Tales of Arendelle

3 Capítulo 3: Os Príncipes das Ilhas do Sul


Notas iniciais
Isso foi um pedido de Ann Duchaness ("Bem, eu adoraria ver uma one sobre o Hans (a vida dele antes de conhecer a Anna, ou o que aconteceu com ele depois" Eu escolhi a primeira, se não se importar). Eu ainda vou fazer o one-shot com a Elsa e um com Elsa/Hans (pedido de Leitora Fantasma). Podem mandar suas sugestões também.

Sua infância lhe dera a ilusão de castelos de brinquedo e finais felizes.

Por mais que muitos acreditariam que a infância do décimo terceiro príncipe das ilhas do sul tinha sido um desastre completo, não foi exatamente desse jeito. Afinal, levava tempo para uma criança notar o quanto o mundo era cruel e Hans era uma prova disso, que os contos de fada poderiam reconfortar alguém mesmo que a realidade fosse terrível. Isso poderia até ter sido bom no começo, mas, quanto mais ele subia em suas ilusões, mais a queda foi drástica.

Para começar, é um equivoco dizer que todos os irmãos de Hans eram maus com ele. Na verdade, os de nono para baixo não eram tão ruins, mas também não eram bons. O reino das Ilhas do Sul era um arquipélago bem grande, por isso tinham pessoas o bastante para se importar com até o oitavo príncipe. As vezes o povo até fazia algumas votações para quem era o favorito, mas, claro, o grande herdeiro sempre saia em primeiro. O primeiro dos treze irmãos se chamava Gry. Sempre recebia toda a atenção, as aulas, as meninas sempre gostavam mais dele, então não era surpresa que ele era, de certa forma, muito arrogante. Afinal, ele seria o rei um dia, tinha que começar a praticar logo sua autoridade e sua forma educada de como pisar nos outros.

O rei Lars e a Rainha Sonja já tinham uma idade um pouco mais avançada quando deram a luz para Hans. Lars haviam morrido por um ataque cardíaco quando descobriu que sua mulher estava grávida novamente e a pobre Sonja agüentou nove meses, mas, infelizmente morreu no parto de seu décimo terceiro filho, mal conseguindo a chance de dar seu nome de Hans, o nome que era de seu pai. Claro, Gry logo se tornou rei, seus cinco outros irmãos mais velhos tomando posições de poder e pode-se dizer que só se lembraram que agora tinha um irmão recém nascido pelo sempre intelectual décimo nascido, Zíu, com apenas cinco anos, que os lembrou de conseguirem uma babá para Hans, assim como o décimo primeiro Oliveiro e o décimo segundo, o pequeno Rudy.

Provavelmente foi a única coisa que o frio e calculista Zíu já fez por seu irmão mais novo. Além disso, no momento, ele deve estar balançando sua cabeça sobre como seu irmão era horrível em fazer planos e como, se ele quisesse, teria conquistado Arendelle eram sua primeira noite no reino.

Mas isso não é uma história sobre como Zíu é demais e inteligente, é uma história sobre nosso pobre e coitado Hans.

Continuando, Hans cresceu com uma doce babá chamada Maia, uma mulher incrivelmente baixa para sua idade de vinte e três anos (originando-a o apelido de Polegarzinha, algo em que nenhuma das crianças tocou), que cuidava alegremente de Hans, Rudy e Oliveiro. Podemos dizer que Maia era uma mãe muito melhor do que a própria Sonja teria sido, já que tinha todo seu tempo apenas para cuidar daqueles três (e, raramente, ajudar Zíu que, como mencionado, era inteligente demais para precisar da ajuda das outras pessoas). Ela amou e cuidou das crianças, até que morreu em um “acidente” de carruagem seis anos depois.

Em realidade, os mais velhos dos irmãos (e Zíu, porque ele é simples Zíu) sabiam a realidade das circunstancia da morte de Maia. A mesma havia tido um pequeno caso com o Terceiro Irmão mais velho, Igor, algo que a esposa dele não iria gostar nem um pouco. Por isso, o mesmo, prezando seus status com o povo e sua esposa, conseguiu que a carruagem em que Maia estava dentro, indo em direção de sua antiga casa para encontrar sua mãe solitária, a quem mandava dinheiro todo mês; passasse por um acidente, a matando ao longo do caminho.

Mas, claro, como vingança pela única mulher que havia sido gentil com ele, Zíu conseguiu provas que Igor estava tendo um caso e foi culpado da morte da mesma. Assim, Gry não teve escolha a não ser condená-lo ao calabouço ou parecer um cúmplice. Como mencionado, todos aprenderam a não mexer com Zíu naquele dia. Mas não foi só o gênio que sofreu com a morte de Maia, não, os outros três mais novos também sentiram a dor.

Hans, que crescera com a inocente idéia de Maia de que todos mereciam um final feliz e uma chance de se provar boas pessoas, entendeu pela primeira vez o que era ódio. Aquela raiva intensa que sentiu quando aprendeu que a mulher mais preciosa para ele (sua “mãe) havia sido morta pelo egoísmo de um de seus irmãos. Até então, o mesmo nunca tinha sentido ressentimento pelos seus irmãos (“Eles estão apenas ocupados...” Maia respondera vagamente, seus olhos cor de caramelo olhando para o vazio. Só agora, ele reconhecia que ela estivera mentindo), mas sua amargura em relação aos mais velhos começara a crescer naquele dia.

Por isso, o mesmo se focara nos irmãos em que ele ainda confiava. Zíu não era exatamente uma pessoa aberta, sempre estudando, o ignorando e não se importando muito com o mesmo, por isso, depois de um tempo, ele parou. Oliveiro não era exatamente... Sano. Na verdade, o garoto passava mais tempo conversando com árvores do que pessoas, sempre sabia de que tipo eram apenas olhando, as abraçando, as tratando como se fossem pessoas. Hans gostava muito dele, muito mesmo, mas era complicado conversar com o mesmo quando ele amava mais as árvores do que seu irmão mais novo.

Mas se tinha alguém que Hans amava muito, esse seria Rudy, o décimo segundo príncipe das Ilhas do Sul.

Ele sempre foi tudo o que Hans queria ser e que achava que um príncipe deveria ser: doce, gentil, caloroso e amável. Mesmo sendo apenas um anos e meio mais velho que Hans, ele cuidava do mais novo profissionalmente, rígido porém doce, como um pai deveria ser. Além disso, os dois se pareciam bastante. O mesmo complexo pálido, a mesma face angular e bela, as mesmas mechas avermelhadas, mas seus olhos eram da cor de caramelo derretido, praticamente dourado. Seus olhos eram os únicos que tinha essa cor entre os treze, o que era uma surpresa, mas não para Hans. Afinal, seu precioso irmão mais velho Rudy era especial e seus olhos eram como sua personalidade: calorosa e dócil.

Hans sempre apreciou a habilidade de Rudy de fazer casas de brinquedo perfeitamente. O mesmo sempre fazia todas as que as crianças da vila pediam: de pássaros, para bonecas, casas para enfeitar as salas e etc. Claro, isso o deixou famoso com as crianças e os adultos, que o viam como um garoto muito gentil. Estranhamente, Hans nunca sentiu nenhum tipo de inveja em relação a Rudy por sua popularidade com o povo, afinal, concordava com a opinião publica: seu irmão era simplesmente demais e estava feliz que os outros também viam isso.

Mas isso também não quis dizer que sua infância foi simplesmente maravilhosa, porque, além de Rudy, Zíu e Oliveiro, também haviam seus outros irmãos.

Alguns incidentes que sempre estariam marcados em sua mente era de quando ele e seu irmão mais velho, o nono príncipe que se chamava Mitgard, milagrosamente brincavam de “Cavaleiro e Dragão”*.

Hans estava se divertindo muito, tinha que admitir, afinal, Mitgard finalmente estava lhe dando atenção. Mas, isso não fazia da brincadeira perfeita. Já estavam no terceiro round, mas ainda não tinham invertido os papéis. Mitgard, com seus cabelos castanho-avermelhados, olhos castanhos, pele alva, escudo reluzente e espada antiga, parecia um cavaleiro de verdade, investindo contra Hans avidamente. O menor estava coberto por um lençol esbranquiçado, fingindo expelir fogo pela boca.

– Mitgard? – O ruivo questionou timidamente, sua face corada por se impor pela primeira vez para o nono.

– O que foi, Harry? – O mais velho perguntou, irritando pelo outro ter interrompido a brincadeira.

– É Hans, irmão. – Ele respondeu, olhando para o chão. – Por que eu sempre tenho que ser o Dragão?

– Isso não é obvio, tampinha? – Mitgard exclamou rudemente, como se já esperasse que o mesmo soubesse a resposta. – Você não pode ser o herói.

– Mas é claro que posso ser o herói! – A fala vigorosa rachava com um pouco da incerteza que o décimo terceiro sentia.

– É, claro. – Ele riu, seu apoiando sua espada e abaixando a cabeça enquanto ria, mechas castanho-avermelhadas caindo em sua face. – Quando você for velho o bastante, nós já vamos ter acabado com todos os dragões.

Hans recuou um pouco e Mitgard saiu da sala rindo, já entediado com seu irmão mais novo. O mais velho tinha realmente atingido um ponto, afinal, Hans sabia que sua maior desvantagem era ser mais novo que todos os seus irmãos, que ganhavam a glória por ter nascido primeiro. Ele não havia nascido para ser o rei, não era parte da corte, também não era parte da cidade. Não era o atleta como Mitgard, o estudioso como Zíu ou o poeta como Edvard. Ele só estava lá e sabia disso, mas ter isso esfregado em seu rosto por seu irmão mais velho não era divertido.

O ruivo passou um tempo simplesmente sentado no chão, olhando para o nada. Não tinha vontade o bastante para levantar, ou para ir jantar, ou para brincar, ou para qualquer outra coisa. Afinal, se ninguém mais se importava, por que ele teria que se importar? Já estava anoitecendo quando Rudy entrou no quarto, seus cabelos cor de fogo desarrumados e olhos dourados correndo desesperadamente pelo quarto, apenas descansando quando viram Hans.

– Hans! – O mesmo exclamou preocupado, indo correndo em direção do menor até deslizar pelo chão liso até seus joelhos, parando ajoelhado ao lado de seu irmão mais novo. – Eu passei a tarde te procurando! O que houve?

– Eu não sei por que você se importa. – A voz de Hans foi simplesmente muito baixa e ele quase desejou que Rudy não tivesse o escutado.

– Como assim? Alguém te disse algo? – Sua voz era rigorosa, mas gentil ao mesmo tempo. O ruivo ficou em silêncio, mas Rudy já parecia ter entendido tudo, se lembrando da animação de Hans quando mencionou que iria brincar com o nono mais velho. – Mitgard? Foi ele?

– Irmão, por que eu não posso ser o herói? – O mais novo questionou com sua voz chorosa e lágrimas quentes escorrendo por seu rosto.

– Hans, é claro que você pode ser o herói. – Rudy disse, acolhendo o outro com seus braços.

– Não, não posso! – O menino de olhos esverdeados exclamou, afundando sua cabecinha no peito quente a sua frente. – Eu não sou importante! Para o reino! Para os outros! Eu não era importante nem para os nossos pais!

– Me escute, Hans. – Ele exigiu, pegando o queixo do mais novo e o forçando a olhá-lo prontamente. – Você é importante! Mas pra mim e para Zíu e Oliveiro, mesmo eles não demonstrando isso muito. Vocês também era importante... Pra Maia... – Rudy começou a acariciar os cabelos ruivos enquanto sentia seus olhos arderem ao mencionar Maia. – Entenda, por favor, você não precisa ser importante para todos... Apenas para as pessoas que importam...

Hans continuou chorando, mas Rudy ainda o segurava. E era isso que importava.

Mas, todo castelo era destruído a um ponto e a felicidade de Hans era como um castelo de brinquedo, facilmente destruído. E, ironicamente, por uma garota...

...

– Ela é simplesmente maravilhosa, seus olhos são como mergulhar em uma poça de chocolate derretido e... – Hans, em seus plenos vinte e dois anos, suspirava enquanto andava atrás de seu Sétimo irmão mais velho, Edvard.

– Hans... – Edvard parou de andar, encarando sue irmão mais novo. Seus olhos azulados estavam irritados, apesar de sua face estar neutra. – Eu entendi que você está apaixonado por essa tal de Babi...

– Bebette, a princesa de Iceland... – Hans corrigiu com um olhar apaixonado. – E ela é incrível, irmão: doce, gentil, carinhosa...

– Disso eu sei, mas eu ainda quero saber, por que está falando sobre isso comigo? – O outro ruivo falou, cruzando seus braços.

– Bem, é que você é o poeta da família... – O rapaz falou sem jeito, corando um pouco. – E Zíu falou que apenas um poeta para agüentar um homem apaixonado...

– Isso é verdade, mas não prefere discutir sobre isso com Sutherland? Idun? Jerk? – O Sétimo mencionou os outros três poetas em meio aos irmãos.

– É, mas eles estão me ignorando já faz dois anos. – Hans olhou para seus pés, decepcionado. – Então, só sobra você...

– Não, ainda tem Bebette, eu soube que ela é uma poeta, afinal. – Edvard sorriu e Hans ficou ainda mais vermelho, pronto para protestar. – Olhe, se isso te faz feliz, eu sei que ela está apaixonada também, assim como você.

– Está? – Os olhos de Hans pareciam as águas do mar iluminadas pelas lâmpadas que homenageavam a princesa de Corona.

– Claro que sim. – O sorriso de Edvard era quase maligno, mas Hans não percebera isso em sua felicidade. – Com certeza ela está apaixonada. Deveria falar com ela sobre isso. Bebette está no jardim.

– Obrigado, irmão! – O mais novo exclamou agradecido, praticamente correndo em direção ao jardim.

Edvard acenou, sorriso ainda no lugar.

...

Como Edvard havia dito, Bebette estava no jardim. Sentada em um banco de pedra e rodeada por variadas flores: amarelas, vermelhas, azuis, roxas rosas e verdes, ela parecia ainda mais com um anjo. Seu corpo delicado estava coberto por um vestido avermelhado, mas que lembrava mais o pôr-do-sol, com duas sapatilhas amarelas cobrindo seus pés pequenos. Seu cabelos castanho-escuro, com grossos cachos, estava solto, com apenas uma fita vermelha presa em um de seus cachos e seus olhos amendoados encaravam o caderno de desenho a sua frente. O mesmo mal percebeu Rudy, em seus plenos vinte e quatro anos, também estava lá, fazendo uma pequena casa de brinquedos.

– Bebette. – Hans falou, sentando-se ao lado da mesma.

– Hans. – Ela sorriu o sorriso que ele gostava tanto. – O que está fazendo aqui?

– É que eu estava falando com Edvard e ele falou que você está obviamente apaixonada por você. – Ele exclamou diretamente. Bebette corou, seu belo rosto pálido se tornando da cor de uma maça. – Eu sinto muito... Eu...

– Não, está tudo bem... – A princesa olhou para seu colo. – Eu nem sei se ele gosta de mim, só me tratou como sua amiga até agora.

– Eu tenho certeza que ele gosta de você. – Hans sorriu e Bebette sorriu de volta, seu rosto brilhando.

– Tem certeza? – Ela perguntou animada, pululando no banco.

– Claro! Eu o conheço melhor do que ninguém! – O sentido literal da frase era obvio, mas a mesma sorriu.

– Você está certo! – Bebette levantou e fez algo que o décimo terceiro príncipe com certeza não estava funcionando.

A mesma correu pelo jardim, logo chegando a Rudy. O mesmo estava com seus cabelos vermelhos bagunçados, mangas em seus cotovelos e olhos dourados concentrados. Por isso, quando a morena pegou seus braços, ele olhou para ela.

– Rudy! Eu... – Ela encostou sua testa na testa suada do outro. – Eu... Gosto muito de você... Muito mesmo...

Então, ela o beijou.

Era como se o tempo tivesse parado para Hans. Tudo o que ele conseguia ver era Rudy e Bebette. A menina que ele amava estava no colo de seu irmão mais velho, o beijando nos lábios com fervor, enquanto o mesmo nem sequer se movia, estava apenas com seus olhos dourados arregalados. O mais novo ficou olhando até não conseguir agüentar mais, pulando do banco em que estava sentado antes ao lado de Bebette e correndo para seu quarto, tentando segurar suas lágrimas. Isso pareceu tirar Rudy de eu choque, porque o mais velho empurrou Bebette de seu colo e foi correndo atrás dele.

Hans correu. Correu, correu e correu até finalmente chegar em seu quarto e trancar a porta. Ele escorregou na porta, sentando no chão e sentindo suas lágrimas quentes escorrerem por seu rosto. Ele ouviu o som da maçaneta sendo virada loucamente e das batidas na porta, mas nem sequer se mexeu.

– Hans! Hans! – A voz de Rudy veio de fora do quarto, desesperada. – Abra a porta, por favor! Hans! – Ele não respondeu, o que desesperou ainda mais o mais velho. – Eu não sabia que ela ia fazer isso! Hans, eu juro! Hans, abra a porta... Por favor... Hans!

Mas ele não abriu a porta. E Hans continuou chorando, mas, dessa vez, Rudy não estava o segurando.

Notas finais
*Eu baseei essa cena em uma imagem do tumblr (aqui está o link: http://24.media.tumblr.com/488c97cfbd203bdc90c0e7779699f81b/tumblr_mxp436DMDS1t7qrzao1_500.jpg) Rudy e Bebette são baseados nos personagens com o mesmo nome no conto de Hans Christian Andersen "The Ice Maiden". Também usei os personagens na minha outra fic, Frozen Titan.