Talassofobia

10 Plataforma de implementação de quarentena


Don West não sabia o período de tempo em que passou perdido em meio à luz, movimentos e ondas, do portal alienígena que atravessou. Talvez estivesse sendo desintegrado em mil pedacinhos e disperso no ar, mas quando menos esperava, se viu livre, do outro lado de um outro portal, tão luminoso e trêmulo quanto o primeiro. De repente estava inteiro novamente, mas em outro lugar. Sua bússola marcava o Norte, sendo que ele tinha certeza que a ilha onde se abrigara ficava no Sul. Sim, havia rochas, plantas rasteiras e a mesma arquitetura alienígena de antes, mas ele tinha certeza que aquele buraco no teto, mostrando o céu com nuvens era algo novo. Resolveu sair dali e explorar o ambiente.

Após horas perambulando por vielas, ladeiras, pequenos espaços e encostas, ele se viu do lado de fora da montanha, no interior da qual se encontrava o portal. Estava em uma praia, e logo ali adiante estava uma colossal construção alienígena na forma de um imenso canhão apontado para o alto. Teve medo de imaginar o que aquilo poderia fazer. Para sua sorte havia plantas nessa outra ilha, e ele pôde se alimentar e matar a sede. Mais uma vez estava sozinho. Não havia nenhuma outra forma de vida na ilha do canhão, a não ser as gaivotas estranhas e as plantas. Nenhum alien horripilante apareceu para ataca-lo, e embora ele estivesse convencido da presença de leviatãs no mar em volta, tinha certeza que eles não o atacariam em solo seco. Por esse motivo resolveu explorar o edifício alienígena.

Não havia portas nem janelas, ou mesmo dutos de ventilação ou drenagem. Só conseguiu penetrar no local porque fez uso de outros tabletes coloridos que encontrou em suas andanças pela ilha. Um deles abriu uma passagem lateral na plataforma. Ele adentrou o prédio e passou por corredores geométricos, com uma decoração de arabescos que cobriam paredes inteiras e outros ambientes de paredes lisas. Elevadores de gravidade zero, escadarias sem fim, superfícies lustrosas inclinadas, e um sistema de iluminação esverdeado, que era ativado por movimento. Se os aliens fossem hostis, ele já estaria morto.

Havia outros elementos de decoração ao longo do caminho, como peças em exposição em museus. E surpresa das surpresas, ele reconheceu a maioria das peças: armas de guerra terrestres. Muitas armas muito antigas, como simitarras, katanas e bumerangues, mas havia também ogivas nucleares. Sem dúvida, os aliens conheciam os humanos. Ele encontrou outras salas com arcos, como os que haviam nas ilhas, mas sua curiosidade já estava reprimida, de forma que ele considerou mais sensato não seguir para outro portal, antes de entender um pouco mais da tecnologia alien.

Um pouco mais adiante, ele entrou em uma grandiosa sala, como se fosse uma sala do chefe geral, mas não havia ninguém ali. Ele se aproximou e tocou numa grande estrutura central. Na mesma hora, garras mecânicas o prenderam, e um apêndice o feriu no pulso. Ele sangrou um pouco e observou espantado que seu sangue foi coletado para análise. Uma luz brilhou e as garras o soltaram. E tudo voltou a sua posição inicial. O que será que a máquina descobriu em seu sangue? Ele resolveu sair dali.

Seu PDA, ou computador de bolso, fora deixado de propósito na ilha de base gelatinosa, para servir de chamariz para os outros sobreviventes, mas ele acabou encontrando outro nas cavernas da montanha. Pertencia aos Degasi, envelhecido mas ainda funcionando. Graças a esse velho PDA, ele coletou dados da estrutura que agora explorava. Ela tinha o pomposo nome de "Plataforma de implementação de quarentena". E a sua função era manter o planeta em quarentena, impedindo que qualquer forma de vida deixasse o planeta, após entrar em sua órbita, para evitar a disseminação da doença chamada kharaa.

Don entendeu que foi isso que derrubou os Degasi e o Aurora. E que iria derrubar qualquer outra nave que entrasse na órbita do planeta. Não havia como desligar a máquina ou sabotá-la, uma vez que sua tecnologia era estranha e perfeita. E aparentemente, isso envolvia um exame de sangue para manusea-la. Os alienígenas que a construíram já não estavam vivos há centenas de anos, e a máquina nunca deixou de funcionar. O destino de todos os sobreviventes do Aurora era apodrecer nesse planeta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.