Notas iniciais
Hello, babies! Avisando que não postei ontem porque não deu tempo de revisar o capítulo de novo. Mas hoje eu tive de sobra u-u Fim às delongas! Vamos à leitura! [Enjoy]

No novo trimestre, Rose estava ainda mais empenhada nas matérias, preparava-se com afinco para os N.O.M.s, estudava como se estivesse no meio do deserto e os livros fossem água e alimento. No feriado de Páscoa, assim como no Natal, ela não foi para casa. Porém, Albus, dessa vez, deixou-a sozinha com os chocolates e os livros.

E embora Scorpius tenha permanecido em Hogwarts e compartilhado seus chocolates com ela, não era suficiente. Rose queria estar com a sua família, ainda assim compreendia que quanto mais estudasse e revisasse as matérias, mais potencial teria, afinal, os exames seriam dali a pouco menos de dois meses.

Em certa noite de sábado, no começo de junho, Rose ficou estudando na biblioteca por horas após o jantar, até pegar no sono e dormir ali mesmo. Depois que Albus tomou café e não viu a prima na mesa da Grifinória, perguntou às colegas de dormitório de Rose se ela ainda estava na Torre da Grifinória. Como as garotas lhe disseram que a colega nem mesmo aparecera no salão comunal após o jantar, ele foi direto à biblioteca.

Lá, encontrou-a debruçada sobre pergaminhos e livros, a mão ainda segurando a pena paralisada dentro do tinteiro. Com toda a cabeleira ruiva esparramada mal dava para enxergar o seu rosto.

— Rose? — chamou Albus, mas ela nem se mexeu. Ele a cutucou. — Rose, acorde! — Nada. Então a puxou pelos ombros com cuidado, encostando-a a cadeira.

Rose resmungou, levou as mãos lentamente aos olhos, esfregando-os; bocejou e abriu-os preguiçosamente. Ela demorou certo tempo para focalizar o lugar onde estava e quando percebeu que Albus estava sentado ao seu lado e que aquele não era o dormitório feminino da Grifinória, sua memória começou a clarear. Arregalou os olhos, levantando-se rapidamente.

— Que horas são? — perguntou desesperada ao primo.

— Está cedo ainda — disse ele.

Rose passou as mãos pelos cabelos, tentando desembaraçá-los. Sacou a varinha, guardando os objetos espalhados pela mesa dentro da mochila. Ela não estava com uma cara muito boa: lábios crispados, cenho franzido, olheiras profundas e expressão cansada.

— É amanhã, Al! — murmurou, olhando com tristeza para o primo. — O N.O.M. de Feitiços. Eu não consigo mais aguentar.

— Rosie, essa foi a terceira vez que você passou a noite na biblioteca desde janeiro. — falou Albus, calmo, porém preocupado. Ela o abraçou subitamente. — Você é brilhante, vai se sair bem. — disse o garoto, afagando os cabelos da prima.

Ela não disse nada, então Albus pegou a mochila em cima da mesa e levou Rose até o quadro da Mulher Gorda. A garota agradeceu e se despediu por ora, fechando a entrada da sala comunal.

No dormitório, atirou-se na cama e ficou observando o dossel. Precisava tomar um banho, trocar o uniforme, coisas que faria no banheiro dos monitores assim que tivesse forças para pegar suas vestes e descer três andares. Ela estava com muita fome, o que a incentivou a levantar-se da cama.

Vinte minutos depois, estava a caminho do Salão Principal; de banho tomado, cabelos penteados e uma fome maior do que qualquer nervosismo, preguiça, ansiedade ou sono. Fora sua fome que a fizera descer três andares com tantas escadas mudando de lugar, subi-los de novo, ir até o dormitório e descer os sete andares para chegar ao destino: o lugar onde era servida, três vezes por dia, a comida feita pelos elfos.

Rose, de humor renovado, comeu até ficar satisfeita. Depois de sair do Salão Principal, quis aproveitar o tempo livre que tinha até a hora do almoço. Era fim de primavera e os terrenos de Hogwarts continuavam belos como sempre. Havia uma leve brisa que deixava tudo mais agradável. Sob a luz do Sol estava muito quente, todavia, na sombra, estava fresco e ótimo para tirar um belo cochilo, e bem que Rose teve vontade de dormir por ali. Sentou-se debaixo de uma árvore próxima ao lago, recostou-se em seu tronco, solitária e pensativa.

Naquele dia, Rose optara por abandonar a meia-calça preta, deixando o ar refrescar suas pernas. Seus cabelos estavam amarrados em uma trança simples que lhe caía sobre o ombro. As olheiras continuavam lá, escuras e em contraste com sua pele branca e cheia de sardas. Mas ela não se importava, queria apenas demonstrar para si mesma que podia ser aprovada em todos os N.O.M.s e, sendo assim, as olheiras valeriam a pena.

Deitou-se na grama e observou os galhos da árvore. Podia entrever o céu azul acima da folhagem. Tudo estava tão calmo, tão sereno... Suas pálpebras começaram a fechar lentamente; ela havia praticamente adormecido quando ouviu chamarem-na ao longe. Ignorou, mal podia raciocinar direito, quanto mais entender o que estava acontecendo.

— Vai dormir aí, no chão? — falou uma voz vinda de cima. — Sinceramente, Rosie, tudo bem se você está cansada, mas imagine se a Lula Gigante resolvesse atacar a escola com seus tentáculos enormes... Você seria a primeira a morrer. Faça o favor de levantar daí.

Rose abriu os olhos e pôde vê-la com sua pele negra e cabelos muito escuros que tinham uma estranha luz avermelhada, refletida ao bater dos raios de sol em seus fios. A garota a fitava de cima com seus olhos âmbar; as mãos na cintura e o sorriso travesso sugeriam-lhe um ar divertido.

Roxanne ajudou Rose a se sentar e atirou-se sentada no chão ao seu lado, encostando-se também ao tronco da árvore, de modo que ficou ombro a ombro com a prima.

— Diga-me que está bem. Ainda não enlouqueceu, não é? — perguntou, virando-se para Rose.

— Acho que ainda não. — respondeu a outra, encarando os próprios joelhos. — Mas vai saber... Contanto que eu não saia do trem em Londres direto para o St. Mungus, diagnosticada com indícios de doença mental, estará tudo ótimo.

As duas ficaram em silêncio, com os olhos no lago. Rose imaginou a Lula Gigante saindo lentamente das águas escuras e indo com aqueles tentáculos assustadoramente grandes em direção ao castelo. Ela ficou aliviada quando ouviu novamente a voz de Roxanne, arrancando-lhe dos devaneios.

— Você vai se sair bem. Duvido que tire menos que a nota máxima em todas as matérias. Mas hoje, Rosie, apenas descanse, o.k.?

Rose assentiu, voltando a prestar atenção no lago. A outra se levantou, puxando a prima junto consigo para o castelo. Ela não entendeu nada a princípio, mas então Roxanne a levou para o Campo de Quadribol, do outro lado das terras da escola.

Elas atravessaram a parte de baixo do castelo e caminharam sobre a grama que adquirira um tom vivo de verde, até chegarem ao destino. As duas sentaram-se lado a lado no alto de uma das arquibancadas.

Rose encarou Roxanne, intrigada. Queria saber o porquê de ir até lá se elas ainda estavam em silêncio. Roxanne mudara o semblante, sua expressão era difícil de decifrar; algo como confusão interna, talvez. Percebendo isso, Rose sentiu um choque de compreensão lhe percorrer o corpo.

— Foi ele de novo? — perguntou.

Roxanne assentiu.

— Eu já devia ter contado isso a você — A voz estava um pouco embargada e irritada também. — Mas estava com tanta raiva...

— Ora, Roxy, pense pelo lado positivo: ele não sabe do que você sente. — precipitou-se Rose, acreditando saber o que viria a seguir.

— Rosie, ele me beijou. E o pior de tudo foi que a idiota aqui correspondeu.

— Merlin — murmurou Rose, incrédula. — Quando? Onde?

— N’A Toca — murmurou Roxanne. — Depois de uma tarde inteira jogando quadribol e uma corrida de vassouras, eu estava exausta. Mas ele me convenceu a ficar mais um tempo no telhado, o que eu não deveria ter cedido. Então nós ficamos lá, sentados sem lógica alguma, apenas olhando para o nada. Quando eu percebi, tinha acabado de beijar James.

Rose ergueu uma sobrancelha.

— Pelo menos ele foi autêntico.

— Por Merlin, Rose! — exclamou Roxanne. — Isso não tem graça. James é um canalha. Assim que chegamos a Hogwarts, ele foi correndo para a tal da Joey. Acho que é a irmã do capitão da Sonserina, o Zabini.

As orelhas de Rose queimaram, sentindo a mudança repentina de ideia. O que James tinha na cabeça para fazer o que fizera com Roxanne que, além de prima era sua amiga desde sempre?! A garota estava nervosa, e seria melhor se James não aparecesse na sua frente pelo menos até o dia seguinte.

A única coisa ao seu alcance no momento era abraçar Roxanne, e foi o que fez, mesmo sabendo que não adiantaria muito.

***

Após as duas semanas de N.O.M.s, Rose notou que conseguiu preservar a sua sã consciência, embora tivesse ficado tão nervosa que sua caligrafia ficara tremida nos exames teóricos. Felizmente, aquelas sensações horríveis passaram e ela começou a ficar ansiosa para saber o resultado. Estava satisfeita por ter se esforçado, talvez tivesse passado em todas as matérias como os outros lhe diziam.

Roxanne, aparentemente, conseguira recuperar-se com o auxílio da prima, mas era visível que James havia percebido o seu afastamento. Ela evitava falar com ele sempre que possível. Porém, após estar em casa, de férias, era muito pouco provável que ele não fosse atrás de respostas; atrás de Roxanne.

Estava na hora de partir, de voltar a Londres e passar o verão em casa.

Hugo quase saltava de felicidade ao lado da irmã, impedindo que Scorpius se aproximasse mais de cinco metros. Não que o garoto tivesse percebido que o Malfoy estava por ali, mas este não se atrevia a falar com Rose enquanto havia um projeto de irmão mais novo superprotetor contra filhos de ex-Comensais da Morte ao seu lado.

Assim que as portas do trem se abriram e os alunos começaram a entrar e lotar compartimentos, Hugo juntou-se a Lily e Louis, animado. Rose mal piscou e havia alguém na sua frente. Ela olhou para o rosto do garoto e sorriu.

— Oi — disse Scorpius, retribuindo o sorriso. — Hã... Al deve estar nos esperando, ele entrou primeiro que todo mundo e provavelmente conseguiu algum compartimento vazio. Vamos?

Rose assentiu e seguiu-o para procurar Albus.

Ela ficou pensando em como suas conversas com Scorpius tinham sido divertidas e até mesmo interessantes nos últimos meses, completamente diferente dos tempos anteriores ao Natal passado. Agora eles eram amigos, afinal.

Albus e Mary começaram a namorar na semana seguinte à primeira vez que saíram juntos — depois disso, eles simplesmente não se desgrudavam um do outro. Portanto, Scorpius e Rose acabaram saindo sozinhos várias vezes; ficavam perambulando pelo vilarejo, comprando doces e tomando cerveja amanteigada no Três Vassouras. Nunca lhes faltava assunto, pois o garoto sempre arranjava um jeito de quebrar o silêncio perguntando, por exemplo, sobre coisas de trouxas.

— Como você acha que se saiu nos N.O.M.s? — perguntou Rose, a fim de puxar assunto e lembrando que tinha certo receio dessas situações de silencio absoluto.

— Não faço a mínima ideia — assegurou Scorpius. — Espero conseguir passar em todas. — Ele olhou para a garota, divertido, esperando encontrá-la descrente, mas ela estava apenas impassível. — Eu estudei quase tanto quanto você, Rose. Pode ser que o esforço valha a pena.

Eles encontraram Albus e a conversa deu-se por encerrada. Felizmente, ele estava sozinho.

Rose atirou-se no assento ao lado de Albus, de modo que Scorpius ficou com o outro só para ele, onde se deitou pondo a cabeça sobre a mochila e dormiu. Os outros dois acabaram adormecendo também, principalmente devido ao balanço do trem.

O Sol estava quase desaparecendo quando o trem parou na plataforma nove e três quartos. Scorpius, Albus e Rose desceram juntos, sem sequer saber onde estavam suas respectivas famílias, no entanto, não estavam preocupados. Rose viu Hugo, já na plataforma, correr para os pais, e sorriu com saudade.

Scorpius foi com os dois amigos até os pais destes, sendo muito bem recebido no grupo, como sempre.

Lily e James estavam junto aos pais, aguardando a partida para casa. Albus já havia apresentado Mary a eles, portanto, apenas despediu-se dela com um abraço apertado e foi encontrar-se com a família.

Hermione recebeu Rose também com um abraço apertado.

— Oh, Rose, você não faz ideia de como sentimos a sua falta! — murmurou.

— Mamãe, me desculpe — falou a garota ao retribuir, agradecida, o abraço da mãe, que assentiu, novamente num murmúrio: “Está tudo bem, querida”.

Logo, ela abraçou o pai, que afagou seus cabelos e levantou-a do chão, como sempre fazia quando a filha chegava de Hogwarts.

Rose abraçou Harry e Ginny também. Bill e Fleur estavam com os filhos a alguns metros dali e acenaram; assim como George e Angelina, que chegaram para cumprimentar os sobrinhos — James ficou inseguro quando abraçou o tio, porém disfarçou, embora Rose tenha percebido e, muito provavelmente, Roxanne também.

Scorpius fora encontrar-se com os pais depois que Albus e Rose abraçaram os seus e deixaram que ele os cumprimentasse também. Para despedir-se, ele abraçou o amigo, depois a amiga, mesmo que rapidamente.

Rose já o tinha abraçado antes, várias vezes, mas ainda assim estava envergonhada por causa de seu pai e dos pais do garoto que os estavam observando. Seu pulso aumentara levemente com a intensidade do abraço; afinal, aquela não era exatamente uma despedida.

Ron não pareceu gostar do que viu, no entanto, não expressou até que eles saíssem da estação de trem. No carro, puxou assunto com a filha.

— Então, Rosie, desde quando você ficou amiguinha do garoto Malfoy? — O nome Malfoy sempre tinha de ser resmungado, já virara uma atitude costumeira.

— Ronald, por favor, não comece. — interveio Hermione, mas ninguém lhe deu atenção.

— Desde quando o Al começou a namorar, pai. — disse Rose, indiferente, observando a rua pela janela. — Nós não tínhamos com quem ir a Hogsmeade, então começamos a ir juntos, viramos amigos... Só isso.

Ron resmungou novamente, mas seguiu dirigindo em silêncio. Hermione lançava olhares apreensivos ao marido e à filha, respectivamente.

Hugo esteve o caminho inteiro calado, ele provavelmente devia ter prestado atenção à conversa. Rose não tinha certeza se alguém além dela sabia o quanto o irmão era observador e minuciosamente analítico.

Mais tarde, na cozinha da casa dos Granger-Weasley, mãe e filha ficaram sozinhas, acomodadas na mesa de jantar enquanto comiam sorvete direto no pote. Hermione perguntou várias coisas a Rose, queria saber como fora o ano, se ela havia feito algo de bom ou divertido, etc. A filha respondeu que estudou muito, apenas, e contou-lhe sobre o Natal, sobre como Albus e Mary começaram a sair, sobre como ela e Scorpius, de repente, tornaram-se próximos.

— Hum... — fez a mais velha, engolindo uma grande colherada de sorvete. — Quer dizer então, que vocês fizeram um acordo que incluía virarem amigos e saírem juntos para que nenhum dos dois saísse perdendo, é isso? — Rose assentiu. — Olhe, Rosie, por mim não há problema algum se você sair com ele ou qualquer outra coisa, certo? — sussurrou Hermione. — Porém, da parte de seu pai... Ele aceitaria qualquer garoto do qual você gostasse de verdade, menos Scorpius.

— Eu sei, mamãe, eu sei. — assegurou a garota. — Mas nós estamos falando sobre amizade. Até onde sei, não há nada mais do que isso entre mim e Scorpius. Papai não precisa se preocupar, ora, qual é o problema se eu sou amiga de um Malfoy? Scorpius não tem nada a ver com o que seu pai foi ou fez quando ele nem era nascido.

Hermione observou a filha com aquela típica expressão hermionesca no rosto. Rose ficou com um pouco de medo, inclusive.

— Me conte tudo, está bem? — Ela sorriu, pegou mais um pouquinho de sorvete e saiu, deixando a filha sozinha e confusa com o pote de sorvete na mão.

Após acabar com o pote inteiro, Rose foi dormir. E, ao deitar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos, lembrou-se de como sua cama era confortável e de como era bom passar a noite em casa e dormir sem preocupação alguma, depois de tantos meses.

Notas finais
Desde sempre, estou aberta a críticas construtivas! Espero que tenham gostado *-* Beijos e até semana que vem ♥