Talvez

1 Ela não quisesse que algo fosse diferente


Talvez tudo fosse diferente se ela tivesse se formado em outro curso, trabalhado em outro lugar ou mesmo não tivesse sido designada para tratar outro paciente.

Ela tinha uma carreira brilhante, oportunidades não lhe faltavam para um bom futuro. Era linda, o que não faltavam eram homens aos seus pés, mesmo que nenhum despertasse o mínimo interesse em si.

Até que ele apareceu. Ou ela, àquela altura não importava mais. Tudo o que sabia era que um dos dois não deveria ter entrado na vida do outro, no caso, ele na sua.

Não foi uma paixão imediata, mesmo que o fascínio tivesse sido. Aquele homem a encantou de imediato, sua mente insana e o modo como era tão aberto e, ao mesmo tempo, tão misterioso. Ele contava sobre todos os seus planos, suas vontades e ideais, por mais insanos que parecessem, e sempre parecia haver algo mais. Porque sempre havia algo mais. Existia algo de bonito e extraordinário em sua loucura lúcida, pois o homem tinha, contra tudo o que se esperava, completa noção de tudo o que fazia, e uma lógica de certa forma irrefutável. Um gênio.

E teve aquele dia, onde numa consulta de rotina ele declarará sobre sua infância infeliz. Mais tarde ela descobriria que era tudo inventado, mas quem disse que ligaria?

O dia mais excitante de sua vida fora ajudá-lo a fugir do Asilo Arkham. Movida pelo amor, agora mais do que claro em suas orbes azuis, a grandiosa Doutora Harleen F. Quinzel se tornou uma fugitiva.

Em troca da liberdade, Joker a beijara. Um simples encostar de bocas vermelhas, uma pelo batom e outra pela radiação, que significaram muito mais para Harleen que qualquer coisa. Mais do que sua carreira, mais do que tudo.

Claro que fora estranho encostar seus lábios macios na face deformada do maior, aqueles músculos eternamente rígidos em um sorriso de quem realmente não se importa mais, mas ela estava beijando-o, eles estavam juntos. Já era perfeito.

Havia o dia onde ele, por puro capricho, ou um plano muito bem bolado a ponto de escapar os olhos cristalinos da psiquiatra, mencionou que a sonoridade de seu nome se assemelhava muito com "Harley Quinn", e aquele comentário foi decisivo para sua vida do crime.

Mesmo que ele não a amasse. Todos diziam que ela era tola por continuar se iludindo, mas Quinzel, fazia tempo, sabia que seu sentimento não era recíproco. Continuava naquilo pelo simples fato de que Harley Quinn, Harleen, ou fosse lá quem ela fosse agora, se sustentava com migalhas de atenção que Joker dispensava na medida certa para que ela continuasse fielmente ao seu lado, sem riscos de deixá-la conhecê-lo demais.

Ela entendia tudo com perfeição. Era apenas uma marionete.

E, se aquilo satisfizesse Joker, Harley Quinn estava feliz.

Notas finais
Tenho um grande problema com o fandom: DETESTO o Batman, mas amo seus vilões. Joker e Harley Quinn, mas acho que ainda sou mais a loura (desculpa, Jokey :()
Eu amo esses dois. Tipo, pra caralho.
Não traduzi seus nomes porque acho que não tem tanta graça o trocadilho de "Harleen Quinzel" e "Harley Quinn", então os mantive assim.
Para quem não sabe, Arlequim, personagem do carnaval venezuelano que nomeia a Harley, faz parte da marcha do Pierrot apaixonado. Na história, Columbina troca o Pierrot por Arlequim, na esperança comum de ter uma vida melhor, mesmo que tivesse que abrir mão do amor de sua vida. Então Arlequim vive sorrindo pela vitória de conquistar a garota, enquanto Pierrot se afoga num mar de depressão (por isso a lágrima pintada na bochecha do palhaço),
O mais interessante é que, em algumas versões, os três afogam em angústia. Pierrot e Columbina por não ficarem mais juntos, e Arlequim por saber que, por mais que ele tivesse se casado com a garota, seu coração seria de outro homem, e ele realmente a ama. O suficiente para não conseguir deixá-la ir.
Ah, tragédias amorosas ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ .
Fiz algo curto e não revisado porque me deu na telha e está tarde, espero um dia revisar.
Obrigado pela leitura o/.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!