Notas iniciais
Por favor, não me deixe falando com as paredes, eu sou legal, sério mesmo. Espero que a fanfic também seja euri.

– Bom dia! — Meu despertador gritava histérico e a voz da minha mãe fez ele desvanecer em meio à neve. Disse adeus à Londres. Estava de volta ao Brasil.
– Vas happenin' mom... — Pisquei sonolenta. Minha mãe deveria ter acordado com o escândalo musical que eu colocava como despertador, o qual não adiantava de muito, afinal, ela sempre tinha de vir me acordar.
– Vamos, você tem vinte minutos, vou terminar de colocar a mesa.

Não que o dia não estivesse bonito, eu só... Preferia Londres. E preferia ainda mais quando esses sonhos voltavam a me preencher. Ou seja, todos dias, todas as noites. Mas o mais revoltante era que eu tinha parentes por lá, tinha onde ficar, mas minha mãe não deixava, dizia que era melhor eu terminar meus estudos por aqui, e talvez fazer uma faculdade por lá, que não me acostumaria tão fácil assim... E então, aqui estou eu, derretendo dentro dos meus sapatos. Valeu mãe!
– Bom dia, Mari! — A voz melódica de todas as minhas manhãs soou um pouco atrás de mim.
– Vas happenin' Gabi. — Virei-me sorridente.
– Não comece com esses meninos. — Ela fechou o sorriso, mas logo seus lábios se curvaram novamente. — Eu sei que será mais uma longa manhã a par de toda a agenda deles. Conte-me, onde eles estão, o que estão fazendo, o que eles comeram ontem, quando eles foram dormir, quem eles comeram essa madrugada... ops... — Ela gargalhou. — Conte-me tudo.

Seria mais uma manhã como todas as outras. O sol nunca fora meu companheiro, devo admitir. Sempre preferi a lua, ela sempre me ouviu, sempre deixou que eu a encarasse, o sol não, este está sempre reluzindo egoísta, sem permitir-me admirá-lo, sempre coloroso demais para a minha fria solidão constante.

Então esperei a noite. Como todos os dias. Quando eu poderia finalmente soltar as mágoas, as necessidades de... de vê-lo. Conhecê-lo. Ouvir sua risada, encarar seus olhos brilhantes...
– Está tudo bem? — A morena ao meu lado pareceu perceber meu devaneio.
– Ahn... Sim, sim... Claro. — Tentei sorrir.
– É que você estava falando sobre eles e de repente parou... — Seus olhos tentavam encontrar respostas nos meus, mas não acharia, nem mesmo eu as tinha.
– Odeio esses pombos no pátio, esperando por uma migalha. — Alguem comentou, mas não tive tempo de perceber quem era pois...
– KEVIN!?! — Virei-me sobressaltada e... bem... nessa parte eu caí. Não lindamente, como aquelas estrelas de cinema. Não. Caí feito uma estúpida... Parabéns Mariana Skart, mais um tombo pra sua coleção.
– Você está bem? — João, um garoto do primeiro ano veio me socorrer.
– Eu... Acho que sim... — Disse, levantando a cadeira.
– Ah não, Kevin, volta aqui! — Ouvi Gabi gargalhar da minha cara.
– Para de judiar da menina, Gabriela!
– Não João, tudo bem, sério. Ela sempre faz isso. Isso que dá não ter amiga directioner. — Gargalhei, mas ele continuou me encarando sério.
– Amiga o quê?
– Nada não... Obrigada pela ajuda mas, acho que seus amigos estão te chamando. — Dei um sorriso torto e virei-me para sentar novamente. Sei que ele ficou uns minutos parado, me encarando, pude sentir.
– Tadinho do menino, Mari. Só te fez uma pergunta normal.
– E eu não quis responder. Tenho preguiça de falar como o...
– Como o Harry, é, eu sei... Infelizmente né.
– Não se faça de coitada, não é tão ruim quando eu falo deles, você até gosta!
– Eu gostava, mas quando isso se tornou doentio... É meio assustador, sabe? Você parece um zumbi... Como a cara que você está fazendo agora que eu sei que só vai passar quando eu colocar o play novamente... — E então a voz do Liam abafou o mundo. Era como se não existisse mais nada além. — Viu? — Ouvi a voz da minha amiga abafada pelo refrão.

Era mais uma noite normal. Eles voltariam para Londres dentro de quatro dias, e... Bem, ali estava eu, em frente ao computador, agarrando-me com todas as forças àquelas fotos. As fotos tiradas enquanto eu estava na escola, enquanto estudava para as provas do dia seguinte... Daria tudo para estar lá. Tudo mesmo. Será que ninguém gostaria de trocar comigo? Sabe... Alguma gringa que gostasse de calor, sol, dias agitados... Alguma?
– Vem jantar! — Minha mãe berrou da cozinha.
– Oi mãe... — Sentei-me na cadeira alta do balcão.
– O que... Você ouviu direito? Eu disse jantar... comida... Batatas... Niall...
– É... Eu ouvi. — Tentei sorrir.
– Aconteceu alguma coisa? — Minha mãe me encarou preocupada. — Cadê a minha batatinha do Nini?
– Está aqui.... Querendo estar lá. — Não contive um suspiro. Era a pior sensação do mundo estar longe de quem mais amava.
– Vá lavar as mãos para comer... — Ela fingiu não me escutar. Que ótimo. Até quando minha vida seria assim? Estar perto apenas por fotos no computador, celular, ouvir a voz apenas por vídeos, músicas... Meu anjo estava longe de mim, e eu não podia fazer nada para tocá-lo. O que faria? Fugiria de casa? Meu peito estava congestionado de gritos. Logo meus olhos se afogariam em lágrimas.

Não que eu não estivesse elétrica por estar comendo batatas. Era como se eu estivesse perto dele, mas... Eu não estava. E como nunca, o gosto da comida parecia se esvair, tornando-se amargamente neutro. Tinha de engolir a comida e o choro, pois as lágrimas subiam pela garganta, abrindo passagem a cada suspiro.

Encarei o plano de fundo do meu computador, os olhos dele eram como oceanos infinitos, como águas rasas e turbulentas, e então os posters que completavam minhas paredes, impossibilitando que vissemos o tom rosa que minha mãe pintara quando nos mudamos para aquele apartamento. Era engraçado, eu dormia cercada por ele, cercada por cinco razões da minha existência, porém, isto, que sempre maquiara a realidade, isto, que sempre fora o suficiente para que eu continuasse respirando, continuasse acreditando, agora não fazia mais sentido...

– Oi... Sou eu de novo. Importa-se de ouvir mais um pouco o que se passa aqui dentro? — Sussurrei para lua. Minha única confidente.

Notas finais
Espero, DE CORAÇÃO, que tenha gostado, não se esqueça do review, faça uma directioner feliz! UAHUSUHAUHUSHA awn :3