Taking Care
6 Are you two together?
Notas iniciais
– Felicity... – a mulher remexeu-se lentamente, sentindo uma grandíssima dor nas costas.
Não lembrava de ter ido dormir, mas, por que não estava em sua cama?! E porque a sua coluna doía tanto?! E por que sua cabeça parecia que tinha sido acertada repetidas vezes por um taco daquele jogo da bolinha pequena?! Qual era mesmo o nome da bolinha? Certo, seu corpo inteiro doía, mas, por que? BASEBALL! Taco de baseball. Não que ela tivesse sido acertada por um, e ela tinha, no final do ensino médio, ela tinha ido assistir a um jogo e o taco acabara acertando-a.
Café!
Ela estava fazendo café!
Levantou-se de súbito e arregalou os olhos para Oliver que a encarava sorridente, muito sorridente. E então o cheiro a invadiu, um cheiro forte de café e o cheiro delicioso de waffles.
– Bom dia Felicity. – a voz de Oliver soou rouca e ele afagou o ombro da mulher
– Você bem que podia me acordar assim todo dia, não é Oliver? – estava começando a se espreguiçar quando parou repentinamente. – Me diga, por favor, que eu não falei isso em voz alta. – pediu, completamente chocada com o que acabara de dizer.
A risadinha sarcástica de Oliver já a acusou.
– Droga. – exclamou. – De toda forma, bom dia.
Só então que seu olhar se direcionou para a mesa a sua frente, essa estava posta. Haviam pratos, copos, talheres, waffles, café, manteiga de amendoim, geleia de morango, mel e chocolate derretido.
– Gostou? – o homem sentou ao lado dela, servindo a si mesmo com alguns waffles. – Eu fiz o melhor que pude com a falta de prática e destreza na cozinha. – deu de ombros.
Um grande sorriso se abriu nos lábios de Felicity.
– Você é incrível! – exclamou, começando a se servir. – Ninguém nunca fez café-da-manhã para mim, só a minha mãe e isso significava colocar o cereal e o leite na tigela. – tagarelou, começando a se servir também.
A mão esquerda de Oliver repousou sobre as costas dela, marcando um pouco do seu território. O rosto dela se virou em direção ao dele, com um sorriso brilhante, e encontrou um par de olhos encarando-a intensa e apaixonadamente.
– De todas as pessoas que eu conheço, você é a que mais merece isso. – murmurou, apertando a mão em sua cintura.
Aquele olhar, aquela sensação de preenchimento, sua mente voltou algumas horas no passado, uma das lembranças da noite.
"- É tão estranho. – os olhos de Oliver estavam focados no vidro, enquanto Felicity estava encantada com o jeito espontâneo de Oliver.
Roy havia sido completamente esquecido por ambos.
– O que? – perguntou, dirigindo o olhar até o aquário.
– Os tubarões dormem flutuando... – um sorriso se abriu nos lábios dela. – eles não sobem, nem descem. Ficam ai, parados. – o homem tomou mais um gole de sua garrafa de vodca, faltava pouco para essa acabar.
– Acho que porque eles são peixes, Ollie... – quando notou que havia o chamado pelo apelido, completou rapidamente. – ver.
Oliver gargalhou e passou o braço pelos ombros de Felicity fazendo o corpo da mulher se aquecer e seu coração acelerar, se sentia como uma adolescente. Não como a adolescente que fora, como aquelas que apareciam nos filmes.
– Você pode me chamar de Ollie, se quiser, sabe disso, não é? – a mulher franziu o nariz.
– Eu não quero te chamar de Ollie, é tão... — interrompeu-se ai, não queria dizer Sara, o clima estava bom e ela não queria quebra-lo.
– Tão o que? – respirou fundo.
– Era com Sara te chamava. – os braços se Oliver se apertaram ao redor da loira, como se quisesse protege-la.
E era exatamente isso, queria protege-la da dor que aquela morte havia causado em ambos.
– Ei, Sara não se importaria. – murmurou o homem. – Mas, tudo bem.
– Eu sei.
A mulher se aconchegou nos braços de Oliver, encarando os peixes a dormir. A sensação de estar completa a preenchia como nunca preenchera antes."
– Que horas vamos visitar Roy? – perguntou a mulher, antes de colocar um pedaço do waffle com chocolate na boca.
Vamos visitar Roy? Ele gostava de como isso soava.
– Depois do café, o que acha? – ela assentiu, estava com a boca cheia. – Mas acho que preciso passar em casa primeiro, ainda estou usando as roupas de homem. – murmurou, olhando para si.
– Eu te levei para casa, mas você perdeu suas chaves e a sua capacidade de andar, não tive muita escolha. – deu de ombros. – Não acho que eu ia acordar a sua irmã as sete da manhã para deixar você em casa. – os olhos do homem arregalaram.
– Nós voltamos as sete da manhã? – ela assentiu novamente.
– Eu já suspeitava que você não ia lembrar de muita coisa. – deu de ombros. – falando nisso, que horas são? – franziu o cenho, e tomou um gole de seu café.
– São... – o homem olhou em seu relógio de pulso. – Duas e meia da tarde. – a boca da loira se arreganhou.
– O que? Já são duas e meia? E A GENTE AINDA NÃO VISITOU O ROY! – exclamou, preocupada e culpada.
Praticamente enfiou o resto do waffle na boca e tomou o resto do café em um só gole.
– E ainda temos que passar no seu apartamen... – ela se levantou e a dor em suas costas a interrompeu. – AI! – os olhos de Oliver se estreitaram.
– Você está bem? – Felicity assentiu. – O que você está sentido? – um suspiro pesado saiu de seus lábios.
– Só foi uma dor na coluna, nada de mais. – disse recobrando a postura.
Então, Oliver se lembrou imediatamente.
– Claro! – exclamou. – É óbvio que você vai ter dor na coluna dormindo naquele sofá... – apontou para o objeto com o dedo. – Era para você ter dormido na sua cama e eu ficado ali. – cruzou os braços, como uma criança mimada.
– Ah, Oliver! – irritou-se. – Você não estava em condições de decidir, e dormir ali é, definitivamente, bem menos doloroso para mim do que para você. – imitou a posição do homem.
– Mesmo assim, é a sua casa! – resmungou. – Eu posso muito bem dormir no chão e isso não vai fazer diferença nenhuma. Pra você faz!
– Que se dane isso! – Oliver se assustou. – Não quero brigar com você. – suspirou pesadamente e passou a encarar os pés. – Já aconteceu e brigar não vai mudar nada.
Oliver tinha que concordar com isso. Não havia motivo para tanta reclamação. Então, impulsivamente, abraçou-a fortemente, enquanto um grande sorriso tomava conta de seus lábios. Felicity retribui o abraço, enquanto abria o mesmo sorriso, as últimas lembranças da noite invadindo a sua cabeça.
"A mulher fizera um esforço quase sobre-humano para levar Oliver até o seu quarto e jogá-lo na cama. Oliver não estava um pouco bêbado, ele estava completamente bêbado. E precisou ajuda-lo a retirar os sapatos, porque ele não lembrava bem como fazia.
– Felicity, você é um anjo. – murmurou de forma arrastada.
– Obrigada. – sussurrou baixinho, passando a mão sobre a bochecha do homem. – Você vai ter uma péssima ressaca quando acordar. — sua voz continuou baixa.
– Não se incomode com isso, eu me divertir essa noite como a muito eu não me divertia. – sussurrou. – E preciso confessar uma coisa.
– Confessar? – franziu o cenho, parando de acariciar o rosto do homem, porém, manteve a mão no local.
– Eu vi o seu beijo com Ray. – murmurou baixinho. – Eu ia atrás de você, ia te dizer que preferia que queria você comigo, e encontrei vocês se beijando. – os olhos dela se fecharam fortemente.
– Eu e Ray, a gente não tem nada e... – Oliver sorriu.
– Eu sei. – seus olhos se arregalaram.
– Sabe? – ele assentiu.
– Eu perguntei e você me disse. – murmurou. – Você não lembra porque estava com muito sono. – deu de ombros. – E depois disse que eu fui o melhor beijo da sua vida. É por isso que eu sei do seu beijo com Barry, você também me falou isso. – a mulher fechou os olhos.
– Eu tenho que parar de falar tanto. – suas bochechas ficaram vermelhas.
– Eu gosto quando você fala. – sussurrou antes de bocejar. – É um dos motivos de eu gostar tanto de você.
A mulher afagou novamente o rosto do homem, enquanto ele, aos poucos, sua respiração foi ficando mais tranquila, entrando no mundo dos sonhos. Quando achou que estava segura, a mulher encostou seus lábios levemente nos deles.
– Eu te amo. – murmurou."
– Eu vou trocar de roupa. – disse, soltando-se calmamente do abraço.
(...)
– Estou tão feliz que você esteja bem. – a mulher parecia radiante agora que via Roy em recuperação.
– Eu estou ótimo. – deu de ombros. – Quer dizer, estou ótimo graças ao Barry, ele foi rápido o bastante para me tirar das chamas do lança-chamas. – Felicity sorriu ternamente.
– Esse foi o nome que Cisco deu a ele? – tanto Oliver quanto Roy assentiram.
– Eu vou pegar alguma coisa para comer... – Felicity quase riu quando Oliver se pronunciou. Ela ainda lembrava de comer bastante durante uma ressaca na faculdade. – Vocês querem? – seu olhar parou sobre Felicity, como se perguntasse diretamente para a loira.
– Não, obrigada. – respondeu, ao mesmo tempo que Roy negava com a cabeça.
– Volto já. – o homem disse, antes de sair.
Roy esperou alguns segundos depois do homem passar pela porta, para virar seu corpo em direção a mulher e sorri amarelo.
– Desembucha garoto. – resmungou.
– Vocês estão oficialmente juntos ou coisa do tipo? – um sorrisinho triste apareceu em seus lábios.
– Não. – suspirou. – Só amigos.
– Não é o que parece. – disse o garoto, observando os tristes olhos azuis. – Sabe Felicity, porque, simplesmente, não o beija e diz o que sente? – perguntou um tanto indignado. – Todo mundo sabe que Oliver é louco por você. – bufou irritado. – A escolha sobre a sua proteção deveria ser sua, não dele.
Felicity iria retrucar. Ela queria retrucar.
Ele tem razão! Eu não sou nenhuma garotinha, nenhuma criancinha para que Oliver decida o que eu quero da minha vida.
– Você tem razão.
(...)
Quando Felicity estacionou o carro em frente ao prédio onde Oliver morava, o silêncio finalmente chegou. Mais uma vez, nenhum deles queria deixar o outro, todavia, nenhum deles tinha coragem de falar nada, nem para se despedir ou para impedir que houvesse a despedida.
A mente de Felicity gritava para que ela tomasse uma providencia, ela não podia ficar nessa briga interna pro resto da vida, não podia ter medo de ser rejeitada, não podia ter medo como uma mocinha do século XVIII. Ela era uma mulher adulta. Uma mulher adulta e forte o bastante para admitir para um homem o que sentia. De dizer como se sentia.
A mente de Oliver estava uma bagunça completa. Haviam tantas coisas para serem ditas, e tão pouca coragem para coloca-las para fora. Ele sabia que não era nenhum medroso, porém, colocar tudo aquilo para fora, seria aceitar a possibilidade de colocá-la em perigo e isso era assombroso.
– Felicity... – a mulher, que antes tinha o olhar sobre a direção, virou o rosto em sua direção. – Eu preciso de perguntar uma coisa. – uma mão foi levantada, a mão dela.
– Espera... – respirou fundo. – Eu preciso te contar uma coisa antes que eu perca a coragem. – com um longo suspiro, iniciou o discurso. – Você vem me dando sinais. Eu não sei se esses sinais são realmente o que eu acho que são, mas, de todo jeito, você vem demonstrando certas coisas.
"Você me disse para não dizer que você não me ama. Depois disse que eu sabia como a sua pessoa sente pela minha e também tem todo o ciúme que muitas vezes, pode-se notar, sem falar que o que você me confessou o que estava bêbado! Nem me pergunte o que foi! Só que você não pode ficar comigo porque eu vou estar em perigo e bem, da última vez que eu chequei, eu já sou grande o suficiente para tomar as minhas decisões, então, isso significa que eu quem devo decidir se quero ou não ficar com você!
Terminou o discurso com o coração batendo forte e as bochechas bem vermelhas. Oliver reprimia um grande sorriso nos lábios.
– Você tem razão. – apesar de se esforçar, um pequeno sorriso se formou em seus lábios. – Então, acho que você tem uma decisão importante a fazer. – um sorriso delicado iluminou o rosto da mulher.
– Vejo você mais tarde. – esticou seu corpo, beijando levemente a bochecha do homem.
– O que isso significa? – perguntou Oliver, surpreso.
– Se eu te dissesse, iria perder toda a naturalidade da coisa. – cruzou os braços. – Minha resposta está tão implícita quanto a sua. – piscou.
– Eu acho que eu não entendi. – franziu o cenho.
– Não quero força a barra. – admitiu. – Vamos devagar. – deu de ombros.
– Certo. – ele já sorria abertamente. – Isso significa que posso te chamar para jantar comigo?
– Não! – exclamou, apressada. – Isso seria, definitivamente, forçar a barrar. – sorriu largamente.
O olhar do homem demonstrava toda a sua surpresa e indignação.
– Sabe o que não seria força a barra? – o homem levantou uma sobrancelha, indagativa. – Comer um Big Belly Burguer após combater o crime.
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