Talk about Johnny
1 Prólogo
Notas iniciais
Boa leitura
Era baile de final de ano e nunca vi a escola tão organizada como naquele dia. Faltava um pouco mais de duas horas para o evento começar e eu agora que estava voltando para casa graças a aulas de Espanhol extracurricular que tinha durante as quintas. Na verdade não queria ir para aquele baile porque sabia que seria um desastre, contudo, tinha até um par e não poderia desistir nessa situação. Meu par era Tom Delvey o filho dos amigos dos meus pais, por isso ele é meu par. Meus pais viram que eu não estava tão animada para o baile este ano e pediram aos pais de Tom para que ele fosse meu par, segundo eles me daria o sentimento de estar com conhecidos na festa. Mais mal eles sabiam que Tom era tudo, menos meu amigo. Mas mesmo assim aceitei ir com ele porque ele era um dos caras mais bonitos da escola. Sairia ganhando de certa forma.
Cheguei em casa e minha mãe já andava de um lado para o outro impaciente. Fechei os olhos esperando seus sermões.
- Onde estava Camila? — Falou nervosa e eu bufei antes de responder.
- Na escola...
- Porque não veio mais cedo?
- Porque estava tendo aula...
- Okay! – Suspirou. – Vá se arrumar.
- Tom irá passar aqui?
- Não, a mãe dele ligou mais cedo e disse que ele esta treinando ainda então para não chegarem atrasados ele encontrará você na festa. – Dei de ombros subindo as escadas. – Mais vocês não escaparam da foto do baile. – Bufei fazendo minha mãe rir.
Olhei-me no espelho estranhando minha aparência impecável. Não que eu não gostasse de me arrumar, era bem menininha nessa parte mais é que estava arrumada demais, parecia que iria para algum concurso de beleza. Era divertido e estranho de se olhar.
- Você esta linda meu amor. – Minha mãe apareceu na porta do quarto com seus olhos brilhando. Sorri. – Animada?
- Lógico. – Menti.
- Incrível então vamos? – Concordei a seguindo meio torta graças ao peso do vestido vermelho que alias é minha cor preferida. Seguimos até o carro e desta forma fomos para o evento mais superficial que existe na face da terra. Baile de primavera.
Minha mãe estacionou o carro em uma vaga qualquer que para ela naquele momento não era importante e a mesma saiu depressa para abrir a porta do carro para mim e me ajudar a descer do mesmo. Desci com certa rapidez, talvez quisesse muito que tudo aquilo acabasse logo e que fosse para casa.
- Irá ficar bem?
- Sempre fico.
- Camila estou falando sério.
- Vou mamãe.
- Tudo bem! Se divirta meu amor e me ligue quando quiser voltar okay? – Concordei. Em segundos via seu carro sumir do meu campo de visão e seguir para casa onde eu queria ir também. Bufei resolvendo encarar aquilo tudo de uma vez.
Entrei no corredor principal vendo-o praticamente vazio, com exceção de alguns casais que se agarravam sem nenhum pudor ali, mais fora eles estava vazio. Poderia ouvir a musica de longe e quando me aproximava mais do ginásio ela ficava mais alta e intensa. Entrei no ginásio junto com algumas outras meninas com vestidos curtos e decotados. Como a mãe delas as deixavam andar assim? Suspirei entrando por completo no local analisando o ambiente. Vários jovens dançavam ao mesmo tempo em uma espécie de dança ensaiada, era legal de se ver por isso parei por alguns minutos só para ver aquilo, foi quando me toquei que deveria estar com Tom nessa hora. Andei entre as pessoas olhando para os lados tentando encontrar meu par, mais não o achava em canto algum. Bufei por ter que dar voltas naquele lugar e esbarrar em todos só para achar Tom.
Já estava quase aceitando o fato dele não ter chegado ainda, mais quebrei qualquer suposição quando o vi de longe. Caminhei um pouco mais para poder ter uma visão melhor dele. Suspirei aliviada por achá-lo, ficar sozinha não era algo legal, principalmente em um lugar que não queria estar, e como disse ele era bonito, poderia melhorar minha noite apenas com o seu sorriso. Arregalei os olhos quando consegui ter uma visão ampla dele. Ele não estava sozinho. Ele estava dançando com outra pessoa e cochichava no ouvido da mesma que a fazia rir descontroladamente. Engoli a seco o que via, porque ele estava com outra menina? Ele era meu par. Ele havia dito isso a mim quando o vi da ultima vez, porque ele estava com ela? Senti meu peito apertar com a suposta exclusão. Senti qualquer dignidade que me restava cair no chão quando ele virou seu olhar para mim e me fitou. Ele estava olhando para mim, Tom Delvey estava me encarando e nada fazia apenas me olhava como se não me conhecesse como se não tivesse me prometido nada. O fitei séria e ele apenas sorriu debochado quando me viu dando uma piscadela logo em seguida e voltando a encarar a menina que dançava com ele. A menina tinha cabelos ruivos e uma pele divinamente branca, completamente bonita, e eu era apenas eu. Isso me fez querer afundar em qualquer canto que me tirasse dali. Resolvi chorar longe dali quando a menina olhou para mim e deu uma risada estranha e deu um aceno falso como se mostrasse que aquele menino era seu par e não eu, que eu fui apenas uma idiota que veio para o baile jurando que não ficaria sozinha para variar, mais que no final sempre ficava como costumava, sozinha. Virei e sai dali quase correndo batendo com mais força nas pessoas ao meu redor. Sai do ginásio indo para qualquer canto que me deixasse chorar sozinha sem ter que passar por mais nenhuma vergonha.
Encontrei um corredor completamente vazio e foi ali que me entreguei à raiva e ao choro de raiva. Porque eu era assim? Porque acreditava tanto quando não deveria? Talvez você mereça isso Camila, mereça para aprender de uma vez por todas que ninguém se importa com você nem com o que você sente, nem com o quão isso pode machucar você de diversas formas. Fechei os olhos sentindo as lagrimas quentes molharem com rapidez meu rosto e meu vestido. Você é melhor do que eles. Você é melhor do que eles. Repetia isso para mim mesma vai que eu acreditava qualquer dia.
- Esta tudo bem? – Ouvi uma voz masculina próxima a mim o que me fez abrir os olhos rapidamente e encarar o dono daquela voz. Pisquei os olhos com força vendo Johnny Decker parado de frente para mim com seus joelhos dobrados para ficar da minha altura naquele momento. Me encolhi automaticamente como uma forma de defesa e pude olhar dentro dos seus olhos verdes, ele estava confuso, triste e raivoso não entendi aquela mistura de emoções que ele trazia com ele mais olhá-lo por um momento me trouxe uma paz única. Johnny ou simplesmente John era um dos caras mais cobiçados da escola, mais o que tinha de diferente nele era que ele era discreto, não precisava mostrar para ninguém que ele tinha tudo que queria ele apenas era na dele e fazia o que ele amava. E Decker era o único do time que tirava notas azuis o que tornava ele o ser diferente naquela matilha idiota. – Esta tudo bem? – Perguntou mais uma vez. Concordei. – Acho que é óbvio que não esta não acha? – Concordei mais uma vez. Sua voz era doce e calma mais o seu olhar era uma briga constante de emoções. – Quer falar o que houve? – Neguei. – Não sou como eles você sabe disso, todos sabem disso. – Limpei uma lagrima que saiu dos meus olhos antes que ela molhasse meu vestido. – O que o Delvey fez com você? – Como ele sabia? E porque ele se importava?
- Porque se importa?
- Porque não me importaria? – Bufei.
- Ele era meu par, ele disse que era meu par mais na verdade mentiu... – Johnny encolheu as sobrancelhas o que me fez continuar falando. Era tarde demais e precisava dizer o que estava sentido, guardar não era uma boa escolha naquela hora. – Cheguei e vi ele com outra menina e ele fingiu que nem existo. Porque ele fez isso? Porque não me disse logo e eu teria ficado em casa lendo como sempre faço, mais vim para cá só para ser sozinha para variar. Eu o odeio, odeio aquela menina também por ter rido na minha cara sem saber se estava me magoando ou não. Eles são um idiotas ele é bonito mais é um completo idiota. – Bufei chorando novamente. Fechei os olhos tentando fazer Johnny não ver aquelas lagrimas. Mais algo pior aconteceu. Risadas faziam eco ao meu redor e senti meu chão se abrir. Abri os olhos e tinha umas seis pessoas ao meu redor. Uma delas era Tom e o resto eram seus amigos e amigas estúpidos que não perdiam uma para me humilhar.
- Não dava nada para você amigo mais você merece um Oscar depois dessa. – Tom veio até a gente e deu dois tapas nas costas de Johnny que me encarou com um olhar triste mais logo abaixou sua cabeça levantando e indo para trás de Tom que estava agora de frente para mim. Levantei em um pulo ficando da mesma altura de Tom. Olhei para Johnny que suspirou cansado e olhou mais uma vez para os seus sapatos sociais evitando me encarar. Idiota. – Okay vamos parar de choro... Não quero que venha alguém da direção aqui e pergunte qualquer coisa a você e você diga que foi culpa minha. Porque podemos ver que você fala qualquer coisa para qualquer pessoa com muita facilidade. – Risos ecoavam. – Não vim com você porque não iria perder meu tempo com você. Meus pais prometeram aos seus pais que eu iria mais na verdade mentiram porque nem eles queriam que eu fosse com você. – Riu. – Tenho coisas melhores para ir é óbvio. – Falou se aproximando. – Agora para de chorar se não eu faço você chorar de verdade. O ano esta acabando e não quero me ferrar por culpa sua. Me entendeu? – Não respondi. – Me entendeu? – Falou alto. Concordei. – Ótimo.
- Bom baile. – Uma das meninas que estavam entre os seis falou fazendo todos os outros rirem, menos Johnny. Porque aquele infeliz ainda estava ali? Porque não foi morrer?
Todos saíram dali e Johnny demorou alguns segundos para acompanhar seu bamdo e depois saiu com eles. Desgraçado. Fiquei ali implorando que alguém me tirasse daquele corredor que minhas pernas não me deixavam sair.
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