Take Me To Church

1 Take Me To Church


Take Me To Churs

Será ser possível poder viver em verdadeira paz neste mundo?

Será ser possível poder viver da forma que se quiser neste mundo?

Será ser possível poder amar quem se quiser neste mundo?

Quando eu o via era como ter um vislumbre do paraíso, o meu paraíso era estar com ele, viver com ele e sonhar com ele.

O tempo passa bastante rápido quando estamos ao lado de quem amamos.

Queria ter passado muito mais tempo com ele, do que realmente passei, gostaria de tê-lo o abraçado mais, queria tê-lo o beijado mais.

Beijar-lhe os lábios, era a melhor sensação de todo o universo, seus lábios não eram leves e frágeis, eles eram pesados e experientes, ele sempre sabia o que estava fazendo e o que queria fazer, ele sempre soube.

Seu pai sempre nos apoiou, ele nunca ficou contra nós, ele nunca ficou contra nosso amor. Porém ele temia, temia por nós dois, por nossas vidas, temia a indiferença e preconceito que ainda assolava a pequena cidade onde vivíamos. Infelizmente, demoramos demais para nos preocuparmos com os constantes pedidos emocionados que ele nos fazia.

Como queria tê-lo o ouvido há tempo, porém, quando infelizmente percebemos, já era tarde demais.

Rezei, porém nenhuma prece foi atendida, as paredes do meu quarto ainda guardam as preces emocionadas que fiz.

Minha igreja fala de salvação, mas não a ofereceu a ele. As igrejas estão cheias de verdades fictícias, sorrisos mentirosos e falsos cristãos.

Rezei como um cachorro, pedi e implorei, na minha vida pensei que quem mandava era eu, por favor meu Deus, eu só queria que me deixasse viver em paz.

Nossas lembranças eles as queimaram, ele as desenterrou junto com nossa caixa de memórias, pensando que finalmente iriámos embora, da cidade que no futuro se mostrou ser nossa perdição, pensando que finalmente saberíamos o que significa a verdadeira paz, que pedíamos e rezávamos.

Rezei como um cachorro, pedi e implorei, na minha vida pensei que quem mandava era eu, por favor meu Deus, eu só queria que me deixasse viver em paz.

O procurei na sua casa, mas ela estava em pedaços, seu pai estava morto no chão, a sentença a ele também foi dada, apenas por ter nós ajudado, por ter nós protegido, por ter nós aceitado.

O estabulo estava em chamas, os cavalos fugiram, fizeram exatamente o que deveríamos ter feito, fugir ao primeiro sinal de indefensa, eu sei que esse pensamento não é correto, fugir, então nós esperamos, fingíamos que tudo estava bem, queríamos acreditar na bondade da humanidade.

Como estávamos errados, gostarei eu de perceber isso há tempo.

Rezar nada mudou, eles o levaram, o arrastaram, o puxaram pela camisa, as marcas de seus pés ficaram como a prova no chão. Corri o mais rápido que pude, segui sua trilha, ouvi seus gritos, enquanto o céu escurecia, e ao longe fumaça surgia no céu.

Não queria acreditar, como ainda existiam pessoas tão arcaicas, antigas e descrentes.

Era apenas amor, simples e calmo. Era apenas amor.

Rezei como um cachorro, pedi e implorei, na minha vida pensei que quem mandava era eu, por favor meu Deus, eu só queria que me deixasse viver em paz.

O cheiro ficou mais forte, podia sentir o calor, a fogueira transcendia os padrões normais. O que eles achavam? Que erámos pecadores? Satânicos? Bruxos? Não, nós simplesmente, nos amávamos.

Eu gostaria de tê-lo o encontrado vivo e bem, ainda queria acreditar na bondade e na compreensão, porém, eu podia ouvir as vozes, ouvia gritos e ouvi comemorações. Escondido atrás de uma grande árvore, e eu os vi, eu o vi, ele também estava lá. Queimando.

Amarrado e amordaçado, foi assim que eles o jogaram na fogueira, eu o ouvi gritar, e não consegui ajudá-lo, não podia, não queria acreditar, que as pessoas que nos viram crescer, que foram nossos amigos, tinham o jogaram vivo naquela fogueira, e ele queimou, gritou, implorou, e rezou, porém, nada adiantou, nenhum Deus veio o ajudar, ninguém além de mim o viu queimar. E no fim ele morreu.

Eu o adorei como um cachorro em seu santuário de mentiras, confessei meus pecados, querido Deus, eu só queria viver em paz...

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