Os investigadores então a guiaram até o local de sua entrevista, parando quando chegaram a uma mesa onde se tinha dois sofás verdes em cada lado de uma mesa. E quando se acomodaram, o investigador mais velho foi o primeiro a se pronunciar:

— Eu ouvi que você era uma escritora, isso é verdade?

— Sim, nossa então essa é a CCG, poderia tirar uma foto?

Ela tirou uma câmera a qual guardará em seu macacão, mas então lembrou da funcionária a qual dizia que não se podia fazer entrevistas, e pensou que seria um problema se atravessasse esse limite de privacidade:

— Acho que não.

Ela falou para si mesma, e o investigador de meia idade olhou em seu olhos e ajustou sua posição para se inclinar sobre a mesa de mãos juntas, dando um ar de profissionalismo:

— Geralmente não fazemos entrevistas.

Bom, isso tinha ficado claro com a funcionária e seus problemas para deixar ela entrevistar qualquer um daquele lugar, porém para não deixar o clima pesado, ela decidiu não mencionar ela:

— Ah, eu não sabia.

Isso era uma verdade de fato, pois se soubesse que era tão difícil conseguir uma entrevista dentro da base, teria apenas procurado um investigador e entrevistado ele fora dela, porém para não enrolar as coisas e alongar sua visita ali, decidiu ir direto ao ponto:

— Eu só queria saber uma coisa, é para meu próximo livro, eu decidi desse vez fazer algo relacionado a ghouls.

— Bom, se eu puder responder.

Ela captou a mensagem, dizendo que ele não poderia responder nenhuma pergunta que estivesse acima de sua autoridade ou que fosse confidencial, respeitando sua privacidade ao trabalho, ela começou imediatamente seu trabalho. Pegando seu caderno e caneta, ela começou a ficar animada com as possibilidades de poder ajudar na escrita de seu próximo livro, enquanto mexia a caneta entre seus dedos sem perceber, ela fez sua primeira pergunta:

— Tudo bem, irei direto ao ponto, é possível se criar um ghoul artificialmente?

Essa era com certeza sua maior dúvida, a qual estava louca para saber a resposta, ela teve esse pensamento quando viu um filme de um homem metade maquina e humano, e pensou se era possível fazer o mesmo com ghouls e humanos, substituindo uma parte deles e fazendo um humano virar um ghoul artificial, enquanto esperava a resposta, ela percebeu que o homem parecia confuso com sua pergunta:

— Como assim?

Bom ele estava totalmente confuso com a pergunta, então ela o deu exemplos sobre suas mais recentes teorias:

— Como se por exemplo um ghoul fizesse uma transfusão de um órgão ou sangue para um ser humano, isso o tranformaria em um ghoul?

Enquanto ela falava sobre suas teorias, ela nem percebeu como o movimento de sua caneta ficará mais rápido em sua mão, atraindo a atenção do menino "x", que olhava com interesse para o que fazia, só percebeu seu olhar quando acabou de falar, feliz por ele parecer interessado em algo, já que ela acabou se esquecendo dele na entrevista(e embora não o tivesse observado muito, estava na cara que estava entediado), então sorriu para ele, esperando algum tipo de reação do garoto albino, o garoto rapidamente desviou o olhar, olhando para o chão. O investigador mais velho parecia supreso com a timidez do albino, porém não comentou ou falou algo sobre, e se dirigiu a ela e respondeu sua pergunta:

— Bom, eu nunca ouvi falar de nada parecido, então eu não sei se isso seria possível.

— Entendo.

Então se apressou e escreveu de forma rápida em seu caderno

Não sei se seria possível.

Ela então só pode sorrir quando sua primeira e última pergunta derem fim a sua entrevista, então ela decidiu fazer uma pergunta fora de sua entrevista para o albino, a qual estava cheio de "x":

— Nesse caso, eu só tenho mais uma pergunta.

Apontou a caneta em sua direção com um sorriso cheio de curiosidade:

— Qual é o seu nome?

O garoto "x", parecia ser bem tímido, pois denovo desviou o olhar para o chão, não respondendo a sua pergunta, novamente ganhando um olhar supreso de seu parceiro( talvez ele não fosse timido o tempo todo, afinal), e ela não pode fazer nada além de sorrir com sua timidez:

— Obrigada, foi de grande ajuda.

Ela se levantou e se preparou para sair do edifício, novamente sendo guiada pelos investigadores.

Enquanto o investigador mais velho andava a sua frente, o albino andava um pouco atrás, dando chance a ela de andar ao seu lado. E ela pensou como o fazer se abrir para ela de última hora, e logo lembrou que tinha algumas balas de uva guardadas em seu bolso, rapidamente as pegou:

— Ei, abra a mão.

ela chamou a atenção do garoto, e embora demorasse para ele abrir a mão, ele ainda a abriu,ela sorriu com esse pequeno gesto e o deu suas balas, o garoto então analisou e observou as balas, abriu uma e comeu, e depois de uma bala ser provada, ele comeu todas a que ela tinha lhe dado, quando estavam próximos da saída, ela falou:

— Fico feliz que tenha gostado das balas, se quiser mais pode me falar, porém gostaria que me respondesse uma pergunta.

O garoto "x" a olhou com um pouco de desconfiança, porém não negou sua proposta, e pela primeira vez ela o observou de perto, seus olhos vermelhos, cabelos brancos, suas presilhas vermelhas que enfeitavam seu cabelo, ela não conseguiu deixar de pensar em um coelho, e então olhou para seus suspensórios azuis abaixando até seus botões coloridos, a qual ela achou uma graça, isso sem falar dos curiosos "x" em seus lábios. E quando acabou de o analisar, ela já estava perto da porta da saída, e repetiu a mesma pergunta:

— Qual é o seu nome?

O albino pareceu um pouco hesitante no começo em dizer seu nome, porém quando pensou nas balas em seu bolso, sua hesitação logó sumiu, dando lugar a um olhar de excitação, então novamente olhando para ela, ele disse:

— Meu nome é Juuzou Suzuya.

Ela já estava realmente feliz quando ele disse seu nome a ela, e não só por causa da nova informação adquirida sobre o investigador, mas sim porque ele sorriu, um sorriso travesso e infantil, a qual ela acabou retribuindo com seu maior sorriso:

— Meu nome é Takatsuki Sen, prazer em conhecê-lo, Juuzou.

E após acabar de se apresentar, ela quase pode jurar que viu um brilho no olhar de Juuzou, mas antes que pudesse falar mais alguma coisa, ela procurou as balas de uva que estavam em seu bolso, e para seu medo, ela só foi recebida com o vazio.

Droga

Ela não sabia o que fazer, pois tinha feito um acordo com Juuzou, e iria quebrar ele logó de cara, o que acabaria com a pequena amizade que ela finalmente pode conquistar, e ela poderia não ver o sorriso dele uma última vez antes de partir, porém ela não tinha desculpas para as balas, pois tinha falado com tanta confiança sobre elas, que ele com certeza iria ver por debaixo da mentira, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, a funcionária a levou pela mão até a saída, e Juuzou foi levado pelo investigador, e embora ela não deixasse de se sentir culpada pelo vislumbre de decepção que o garoto teve, ela se sentiu grata pelo fato da funcionária ter chegado bem a tempo de a tirar de uma enrascada.

Na saída

Após agradecer a funcionária, ela saiu e olhou para seu celular, que estava cheio de mensagens de seu editor falando de um evento que começaria dali a duas horas, e ela foi direto para sua casa para se trocar para o evento, e no caminho não conseguiu deixar de pensar sobre a entrevista e o garota "x". Se sentindo culpada, decidiu andar com mais balas em seu bolso quando saísse, pois se o encontrasse, ela daria a ele sem falta, talvez conseguindo até fazer com que ele virasse seu amigo.

Com esse pensamento positivo ela foi para casa, suas expectativas altas, para seu novo possível melhor amigo.