Notas iniciais
essa é a décima sexta fanfic da série e vem depois de "Reila"

Entrei no quarto e vi Camila sentada na cama, os olhos molhados soluçando baixinho. Corri e me sentei ao seu lado, passando o braço por sua cintura, puxando-a para mim.

– Por que você está chorando, Chibi? O que foi que aconteceu? – eu perguntei assustado e ela afundou o rosto em meu peito, sacudindo a cabeça negativamente, se apertando em meus braços.

– Eu não sei... Veio de repente... – ela soluçou, quase se acalmando.

– Você tem tido muitas crises de choro, amor... Você está infeliz? – perguntei hesitante.

– Não... Não é isso... – ela disse enxugando as lágrimas e forçando um sorriso na minha direção. O sorriso mais triste e dolorido que eu já tinha visto em todos os meus trinta e dois anos e muitas cidades por onde passei.

Segurei seu rosto entre minhas mãos e olhei fixamente em seus olhos, ainda brilhantes por causa das lágrimas. Ela afagou meu rosto e, se minha expressão demonstrava a dor que eu sentia em meu peito, eu devia mesmo estar digno de pena. Eu que devia estar consolando-a e não o contrário...

– Chibi... Você está... Está arrependida? – eu perguntei ainda mais hesitante. A resposta daquela pergunta era o que eu mais temia no mundo.

Camila ficou em silêncio por um longo e torturante tempo, seus olhos ainda fixos aos meus, com aquela dor indistinta que eu não sabia como curar e que me matava pouco a pouco e isso me afligiu. Seu silêncio me machucava. Talvez, ela estivesse pensando em uma maneira de me dizer que queria ir embora sem magoar meus sentimentos. Talvez, estivesse procurando um jeito de explicar que não me amava mais...

Tudo que eu queria naquele momento era um jeito de acabar rápido com aquela angústia e, ao mesmo tempo, prolongar ele para sempre, para que ela nunca fosse embora, para que nunca fosse tirada de mim como eu temia que pudesse acontecer a qualquer momento.

Várias palavras voavam em minha mente, mas morriam antes de chegar a minha boca... Eu queria dizer-lhe que estava tudo bem, que ela não precisava se sacrificar, que não precisava poupar meus sentimentos... Afinal, quem melhor do que eu mesmo para estar acostumado às rejeições? Às histórias de amor mal resolvidas? Aos finais solitários?

– O que foi que fez você pensar uma besteira tão grande? – ela disse e sua voz não estava mais embargada pelo choro, agora estava muito surpresa e furiosa. – Arrependida? E exatamente pelo que eu estaria arrependida, Matsumoto Takanori? De ter vindo pra cá com você? Ou de ter escolhido ficar com você? Porque, você me pareceu bem convincente quando me fez vir com você porque o que nós sentimos um pelo outro não é alguma coisa parecida com “amor a primeira vista”, que não tinha mais idade para ficar tendo casos! Que não queria deixar essa oportunidade escapar! Tudo o que você disse era mentira? – ela perguntou ainda mais furiosa depois de citar meus argumentos para levá-la para o Japão no dia seguinte ao que nos conhecemos. – Minta pra mim se souber que a resposta vai me deixar ainda mais furiosa do que eu já estou, Taka!

Eu dei risada e a apertei em meus braços ainda mais, todo o sentimento ruim que estava em meu peito no segundo anterior com todas as minhas dúvidas sem sentido. Afastei seu cabelo e beijei lentamente seu pescoço, admirando-a fechar os olhos com todas as sensações que eu produzia nela tão deliciosamente.

– Pode me culpar por temer que seja minha culpa? – eu sussurrei em seu ouvido e ela ofegou. – O que não é minha culpa? – Camila revirou os olhos e me deu um peteleco na testa.

Você pode fazer muita coisa errada, Taka, pode dizer muita besteira, mas, ao mesmo tempo, é você que me faz feliz e esperançosa! Você que me inspira a continuar, koi! Desde o dia que nos conhecemos, toda a minha vida passou a fazer sentido...

Eu sorri e uni meus lábios aos dela como sempre adorava fazer... Era novo e delicioso sentir seu gosto de misturando em minha boca, mesmo depois de tê-la beijado milhares de vezes por dia desde que nos encontramos. Seus braços passaram por meu pescoço e me fez deitar sobre ela.

– Eu quero ser responsável por mais sorrisos do que lágrimas suas! – eu disse ao pé do seu ouvido e ela deu risada. – Apesar de toda solidão, não quero que chore sozinha nunca mais...

– Eu vou te avisar quando estiver com crise de choro, então, pra não te assustar, ok? – ela deu uma risadinha contra meus lábios.

– Arigato... – dei risada. – Você me assustou... De verdade... Sabe que eu sou muito desesperado!

– E você tem medo de que eu me arrependa de ficar com você... – ela riu. – Como eu posso me arrepender de ficar com você se você consegue ser ainda melhor do que eu sempre sonhei, Taka? Se você é ainda melhor do que as muitas vezes que eu tentei me imaginar em seus braços, tendo seus beijos, seu carinho, seu amo? Tem coisa mais kawaii do que ter medo de ser responsável pelas minhas lágrimas?

– Eu só consigo pensar em uma coisa que eu acho kawaii no mundo todo... – sussurrei ao pé do seu ouvido, apertando sua cintura entre meus braços e sentindo-a se apertar contra mim, de olhos fechados e suspirando. – E é você! E só, única, exclusivamente, você, minha linda e deliciosa Chibi!

Notas finais
mereço reviews??a próxima fanfic se chama "Cheia de Charme"
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!