Tal Mãe, Tal Filha

11 Inesperadamente púrpura


Notas iniciais
Olá! Estou atrasada de novo (humpf), desta vez mais do que o normal... Eu queria editar o cap. com calma e, bem, acho que consegui. Estou satisfeita, na verdade, e realmente espero que agrade a vocês também. Além disso, muito obrigada, pois já são vinte e três acompanhamentos! Eu estou tão feliz! ♥ Boa leitura!

Os verões passados n’A Toca eram sempre insubstituíveis, e aquele não fora diferente. Mesmo assim, Roxanne e Fred voltaram para casa depois de apenas uma semana, pois tinham muitos planos para o resto das férias. Entre os quais estava, inclusive, visitar Charlie na Romênia — o tio que era, dos cinco ainda vivos, o mais adorado por Fred e Roxanne.

Já Lily resolveu voltar para casa após um mês ainda de mal com James. Eles haviam parado definitivamente de falar um com o outro e o garoto somente achava graça das carrancas da irmã. Jogando quadribol, os dois ficavam em times diferentes, extremamente competitivos e ávidos por vencer apenas porque a rivalidade aumentava nessas épocas.

Regularmente, todos os dias, tanto antes quanto depois da partida de Lily e Fred e Roxanne, os netos ajudavam a avó com as tarefas domésticas. Enquanto a Sra. Weasley deixava as roupas estenderem-se sozinhas no varal, mandava uma vassoura varrer e três espanadores tirarem o pó da casa inteira; os netos arrumavam suas camas, dobravam suas cobertas, abriam as janelas, exterminavam insetos indesejáveis e, quando necessário, desgnomizavam o jardim.

James tinha a vantagem de poder usar magia em suas tarefas, devido a sua maior idade, o que deixava Lily estupidamente ainda mais irritada. E os dois punham, portanto, Albus e Rose no meio das discussões, pois eles eram quem sempre sobrava. Por fim, apenas Lily aceitou o convite dos pais para voltar para casa, mesmo a contra gosto da Sra. Weasley.

Havia muito mais esperando por ela fora d’A Toca. Ginny tinha viagens de trabalho a fazer por todo o Reino Unido, inúmeras coberturas de partidas importantes de quadribol para O Profeta Diário. Lily ficou tão animada com a ideia, que nem pensou duas vezes.

Rose esperava que, quando Lily voltasse a ver o irmão, não quisesse mais azará-lo.

O tempo passou rápido e, entre tardes de quadribol, algumas manhãs de desgnomização, dias ajudando os avós e breves visitas à cidade trouxa de Ottery St. Catchpole, logo o verão já estava no fim. Rose mal viu os dias passarem, de vez em quando ia à casa dos pais no meio da semana e almoçava por lá; Ron, Hermione e Hugo passavam os domingos n’A Toca, como o resto da família.

Assim, no último domingo antes da partida para Hogwarts, até Teddy fora jantar n’A Toca. Como era verão, o jantar foi servido na rua, em uma mesa posta nos fundos da casa por Harry e Ron — e suas varinhas, é claro —, debaixo de uma tenda improvisada para evitar os mosquitos.

Ginny não deixava de comparecer a essas ocasiões, Lily estivera sempre junto da mãe nas últimas semanas e já parecia bem mais calma com relação a James.

O céu já estava escuro quando a família sentou-se à mesa. A Sra. Weasley perguntou a Teddy porque sua avó não havia aparecido para jantar e ele apenas enrolou, dizendo que Andromeda estava doente — nada grave, ressaltou — e optou por ficar em casa descansando. No entanto, Albus contara a Rose que na verdade a velha Sra. Tonks estava na Mansão Malfoy para passar o fim de semana com a irmã.

Rose apenas não entendia o porquê de Teddy ter mentido. Não havia problema algum em duas irmãs estarem finalmente se reconciliando, havia? Mas aquele era apenas um sinal de discrição, talvez não quisessem que a notícia tomasse grandes proporções.

Apesar da pequena fofoca de Albus, naquela noite houve algo que deixou Rose — e não apenas ela, mas todos os que ali estavam presentes — ainda mais incrédula. Começava a esfriar e a Sra. Weasley e Fleur foram buscar a sobremesa na cozinha; os assuntos fluíam divergentes em cada canto.

Victoire contava às primas as novidades de Dominique e o quanto ela parecera feliz nas últimas cartas. Lucy era a única que fingia não ouvir, porém dava para ver em seus olhos como aquele assunto a afligia. Lily aparentemente atualizava Hugo e Louis acerca de suas viagens ao lado da mãe. A um ponto mais distante na mesa, Teddy cochichava algo para James e Fred e Rose pensou ter visto os olhos dos dois primos se arregalarem por um momento.

De repente Teddy levantou-se sorrindo. Victoire foi a primeira a parar de falar, seguida pelos outros quando perceberam que o garoto estava a fim de dirigir a palavra a todos ali. James e Fred encaravam risonhos o amigo, cujos cabelos azul-turquesa passaram rapidamente para um inédito e vivo púrpura.

Quando Teddy começou a falar, Rose pôde sentir Victoire ficar tensa ao seu lado na mesa. Ela tinha os olhos muito mais arregalados do que os de Fred ou de James outrora poderiam ter estado; suas mãos começaram a tremer levemente segurando o copo de suco de laranja. Rose desviou os olhos para o seu tio, Bill, cujas orelhas começavam a ficar vermelhas de um jeito muito semelhante às de Ronald em certas situações.

O garoto de cabelos púrpura pediu a atenção de todos e começou definitivamente o discurso somente quando Molly e Fleur estavam de volta com a sobremesa. Fleur parecia saber o que viria a seguir e estava aparentemente animada, já a Sra. Weasley estava impassível e, quando se sentou ao lado do marido, os dois estavam mais ou menos com a mesma cara.

Teddy coçou a nuca, tentando sem sucesso não parecer nervoso.

— Eu vou ir direto ao assunto — começou ele.

— Vamos logo, Lupin! Quero comer a sobremesa ainda esta noite! — exclamou James, ao lado do avô na ponta da mesa.

Fred riu, mas Ginny repreendeu o filho.

— Faça o favor, James! Não o deixe ainda mais nervoso. — disse ela, baixinho.

Teddy encarou um ponto fixo no meio da mesa — talvez o grande prato de pudim que estava ali — e continuou.

— Bem, vocês já devem estar imaginando o motivo pelo qual eu estou fazendo isso. — Teddy pigarreou. — Vou tentar ir direto ao assunto... de novo.

“Hum... Eu poderia dizer tudo apenas para ela, mas eu prefiro que todos vocês saibam e entendam o quanto isso é importante para mim e... o quanto ela é importante para mim.” O garoto levantou os olhos e sorriu para o nada. Rose percebeu com certa preocupação que Victoire já começara a tremer muito. “Começando por você, tio Bill, eu sei que você tem noção do quanto eu amo a sua filha.”

Bill estava ainda mais vermelho, se é que isso era possível. Alguém suspirou profundamente, e Rose não teve dúvidas de que fora a mãe de Victoire.

— E... bem — continuou Teddy — Foi com todo esse meu amor, e, por Merlin, quanto amor, que eu pensei... Eu talvez esteja pronto.

O pai de Victoire murmurou, ainda rubro:

— Pronto para quê, garoto?

— Para pedi-la em casamento, senhor. — falou Teddy prontamente. Molly, Lily, Ginny e Fleur levaram a mão à boca como em um efeito dominó inverso. Bill Weasley apenas engoliu em seco; a cor começara a desaparecer de seu rosto.

— Acabou? — murmurou novamente.

— Não, não — negou o garoto; então se dirigiu a Victoire, que já tinha perdido a cor havia algum tempo. — Você também está pronta, Vic? — Ele chegou mais perto, tirou uma cadeira da frente e ajoelhou-se à beira dela.

Victoire virou-se de frente para o namorado, ainda sentada. Não hesitou em deixá-lo segurar sua mão, embora sua expressão parecesse quase pavor. Nem assim Teddy se intimidava.

— Eu não tenho uma aliança aqui no momento... hum... Me desculpe, eu devia ter pensado nisso antes, mas...

Ela finalmente sorriu e murmurou alguma coisa para ele.

Rose olhou para seu tio mais uma vez e viu que o homem agora escondia o rosto por entre as mãos, talvez ainda mais nervoso do que o próprio genro.

— Certo — sussurrou Teddy, limpou a garganta com um pigarro e disse em voz alta: — Você aceita? — perguntou, piscando algumas vezes rapidamente, sua voz estava fraca, quase a ponto de gaguejar. — Casar comigo, eu quero dizer.

Victoire começou a soluçar e rir ao mesmo tempo e se ajoelhou no chão junto ao namorado/noivo, abraçando-o. Roxanne puxou a salva de palmas para o casal. Enquanto todos riam e batiam palmas — até Bill esboçou um sorriso, mesmo que sem graça —, Teddy comemorava o sim que levara. Logo, o momento passou. Todos voltaram a conversar e comeram a sobremesa.

Victoire parecia mais leve, estava de fato mais sorridente. Rose lembrou-se de como era animador vê-los juntos. Como eles pareciam gostar mesmo um do outro. Rose gostava de ver cada uma daquelas pessoas felizes e, com Victoire e Teddy finalmente noivos, um pouco mais de felicidade havia se espalhado pela mesa.

O pedido de Teddy fora atrapalhado, mas ela tinha certeza de que ele e Victoire haviam sido feitos um para o outro, completamente.

***

Setembro não demorou a chegar, trazendo consigo as folhas secas do outono que se aproximava cada vez mais rápido. Rose passou a noite do dia trinta e um de agosto para o dia primeiro do próximo mês na casa dos pais, em Londres. Acordou cedo e se encarregou de ir acordar Hugo para dar a Ron e Hermione um pouquinho mais de sossego.

Ron, Hermione, Rose e Hugo desceram do carro em um local próximo à estação de King’s Cross faltando exatamente vinte e cinco minutos para as onze horas da manhã. Hugo não parava de falar que a Grifinória estava fadada a ganhar a Taça de Quadribol daquele ano, o que fez Rose lembrar-se de que tinha de se decidir acerca de suas cogitações recentes. Ela andara pensando seriamente em comparecer aos testes para entrar no time, pelo menos sabia que seu irmão seria de grande ajuda nos treinos, ele era centrado e dedicado ao quadribol mais do que em qualquer outra coisa.

No interior da estação, do outro lado da barreira entre as plataformas nove e dez, a névoa era densa e havia corujas piando por todos os lados — principalmente nas gaiolas que Hugo e Rose carregavam acima de seus malões —, pessoas falavam, crianças pequenas choravam e, ainda assim, tudo parecia calmo. Não era possível enxergar muito longe através de toda aquela fumaça, mas a locomotiva vermelha estava lá, imponente, fazendo jus à sua grandiosidade enquanto as portas dos vagões se abriam e montes de alunos começavam a se acomodar nos compartimentos antes que não sobrasse mais nenhum vazio.

Hugo e Rose deixaram seus malões, vassouras e corujas no vagão das bagagens e depois, em silêncio, foram procurar James, Albus e Lily que não estavam junto de seus pais quando estes se juntaram a Ron e Hermione. Caminhando por entre montes de pais, alunos e fumaça do trem, era cada vez mais difícil manter os olhos abertos sem que eles lacrimejassem. Vez por outra nos cinco minutos procurando sem sucesso pelos primos, Rose tinha que esfregar os olhos ou não enxergaria nada.

Quando Hugo avistou Lily não muito longe, eles apressaram o passo. Rose esfregou os olhos brevemente em sua quase corrida. Consequentemente, ela acabou esbarrando em alguma coisa. Rose torceu para olhar para cima com seus olhos vermelhos provavelmente aparentando que tinha chorado horrores e ver ninguém. No entanto, parecera-lhe mais do que óbvio que havia esbarrado em um ser vivo e não numa lata de lixo ou coisa assim, quando duas mãos lhe seguraram os braços antes que ela caísse para trás ao tentar se distanciar andando de costas.

Rose não precisou olhar para cima para saber quem era.

— Você está bem? — perguntou aquela voz tão incomodamente familiar, num tom um tanto suave.

Ela pousou a mão direita no ombro de Scorpius para se segurar e sorriu, assentindo. Ele pareceu certificar-se de que ela estava de pé e que não tropeçaria parada no mesmo lugar e soltou seus braços.

— Me lembre de não correr esfregando os olhos outra vez, por favor. — disse Rose.

Scorpius riu e então pareceu notar os olhos vermelhos da menina. Ele ergueu uma sobrancelha.

— Não me diga que estava chorando — disse, franzindo o cenho.

Rose negou com a cabeça.

— É a fumaça do trem. — afirmou.

Foi quando ela percebeu que Hugo não estava ao seu lado. Provavelmente nem sequer havia se dado por conta de que a irmã havia esbarrado em Scorpius Malfoy e ficara para trás. Rose sentiu o rosto queimar quando notou duas pessoas atrás de Scorpius, que pareceu sem graça ao perceber que estivera conversando com uma amiga enquanto seus pais encaravam sua nuca.

Scorpius pigarreou e Rose mudou o peso do corpo de um pé para o outro, desconfortável. Cinco segundos extremamente constrangedores passaram-se sem que ninguém dissesse coisa alguma, até que a mãe de Scorpius lhe estendeu a mão, com um sorriso simpático e travesso nos lábios.

Parecera-lhe tão familiar, até que Rose deu-se por conta de que aquele era o mesmo sorriso que já vira muitas vezes no rosto de Scorpius. Rose teve vontade de sorrir junto e passar uma tarde inteira tendo uma conversa amigável com a mulher. Os cabelos escuros e lisos encantaram a garota, seus olhos eram de um castanho claro e se destacavam em seus traços jovens e suaves. Ela era definitivamente bela.

— Astoria Malfoy — apresentou-se a mulher. — Muito prazer em conhecê-la.

— O prazer é meu, Sra. Malfoy — disse Rose, retribuindo o sorriso da melhor forma possível e apertando a mão de Astoria. — Sou Rose Weasley.

O sorriso de Astoria pareceu alargar-se e Rose notou-a lançando um olhar divertido ao filho.

Ignorando o fato, Rose estendeu a mão para aquele que há anos havia lutado contra os seus pais na guerra. Ela esboçou seu melhor sorriso amigável e ganhou em troca outro, embora breve e fraco, pelo menos fora bem-educado, e um aperto de mãos. Não eram necessárias apresentações.

A impressão que Rose teve foi de que o Sr. Malfoy era um homem resguardado e de poucas palavras, mas não pôde deixar de notar o quanto Scorpius se parecia com ele. O cabelo, a pele, os olhos — principalmente os olhos —, o porte magro e esguio... Quase tudo, inclusive o jeito olhar para as pessoas. No entanto, os dois também pareciam bem distantes.

Um pouco desconfortável, Rose voltou-se para Scorpius.

— Eu vou atrás de Hugo. Ele deve ter achado Albus, James e Lily. Você... quer ir junto?

— Sim, sim, eu vou. — respondeu Scorpius. — É melhor nos apressarmos para embarcar.

— Espero que acabemos dando a sorte de encontrar um compartimento vazio — comentou Rose.

O garoto despediu-se dos pais, informando que iria direto para o trem depois. A mãe lhe deu um abraço aparentemente apertado, ele afagou os cabelos dela e beijou-lhe a testa, de modo que Astoria murmurou alguma coisa como: “Eu é quem deveria estar beijando a sua testa, menino!”; que o fez rir.

Scorpius deu um breve abraço no pai, que lhe deu tapinhas nas costas. Ele disse tchau aos dois e se retirou junto de Rose, com as mãos nos bolsos e o olhar no chão da plataforma. Ele já se livrara de seu malão e sua coruja.

— Sua mãe é adorável — comentou Rose com um meio-sorriso, sentindo que precisava dizer aquilo, pois estava entalado em sua garganta.

— Ela gostou de você, Rosie — concluiu Scorpius, sem graça. — Não é assim com todo mundo... — Ele suspirou. — Eles são complicados, os meus pais.

O silêncio veio, mas não foi tão ruim assim; acabou somente quando eles finalmente encontraram quem estavam procurando.

Notas finais
Eu pretendia postar o capítulo doze nesta semana também, mas acho que não vai dar :/ Mesmo que eu demore um pouquinho, vou atualizar sempre que der, principalmente agora que entrei de férias, nem sempre vou ter internet. Vou tentar escrever mais alguns capítulos para aumentar o meu "estoque" de capítulos prontos, e não só em TMTF, pretendo dar continuidade a alguns projetos meus... Enfim, isso é tudo. Me digam o que acharam, o.k.? ;) Até a próxima! xx