Tales Krait - O Príncipe Das Trevas.
1 Ausência.
Não ouse tocar em mim! Não vou deixar que me agrida novamente, eu fiquei submissa tempo demais. Fiz de tudo pra que tudo funcionasse, mas você é desprezível!! — exclamou Angelline com a voz trêmula, dirigiu-se ao quarto aonde colocava suas coisas dentro de uma mala. Tales permanecia sentado na mesa da cozinha, em silêncio. No fundo ele sabia que nada mais poderia fazer. Estava distante, ouvia a voz de Angelline de longe. Levantou-se e caminhou até a geladeira, abriu-a e pegou a garrafa de uísque, colocou sobre a mesa. Angelinne parou na porta do quarto e olhando para ele disse:
- Você ao menos está ouvindo o que estou dizendo? Os motivos pelos quais estou indo embora? — chorando, com a voz embargada, ela olhava para Tales, o homem que ela mais amava mas que teria que abandonar.
- Sim Angie, estou ouvindo! — Tales abria o ármario e pegava um copo e dirigia-se para a mesa.Sentou-se, encheu seu copo e bebeu tudo em um só gole.
Angelinne era uma moça doce, carinhosa e gentil. Trabalhava como professora da escola primaria da cidade. Amava seu trabalho e suas crianças. Era muito querida na cidade, além de possuir uma beleza exótica. Alta, dotada de um corpo esguio, cabelos longos e negros. O rosto com traços delicados, olhos azuis como uma lagoa de agua cristalina. Emanava uma luz própria, iluminava os lugares aonde passava.Totalmente o oposto de Tales.
Fechou a mala, respirou fundo e tentou engolir o choro, mas era inevitável, as lágrimas insistiam em rolar por sua face. Parada ao lado da cama, olhou ao redor, o quarto, tão simples mas acolhedor.Lembranças surgiam em sua mente, trazendo um turbilhão de emoções, ela lembrara que um dia foi feliz ali.
Então Angelline pegou sua mala, apagou a luz do quarto e fechou a porta, ali era o fim. Caminhou então pelo corredor em direção a cozinha, e ergueu os olhos e avistou Tales, sentado naquela mesa aonde muitas vezes riam e dividiam pedaços gelados de pizza. Em meio aquela penúmbra, Tales bebia compulsivamente, nem ao menos sentia remorso, culpa, duvída ou tristeza, apenas bebia. Tales foi sempre um rapaz diferente de todos os outros de mesma idade, ninguem sabia do seu passado, ninguem sabia nada sobre sua origem, fámilia,ele era um estranho. Era bonito, ombros largos, corpo atlético. Seu rosto másculo e coberto por uma intensa barba, e cavanhaque. Cabelos negros assim como seus olhos. Movido pela perversidade, malevolênte, manipulador.
O que foi? — Resmungou Tales, ao ver que Angelinne o observava, talvez esperando que ele dissesse algo, que mostrasse compaixão, ou ao menos pedisse desculpa.
Tales, você nada tem pra me dizer? Eu estou indo embora, e é para sempre?
- Você quer que eu diga o que? Que sinto muito, que estou arrependido por alguma coisa que não te agradou? Não vou mentir, eu não ligo. Se quer ficar ao meu lado fique, se não quiser ,Angelinne, é Adeus!!! — gritou Tales, com a voz cheia de ódio. — O seu problema é criar expectativas demais sobre mim, querer que eu seja um cara que não sou. Que eu faça coisas, diga coisas, eu não sou esse príncipe que você criou em sua mente. Acorda!! — Levantou- se rapidamente, e dando passos largos, foi em direção da porta. Girou a maçaneta, e escancarou-a , fazendo um sinal sugestivo, mostrando a Angelline que era para que ela saisse, e parasse com aquela baboseira sentimentalista.
Chovia forte lá fora. Angelinne nunca tinha visto aquele homem transtornado e hostil como estava naquele momento. Em silêncio, pegou sua mala, e saiu pela porta, sem ao menos olhar para trás.
Tales fechou a porta,ele não entendia como um casal que antes se dava tão bem, agora mal podiam olhar-se. Pensou enquanto permanecia de pé, em frente a porta. Despertou do transe e caminhou até o banheiro, abriu o armário e pegou seus remédios para dormir, tomou pelo menos 4 comprimidos , deitou-se na cama e esperava que a morte viesse arrebata-lo, mas ele não sabia, que a morte não era algo possível para alguém como ele.
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