Take me Home - Um Amor Pra Toda Vida

1 Capítulo 1 - Londres: Um retorno ao passado


Rio de Janeiro, 20 de dezembro 2027.

Meu nome é Carolina, mas todos me chamam de Doutora Carolina, tenho 35 anos e estou arrumando minha bagagem. Após 15 anos, chegou o momento de encarar meu passado, não tem mais como fugir, Edward me cobra sua história já faz tempo.

Edward é meu filho, tem 15 anos, é um menino inteligente, lindo.... lindo como o pai. Seus olhos verde-azulados me encantam e não me deixam esquecer de seu pai por um dia sequer em todos esses anos. Estamos indo para Londres, é lá que preciso ir para contar a nossa história, a história dele. Eu devo isso ao meu garoto.

Tudo pronto, Edward já me espera ansioso na porta de casa.

– Vamos logo, mãe!!! O táxi já chegou. – Edward fala, já carregando as malas.

– Estou indo, já está tudo pronto, amor. – Falei apressada.

Já no aeroporto, fizemos o check in.... ainda faltavam duas horas para o voo. Foi então que mergulhei em pensamentos e comecei a relembrar e reviver tudo novamente...

FLASHBACK ON

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2011.

Não cabia em mim de tanta felicidade.... Londres!!! Que maravilha!! Minha irmã já morava lá há dois anos e somente agora nós iriamos visitá-la. Ela estava grávida e minha sobrinha iria nascer após o Natal. Claro que meus pais iriam para lá. Minha irmã, Kelly, era casada com um médico e eles estavam felizes com o nascimento da primeira filha. Passaríamos o Natal e esperaríamos o nascimento da bebê. Após a virada do ano, meus pais voltariam para o Brasil e eu iria ficar, por um ano, para aperfeiçoar meu inglês e dar uma ajuda para a minha irmã com a bebê (não sei nada sobre bebês – medo).

Aos 19 anos tudo é maravilhoso, tranquei minha faculdade e aceitei o convite de dar um "tempo" em Londres. Enquanto eu me arrumava para a viagem, meus pensamentos estavam a mil, imaginando tudo que eu queria fazer lá.... Nossa, tinha tanta coisa. Mas, tudo bem, eu tinha um ano. Enquanto estava perdida em pensamentos, meu telefone toca:


– Alô. – falei.


– Aiiiii, Carol, tu tem certeza mesmo que vai ficar lá um ano.... você não pode fazer isso comigo, por favor, volta com seus pais!!! – Falou praticamente chorando, minha melhor amiga Ana.


– Não dá, eu quero muito ir! – Falei pela centésima vez pra ela que não parou de choramingar desde o dia que contei pra ela que iria viajar.


Eu e Ana éramos amigas desde sempre. Estávamos sempre juntas. Sem dúvida eu sentiria muita falta dela.


– Aninha, é só um ano. Passa rápido, tu vai ver. – Eu tentando consolá-la.


– Eu sei, só liguei pra me despedir e dizer que já estou morrendo de saudades, te amo, muuuuito. – Nesse momento ela chorava muito.


– Também te amo, amiga. – Falei, começando a chorar também.


Logo que desliguei o telefone, minha mãe chamou:


– Carol!Vamos ou você resolveu ficar?


– Londres, me aguarde! – falei, correndo com as malas.


A viagem foi tranquila. Coloquei os fones de ouvidos e escutei minhas musicas favoritas, logo adormeci, acordei já em Londres.


– Carol, chegamos. – falou meu pai – Como você consegue dormir tanto tempo?


Acordei, nem sabia onde eu estava... ah, sim! Londres! Uau!


Minha irmã e meu cunhado estavam a nossa espera. Beijos e abraços pra todo lado.


– Nossa Kelly, a tua barriga está enorme, que gorda! – falei sem pensar.


– Alouuu! Carol, eu estou de nove meses! Kelly falou.


Todos riram e fomos em direção ao carro do meu cunhado, não via a hora de andar pela cidade.


No caminho da casa de Kelly passamos por lugares incríveis, me senti dentro de um sonho, e que sonho maravilhoso.


Chegamos em um condomínio de luxo, fiquei apavorada com as casas que tinham lá, eram incríveis, uma mais linda que a outra.


–Putz! Você mora aqui, Kelly? – perguntei de boca aberta.


– Claro, gostou??? – Kelly respondeu.


Mas, chocada mesmo eu fiquei quando chegamos na casa dela. Era o máximo! Eu sabia que minha irmã estava bem financeiramente, mas não imaginava o quanto até ver a casa.


– Minha nossa, é aqui que vou morar por um ano??? Falei pra mim mesma, todos a minha volta começaram a rir.


– Eu acho que vou mudar de idéia, não vou mais deixar você ficar aqui. Vai ficar muito mal acostumada. – Meu pai falou brincando.


– Daqui ninguém me tira. – Entrei correndo naquela casa maravilhosa.


– Parece uma caipira, não vai me fazer passar vergonha, heim!! – Minha irmã falou rindo de mim.


– Onde eu vou dormir, Kelly? Perguntei.


– Teu quarto é o último do corredor, vem que eu te mostro. Kelly pegou minha mão e me levou até o quarto e avisou:


– Eu sei que você ama música, apesar das casas aqui serem enormes, elas são muito próximas umas das outras, procure não ouvir som muito alto aqui no quarto. Os vizinhos podem reclamar, quando você quiser ouvir som bem alto, vai lá pra sala, tem um aparelho ótimo e tem proteção para som. Tem uma sacada aqui e deixa sempre fechada que ela é praticamente colada à sacada do vizinho. Mas é uma familia bem legal, logo você vai conhecer. Kelly falou e saiu do "meu quarto".


Que bom eu já tinha um quarto naquela casa maravilhosa, e qual é a primeira coisa que fazemos quando entramos num quarto novo?? A cama, é claro que tenho que experimentar. Me atirei, delícia. Fechei os olhos sentindo a maciez do colchão, até que percebi vozes.


As vozes estavam muito próximas, parecia dentro do meu quarto. Conversas, músicas, risos.


– Eu tenho que respeitar os vizinhos.... mas e eles? — pensei — Se eu quisesse dormir agora já não poderia, tava bem movimentado. Não aguentei a curiosidade e fui me aproximando da sacada. Demorei pra me orientar, eles falavam inglês (óbvio, ne?). Comecei prestar atenção e fui entendendo tudo o que falavam ( fiz inglês desde pequena e sabia falar bem. – Uau, não imaginava que eu estava tão bem no inglês, ia ser molesa meu curso de aperfeiçoamento). Voltando as conversas que ouvia, os assuntos eram faculdade, meninas, música, meninas, balada, meninas.



A curiosidade foi mais forte que eu. Abri a cortina e a porta e saí pra sacada. Se arrependimento matasse, eu tinha caído durinha. A sacada da outra casa era colada na minha. E ali estavam cinco... nem um, ou dois, ou três, ou quatro... mas cinco meninos lindos. Lindos não, perfeitos. Meu Deus!!! Será que em Londres todo mundo é perfeito assim???