Notas iniciais
Hey amores bem aqui esta uma one nova ♥ espero que gostem. Boa leitura ^^

Todos os dias acordo e penso: “Quem eu sou?”. E todos os dias obtenho a mesma resposta: eu sou aquela jovem inocente e delicada que desejam que eu seja? Não, eu não sou delicada e muito menos inocente. Sou uma criatura do mundo que aprendeu a amar a mãe Gaia, que aprendeu a se render as belezas da natureza. Hoje sou Estela, amanhã posso ser apenas “Es”ou quem sabe “Esla”.

Todos dizem você vai para humanas e vai fazer miçangas e vangloriar o sol, e eu respondo a eles, realmente sou de humanas e com a benção de minha mãe Gaia eu irei reverenciar o senhor sol. É tão difícil acreditar que sou de humanas e que amo estudar física? É tão difícil enxergar através dos meus óculos quadrados de armadura vermelha e não ver somente uma garota gordinha e nerd?

É talvez algum dia eu compreenda esses seres que me cercam durante as aulas tediosas de matemática e que me acompanham para uma viagem chamada “Arte”, talvez metade dessas pessoas que venham falar comigo durante as atividades de tal matéria queiram apenas ganhar um desenho e tirar dez as minhas custas, mas fazer o quê, não é? Todos recorrem a algo quando desejam. Eu, por exemplo, recorro a minha oração silenciosa.

Gosto do meu interior mineiro, minhas raízes ficaram em minha amada cidade Cambuí! Como eu amava minha infância naquele lugar, mas agora cá estou eu, me encontro na correria de São Paulo, cidade bonitas, cidade grande, cidade esta que me deixou viciada em adrenalina. Quando cheguei tinha meus quatorze anos, o forte sotaque me fazia logo ser reconhecida entre os colegas, mas quer saber? Eu amava o meu jeito “torto” de falar. Mas agora cá me encontro com dezessete anos, e completamente entregue aos prazeres de remédios controlados, sim remédios controlados!

Todos os dias tomo minha dose matutina de Machado de Assis, afinal não dá para começar o dia sem ler Quincas Borba! É totalmente fora da minha receita de controlados começar meu dia sem uma leitura dessas. Afinal como eu poderia ter um bom dia se nem ao menos li vinte paginas de um bom e delicioso livro.

O próximo passo da minha lista é abrir a cortina e dizer um bom dia ao nosso pai sol, isso quando a cidade não esta coberta por nuvens, mas enfim, hora de colégio ou seja, guarda Quincas na mochila e “borá”, assistir algumas aulinhas. O silêncio imperava no apartamento, minha mãe trabalhava em um escritório de contabilidade e meu pai a essa altura estaria lecionando na USP, sim, papai é professor de Direito Penal na USP.

Ou seja, hora de pegar o metro até chegar a escola ou quem sabe um ônibus, eu iria na escola publica perto de casa, mas meus pais insistiam para que eu fosse para uma particular. Com a mochila em mão desço iria esperar o ônibus, eu bem que poderia ir de metro, mas resolvi mudar, quem sabe hoje eu fosse “Esla”, nunca me diria ser outra coisa, só quem me chama assim é ele. Bem e quem é ele? Oras como não sabem quem é ele? André!

Mas quem é André? Não façam perguntas tolas! André é aquele que há um ano, seis meses e vinte dois dias não sai de minha mente. Meu querido professor de matemática, aquele que faz meu coração disparar, hoje acordei uma garota tola, mas amanhã talvez eu esteja de mau humor afinal, amanhã não é dia de ver meu amado professor.

Meu cabelo hoje se encontrava arrumado, meus lábios continham o meu melhor amigo batom vermelho, e meus olhos tinham como proteção meu fiel escudeiro uma armadura vermelha quadrada com seu grau de cinco e meio no olho direito e cinco no olho esquerdo. Ou seja, eu estava linda! Mas a revista da mulher ao meu lado me dizia, “Não você não esta linda!”, eu queria joga-la fora, mas acho que a mulher me acharia louca.

Em meus ouvidos escutava com meu fone a bela melodia de Telegrama do meu amado Zeca Baleiro, mas tinha certeza que em seguida tudo se transformaria em Eu Esqueci Você de Clarisse Falcão. O tempo se fechava, poderia bem ser uma chuva, mas eu sabia que pelo jeito que se encontrava o nosso sistema de chuva isso seria sonhar demais.

Logo minha parada é anunciada e nada mais me restava a não ser se despedir do motorista e adentrar ao meu convívio que tanto tenho apreço, olhar colegas e encontrar amigos, cumprimentar cobras e abraçar companheiros. Aqui me encontrava no meu refugio mais precioso, aqui estava eu dentro de minha segunda casa.

Aqui veria meu amor, aqui encontraria a hipocrisia, e aqui eu seria o que eu sou, uma garota apaixonada por física que não sabe matemática, talvez eu seja nerd e talvez eu seja ignorante. Há tantos talvez em meu cotidiano, e talvez isso seja algo bom, ou talvez não.

A única certeza do dia de hoje e ver aqueles olhos escuros me chamando para responder o que eu não sei enquanto passa a mão no cabelo dando um pequeno sorriso de canto. Quem sabe desta vez meu cinco vire oito, quem sabe somente hoje eu não me lembre de falar sobre 50 tons de cinza com a garota ao meu lado, e comece a discutir sobre Capitu ter traído ou não Bentinho.

Mas enquanto me arrumava na ultima carteira no canto da sala eu esperava apenas por hoje não ter meu coração acelerado pela agonia de saber que aquele amado professor tinha acabado de voltar de lua de mel e era vida que seguia. Quem sabe hoje eu não ficasse triste e eufórica quando ele viesse me dizer oi, ou talvez eu simplesmente me debulhasse em lagrimas quando chegasse em casa.

Quem sabe somente hoje eu tivesse a coragem de dizer um eu te amo, mas sabia eu que essa coragem não era minha, ou seja, hoje seria apenas mais uma aula normal onde meu coração iria se acelerar enquanto ele falava, hoje seria apenas mais um dia que eu amaria em silencio e sorria enquanto finalizava minha leitura de Quincas Borba.

Notas finais
E ai amores o que acharam? Espero que tenham gostado ^^
Comentários são bem vindos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!