Take My Breath Away
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Mais tarde naquele dia, Derek e Meredith voltaram junto às crianças para sua casa na floresta. Por mais que odiassem, Daniel passaria a noite com o Serviço Social, e seria discutido no dia seguinte o que seria feito quanto a ele — o tempo que o casal precisaria para decidir se iriam ou não o adotar.
Derek não falava praticamente nada, não desde o momento que quebrou nos braços de Meredith. Era como se estivesse envergonhado, não conseguia encará-la, nem mesmo quando se comunicavam.
"Por que estar tiste, papai?" A menina perguntou, fazendo olhos de cachorrinho.
"Papai não está triste, lovebug. Papai está apenas... Pensativo" ele sequer conseguia encarar sua própria filha.
"Um abaço te fará melhor?" Ela continuou a perguntar.
Ele tentou sorrir com a meiguice de sua filha. "Hm, acho que não, Zo"
"E um beijo?"
Ele tomou uma respiração profunda e gritou para sua esposa, quem estava bem ao seu lado: "Meredith, leve-a para outro lugar" demandou.
Se não fosse pelo tom de raiva em sua voz, Meredith não o teria obedecido, mas não queria fazer sua filha de testemunha de uma longa discussão com ele. Pegou-a em seus braços e levou-a para o quarto de seu irmão, quem brincava silenciosamente dentro de seu berço.
Zola tinha lágrimas formadas nos cantos de seus olhos "Moma, eu fiz algo elado?"
Meredith franziu sua testa e colocou a criança em uma pequena cama ali presente. "Não, lovebug. Por que, você acha que fez algo errado?"
"Papai está blabo comigo. E papai nunca fica blabo comigo"
"Oh querida" ela se sentou ao seu lado. "Não, papai não está bravo com você. Ele está apenas... Com um pouco de dor"
"E por que ele glitou com você? Sofia disse que se uma pessoa ama outla, não pode glitar com ela"
Meredith engoliu um seco. Como ela deveria responder isso? "Bem, Sofia está certa. Você nunca deve ficar com uma pessoa que grita consigo, mas papai ama a mamãe. E acima de tudo, ele ama a Zola e o Bailey"
"Papai ama Zola e Bailey?"
"Sim, papai ama Zola e Bailey, muito. Mais que qualquer outra coisa"
A criança abriu seus pequenos braços. "Desse tanto?"
Riu. "Sim, desse tanto" sorriu com a inocência de sua filha. "Agora, que tal nós tomarmos um banho para podermos assistir um filme depois?!"
"Yay! Filme!" mal deixou sua mãe terminar de falar e saiu apressadamente para o banheiro.
Meredith levantou-se para segui-la, mas resolveu falar com seu marido antes. E para sua surpresa, encontrou-o com uma lata de cerveja na mão. "Por que você já está bebendo? As crianças nem foram para a cama ainda"
"Eu não me importo" ele resmungou.
"Você não se importa? Eles são seus filhos, Derek"
"Enquanto você estiver sóbria, Meredith, eles ficarão bem. E, eles devem ficar longe de mim, senão acabarei matando-os também”
Ela, com raiva, simplesmente arrancou a lata de cerveja de sua mão, antes de começar a dar-lhe um sermão, em voz baixa, para que seus filhos não a ouvissem: “Ok, este seu pequeno ato depressivo termina agora. Você não pode falar isso, sentir-se culpado e tal quando ainda tem dois-três filhos que dependem totalmente de você”
“Meredith, apenas me devolva minha cerveja”
“Não, eu ainda não terminei. Eu sei que você está passando por algo agora mas não pode se tornar dark e twisty quando sua família depende de você”
“Devolva-me, Meredith!”
“Eu não vou devolver-lhe pois recuso-me a viver com um alcóolatra!”
Ele não sabia se era a raiva que sentia de sua esposa naquele momento, ou do álcool já presente em seu organismo, ou uma combinação de ambos, que o fez fazer algo que provavelmente se arrependeria para o resto de sua vida: agarrou-a pelos braços e prendeu seu corpo contra a parede, fazendo-a bater sua cabeça fortemente. “MEREDITH! QUAL É A MERDA DO SEU PROBLEMA? VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR A PORRA SOZINHO POR ALGUNS MOMENTOS?”
Meredith sentiu as lágrimas chegarem a seus olhos, além da dor vinda da parte de trás de sua cabeça. “Derek! Me solte! Você está me machucando!”
“VOCÊ É UMA VAGABUNDA QUE NÃO CONSEGUE LARGAR O MARIDO POR DOIS MINUTOS, POR ACASO?”
“Derek!” ela gritou seu nome uma outra vez, tentando desesperadamente escapar de seu aperto, mas seus braços a seguravam fortemente, os mesmos braços que antes lhe ofereciam conforto.
Só então ele percebeu a dor que estava causando à sua mulher, à mulher que tanto amava. Rapidamente a soltou e deu um passo para atrás, encabulado com si mesmo. “Meredith, eu-eu sinto muito. E-eu não que-ria te machucar”
Derek tentou tocá-la mas ela se esquivou completamente, tendo as lágrimas correndo em peso a esse ponto. “Quem é você?” sua voz não passava de um sussurro, mas ainda assim ele era capaz de escutá-la. “O Derek que eu conheço, que eu casei, jamais colocaria suas mãos em uma mulher, especialmente em sua esposa. Quem é você? Eu não te conheço mais”
A verdade era que ela estava com tanto medo de seu próprio marido que não sabia se conseguiria ficar em um mesmo cômodo que ele. Portanto, virou-se para ir embora, quando viu a última coisa que imaginou ver, que queria ver. “Zola”
Meredith podia ver o medo em seus olhos, seu medo refletido nos olhos de sua filha. Nem se preocupo em limpar as lágrimas que escorriam por suas bochechas ao seguir em sua direção, uma de suas mãos no local da pancada, certificando-se que não havia nenhum ferimento grave, que para seu alívio, não havia, ou ao menos assim aparentava. “Vá pegar suas coisas que nós vamos sair de casa por um tempinho”
A menina fez como lhe foi dito, dando tempo a sua mãe para que fosse pegar seu outro filho, embora isso não significasse que Derek estivesse de acordo com ela. “Meredith, você não pode sair de casa. Eles são meus filhos também, você não pode leva-los”
Ela fungou o nariz, na tentativa de parar de chorar, para que parecesse forte para sua filha, embora naquele exato momento ela se sentia qualquer coisa menos forte. “Eu estou apenas fazendo o que é melhor para eles, Derek”
“Como tirá-los de sua casa pode ser o melhor para eles?”
“Zola acabou de te ver me machucando! Isso não podia nunca acontecer! Essa não é a visão do mundo que eu quero deixar para ela! Não é a visão do amor! Um minuto eu lhe digo que você nos ama acima de qualquer outra coisa, e no outro... e no outro você me pressa contra uma parede, desculpe-me mas eu acredito que o melhor para nossos filhos e para mim nesse exato momento é ficar longe de você”
Ela pegou Bailey em seus braços e deu a mão para Zola, antes de sair de casa, ignorando os apelos de Derek para que ela voltasse.
A viagem até o hotel foi extremamente silenciosa. Meredith ainda podia sentir uma ou outra lágrima cair de seu olho, porém não na mesma intensidade de antes. Pelo espelho, podia ver seu filho dormindo pacificamente, mas o que a preocupava era o olhar apavorado ainda estampado no rosto de sua filha. Ela não sabia o que dizer para fazê-la melhor.
“Zola?” ela clamou seu nome, embora não obteve uma resposta. “Zola, por favor, fale comigo”
“Você disse que ele nos amava, moma” a menina sussurrou. “E quando se ama alguém, você não a machuca”
Meredith tomou uma respiração profunda, e sem ter nenhuma luta sobrando dentro de si, respondeu: “Eu acho que a mamãe estava errada, lovebug”
Pôde ouvir um soluço escapar de seus lábios e sentiu seu coração quebrar. Nunca imaginou que a família que amava tanto se despedaçaria assim tão bruscamente. Nunca imaginou que sua vida seguiria o caminho de fugir de um marido abusivo no meio da noite. Nunca imaginou que Derek se tornaria um marido abusivo.
Deu graças quando avistou o hotel se aproximar. Tirou as duas crianças do carro e registrou-se no hotel. Não levava nada consigo, além de uma mochila que continha apenas os itens necessários para seus filhos.
Seguiu para seu quarto, onde deitou Bailey na cama, colocando travesseiros ao seu lado para que ele não caísse. Zola ainda estava em um silêncio absoluto, o que preocupava Meredith extremamente. Sua filha nunca foi calada assim.
“Lovebug, por favor, fale com a mamãe. Eu posso te ajudar”
Porém a criança continuou em silêncio, entretanto, desta vez, dirigiu-se até o colo de sua mãe e passou seus bracinhos ao redor de seu pescoço. “Eu te amo, Zozo. Eu sei que você está provavelmente confusa e aterrorizada neste momento mas mamãe te ama muito”
Ela a sentiu balançar sua cabeça em seu colo e continuou a falar: “Mamãe vai te proteger, mas por favor, fale comigo”
E surpreendentemente, ela começou a falar, embora as palavras que saíram de sua boca jamais passariam pela mente de Meredith. “Mas quem te plotegela, moma?”
E ela não sabia o que dizer. “Eu não sei, meu amor.” Confessou, segurando-a ainda mais fortemente em seus braços.
Zola deixou um bocejo escapar de sua boca. “Eu te amo também, moma. A gente pode dormir agola?”
Meredith simplesmente balançou a cabeça, colocando-a gentilmente na cama, logo deitando ao seu lado. E lá, ela assistiu suas duas crianças dormirem pacificamente por alguns longos minutos, apenas pensando na reviravolta que sua vida tinha tomado em questão de segundos.
Não tendo mas nenhuma força sobrando em seu corpo, fechou seus olhos e entregou-se a exaustão. Abraçou seus filhos fortemente e chorou lágrimas silenciosas até cair em um sono profundo.
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