Tale As Old As Time.
40 I'll Kill Him!
Notas iniciais
Caspian
Tomei coragem e levantei. Guardei os objetos de volta ao saco de veludo e o coloquei no bolso antes de voltar à casa de Susana, além de ter dito a ela que voltaria, queria me despedir e entregar aquelas joias que por direito deviam ficar sob seu poder.
Corri de volta à casa torcendo para que ela ainda estivesse lá, mas quando cheguei à clareira percebi que havia alguma coisa errada ao ver a porta escancarada e uma carruagem parada ali na frente. Quando cheguei mais perto, vi Edmundo caminhando da sala para a a saída com uma expressão preocupada.
—Edmundo, o que houve?
—Falei com seu pai ontem. Ele pediu para que a levasse Susana para Londres hoje, mas... — respondeu.
—Onde ela está?
—Achei que estivesse com você. — disse ele.
—Não, pedi para que ela me aguardasse aqui. — indiquei a casa, adentrando a mesma sendo seguido por Edmundo.
—Ela não está aqui, Caspian, já chamei e procurei pela casa toda. — disse ele. — Fiquei preocupado quando cheguei e encontrei a porta aberta.
Parei e olhei-o.
—Você acha que...? — não terminei, nem precisava.
—Improvável. Eu mesmo o vi partindo para Londres com o seu pai. — disse ele.
—Talvez tenha ido atrás de mim... — pensei.
—Como eu disse, achei que ela estava com você, mas o estranho é que a porta foi arrombada e eu encontrei isso no chão perto da escada. — estendeu-me o livro e eu o reconheci como sendo o que Susana encontrara. Prendi a respiração.
—Tenho certeza que foi ele. — falei convicto, sendo tomado por raiva.
—Mas ele foi para Londres ontem mesmo com seu pai...
—Dash é astuto, Edmundo. Além disso, não é difícil despistar meu pai, digo por experiência própria.
—Então... Para onde ele pode ter levado Susana? — ele já me seguia para o lado de fora.
—Não sei, mas vou descobrir. Dash ultrapassou os limites e farei o impossível para mantê-lo bem longe de Susana.
Edmundo seguiu para subir na carruagem, mas eu o impedi.
—Será mais rápido se soltarmos os cavalos. Você sabe montar, não sabe?
[…]
Cortamos caminho pelo bosque à galope até a casa de Corin onde encontramos todos na sala.
—Caspian?! — Pedro pôs-se de pé. Cumprimentei-o rapidamente com a cabeça pouco antes de perceber a presença de mais duas pessoas ali.
—Caspian, você está bem? — perguntou meu pai, preocupado. — Edmundo, o que faz aqui?
—O senhor não deveria estar em Londres? — perguntei cauteloso. Ele baixou o olhar.
—Dash fugiu durante a noite. — contou Lúcia. Fechei as mãos em punho, tentando conter a fúria.
—Se ele a machucar eu o mato! — jurei, saindo da casa quase correndo. Os outros me seguiram.
—Caspian, espere! — pude ouvir a voz de meu pai ainda dentro da casa enquanto eu montava o cavalo novamente, do lado de fora.
—O que está acontecendo? — perguntou Pedro. Edmundo logo montou no outro cavalo.
—Deixei Susana em sua casa, mas quando voltei ela não estava mais lá.
—A casa foi invadida. — continuou Edmundo. — Viemos para ver se Dash tinha passado por aqui, achamos que pode ter sido ele.
—Agora eu tenho certeza. — resmunguei.
—Mas para onde vão? Não podem simplesmente sair por aí procurando. — disse Pedro.
—Não faz muito tempo, ele ainda deve estar por perto, não vou ficar aqui parado. — falei, já instigando o cavalo.
—Dash com certeza está munido, filho. — insistiu meu pai. — Sequer sabemos para onde ele pode ter ido.
—Dash está louco! — protestei. — Não vou deixar Susana nas mãos dele!
Ele parou, segurando as rédeas do cavalo que eu montava, olhando-me nos olhos. Ele suspirou.
—Me dê esse cavalo, Edmundo. Eu vou com Caspian.
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