que ela estava grávida. Me afastei o suficiente para analisar sua barriga. Estava crescendo aos poucos, mas não chegava a ser grande nem média.

Acariciei com cuidado sua barriga. Não podia deixar de pensar que seria pai. E o melhor de tudo isso é que Maggie era a mãe.

Era estranho o pensamento de ter uma criança crescendo dentro dela. Uma criança que era o resultado do nosso amor.

Não me contive e beijei sua barriga, alegre. Pude sentir Maggie sorrindo.

–Então...Alexandria?- Perguntei, olhando para ela e seguidamente para a barriga, sorrindo.- Pareceu um lugar seguro nas imagens.

–Yeah, um lugar seguro o suficiente para nosso bebê crescer.

***

O grupo se dividiu em quatro. Pretendíamos chegar até Alexandria.

Carl cochichou pra mim, antes de eu entrar no carro:

–Eu disse que ela estava viva.

***

Fui em um carro com Aaron dirigindo e Andrea no banco da frente. Eu e Maggie ficamos na traseira junto com Beth, que parecia dormir em sono profundo.

Maggie sentava em meu colo, virada para mim. Suas pernas envolviam minha barriga de uma maneira sexy, enquanto ela mantinha as mãos no meu pescoço.

Coloquei minhas mãos em sua cintura. O bebê estava entre a nós.

–Glenn, eu te amo muito.- Ela delicadamente pressionou seus lábios contra os meus.- E não é porque estamos em um apocalipse. Eu queria ter lhe dito mais cedo, mas...

Beijei ela com vontade e intensidade. Ela não precisava me dizer. Eu já sabia disso, pois sentia o mesmo. Nos afastamos um pouco, o suficiente para eu beijar sua testa. Pude sentir sua respiração acelerada no meu peito.

–Eu também te amo muito, Srta. Rhee.- Falei.

Ela riu.

–Eu fiquei com medo de te perder Glenn...- Ela arrumou meu cabelo para trás da orelha. Meu cabelo havia crescido, assim como nascera um pouco de bigode nos últimos meses.

Encarei ela. Ela estava séria e aflita.

–Eu jamais lhe abandonaria. Até porque eu ainda lhe devo uma festa de casamento.- Sorri.

Ela sorriu.

–Como você acha que será o nosso bebê?- Ela perguntou.

–Em aspectos físicos ou mentais?- Questionei, sorrindo.

–Mentais e físicos.

–Hmmm...Eu acho que ele será doce e gentil como a mãe.- Fiz uma pausa.- E talvez ele seja um coreano mestiço.- Sorri.

–Tenho absoluta certeza que será lindo.- Ela me beijou.- Ele será corajoso e altruísta como o pai, e terá os olhos puxados como os seus...Ele será otimista e sempre pensará no melhor das pessoas...-Ela beijou minha bochecha.

–Seja ele ou ela, será muito feliz.- Completei.

Carol's POV

Ele estava lá para me abraçar, para me apoiar.

Eu havia perdido a pessoa mais importante da minha vida. Sophia.

Daryl era como um pai para ela, então eu sabia que ele tinha sido afetado, mesmo não demonstrando.

–Ela virou um deles.- Falei. Dividíamos o mesmo veículo. Eu dirigia e ele estava ao lado.

No banco de trás Tara e Rosita jogavam um jogo qualquer de cartas, e pareciam se divertir com isso. E ao lado deles

Eu me segurava em lágrimas. Não queria que ele me visse chorando. Não queria que me achasse fraca.

Ele suspirou.

–Ela era muito boa para esse mundo. Ela merecia viver em um lugar melhor.

Sorri, querendo acreditar em suas palavras.

–Às vezes eu me pergunto.- Dei uma pausa, segurando o choro.- Às vezes eu me pergunto se ela sofreu. Se a mordida foi dolorosa e que em seus últimos minutos ela passou dor.

–Não. Ela era forte...Tenho certeza de que ficou tudo bem com ela. Sophia era sua menininha, sua filha... E..- Comecei a chorar com seu discurso.

–Por favor, não chore.- Ele disse, acariciando minha coxa.- Tudo vai dar certo, ela te amava, e onde quer que ela esteja agora, é um lugar melhor do que aqui.

Sorri.

–Tem razão, não há lugar pior do que este.

–Vivemos no inferno, mas não estamos sozinhos.- Ele sorriu de lado.

Aquele sorriso me dava segurança, conforto.

Ele me estabilizou. Juntou meus cacos.

Quando tudo parecia perdido, ele estava lá para me salvar.

Notas finais
Yey! Coloquei um POV's da Carol (Nem era pra ter, mas deu vontade de colocar :v) considerem como um extra do capítulo :)