Talismã
21 Epílogo
Notas iniciais
Votação: Quem quer continuação de talismã? Não vou fazer imediatamente, pois tenho outro projeto, mas estou realmente pensando em fazê-la.
Agora podem ler.
E quero reviews. U.U
3 anos depois.
- Oh, mãe. Estou tão nervosa. –eu comentei enquanto ajeitava meu vestido pela milésima vez.
Não, eu não estou me casando. Na verdade, esse é um momento bem peculiar na minha vida. Eu estou numa livraria de Londres, prestes a lançar meu primeiro livro.
Sim, um livro. Que contava a história da minha vida como talismã. Mas ninguém precisava saber que era uma obra biográfica. Até porque, se soubessem me considerariam uma louca varrida.
Mas isso não importa. Depois de um ano viajando pelo mundo com Carl, eu achei que era uma boa maneira de libertar do passado escrevendo tudo o que eu vivi. Nós compramos uma casinha vitoriana no SoHo, em Londres, e eu dediquei um ano da minha vida nessa obra. Hoje era o grande dia do lançamento.
- Você está ótima querida. Parece uma princesa. –disse minha mãe, me encorajando. – Esse vestido realmente lhe caiu bem. –completou.
Eu usava um vestido preto reto e um pouco justo, que vinha até o meio das coxas. Tinha detalhes dourados na gola e era simplesmente maravilhoso. Meu cabelo estava castanho claro com as pontas clareadas, na altura dos ombros. Hoje eu o usava todo cacheado. Confesso que eu mudara muito nesses anos. Mas podia dizer que foi pra melhor. O amor melhora as pessoas.
Entrei na livraria em que ocorreria o lançamento.
Milhares de flashes foram lançados sobre mim, me deixando meio zonza. E, uau, tinha gente demais lá dentro. Jornalistas dos principais jornais da Inglaterra, canais de TV de toda Europa. Eu não entendia o porquê de todo esse fuzuê por apenas um livro.
Acenei e sorri o melhor que pude depois me sentei pra começar os autógrafos.
O primeiro da fila foi claro, Carl.
- Será que a maravilhosa Sra. Santiago poderia assinar pra seu maior fã?
- Claro, fã número um. Qual é seu nome? –disse eu entrando na brincadeira.
- Carl. Carl Santiago.
Peguei o livro de suas mãos e contemplei por alguns momentos. Uma garota carregando um talismã, o meu talismã, aparecia na capa. Minha biografia. Uma biografia, definitivamente. Assinei, e a fila continuou, com meus pais, Ness, alguns amigos da faculdade, do meu curso de literatura, e outras pessoas.
Uma delas me entregou o livro com um sorriso. Seus cabelos castanhos, óculos... Não podia ser!
- Erick? É você? –eu perguntei surpresa.
- Achei que não me reconheceria. Faz um longo tempo.
- Como eu não iria reconhecer! O que faz aqui?
- Vim participar de um workshop aqui. E vi sobre seu livro. Escute, podemos nos encontrar depois?
- Claro. Eu saio às nove. Encontre-me no Le Jouir, logo na esquina.
- Perfeito. Vou ler sua magnífica obra enquanto espero. – Sorri.
- Ok.
Ainda tive que assinar muita coisa, e minha mão já estava doendo muito. Depois, dei algumas entrevistas e tirei fotos com fãs. As nove em ponto, me despedi e saí, encontrando-me com minha família.
- Vamos jantar pra comemorar? –perguntou meu pai.
- Claro. Mas tenho que fazer uma coisinha antes. –eu disse.
- Droga! Aquele nerd tinha que voltar e estragar tudo. –disse Carl com biquinho.
- Acalme-se bebê. Eu encontro vocês em uma hora no British star.
- Ok. Eu te acompanho.
- Carl!
- Tá bom. Estou indo. Cuide-se. E não se deixe encantar pelo recém adquirido charme oriental daquele cara.
- Só tenho olhos pra você. –eu disse, beijando-lhe. – Mas tenho que ir.
No Le Jouir, Erick me esperava em uma mesa, lendo meu livro e bebericando um gim tônica.
- Aqui estou. –disse eu.
-Ótimo. Hey, seu livro é realmente bom. Congratulações.
- Obrigada. Mas então, sobre o que iremos falar?
Ele fechou o livro, um garçom passou e eu pedi um gim tônica para acompanhá-lo.
Ele me encarou por algum tempo, como se tivesse criando coragem pra falar.
- Amber, eu sempre soube.
- Sobre o que? –eu perguntei um pouco confusa.
- Sobre você. Sua condição.
- Do que você está falando? –tentei fingir desentendimento, mas minha cara me acusava.
- Não se finja de boba, querida, você não é boa nisso.
- Você...
- Eu sempre soube que você tinha algo de diferente. E confirmei meus pressentimentos depois daquela noite estranha no seu aniversário. Mas eu não me importava. Eu gostava de você.
Ele pausou, pensando que talvez eu quisesse dizer algo. Mas permaneci em silêncio.
- Bom, e então eu recebi aquela proposta pra ir pro Japão, e aceitei prontamente. Porque eu sabia qualquer fosse seu segredo, iria machucar um de nós um dia. Mas não pense que eu esqueci essa história. Eu pesquisei por muito tempo tudo isso, e acabei chegando à lenda do talismã. No começo, não acreditei, mas depois, quando voltei pra Vancouver, há um tempo, não pude deixar de ver seu colar. Você não me viu, mas eu te vi. E agora tudo se encaixou depois desse livro.
- Não tenho palavras, Erick.
- Que tal um “Me desculpe, querido ex, por não ser sincera com você?”
- Se você veio jogar isso na minha cara, depois de dois anos, eu vou embora. –disse me levantando.
- Não. – ele segurou meu braço- Sente-se. Desculpe-me por agir feito um idiota.
- OK. É só que você não entende, Erick! Acha que eu não quis te contar? Que não me machucou? Sim, você está certo sobre tudo. Eu passei por diversas lutas, com direito a morrer e ressuscitar. Ops, contei o fim do livro, me desculpe.
Ele sorriu.
- Que tal falarmos sobre outras coisas agora? –ele propôs.
- O que?
- Como está sua vida?
- Melhor impossível.
- Namorando?
- Não definiria assim.
- Aquele idiota que surgiu do nada em Vancouver?
Olhei pra ele estupefata.
- Você acha que não sei do seu encontro secreto com ele no Lê Bistrô? Ou da sua conversinha com ele na formatura?
- Uau. Você realmente enxerga demais. Mas sim, é ele.
- Sempre soube.
- Erick!
- É a verdade.
- E você?
- De casamento marcado. Ela é designer gráfica.
- Isso é ótimo. Realmente fico feliz por você.
- Idem.
Olhei no relógio. Nove e quarenta e cinco.
- Melhor eu ir. –disse.
- É uma pena que não podemos nos estender mais. Espero que nos encontremos por aí.
- Será um prazer.
- Tchau.
- Tchau.
Tomei rumo ao British star, há umas seis quadras dali. Todos me esperavam impacientemente, com uma garrafa de champagne.
- Uaau, isso tudo é pra mim?
- E pra quem mais seria? Claro que é pra garota mais corajosa e forte que já pisou por essa Terra. –disse Carl.
- Não exagerem. Sou apenas eu.
Sentei-me e passamos a noite falando sobre tudo, relembrando histórias passadas. Eu nunca imaginei que estaria vivendo tudo isso hoje, muito menos há quatro anos, quando tudo veio à tona me bombardeando com medo e desespero. Quantas vezes eu imaginei que só sairia daquela situação morta, e de alguma forma isso foi verdade. Mas eu ressurgi, e sinto que essa garota que ressurgiu, não é Clarisse Swank. É Amber Adams. E meu talismã, o que me protege de todo o mal, é o amor. Pelo mundo.
Fim
Fale com o autor