Tales of the Guardians
17 Caos
Notas iniciais
Lugar desconhecido, Ano não marcável
Elizabeth sabia que a Biblioteca estaria um Caos...
A Herondale havia se recomposto dentro de seu quarto, começara a se mexer e finalmente havia trocado a paisagem das quatro paredes pela dos corredores cheios de sua Sede.
Isso faziam dias.
Estava sem parar andando pelos corredores e auxiliando as pessoas há mais tempo do que podia pensar agora. Ela sentia uma enorme gratidão pela ajuda de Amy, Claire, dos Winchester e de alguns outros de seus amigos, eles haviam segurado a barra enquanto ela estava em choque e mesmo agora, quando a Guardiã havia relativamente se recomposto, se mantinham trabalhando da melhor forma que podiam para auxilia-la com refugiados.
A biblioteca tinha enchido – e materializado – mais cômodos desde o ataque a dimensão de Tony que em toda a sua existência, Elizabeth tinha certeza. Ela sabia também que – tal como sua Guardiã — a Sede estava cansada, ambas haviam utilizado mais energia que o recomendável num curto período de tempo sem descanso.
Demorou, mas quando a maioria das pessoas nos corredores e entre as estantes – que a Herondale achava um milagre estarem intocadas — estavam abrigadas, Claire conseguiu faze-la parar um pouco...
***
“ Elizabeth sentiu um puxão em seu ombro:
– Eliza...
Claire a encarava com um olhar repreendedor, não muito diferente de seu tom e segurava firmemente o aperto no ombro da Herondale.
Aquela deveria ser a terceira vez que a Bass encontrava a Guardiã fazendo uma ronda pelos cômodos de seus visitantes em vez de estar descansando – como explicitamente ordenado mais cedo pela própria Claire.
Elizabeth abriu a boca para tentar se defender, mas a outra simplesmente aumentou a intensidade de seu olhar – e o aperto em seu ombro — e a Guardiã desistiu com um riso nasalado e um balanço de cabeça, sua amiga conseguia fazer qualquer um se sentir como uma criança levada tomando uma bronca da mãe quando queria:
– Está bem, está bem...
Claire deu um sorriso sincero e soltou o ombro da Guardiã, seguindo na direção oposta à que veio, não sem antes olhar para trás, como num aviso mudo de que, se Elizabeth estivesse fazendo qualquer coisa que não fosse tentar diminuir aquelas olheiras, ela saberia.
A Guardiã não duvidava que sim”
***
Eliza agora não poderia estar mais grata por isso.
A verdade é que estava cansada. E enquanto permanecesse assim não conseguiria ajudar ninguém ou pensar o suficiente para tentar – mais uma vez – desvendar o enigma de Lockdown. Mas não conseguiria voltar para o cômodo que estava mais cedo – o único lugar que conseguia pensar em estar depois de fechadas as portas de sua Sede poucos dias atrás — então seguiu para a sua área privada da biblioteca, onde estavam guardadas as essências de suas dimensões mais queridas, a área mais protegida de sua Sede que, de alguma forma, o inimigo havia conseguido invadir.
Ela respirou fundo.
Tinha sido o primeiro lugar que fora depois que Alice Stark deixara seu aposento.
***
“Elizabeth corria como se sua vida dependesse disso.
Os espectros sabiam que, de certa forma dependia.
Se batia em todos no seu caminho, empurrando, desviando...
E quando finalmente chegou aonde queria, ela se pôs a contar.
1,2,3,4,5...
Contou todos os livros daquele pequeno cômodo três, quatro, talvez cinco vezes mas sabia que não o encotraria.
Onde devria estar o livro que mais queria ver – o único que poderia restaurar essas pessoas em seus corredores a suas casas – havia um buraco.
Assim como em coração.”
***
Alice havia saído sem qualquer vestígio de choro.
Ela invejava esse traço da Stark: ninguém que não a conhecesse bem suspeitaria de que algo remotamente ruim havia acontecido com ela nas últimas 24 horas, nem imaginariam que num período menor que este, alguns dias atrás, havia perdido parte de sua família, e seu melhor amigo, e que seu Tio...
Elizabeth respirou fundo novamente. Não tinha condições de pensar em Tony. Precisava de sua cabeça fria, para que pudesse se controlar.
Agora que a tristeza e o choque recuaram dentro dela, Elizabeth estava com raiva.
Sentia uma ira que nunca havia sentido antes.
Raiva de Lockdown, de sua mãe, de Eldor, dos Espectros da Luz e de si mesma.
Não havia entendido o bilhete de Lockdown ainda – Tenebrosus.
E parecia que quanto mais pensava mais distante a resposta ficava...
Ela sabia o que significava, lógico, era uma bibliotecária, de um jeito ou de outro.
Latim; A escuridão está caindo.
Mas o que ele queria dizer?
Estava chegando no seu pequeno aposento, e destrancou a porta com um aceno de sua mão.
Encostando-se na porta fechando-a fortemente assim que passou.
Ela também não havia conseguido encarar Tony nem Alice – mesmo vendo-a nos corredores falando com as pessoas que conhecia, num esforço para ajudá-la – desde o ataque de Lockdown.
Elizabeth respirou fundo e caminhou até uma das paredes cobertas de prateleiras do chão até o teto, e se deixou escorregar até o piso e se manteve ali sua mão passeando pelas lombadas dos livros que conseguia alcançar.
Isso a relaxava, livros a relaxavam, e talvez o fato de que estava cercada deles fosse a única coisa a impedindo de correr e arrancar a cabeça do primeiro que aparecesse na sua frente.
Ela fechou os olhos.
Não precisava deles abertos para saber quais livros estava tocando, conhecia todas aquelas edições.
Não precisava deles abertos também para saber exatamente onde estava o buraco em que deveria encontrar o livro colorido e fora do convencional que era o lar de Alice e Tony, e de tantos outros.
A Guardiã deixou as mãos caírem em seu colo com uma rapidez estupenda como se tocar o buraco em que deveria estar aquela edição em especial a tivesse queimado
Ela esfregou as mãos levemente em sua camisa abrindo os olhos, sua Sede pareceu perceber confusão em sua mente quando entrou, pela última vez, suas roupas se mantiveram relativamente a mesmas, nada de vestidos, somente uma versão menos carbonizada de uma calça e uma camiseta.
Elizabeth se levantou e se pôs a andar pelo recinto...
Precisava estar em movimento para pensar (mesmo que Claire a quisesse prender em uma cama para mantê-la parada)
Pensar em tudo, tudo que havia ocorrido até ali.
Ver Damon novamente.
Castiel, que por acaso ela havia trazido a sede e que ainda estava desacordado, ela apostava, que não por muito tempo.
O Doutor estando desaparecido.
Sam e Claire!
Ela deu um risinho – o primeiro riso talvez que ela tenha proferido conscientemente depois do ataque.
Ela nunca pensava que eles poderiam dar certo, quanto mais que, se as coisas caminhassem da mesma forma que estavam, eles aparentemente fossem dignos ganhar o prêmio casal do ano.
Isso é, se todos eles não morressem antes...
Ela deu outro risinho, desta vez, bem menos humorado.
E finalmente seus pensamentos caíram em Amelia, e em como ela nem havia hesitado em traze-la a bordo de sua Sede...
A menina era especial, não se lembrava da última companheira do Doutor que foi tão observadora ao entrar na Sede pela primeira vez...
E então teve um sobressalto.
Claro! Como ela havia sido cega!
Amelia havia visto...
Ela podia não ter enxergado o que estava vendo, mas ela viu.
A escuridão que cai.
Era isso que ela estava procurando.
***
– Você tem certeza que isso é uma boa ideia Elizabeth? – Claire parecia um tanto quanto hesitante, mas seu tom era firme.
Estavam ela, os Winchesters Elizabeth e Alice Stark na seção reservada de Elizabeth.
Com um livro dourado na mesa no meio deles.
– Esse não parece exatamente o livro que contém a essência da dimensão onde as trev... – Dean recebeu um olhar duro de Elizabeth e se auto corrigiu rolando os olhos – A “escuridão” esta contida... – Ele fez questão de explicitar as aspas.
Elizabeth suspirou – ela andava fazendo-o muitas vezes, reparou – e pôs-se a tentar explicar um pouco de sua cultura pela milionésima vez:
– Não é para parecer – ela se mexeu para manter o equilíbrio enquanto pendurada na pequena mesa onde estava a edição dourada – Bom, pelo menos teoricamente... – apertou a ponte do nariz em um sinal de frustração — A escuridão não tem aparência, assim como a luz. Para nós não faria sentido colocar o livro que contem a escuridão negro ou branco ou qualquer outra cor convencional por que não representaria o que estava lá dentro de qualquer maneira.
– Então por que dourado – Amelia expressou uma dúvida que Elizabeth tinha certeza ser geral.
E ela soltou um risinho sarcástico – não direcionado a ninguém – e soltou a ponte do nariz para direcionar a mão ao próprio dizendo:
– É um troféu de guerra, os espectros queriam chamar atenção.
Eles encaravam o livro Dourado – que Elizabeth creia ser a resposta a charada de Lockdown — discutindo o que fazer há pelo menos meia hora. E Elizabeth, falhando miseravelmente, tentava faze-los entender seu ponto de vista.
– Então você quer dizer que aquele genocídio foi todo para te mandar uma mensagem? – Sam falava levemente alterado — Marcar um ponto de encontro na dimensão das trevas... – ele bufou com o olhar que a Guardiã o direcionou – Escuridão... Para trocar algo que você não faz ideia do que é pela vida desse Doutor... E você quer ir sozinha?
Elizabeth assentiu com a cabeça.
– Soa como um ótimo meio de se matar – Foi a vez de Dean de bufar
A Herondale bufou cruzado os braços.
– Lockdown não vai me matar.
Elizabeth falou com mais firmeza do que realmente sentia.
Ela não disse nada sobre ele não tentar.
– Ah! Não, claro que não... – Claire falou num tom cheio de sarcasmo – Ele vai te pedir pra tomar chá com ele e vocês vão trançar um o cabelo do outro... – Claire rolou os olhos – Sozinha você não vai.
– Claire... – Elizabeth suspirou, precisava-os fazer entender – Ele quer que eu vá sozinha, ele sabia como, quando e onde me atingir, ele me conhece, eu não sei como – Ela perdeu o olhar nas prateleiras atrás da Bass — Mas conhece, ele quer me ver sozinha.
Se sabia de algo Eliza sabia disso.
– Elizabeth.
A voz de Alice Stark soou pela primeira vez, alta e clara fazendo todas as outras se calarem e se voltarem para o canto em que ela estava, levemente isolado:
– Você realmente acha que ele não tem a intenção de te matar?
Elizabeth encarou Alice solenemente, ou o quão solenemente se podia encarar o sapato de uma pessoa...
E manteve-se calada, ela não podia fazer essa promessa a Alice.
– Olhe para mim – Alice disse, com o que a Guardiã podia jurar que era aquela persuasão nata que a Stark possuía e obedeceu, encarando os olhos, pela primeira vez em muito tempo, vulneráveis da Stark – Eu não posso perder mais ninguém Lizzy, você tem certeza de que vai voltar viva desse lugar?
Elizabeth podia jurar que havia visto uma sombra de lágrimas nos olhos da menina, mas ela simplesmente se aproximou, pegou a mão de sua amiga e disse:
– Tenho.
Ninguém mais discutiu nada.
Só restavam as preparações.
Precisavam ser feitas, e Elizabeth sabia exatamente como faze-las.
***
Storybrook, 2012
Demorou mais alguns dias, mas finalmente eles conseguiram chegar a um acordo tático.
Agora, as últimas pessoas estavam saindo de sua Sede para dentro do Hall de Reuniões de Storybrooke, terminando com a primeira parte do que foi acordado, a Guardiã estava encostada num batente, enquanto Emma e os outros faziam os últimos reparos antes de sua partida, ninguém interrompia sua concentração – haviam todos dado suas despedidas no dia anterior, bem, não exatamente dia, já que não se podia contar o tempo propriamente dito dentro da biblioteca mas mesmo assim — e ela não reclamava, sabia que necessitaria ter as ideias no lugar se fosse para fazer o que faria antes de ir para a Dimensão da Escuridão.
Mas também não reclamou quando, por detrás dela veio uma voz de criança:
– Oi Liz...
– Henry – A Herondale sorriu para o menino, virou e se abaixou apoiando uma mão na cabeça dele – Como está você, garoto?
– Liz, algo grande está para acontecer – Henry disse de uma vez, e ela assentiu – Eu não sei o que é mas eu sinto...
– Eu sinto também garoto – Elizabeth ainda tinha um sorriso no rosto, gostava de falar com o menino, e havia sentido sua falta – Eu também sinto.
– É por isso que está mandando todo mundo para Nova York não é?
Elizabeth olhou bem pra Henry, levemente surpresa, tinha que parabenizar Emma depois, o garoto era esperto.
– Sim, se algum lugar pode ser bom o suficiente para se esconder numa crise, esse lugar é Nova York... – Elizabeth disse.
– Também é o único lugar próximo que, teoricamente, sobreviveria a um big crush dimensional... Um dos poucos que existe na maioria das dimensões
Elizabeth piscou um olho, bem no fundo sabia que não conseguiria esconder nada de Henry.
– Você é esperto garoto.
Ele piscou de volta
–Eu sei. – Ele diminuiu um pouco o sorriso – Você acha que vai acontecer? O Big Crush?
Elizabeth ficou séria, e seu olhar se perdeu atrás do menino:
– Eu não sei garoto, mas se cuide, ok?
Elizabeth bagunçou o cabelo do menino a sua frente, rindo para amenizar um pouco o clima, e sentiu uma mão no seu braço.
– Elizabeth, está na hora.
Claire.
Elizabeth lançou um último sorriso a Henry e depois seguiu com Claire, para a porta onde havia saído alguns minutos atrás mas antes que pudesse entrar Ela ouviu a Bass falar quase num sussurro:
– Tem certeza de que quer fazer isto?
Elizabeth olhou firmemente para a amiga e segurou seu braço dizendo:
– Sim, eu tenho
Claire suspirou, mas a Guardiã jurou ver um leve sorriso de aceitação em seu rosto quando fechava a porta atrás de si.
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