Take Me
5 Convivendo com filhos da P***.
Notas iniciais
acho que não demorei, certo?
então espero que gostem.
Boa Leitura.
Pov. Marie Zoey Somerfeld (Mazzy).
— Relaxa mãe. — disse calma enquanto prendia meus cabelos num rabo de cavalo bagunçado. Ela me encarou indignada.
— RELAXA? COMO ASSIM, MARIE? EU QUERO SABER! COMO VOCÊ ESTOUROU O 3º CARTÃO DE CRÉDITO? — gritou andando de um lado para o outro com as mãos na cabeça. Minha nossa, como odeio que me chamem de Marie. Urgh.
Tentei pensar numa desculpa rápida e que fizesse sentido.
— Poxa mãe, eu precisava comprar os livros para o colégio. E você sabe que aquelas porras são caras pra caramba. — disse levemente corada. É, eu ficava assim as vezes, quando estava nervosa ou mentindo descaradamente.
— AH SIM, VOCÊ COMPROU LIVROS NUM LUGAR CHAMADO JOHNNY'S BAR? — retrucou com um sorriso quase que demoníaco. Ih, carai. Ela pegou o boleto. Eu havia estourado o cartão comprando as bebidas para a última festa do Thales. — VOCÊ ESTÁ DE CASTIGO, MARIE, E VAI ARRUMAR UM EMPREGO PARA ME PAGAR ESSAS CONTAS, OK? OU VOU TE MANDAR PARA CASA DA SUA VÓ DE NOVO! — ameaçou enquanto eu caminhava para a cozinha. Me virei imediatamente quando ela terminou de falar.
— Você o quê? Vai me deixar de castigo e ainda vai me forçar a arrumar um emprego? Você está ficando louca, Srª Somerfeld? É isso? Não se esqueça que eu tinha direito a parte da herança do papai, a qual você enfiou na bunda comprando um apartamento para aquele seu amante. — cuspi as palavras já com raiva. Eu realmente odiava minha mãe.
Sua reação foi mais do que esperada. Um belo tapa na minha cara.
Ela sempre respondia com agressão quando percebia que não conseguiria responder com palavras, já que sabia que eu estava certa.
— É MESMO? VOCÊ NÂO VAI FICAR DE CASTIGO? QUE TAL EU VENDER SUA GUITARRA, HEIM? E AINDA BLOQUEAR TODOS OS CARTÕES DE CRÉDITO E TE IMPEDIR DE FAZER COMPRAS EM MEU NOME? — disse exasperada. Massageei meu rosto, onde provavelmente as marcas dos dedos dela haviam ficado. Não desfiz o sorriso sarcástico, estava acostumada a apanhar dela.
— Se você vendesse minha guitarra, eu venderia essa merda de apartamento que está no meu nome e sumiria no mundo. — constatei confiante em minhas palavras. Ela me fitou séria.
— Por que você não faz isso logo? Você é uma decepção, Marie. Seu pai morreu por sua causa. Ele morreu de desgosto por ter uma filha tão hipócrita, irresponsável e vadia. Anda, vende essa casa. Assim eu me livro logo de você. — finalizou com sua melhor expressão superior. Por um momento eu parecia sentir uma faca em meu peito, aquelas palavras baixaram minha guarda. Ela havia falado no nome do meu pai.
— É me-entira. — balbuciei com os olhos marejados. Não era verdade. Não podia ser. Peguei minhas coisas e subi as escadas correndo, a única coisa que eu queria fazer é ficar longe dela. Entrei no meu quarto e bati a porta com força.
Ela não pode me tratar desse jeito. Quem ela pensa que é, uh? Eu vou tornar a vida da dona Sarah um inferno. Ou não me chamo exterminadora-de-mães-arrogantes-que-só-prestam-para-incomodar-filhas-não-muito-inocentes.
(...)
Acordei assustada com a introdução de Master Of Puppets.
— Quem é? — perguntei ao atender a merda do celular escandaloso.
— Você podia ser mais educada comigo, né amor? — abri os olhos, fechando-os logo em seguida por causa da maldita luminosidade. Eu vou ter que dar um jeito nessa janela, cara. Arrumar umas fitas isolantes, sei lá. Talvez fitas que me isolem permanentemente do mundo seriam, de fato, muita úteis.
— Quem é, caralho? — perguntei de novo, pois o número era desconhecido e eu não reconhecia essa voz.
— Poxa Mazzy, assim você me magoa! É o Jimmy, porra. — revirei os olhos. Como diabos eu iria adivinhar, sendo que nem ao menos sabia que ele tinha o meu numero? Vejam só.
— Como conseguiu meu número? — me espreguicei na cama, olhando para o teto. Garanto que minha voz deve estar rídicula e rouca, porque quando acordo, ela se rebela contra mim. O que será de mim como cantora?
Escutei um barulho estranho do outro lado da linha e um breve silêncio.
— Eu passei seu número pra ele! — uma voz feminina surgiu. Franzi o cenho. Essa voz eu conhecia. Muito bem, aliás.
Infelizmente, devo acrescentar.
— Julian? O que você faz aí? — perguntei confusa, ela gargalhou com a minha surpresa.
— Ué, te procuramos hoje no intervalo pra chamar você pra vir junto, mas você sumiu garota. Onde estava? — perguntou autoritária. Bufei. Ela podia ao menos perguntar com delicadeza já que se tratava da MINHA VIDA PESSOAL, obrigada.
— Eu estava... Hm, eu estava com o Brian. — disse apenas já imaginando a careta que ela deve estar fazendo neste exato momento.
— Você estáva com o Brian? Fazendo o que? Quero dizer, como assim? Vocês estão... Ficando? — perguntou num tom estranho e ouvi um chingamento de Jimmy. Essa é minha melhor amiga. Imagina então o que ela fala quando eu acho um garoto bonito! "Cara, vou lá pedir se ele quer casar com você". Vocês nem imaginam o quão possível isso é.
Fuck.
— Não July, a gente só estava fumando no pátio dos fundos. Eu ainda não entendi o que você está fazendo com o Jimmy. — expliquei ouvindo um "Ah" em resposta. Ou eu estou muito desatualizada, ou os meus amigos estão também socializando mais do que deviam com novatos de rostinhos bonitos. E a grande notícia ruim: Eles pareciam estar gostando.
— Eu e Rev estamos aqui no shopping, e você vai vir também. Os garotos virão. Todos virão. — Disse animada.
Suspirei. Eu não estava nem um pouco afim de sair, mas July não se convencia com desculpas baratas. E é óbvio que eu sempre sou a contrariada no grupo mais-que-de-mais de "novos amigos". Muito irônico.
— Você sabe como odeio shoppings e... A Tayloree está com meu carro. Ou seja, acho que vou ficar por aqui mesmo... — sorri para o nada com a linda e sincera desculpa que, de fato, lembrei de usar.
— Ah, não se preocupe! Brian vai passar aí pra te pegar, desconfio que seja nos dois sentidos da palavra. — Disse rindo. Olhei para o celular como se estivesse olhando para a cara malígna da July e xinguei mil nomes possívelmente considerados os mais obscenos que uma garota experiente (ou não) de 16 anos possa conhecer.
— July. Sua. Vadia. Eu. Não. Vou. Morra. Com. Toda. A. Sua. Mais. Nova. Vida. Social. — vociferei pausadamente para que ela entendesse bem e desliguei com toda a meiguice que "todos" sabem que eu tenho.
(...)
Não é lá muito encorajador você ser convidada para sair com pessoas que irão te zoar frequentemente (digo, a cada 10 minutos) por causa da mais nova descoberta inovadora do momento. Eu conversando com Brian.
Mas como esta vida é imensamente cruel, e pisa constantemente em minha "linda face", sou obrigada a aguentá-los porquê, tecnicamente, são meus únicos amigos.
Olá, irônia amiga de longa data.
— Porra Mazzy, para de ser chata, orgulhosa, durona, egocêntrica, mandona, anti-social e sai logo daí! — Brian reclamou do corredor, porquê é, minhas amigas, eu tinha me recusado a abrir a porta.
— Mais algum elogio, meu caro Watson? — disse sarcástica enquanto ele bufava no corredor. Tenho sérias suspeitas de que esse garoto adora ser ignorado, porque né, estavamos a quase uma hora nessa guerrinha antivisual.
— Alguma hora você terá que sair desse apartamento. — Falou com ar convincente. E aposto, como boa "conhecedora expressiva" (Isso existe, jovens?) que sou, que ele estava com aquele sorrisinho de canto-de-boca que me faria morder os lábios inconscientemente, porquê... Já comentei que não resisto a sorrisos assim? É. Mesmo sendo um sorriso de canto-de-boca do meu querido amiguíssimo Brian.
— Desculpa, honey, mas você não ouviu o escândalo que minha mãe fez quando cheguei em casa? Fiz a coisa mais abominável que eu poderia fazer com o bom senso e a tolerância da minha mãe. Ou seja, estou de castigo perpétuo. Lamento informar. — Perceberam o "leve" tom de humor negro? Perceberam minha personalidade fodásticamente insuportável? Têm certeza que não querem fugir? Perguntas mode off.
— Se você quisesse sair daí, tenho certeza que arrumaria um jeito. — deduziu. Estalei os dedos, como se fosse nesse ponto da conversa altamente patética que eu queria chegar.
— Aí é que está o sentido da coisa, Brian. Eu não quero sair daqui. — disse sorrindo para mim mesma. Estou ficando perita em desculpas. Eu poderia achar isso perigoso, se não fosse extremamente útil.
— Tudo bem, eu vou embora então. — disse baixo. Arqueei uma sombrancelha duvidosamente. Ele havia desistido? Tão fácil assim? Mas que fraco!
Silêncio.
— Brian? Você ainda está ai? — perguntei me sentindo um pouco idiota, mas nada se tornou audível além da minha voz ainda um pouco rouca. Esperei mais alguns segundos e ouvi uma porta batendo fortemente, deduzi que fosse a do apartamento dele no fim do corredor. Olhei no olho mágico da porta vi nada mais do que o papel de parede antiquado das paredes do prédio. Destranquei a porta, e a abri lentamente.
Para meu completo susto, o desgraçado práticamente pula em cima de mim, me segurando.
— Hey! Me solta! — reclamei inútilmente, sendo posta contra a parede.
— Eu disse que você iria sair. — disse com um sorriso vitorioso, e devo dizer, estava absurdamente perto de mim.
Encarei seus olhos, que tinham um brilho diferente enquanto suas mãos seguravam meus braços contra parede, impedindo-me de fugir. Minha respiração acelerou um pouco quando sua respiração quente bateu no meu rosto.
Fechei os olhos instintivamente. Não conseguia encará-lo sem vacilar, ele era... Ele era uma droga.
— Brian...? Achei que você fosse sair... Com... Com os meninos da banda?! — olhei para o lado encontrando um senhor, que aparentava uns 40 anos, sorrindo malicioso para nós. Corei violentamente, pensando no que deve parecer essa ceninha ridícula com Brian.
Fuck again.
— Hm, é pai... Eu só estava convencendo a srtª Marie a me acompanhar, porquê você sabe que sou um bom anfitrião. — percebi irônia em sua voz, e não confiei em suas palavras cultas e excessivamente educadas com seu pai. Eles pareciam dividir um entendimento particular.
— Brian, querido... Seu pai está certo. Temos que ir! Deixe-me colocar a vestimenta adequada para o nosso passeio, pois deve imaginar o quão grandiosamente ansiosa estou. — sorri sarcástica com o drama de minha fala para ele, que acabara de me soltar. Ele retribuiu o sorriso e sem olhar para trás entrei em casa de novo. Ok, o maldito tinha me convencido de fato.
Troquei de roupa, visando o calor infernal de Huntington Beach, e acreditem ou não, aqui é um inferno no verão.
(Look: http://www.polyvore.com/marie_zoey_take_me/set?id=47754645&.locale=pt-br)
Amarrei meus cabelos numa trança lateral desajeitada e saí de novo.
— Me daria a honra de me acompanhar até o carro, excelência? — disse se reverenciando quando o encontrei no corredor. Mostrei-lhe o dedo do meio e saí andando até o elevador. — Você é muito irritante às vezes, sabia? — disse quando o elevador começou a descer.
— E você é muito irritante sempre. — retruquei. Ele me encarou com os olhos semicerrados, deixando-me desconfortável. Desviei o olhar para sua roupa. Ele estava com uma camiseta do Slayer e uma calça jeans rasgada nos joelhos. Seus cabelos estavam arrepiados como sempre, dando um ar rebelde. E ele agora estava de óculos escuros muito parecido com os meus.
E para a minha maldita e não existente sorte, ele notou meu olhar e deve tê-lo interpretado de modo errado.
Silêncio...
Silêncio...
Barulho do elevador...
(...)
— Por que você tem um camaro? — perguntei repentinamente, analisando o painel do carro enquanto ele dirigia preguiçosamente pelas ruas ensolaradas de Huntington Beach.
— E por que não? — retrucou. Não sei se existiria pergunta mais retórica do que esta. Como quero bater em você, Brian.
— Deixa eu reformular a pergunta, já que você parece não ter entendido o que eu quis dizer. Por que você quis justamente um camaro ao invés de qualquer outro carro? — disse lentamente reforçando minha teoria de que tem certas pessoas (e com certeza Brian faz parte deste grupo), que necessitam que as pessoas sejam propositalmente e extremamente claras para entender o significado de uma simples pergunta. E essas pessoas, geralmente, são as que mais me irritam.
— Oh, sim. Porque eu gosto. — disse alheio, olhando para o trânsito. Semicerrei os olhos admirada com a capacidade dele de formular respostas cabíveis. Ele desviou o olhar para mim por poucos instantes, provavelmente notando que sua resposta não me fora suficiente. — E porque essa maquina é a que me ajuda mais nos rachas. Aliás, eu não escolhi necessariamente, ganhei de um cara numa corrida perto de Long Beach. — disse vitorioso. Arregalei os olhos com a declaração.
— Você ganhou esse carro num racha? — perguntei impressionada. Quero dizer, na Califórnia existiam rachas?
— Sim, eu tinha um opala da mesma linhagem que o seu, porém de fabricação mais atual. — falou sério. Fiquei instantes o fitando como se ele fosse um extra-terrestre. — O que foi? Não sou um E.T. — disse ao perceber minha cara de idiota paralizada.
Não disse mais nada depois disso, eu ainda estava digerindo o fato de que Brian parecia também ter amor por carros como eu tinha. Isso o tornava menos insuportável e mais próximo da lista de prováveis pessoas que poderiam, talvez, fazer parte de meu grupo social de amigos. Os desocupados. Porém, desocupados legais, admitam.
Minutos depois chegamos ao shopping, e, só de ver aquele número razoavelmente grande de pessoas andando de um lado para o outro como grande consumistas hipócritas que são, me deu vontade de morrer. Olhei para Brian (eu não consigo dizer Syn) e sua expressão era parecida com a minha, o que me fez deduzir que lugares assim também não eram os seus preferidos.
Mais um ponto em comum.
Andamos até a praça de alimentação principal, onde não tinham tantas pessoas e nos sentamos numa mesa bem distante da entrada.
— Como vamos achá-los? — perguntei olhando para a multidão que passava, imaginando o quão difícil seria achar uma baixinha do cabelo vermelho e uma girafa tatuada. Quero dizer, isso se os outros ainda não estivessem chegado.
— Vou mandar um sms, espera aí. — respondeu apenas e pegou o celular. Não sei porquê, mas a cara que ele fazia enquanto digitava a breve mensagem e sua aparente lerdeza com o pequeno teclado do aparelho me fez rir alto, atraíndo olhares confusos.
Instantes depois o celular vibrou com a resposta.
— Estão na loja de aparelhos musicais, estão vindo pra cá. — disse enquanto lia a mensagem. Bufei, como eu não tinha deduzido isto antes? Brian me fitou, sem nenhum pudor.
— O que foi? — disse levemente intimidada. Ele apenas desviou o olhar e começou a olhar para as pessoas que continuavam a passar pelo local, tornando-o barulhento e claustrofóbico ao meu ver.
Silêncio.
Tamborilei os dedos sobre a mesa, apenas para disfarçar o nervosismo (que de fato não sabia o porque de sua existência) enquanto esperava aqueles putos.
Brian suspirou e colocou sua mão sobre a minha. Parecia que era apenas para me impedir de continuar com o barulho irritante do tamborilar de dedos, mas eu senti mais do que isso.
Uma corrente elétrica pareceu passar por nossos corpos e eu senti um breve arrepio. Olhei para ele e deduzi que a sensação devia ser mútua pois ele também parecia assustado.
Mexi minha mão embaixo da sua, sentindo o calor que ela tinha. Quando notei, nossas mãos estavam levemente entrelaçadas e seus olhos estavam fixos no meu.
— Brian Haner, que merda é essa aqui? — uma voz fina e irritante me tirou do transe, quebrando a ligação visual que estavamos mantendo e por um segundo, só um segundo, me senti grata por isso. Durou apenas o tempo de virar o rosto e encontrar uma garota morena e baixinha, que eu não conhecia, nos encarando raivosamente.
— Michelle? — ele balbuciou surpreso.
Atrás da garota estavam July, Jimmy, Matt, outra garota, porém loira (e notei que se parecia muito com a morena), Zacky e Johnny olhando para nossas mãos juntas sobre a mesa.
Retirei sutilmente sua mão de cima da minha e desviei o olhar das caretas surpresa de ambos os seis.
É. Acho que a zoação, que seria perpétua, se extendeu até minha pós-morte.
Daora a vida.
Notas finais
RSRSRS acho que vcs vão amar as brigas deles, hm, é.
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