Tale As Old As Time.
35 Sorrow
Notas iniciais
–Afaste-se dela, Dash.
Ouvimos a voz grave e autoritária. Dash virou-se, saindo da minha frente, ambos olhando para ele. Caspian estava parado ao pé da escada, do outro lado do cômodo. Dash enfureceu-se.
–Que faz aqui?! Eu lhe mandei ficar longe dela! — ele berrava, avançando contra Caspian. Segurei seu braço, tentando impedi-lo. — Vá embora! Não deixarei você machucá-la novamente!
–Você sabia que Caspian tinha voltado? — questionei. Dash parou e olhou para mim. Não respondeu. — Como pôde esconder isso de mim, Dash?! — acusei, profundamente chateada. — Por que não me contou? Eu devia saber!
–Tive medo que você o perdoasse, que o aceitasse de volta! — disse ele. — Eu que mereço satisfações aqui, onde está a Susana que eu conheço? Como pode aceitá-lo de volta como se nada tivesse acontecido?!
–Eu amo Caspian, Dash, e nunca escondi isso de você. — falei. — Mas é além disso...
Dash pôs as mãos em meus ombros, olhando-me nos olhos. Aquele olhar feroz dirigido a mim também.
–Não acredite no que ele lhe disser! Su, ele não merece o seu perdão! Lembre o quanto ele lhe fez sofrer, por que alguém tão insensível quanto ele poderia estar arrependido?!
–Chega, Dash! — Caspian o empurrou para longe de mim, pondo-se a minha frente.
Vi lágrimas de dor e raiva rolarem pelo rosto de Dash. Ele estava desiludido e vê-lo assim foi mais do que suficiente para que minhas lágrimas também rolassem. Eu não podia vê-lo assim, não conseguiria conviver junto à consciência de que fiz sofrer alguém que fora tão bom para mim, que me dera todo seu apoio e carinho, e eu lhe tirei sua maior ilusão. E sequer consolá-lo eu podia.
–Não se meta. — disse ele a Caspian. — Pelo menos dessa vez.
–Você está nervoso, se acalme, por favor. — pediu Caspian, calmo. Dash trincou o queixo e fechou as mãos em punho, com as lágrimas ainda rolando por seu rosto. Dash ficou em silêncio, assim, Caspian continuou. — Você é meu irmão, Dash, e eu o prezo muito, mas Susana e eu nos amamos, você sempre soube disso, você sabe por que eu retornei e...
–Lembra do dia em que você foi embora... Irmão...? — falou a última palavra com certa dificuldade e um toque de desdém. — “Prometa que vai cuidar bem dela...” Foi o que eu fiz até você aparecer e estragar toda a nossa felicidade. Agora você volta e se acha dono de todo o direito do mundo... Como se nada tivesse acontecido... Corre ao encontro da mulher que eu amo, querendo tirá-la de mim, olha nos meus olhos... E ainda tem coragem de me chamar de irmão. — Dash forçou uma risada, um tanto debochada e dolorida, mas logo ficou sério. — Você me preza, Caspian? Pois eu o desprezo você com todo meu coração. — falou duro. Minhas lágrimas silenciosas fizeram uma mancha molhada nas costas de Caspian.
–Dash – foi minha vez de falar, com a voz baixa. — Você sabe que eu preciso ficar ao lado dele.
–Ele nunca estará completamente curado desse monstro que o domina! — retrucou.
–Chega, Dash! Vá embora! — Caspian falou firme, aproximando-se do irmão pronto para tirá-lo dali antes que Dash fizesse alguma besteira, já que ele estava fora de si. Eu tentaria convencer Caspian a não tratá-lo assim, porém não deu tempo. O tom de Caspian foi suficiente para Dash perder a cabeça, revidando com agressividade. Empurrou Caspian avançando para ele em seguida.
–Dash, não! — tentei segurá-lo pelo braço, mas ele deslizou por minhas mãos.
Com as lágrimas ainda rolando, e sem poder fazer nada, eu os vi brigar. Dash desferiu o primeiro soco, aproveitando sua vantagem. Caspian caiu sobre a mesa de centro, derrubando o vaso com flores, espalhando centenas de cacos transparentes pelo tapete. Dash ergueu o irmão pela gola e Caspian o acertou, fazendo-o cair por cima do sofá, avançando contra ele.
–Caspian, não! Pare! — consegui segurar seu braço. Dash levantou limpando o sangue que escorria do canto de sua boca. Fora de si, ele afastou o casaco, revelando algo prateado que escondia na roupa. Meu coração parou enquanto ele sacava a arma, mas Caspian compreendeu logo.
Num movimento rápido, Caspian pegou-me em seus braços e correu, saltando contra a janela. O vidro quebrou e nós caímos sobre a neve do lado de fora, no mesmo momento em que Dash atirou, não nos acertando por um triz. Caspian e eu levantamos rapidamente e corremos para longe da casa, para o bosque. Ouvimos Dash gritar, em seguida outros disparos e alguns dos projéteis atingiram árvores no mesmo momento em que entramos no bosque.
Caspian segurava minha mão fortemente, levando-me para longe, por dentro do bosque. A chuva nos encharcava e a neve dificultava a corrida. Mesmo depois de estarmos longe da casa, continuamos fugindo, cada vez adentrando mais o bosque e Caspian me guiava por caminhos que eu não sabia onde terminariam.
Fale com o autor