Tales of Lost Love
8 Weight Of The World
A porta da casa estava aberta, eles entraram devagar. Encontraram Elena e Damon conversando com alguém que parecia...
— Jeremy? — Caroline praticamente gritou, sem acreditar. — Oh meu Deus! Bonnie conseguiu, ela conseguiu! Cadê ela? Precisamos comemorar isso! Stefan, olha!
Elena percebeu que Stefan estava ali e sorriu, avançou pra abraçá-lo, mas se conteve, olhando para Damon.
— Stefan, você voltou. — Damon exclamou com um sorriso torto. — Desistiu da viagem?
— Olá, irmão! — o caçula respondeu, debochado. — Não, só vim pegar o restante das minhas coisas, pra não precisar voltar mais. Jeremy, fico feliz que esteja bem! — ele abraçou o garoto. — Mas, não se preocupem, não vou atrapalhar. Caroline?
— Sim, vou subir. Jeremy, que bom que você tá aqui! Elena... eu... aaaah – Caroline abraçou os dois Gilbert, quase eufórica.
Stefan começou a separar algumas coisas. Lastimou por nunca criar raízes em nenhum lugar, e a única coisa que realmente lhe pertencia ali, na casa que chamava de lar, eram seus diários. Ele pegou um dos livros e começou a folhear.
— 1920 — Ele leu sobre quando esteve em Chicago. Realmente gostava daquele lugar. Apesar das atrocidades, ele lembrava de ter sido feliz naquela época. — Não, como posso ter sido feliz tendo matado todas aquelas pessoas! – Jogou o diário longe, quase acertando Caroline, que entrava no quarto.
— Que foi isso? Atacando garotas na estrada, jogando diários pelos ares, o que deu em você? — Ela perguntou, intrigada.
— Não me lembro de ter vivido um momento sequer, antes da Elena. Por 162 anos me arrastei por todo os lugares, apenas sobrevivendo. Minhas melhores memórias, que irônico, são de quando eu era um Estripador. E toda vez que me lembro disso, fico angustiado, a culpa me consome. — Stefan se sentou na beirada da cama, desolado.
A amiga tentou reconfortá-lo.
— Hey, será que em alguns desses a gente consegue descobrir a origem disso? O motivo dessa fome, o porquê que essa vontade vem.
Ele aceitou a ideia e os dois sentaram no chão. Caroline o ajudou pegando mais alguns diários em que ele escreveu sobre os anos que desligou a humanidade. O tempo passou, e tudo o que conseguiram descobrir foi que após períodos imensos de vício, a culpa sempre o rodeara. Caroline teve uma ideia.
— E se pegarmos os primeiros, mais antigos? Um deles deve ter alguma coisa que mostre o gatilho para você desligar dessa forma, Stefan.
Os dois desceram para a biblioteca e continuaram procurando. Leram alguns diários, mas não conseguiram associar nenhuma atitude de Stefan que pudesse desencadear essa sede desenfreada por sangue. Damon se aproximou.
— O gatilho disso tudo é a culpa. Meu irmãozinho nunca superou a culpa de ter sido responsável pela morte do nosso pai. Mesmo aquele velho miserável tendo tirado nossas vidas!
— Damon! — Elena se intrometeu. — Como você pode falar assim?
— Mas é isso, eles vão ficar o dia inteiro procurando e só o que vão encontrar é besteira. A verdade é uma só. Stefan nunca se perdoou por ter se tornado um vampiro bebendo o sangue do próprio pai.
De repente, Stefan percebeu que Damon estava certo. Ele se culpava por décadas por ter brigado com o pai naquele dia, quando só o que queria era se despedir. Mas com o acidente, ele provou do sangue, e era tarde demais para recuar. Tudo o que ocorreu a partir daí foi uma sucessão de erros. E ele nunca mais conseguiu se recuperar.
Ele se levantou de súbito, pegou alguns diários e os jogou na lareira da sala.
— Stefan, o que você tá fazendo? — perguntou Elena, assustada. Caroline também questionou.
— Stefan, não faz isso, você vai se arrepender!
— Vou mesmo? Como posso me arrepender mais, se tudo o que fiz desde que me levantei naquele dia me trouxe aqui? Fui responsável pela morte do meu pai e de mais milhares de pessoas. Praticamente forcei meu irmão a se transformar pra não ficar sozinho e só o que consegui foi um inimigo eterno, que voltou pra me tirar as únicas pessoas que amei de verdade em todos esses anos de vida.
— Stefan – Elena resmungou, chorosa. Ele continuou.
— Coloquei a vida dela em perigo. – Disse, e apontou para Elena. − A sua, Caroline. Até a do Jeremy. Não fosse por mim, se eu não tivesse voltado, quem ia saber que existia outra cópia?
— Mentira, Stefan! Damon voltou antes de você. Ele veio para tirar a Katherine da Tumba. Ele conheceu a Elena naquele dia também, o dia em que os nossos pais morreram, e se não fosse por você, eu também teria perdido minha irmã. Você se culpa por tudo, mas você não tem culpa. Coisas ruins acontecem o tempo todo, com todo mundo. E se não fosse por você, as coisas seriam muito piores. Você e a Bonnie estão sempre se sacrificando por nós, pensam que podem carregar o peso do mundo nas costas. — Jeremy desabafou, percebendo que todos o estavam encarando.
Stefan parou um pouco, e concluiu, mais calmo.
— De qualquer forma, não tem nada nesses diários que possa me ajudar a aliviar a culpa que sinto por tudo isso. E não tem nada aqui que eu tenha vontade de lembrar. Não quero mais ser essa pessoa que está descrita neles. Esse tempo foi só dor e sofrimento. Também não quero ser esse cara que você está dizendo, Jeremy, que se sacrifica por todo mundo. A única pessoa que quero salvar agora sou eu mesmo.
Elena tentou intervir, mas Damon segurou o seu braço. Ela parou. Stefan olhou para os dois, e continuou a falar.
— E, também não vou ficar aqui, assistindo o meu pior pesadelo se concretizando — Ele subiu as escadas, em direção ao quarto, e praticamente no mesmo minuto, desceu novamente com uma bolsa de viagem.
— Caroline, obrigada pelo apoio. Eu ligo assim que chegar. — Stefan abraçou a amiga, se despediu de Jeremy, e saiu pela porta, sem olhar para trás.
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