Talk To Me

1 ... yeah, this is how we communicate


Notas iniciais
eu limpando os documentos achei o quê? Isso mesmo, Suika de Spin-off
Aí fui surtar com a @Solune, porque eu tinha pego essa capa em uma das doações dela e sinceramente: é minha favorita (só perde pra Era 7, azul mores, azul)

Bem, se você não leu Explosiv, quem se importa? O que você precisa saber é que ABO é a república masculina do campus, e SAT é a feminina. Karin e Naruto são gêmeos. E as citações sobre o enredo original podem ser relevados.
É isto.

Inspirada na música Talk To Me, que eu amo de paixão, bota!
https://www.youtube.com/watch?v=qH63ExnjtZA

So use your body as your words.

Please, talk to me... Give me what I really need

A pele da garota queimava sob seu toque, e a ansiedade dela era convertida em sussurros sem nexo. Prensou o corpo dela entre o seu próprio e a parede. Com um cuidado desconhecido afastou a cachoeira de cabelos vermelhos para o lado, afundando o rosto no pescoço dela. O cheiro de baunilha e canela — do perfume que ela provavelmente passou pela manhã — ainda estava espalhado pela região, inebriando todos sentidos de Suigetsu. Espalhou beijos e mordidas pelo pescoço e nuca da Uzumaki, que arfava por antecipação e rebolava contra seu membro. Riu de maneira contida, a boca ainda colada na nuca feminina, e um arrepio se alastrou no corpo da ruiva.

— Estava com saudade disso, não é, Karin? — Puxou os cabelos dela para trás, expondo ainda mais o pescoço branco e convidativo para ele. A resposta dela foi em forma de um gemido comprimido, que o fez rir novamente.

— Você pode fazer mais barulho que isso Karin, estamos em segurança. — A ruiva resmungou uma resposta negativa, movendo o quadril contra o dele, que aproveitou para desferir um tapa em sua nádega direita. O gemido dessa vez foi mais alto.

— Vai me torturar até quando, Hozuki?

E no fim, nenhuma palavra era mais necessária para eles. Verdade seja dita: eles se comunicavam o tempo todo e as palavras — quando usadas — não passavam de alfinetadas. No meio delas, havia toque, carinho, riso e afinidade.

Suigetsu se lembrava de todas as constantes mudanças e reações que Karin causava nele. Até cruzar os olhos com os raivosos da ruiva, ele era só o garoto nerd e amante de história. Mas depois dela, — mesmo jurando que não — ele se esforçava para ser notado.

O monólogo de Romeu e Julieta no pátio? Ele queria atenção e teve. Ganhou alguns seguidores no instagram, sempre encontrava alguém sorrindo para ele, mas nada da Uzumaki demonstrar alguma reação que não parecesse nojo constante.

— Você é o garoto do Shakespeare, né? — Ela soltou, no dia em que foi formalmente apresentada pelo irmão, aos amigos mais próximos dele. — Vi o dia que recitou no pátio.

— Eu mesmo. — respondeu com falso descaso, e a expressão de insatisfação dela pouco se alterou.

— Achei brega.

Ele ficou puto. Não que irritar o garoto fosse difícil, na verdade não era. Ele apenas demonstrava desapego e desrespeito o tempo todo para se privar de maiores irritações. Esse comportamento constantemente espantava as pessoas? Sim, mas o Hozuki não dava a mínima: menor o número de interações, menor o número de irritações. E o fato de ele ter um crush na ruiva, não mudava o fato de que com duas mínimas palavras ela tinha o deixado puto.

— Bem, aí já não é problema meu.

E era assim todas as vezes: Karin deixava Suigetsu puto. Maldita garota que arrancava dele todo seu autocontrole. Era insano.

— Legal sua tatuagem… — Ela soltou um dia, como quem não quer nada. No entanto, o platinado estava vacinadíssimo com ela, não cairia tão fácil no papo dela. O problema era que ele não sabia dizer se preferia o silêncio dela; ou alguma fala ácida. — Tem algum significado?

— Nenhum especial… Fiz porque tubarões brancos não sabem viver em cativeiro. Se tentar, eles podem até adoecer. — respondeu encabulado, Karin nunca iniciaria uma conversa como uma pessoa normal. Tinha algum caroço no angu, e ele não demoraria a achar.

— Ah sim, achei que era por outro motivo? — E então ela conseguiu sua total atenção. Ele estava tentando ler um jornal da faculdade, mas de repente o rosto maldoso da garota era infinitamente mais interessante, e não pôde deixar de encará-la com um vinco formado entre as sobrancelhas. — Sabe, geralmente as fêmeas são mais dominantes sobre os machos dessa espécie. E você bem tem uma carinha de passivo mesmo… — Ele sentiu a pele ferver. Odiava ser provocado e não deixaria passar uma dessas nem que lhe pagassem. Por isso sorriu maldoso, e piscou para a ruiva que instantaneamente ficou sem graça.

— Se quiser testar, estou a disposição.

Foram incontáveis semanas onde a ruiva nem sequer olhava em sua direção e ele não se remeteria a vergonha de puxar assunto outra vez. No fim, foi ela mesma a responsável pela próxima — nada pacífica — interação. Em uma hora totalmente inoportuna, diga-se de passagem.

Era mais uma das grandes festas feitas no quintal da SAT, e ele sabia que acabaria cruzando com ela, afinal de contas, ela morava lá. Muito se impressionou por isso não ter acontecido de cara. Bebeu algumas cervejas com os amigos, e lá estava ele de papo com uma garota qualquer no canto da sala. Mas nem teve tempo de perguntar nome e nem nada. Num segundo a garota ria descaradamente para ele, e no outro olhava assustada por cima do ombro dele. Antes de virar o corpo, ele já sabia quem era o motivo do horror da desconhecida.

— Some daqui, ou vai acabar como todas as garotas que se envolvem com qualquer um dos alfas. Bem exposta. — Ele engoliu seco, porque sabia do que se tratava. A garota, acenou com a cabeça e sumiu, deixando Suigetsu sozinho com o terror. — Não acredito que você concordou com o trote. Achei que fosse sensato.

— E você achava minha sensatez aonde, baseada em nossas interações? Eu que não achei que você fosse inocente. — Ele queria dizer que não foi a favor, mas precisaria dizer que também não foi contra. E neutralidade não era uma coisa que Karin parecia aceitar bem. Os olhos dela faiscavam de raiva, e os dele em momento algum se desviaram da figura transtornada à sua frente.

— Como um grande admirador de cultura samurai, me responde onde você enfia a autodisciplina, respeito e ética? — Sua voz era magoada, e mais uma vez: Suigetsu estava puto. Não com ela, com ele mesmo. Quando deveria ter feito alguma coisa não fez para evitar estresses, no entanto, o sentimento que teve quando foi questionado foi ainda pior.

— Não concordei com nada. Assim como não discordei. Não venha colocar a culpa do comportamento de uma casa cheia de homens retardados em mim.

Mesmo que tenha bebido o último gole do copo com ódio, e tenha dormido de tanto pensar num diálogo tão curto, ele era orgulhoso demais para ir até ela. Porém era impossível não seguir o corpo esguio e o passo metido quando ela passava por ele. Era impossível não pensar e repensar tudo que poderia dizer para ela o tempo todo. Karin estava deixando sua cabeça ainda mais maluca.

O problema era quando ela o pegava no flagra e levantava o dedo médio com todo fervor para ele. E também quando ele devolvia o gesto. O problema era quando ela torcia o nariz e o encarava com superioridade. E quando ele devolvia com a expressão beirando a desacato.

O problema foi quando ela perdeu a paciência e ficou perto demais, quase esmagando ele conta a parede dos fundos do prédio Ashura, cuspindo palavras de irritação sem motivo aparente e ele nem pensou em reagir. E a tensão entre eles foi o convertida na mais cristalina das químicas.

O beijo foi efervescente, necessitado, carregado de emoções e irritação. Se fosse possível responder o motivo para terem se beijado, seria esse: irritação.

Depois das férias, o tesão acumulado era ainda pior. Não perdiam uma oportunidade de se agarrarem e chegaram a ficar despreocupados com quem poderia ou não perceber. Durante mais um semestre inteiro, eles trocavam palavrões e provocações, e quando finalmente se encontravam, não havia palavra que pudesse ser dita.

Chegaram à um ponto onde todo mundo sabia, e eles nunca haviam falado nada. Mesmo com todas as confusões que acompanharam a chegada da Haruno, foi Sakura a primeira a demonstrar total aprovação ao rolo que o casal de irritadinhos fingia manter às escondidas.

Mas foi também aí, que Suigetsu sentiu a confiança que tinha pela ruiva ser totalmente abalada.

No fim, ela tinha razão sobre a alusão à espécie de tubarão tatuado em seu braço. Ele era como um tubarão branco, gostava de ficar isolado, e ainda assim reagia fervorosamente ao comportamento manipulador da Uzumaki.

Percebeu que era tarde demais, quando até mesmo os defeitos dela, pareciam infinitamente convidativos e que ele poderia conviver com eles tranquilamente. Pelos céus, não havia nada na terra que ele não faria por ela. Envolver-se no esquema de exposição dos caras sem noção da república onde morava, era o mínimo. Conversar abertamente com Naruto sobre o ele sentia por ela, era o mínimo. Viajar para outra cidade porque a amiga dela precisava de apoio, era o mínimo.

E qualquer coisa, que ela pedisse ou precisasse, ainda era o mínimo. Ele ainda não havia dito verbalmente que a amava, mas ela sabia. Conversas que precisassem explicar suas ações não era bem o foco de nenhum dos dois.

Notas finais
Agradeço a @Solune pela capa linda DE NOVO, amiga eu te amo muito, obrigada!

Se você ficou interessade no enredo, vamo no original bebê:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/explosiv-12155320

Obrigada pela atenção, eu fui! #pas
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!