Takatsuki Sen
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Seu cansaço diminuiu depois dela falar, ela respirou fundo e se acalmou tentando raciocinar sem que seu corpo gritasse para ela como estava cansada, foi então que ela finalmente entendeu o que tinha feito, um erro que ela nunca cometeria se estivesse pensando direito, mas horas correndo faziam milagres com o cérebro de uma pessoa.
O plano era muito simples, ela iria desviar do caminho no parque, se encontraria com Juuzou e pegaria sua carteira de volta, era muito simples então alguém poderia dizer a ela como que ela conseguiu admitir tão facilmente que era uma ladra? Por que ela admitiu que era uma ladra para começar? Embora ela tenha saído dessa vida da rua faz anos, não quer dizer que contar para alguém sobre isso fosse algo casual, não isso era tudo menos casual ou confortável de se dizer, ela não dava muita importância a sua origem ou o que os outros pensariam sobre ela, mas seu editor falou que imagens eram importantes para pessoas famosas, principalmente suas reputações, "caso em algum momento perguntem para você sobre seu passado, minta como nunca mentiu na vida, se não só Deus sabe o inferno na terra que aconteceria, sem dizer dos gastos e...", ela tinha parado de ouvir na parte onde tinha ficado chato e seu editor muito entediante com coisas de economia, ela era rica por que iria incomodar com o preço das coisas? Deixando sua grande montanha de dinheiro e editor chato de lado, o fato de ela ter acabado de admitir ser uma fora da lei para um investigador era o pior de tudo, bom isso se o mencionado investigador embaixo dela fosse um "investigador normal", mas ele tinha acabado de roubar ela e ainda tinha coragem de sorrir para ela como se tudo fosse apenas uma brincadeira.
Ela faz contato visual com o garoto esperando alguma reação com o que ela tinha dito a ele, se alguém disse-se que era um ladrão para você do nada a pessoa iria achar você estranho ou na pior das hipóteses perigoso, mas ele não era muito normal ela gostava um pouco disso nele, mas isso fazia ele ser imprevisível quando ela tentava prever seus próximos movimentos e isso se limitava a suas reação e pensamentos também, mas ele apenas desvia os olhos dela, e igual quando eles se encontraram no prédio da CCG, ele agia de forma tímida e não falou muito, ela por um momento achou ele fofo, mas imediatamente para, ela não daria essa chance a ele de novo, não quando ele podia mudar de fofo para louco tão rápido, ela respira fundo e espera alguma resistência dele, ladrões não deviam ficar felizes quando são pegos, uma parte esquecida e escondida em sua mente diz isso, ela pensa no modo de como ele tratou tudo isso como um jogo, quando ele foi pego ele estava sorrindo, se divertindo, ela não entendia isso, não conseguia, ela podia ser rica agora, mas já tinha sido pobre, tinha feito parte daquela classe mais baixa da sociedade, tinha roubado para sobreviver e nunca, nunca tinha pensado nesse ato como outra coisa, mas ele se divertia com isso e também não parecia ter problemas de dinheiro, ela se sentia confusa e curiosa com isso, ela queria saber, o motivo dele roubar ela, será que já tinha roubado dos outros antes? Ela sabia mais do que tudo que os outros fingiam não ter motivo para roubar na rua, mas sempre tinha um, por mais idiota que fosse:
— Por que? Me diga, qual o motivo por trás de seu roubo, Juuzou?
Ela estava curiosa sobre isso, ela realmente queria saber, ela sabia que devia se sentir com raiva ou pânico sobre o fato de ele ter roubado ela e saber que antigamente era uma ladra, mas diante de sua curiosidade, tudo era tratado com indiferença, como se estivesse com seu bloco de notas e caneta na mão, os olhos dela brilham com curiosidade faminta por respostas, ela pensa em possíveis respostas, mas nada fazia sentido, tudo parecia fora de contexto, ela não sabia decifrar o menino, ele parecia um eterno enigma para ela, ela queria muito resolve-lo, mas toda hora vinha um desafio novo, seja quando eles se conheceram ou quando se reviram, ela não conseguia entender seus motivos, mas estava disposta a saber mais sobre eles, ela nunca tinha achado alguém tão interessante antes, e ela queria saber o máximo possível sobre ele, ela continua observando ele, que finalmente voltou a olhar para ela, ela também pode ver um pequeno rubor em suas bochechas que se destacava em sua pele pálida, ela fica surpresa por que ele estava corando? Ela não achava que ele estivesse envergonhado pelos seus atos, ele também não parecia tão tímido ao ponto de ruborizar, ainda assim ela não conseguiu de deixar de pensar que ele ficava muito fofo com as bochechas levemente rosas, é só aí que eu percebi que estávamos muito tempo naquela posição, talvez esse fosse o motivo? Talvez ele achasse que a posição era muito constrangedora? Ela não achava que esse fosse o motivo, mas ainda assim tirou suas mãos dos pulsos dele e saiu de cima dele para se sentar, começa a olhar ao redor para ver se tinha alguém observando, mas fica aliviada ao perceber que estava tudo deserto, ela volta a olhar para Juuzou que dá posição deitada agora estava em pé, ela não deixa de se perguntar o motivo por ele ter corado, mas ele parecia não responder a nada do que ela perguntava, isso meio que dificultava as coisas para ela poder oficialmente se tornar alguém íntimo dele, já que estava nessa concha dele o tempo todo, ela suspira insatisfeita do modo de como as coisas aconteceram, ela agora não achava que tinha chance de pedir ele para um encontro amigável, ele não parecia disposto também a se abrir com ela que nem antes, ela levanta e limpos a sujeira da roupa, quando acaba e se prepara para dizer um tchau e partir com um pouco de sua dignidade, ela ouve um barulho estranho, ela olha para Juuzou que estava com a mão na barriga, ele sorri para ela, ato que só deixava ele mais fofo aos seus olhos, e finalmente fala:
— Eu roubei você porque deixei minha carteira em casa, eu planejava comer numa cafeteria aqui mas tudo foi por água a baixo.
Ela processa a informação, ele realmente tinha esse simples motivo para roubar? Ela sente que foi um pouco precipitada antes quando achou que ele estava com problemas financeiros, mas ele apenas tinha esquecido a carteira, ele também não parecia achar errado o que tinha feito, bom não era como se ela pudesse jugar ele também ela tinha vivido com comedores de pessoas e já tinha sido uma ladra, ela era a última pessoa com quem se poderia falar sobre moralidade e não é como se ela se sentisse ofendida com isso, ela tinha muito dinheiro e diversas carteiras a mão, sem dizer que não colocava seus cartões em carteiras, nunca se incomodou com um pouco de dinheiro sendo levado, bom isso se o seu objeto especial não estivesse na carteira, ela abre sua mão e mostra para ele o objeto, os olhos vermelhos de Juuzou se arregalam, ela sorri travessa:
— Então foi por isso que não consegui pegar sua carteira, é impressionante, pensei que um profissional saberia roubar melhor Juuzou.
Ele faz um beicinho, ato que só faz meu sorriso alargar mais, o clima tenso de antes se perdendo:
— Sen você me pegou dessa vez, mas eu estava de guarda baixa.
Ela ri, uma risada sincera que ele não fazia a anos, ela anda e acena para Juuzou seguir ela, coisa que ele aceita, os dois vão andando, ela decide caminhar até a cafeteria que ela queria ir, já que era seu primeiro destino para começo de conversa, os dois então continuam falando sobre diversas coisas:
— No roubo e na vida não tem guarda baixa querido Juuzou, apenas o roubado e o ladrão.
Ela se diverte observando a reação dele, que muda a cada segundo em que ele falava, ele também ficava fazendo gestos com as mãos:
— Sim, mas você fez isso em o que? Um segundo talvez, e quando você correu atrás de mim? Foi como se eu estivesse fugindo da polícia de novo.
Ela imagina a cena, uma multidão de polícias correndo atrás de Juuzou que sorria e se divertia devia ser bastante cansativo para os policiais, ela pensa, o cansaço físico é o pior quando se está perseguindo um detetive que nem Juuzou, muitos deles devem ter tido dores na perna depois, coitados, ela pensa com empatia:
— Deve ter sido difícil correr de tantos, eles conseguiram te pegar?
Ele balança a cabeça, os olhos brilhando de energia, ela não consegue deixar de pensar em como ele é fofo, ele sempre lembrava um coelho, aqueles que você tem vontade de apertar até não poder mais, mas ela se contém e apenas continua a conversar:
— Claro que não, eu consegui escapar facilmente deles, mas no final Shinohara ainda me levou de volta e tive que me desculpar com eles.
— Entendo, bom isso é o natural e o certo a se fazer.
Ele então me encara por um segundos, eu continuo olhando para ele com um sorriso, ele desvia os olhos, dessa vez encarando o chão, e me faz uma pergunta inesperada:
— Você é uma escritora estranha, normalmente não se fica com raiva? Shinohara me disse que quando se rouba alguém a pessoa não gosta disso e que eu deveria entregar a carteira, mas você não parecia assim, por que?
Eu arregalo os olhos um pouco, penso sobre os últimos acontecimentos e em como responder sua pergunta, mas se eu tivesse que dizer o motivo de eu não ter ficado brava com ele em nenhum desses momentos, seria porque:
— Eu quero ser sua amiga.
Ele volta a olhar para mim com os olhos arregalados e a boca aberta, como se não acreditasse no que estivesse ouvindo, eu zombo um pouco dele por causa disso:
— Pela sua reação acho que você deve ter o mesmo número de amigos que eu, fazer o que, almas solitárias são aquelas que mais se atraem certo?
Eu bato de leve em suas costas, ele não parecia ter saido ainda de seu estado de choque, então eu apenas continuo falando com ele:
— Eu meio que sabia que você era a pessoa perfeita para ser meu amigo, foi tipo a primeira vista, quando olhei para você sabia que devia ser uma pessoa legal, sem dizer que não é como se você fosse tão normal assim Juuzou! Você também é um detetive estranho, nem todos roubam no segundo encontro, mas mesmo que você seja estranho, eu meio que gosto disso, já que sou estranha também.
Ele sai do estado de choque e desse vez entra no modo cético, me olhando e transmitindo o sinal que dizia “como alguém iria querer ser meu amigo?”, mas quando ouve eu falando que gostava de sua anormalidade, ele apenas desvia o olhar e fica tímido, eu apenas observo isso com um sorriso no rosto, continuamos andando assim por um tempo, com Juuzou andando quieto o tempo todo, ele parecia pensar profundamente em algo, então não interrompo, continuamos assim até ele falar:
— Desculpa.
Eu olho para ele que desvia seu olhar do meu novamente, ele parecia genuinamente arrependido com o que ele tinha feito, coisa que me surpreende, já que quando eu conversei com ele, ele mostrava indícios de não saber muito sobre o que era certo ou errado, ou sobre como seguir leis, eu não pergunto nada e continuo a ouvir:
— Shinohara me disse para pedir isso quando faço algo errado e... eu não devia ter feito isso com você, você deve ter algo importante na carteira se me perseguiu tanto, sem dizer que... é a primeira vez que me dizem que querem ser meu amigo, e eu não sei muito sobre o que amigos fazem, mas estou disposto a fazer.
O sorriso dela aumenta quando ela escuta Juuzou dizer isso, afinal aquelas eram palavras que vinham do fundo do coração dele, pelo tom de sua voz e seu olhar tímido para o chão, isso era facilmente notado, eu então olho para frente e percebo que chegamos a cafeteria, uma ideia vem a mente e falo animada para ele:
— Nesse caso, como comemoração por eu ser sua primeira amiga, nós iremos comer na cafeteria que você queria ir, vamos comer tantos bolos que ficaremos com diabetes!
Ele olha para a cafeteria e depois para mim, mas depois sorri e eu não consigo deixar de pensar que ele ficava mais lindo quando sorria assim, mas escondo meus elogios e simplesmente falo outra coisa importante que me veio a cabeça enquanto andávamos:
— Ah e mais uma coisa...
Ele inclina a cabeça para o lado de um modo fofo que me lembra um coelho, curiosidade escrita em seus olhos, ele realmente era uma dose mortal para o coração de uma jovem dama como eu, mas eu continuo mesmo assim, só que dessa vez eu me aproximo dele e sussurro em seu ouvido:
— Você poderia não contar a ninguém sobre a situação do roubo? Eu estaria em uma enrascada se descobrissem isso.
Ele se afasta rapidamente quando acabo de falar, a mão na orelha vermelha, ele olha para mim e sorri, enquanto tenta esconder o rubor que se concentrava em suas orelhas:
— Ok.
Eu então pego a mão dele, coisa ao qual ele não resisti ou recusa, ele também não parece corado por causa disso, eu observo, talvez as orelhas sejam o ponto fraco? Eu penso rindo, nós dois então vamos para a porta da cafeteria e eu abro ela, quando entramos sentimos o cheiro de bolo de chocolate, coisa que fez meu estômago e o de Juuzou roncarem, nós dois nos entreolhamos entre si e rimos de situação, onde o horário de nossas barrigas estavam sincronizados, e embora o dia não tenha começado do melhor jeito, a tarde dele foi maravilhosa, pois eu comi muito com um novo amigo e me divertir mais do que em qualquer outro dia da minha vida.
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