Talvez Isso Seja um Novo Começo
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Maggie's POV
–O que é isso?- Andrea perguntou, após de aproximar de uma cartaz.- ''Alexandra, lugar seguro para sobreviventes''...
–Pelo o que conheço Rick e os outros, eles irão para esse lugar se eles estiverem vivos.
Um animo percorreu pela minha mente. Meu coração começou a palpitar igual a quando beijei Glenn pela primeira vez.
–O sol já está se pondo.- Daryl disse, apontando com a cabeça para a estrela de fogo.- O dia foi cansativo, precisamos descansar.
–Mas...- Tentei intervir. Se eu já não conseguia dormir antes com Glenn, imagina sem ele.
–Partiremos amanhã de manhã, quando o sol nascer.- Andrea disse, colocando a mão no meu ombro.- Tenho certeza que Glenn está bem, e que ele não gostaria que sua namorada vagasse à noite pela floresta.
Assenti com a cabeça, apesar de não sermos apenas namorados, e sim casados.
Entramos em uma casa qualquer, que por simples coincidência nós já havíamos habitado, antes de encontrarmos a prisão. Ela estava vazia por completo, poi já havíamos passado uma noite nela.
Memórias vieram à tona na minha cabeça.
Os colchões continuavam desarrumados no chão. Lembro que em menos de 48 horas tivemos que sair dali com pressa por causa de uma horda.
–Passaremos a noite por aqui. Eu vou ficar de vigia.- Daryl afirmou, e ninguém o impediu.
Fui até o andar de cima. Lembro perfeitamente que ninguém quis compartilhar o mesmo cômodo que eu e Glenn por causa das nossas ''intimidades''. Essa lembrança me fez sorrir que nem uma boba.
Eu e Glenn na época tivemos um quarto só para nós dois. Foi logo depois que perdemos a fazenda.
Subi até o quarto.
Os lençóis estavam desarrumados e eu lembro muito bem o porquê. Havíamos usado o nosso último preservativo.
Esse fato começou a despertar mais lembranças. Sem perceber, eu estava chorando.
Antes da destruição da fazenda Glenn havia feito uma corrida comigo até a farmácia. Conseguimos descolar uma caixa com doze preservativos, que foram bem utilizados.
Achei em cima da cômoda um boné familiar. O boné de baseball de Glenn. Ele havia ficado para trás, mas agora eu lhe reencontrei.
Aquilo me deixou mais melancólica.
Sentei na ponta da cama. Ela tinha o meu cheiro misturado com o de Glenn. Fiquei analisando o boné com minhas mãos.
Eu tinha que ser forte. Forte o bastante. Pelo nosso bebê.
Recolhi o boné. Como lembrança.
Se Glenn estivesse morto, daria para nosso filho/filha como recordação de seu corajoso pai.
***
Todas nós dormíamos no chão da sala. Michonne estava exausta, e conseguiu dormir, mesmo sem saber ao certo o que havia acontecido com sua família.
Fiquei me perguntando mentalmente se Glenn estava bem, se meu pai havia sobrevivido, se Beth estava bem junto com Carol...
–Eu sinto muito em relação ao Philip, eu não fazia ideia de que ele era...-Andrea dizia, sua voz ecoava pela sala. Antes que completasse sua frase, a interrompi.
–Tudo bem, não sabíamos que ele era tão louco a ponto de fazer tudo isso.- Falei.
–Sabe, ele havia me prometido que não faria mal algum à vocês, que só estava blefando em destruir a prisão...Mas ele mentiu.-Andrea suspirou.
–Hoje em dia não se pode mais confiar em quase ninguém.- Falei, olhando para o teto.
–Mas desde sempre foi assim. Nunca podemos confiar em ninguém, o mundo sempre foi assim desde que me conheço por gente.- Ela murmurou.
–Eu e Glenn agora somos casados agora...- Era estranho dizer isso, eu ainda não estava muito acostumada com a ideia de estar casada.- Quer dizer, éramos...- Falei, confusa. Eu poderia tanto ser viúva quanto ser casada, mas eu não sabia dizer ao certo qual me definia atualmente.- Glenn me pediu em casamento enquanto você estava fora...- Sorri de lado, tristonha.
Ela sorriu, aflita.
–Você é casada. Não importa o que tenha acontecido.- Ela fez uma pausa, sorrindo com o canto da boca.- Estou feliz por vocês dois...Teve cerimônia?
–Não, não...Não deu nem tempo de isso acontecer.- Sorri, mas logo esse sorriso desapareceu quando me lembrei do Governador.
–Bem, quando chegarmos até a Alexandria podemos fazer uma cerimônia...-Ela deu a ideia, o que me fez imaginar Glenn de terno. Ele ficaria lindo se vestisse um.
–Sim, nós podemos.- Sorri.
Depois de segundos de silêncio ela perguntou, como se lesse pensamentos:
–Você lembra dessa casa?
–Lembro.- Não pude evitar um sorriso.- Lembro que ninguém queria dormir no mesmo cômodo que eu e Glenn.
Ela riu.
–Yeah, mas isso foi bom, não foi? Vocês aproveitaram.- Ela sorriu,maliciosa.
–Foi ótimo. Aquela cama era macia...Espera,deu para ouvir algo?- Perguntei, constrangida.
–Bem, só alguns gemidos e arfadas...E bem, a cama fazia barulho também.- Ela riu, diante da minha vergonha.- Acho que é por isso que os caminhantes foram atraídos.- Ela brincou.
–Ah Meu Deus, eu preferia morrer do que saber que vocês ouviram isso.- Falei, rindo.
Depois de rirmos um pouco, Andrea disse:
–Vai ficar tudo bem...Apenas descanse. Você está grávida, lembra?
–Ok...Boa noite Andrea.
–Boa noite.- Ela se virou e adormeceu.
Era estranho depois de tantos meses dormir sozinha. Sem ter alguém para me abraçar, me beijar. Eu queria tanto que Glenn estivesse ali...
Não sei como, mas no meio dos meus pensamentos acabei pegando em sono profundo.
Mas meu pesadelo não foi nem de longe agradável.
Eu estava com Dary, Michonne e Andrea. Estávamos indo para o tal lugar seguro, mas algo nos fez para de andar.
Mais adiante avistei um rapaz.
Era semelhante à Glenn, usava os mesmos trajes que ele, a mesma mochila, tinha o mesmo cabelo escuro.
Era Glenn.
Corri até ele. Feliz.
Abracei ele. Mas ele, mas ele nem se mexeu.
Ele se virou devagar, e quando eu vi, ele estava transformado. Ele era um errante.
Ele estava morto.
Acordei em um grande sobressalto, assustada.
Continuava de noite. Ainda estávamos na casa.
Suspirei, aliviada.
Passei a mão pela minha barriga. Era estranho ter algo nascendo dentro de mim. Um ser misturado comigo e Glenn.
–Vai ficar tudo bem, não pense negativo, vai ficar tudo bem...Tem que ficar.-Murmurei para mim mesma.
Temia ter outro pesadelo, então resolvi simplesmente continuar acordada e angustiada.
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Glenn's POV
Eu estava com uma grávida, dois adolescentes e um bebê. Ah, e não nos esqueceremos do fato que estávamos em pleno apocalipse, esse fato é importantíssimo.
E eu não podia entrar em pânico. Tinha que manter a calma.
Maggie. Ela conseguia me acalmar. Conseguia me manter seguro de que tudo daria certo. Sentia falta de seu doce olhar, de seu abraço e de sua teimosia inegável.
Mas ela não estava comigo.
Eu assumi a ''liderança''. Por mais que eu quisesse ir em busca de Maggie, não podia simplesmente abandoná-los, não seria certo, e Maggie não gostaria que eu o fizesse.
Passamos a noite em um celeiro abandonado. Já estava anoitecendo e resolvemos passar a noite ali.
Carol pegou no sono rápido. Ela precisava descansar.
Beth conseguiu fazer Judith dormir e logo fez o mesmo.
Me ofereci em ficar de vigia. Até porque eu a)Não conseguiria pegar no sono b) Era o mais forte entre eles e c) Não queria que nada lhes acontecesse.
Carl insistiu para ficar vigiando comigo. Após negar várias e várias vezes acabei cedendo.
Ficamos olhando o horizonte. Por sorte não havia nenhum errante por perto.
–Você acha que Deus existe?- Carl questionou para mim.
–Olha, nunca fui um cara religioso. Nunca fui temente a Deus, mas pela primeira vez em toda a minha vida estou tentando acreditar que se este existir, todos estarão vivos.- Suspirei, pois podia ter resumido com um simples ''não. não existe.''.
Silêncio profundo.
–Você acha mesmo que meu pai sobreviveu?- Ele questionou.
–Acho. Seu pai sempre dá um jeito. Ele com certeza está vivo.- Sorri, aflito.- Já quanto a Maggie... Eu sei que ela é forte, que é corajosa...Mas eu queria estar com ela, sabe? Queria apenas protegê-la.
–Ela está viva. Aposto que deve estar com Michonne, meu pai, Daryl...
Sorri, pela primeira vez em muito tempo estava com esperança.
–Tomara que esteja certo.- Baguncei seus cabelos.
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