Takashima Isabella Satsuki
1 One-shot
Notas iniciais
A mais nova dos Takashima acordou quando ouviu seu despertador tocando ao lado da cama, uma melodia tão animada que ela se perguntou como tinha esquecido outra vez de trocar aquela música... Ia acabar detestando-a!
Jogou o cobertor longe com os pés e desceu da cama, ainda bastante sonolenta e quase sem abrir direito seus olhos, caminhando para o banheiro. Entrava uma fraca luz do nascer do sol e por isso a garota não acendeu a lâmpada que só faria doer seus olhos. Penteou os lisos cabelos longos e os prendeu em um alto rabo de cavalo, que enrolou nos dedos até ficar levemente cacheado. Escovou os dentes e lavou o rosto com a água fria da torneira.
Retornou ao quarto, um pouco mais desperta, e arrumou a cama, antes que a mãe aparecesse por ali e bronqueasse... Abriu seu armário e retirou o cabide onde já tinha deixado seu uniforme separado. Vestiu a camisa branca e a saia cinza, prendendo uma fita vermelha no pescoço, que combinava com a meia-calça cheia de coraçõzinhos. Colocou o blazer também cinza, prendeu os broches no peito, calçou o sapato de verniz preto e se sentou em sua penteadeira para se maquiar.
— Satsuki? Já acordou? – Sereny bateu na porta levemente, antes de abri-la.
— Ohayou, okaa-san! – a menina sorriu lindamente, o sorriso que tinha herdado do pai e recebeu um beijo na testa.
— Ohayou, querida! Dormiu bem?
— Dormi sim, okaa!
— O café da manhã já está pronto, está bem?
— Já vou descer, okaa! – a menina sorriu e viu a mãe saindo de seu quarto.
Encarou fixamente sua imagem no espelho oval, pensando no que poderia fazer de diferente naquele dia... Destacou os olhos com o lápis e o delineador, demorou-se nos cílios com o rímel, até que ficasse como de boneca, desenhou a boca cheia com um batom cor-de-rosa e fez um sol e uma lua rodeados por três estrelas no canto do olho direito. Terminando o serviço, pegou sua pasta escolar e desceu as escadas para café.
— Ohayou, otou-san! – ela disse, alegremente, deixando um beijo exagerado no rosto do pai, que já estava sentado à mesa do café, lendo seu jornal, atentamente.
— Ohayou, Sa-chan! – Kouyou sorriu, afagando carinhosamente a bochecha da filha.
— Ohayou, Yuki-chan! Ohayou, Yune-chan! – a mais nova cumprimentou entusiasmada os irmãos, que também já estavam sentados à mesa do café.
— Ohayou, Sa-chan – Yuki gargalhou da energia da irmã logo pela manhã.
— Eu posso saber como você já acorda ligada no 220, bebê? – Yune apertou a bochecha da mais nova.
— Não sou mais um bebê, Vitor! – ela resmungou, fazendo careta e se sentando ao lado dele na mesa, se servindo de leite e pão.
— Você sempre vai ser minha bebezinha! – ele tornou a apertar a bochecha dela – É fofa e pequenininha, como uma bebezinha!
— Bobo! – ela resmungou, fazendo todos rirem.
Sereny colocou um bolo sobre a mesa do café e finalmente se sentou ao lado do marido, vendo os três filhos cortando o doce e dividindo-o entre si.
— Okaa-sama, eu vou ensaiar hoje depois da aula, então vou almoçar com os outros, está bem? – Vitor disse, entre uma garfada e outra.
— Você mal tem parado em casa, Yune! – a mãe se queixou.
— Gomen, okaa-sama... Prometo que amanhã venho direto pra casa! – ele estendeu o braço por sobre a mesa e segurou a mão da mãe.
— E as duas meninas? Vêm almoçar em casa? – a mãe perguntou e elas deram risada.
— Não se preocupe, okaa-sama – Luiza disse, em seu tom de voz sempre tranquilo e suave. – Talvez, eu chegue até mais cedo do que de costume... Eu tenho prova na faculdade e provavelmente não terei as últimas aulas!
— Bella? – a mãe insistiu, como a mais nova não tinha dito nada.
— Eu acho que vou chegar só um pouquinho atrasada, okaa-san... Mas eu venho sim!
— Está bem – Sereny sorriu e se concentrou em seu café.
— Atrasada por quê? – Kouyou perguntou, inquieto, sem deixar aquele ponto passar despercebido.
— Eu e a Aya-chan vamos passar numa lojinha que abriu semana passada, perto da escola, otou-san! – a menina sorriu, angelical. – Não vou fazer nada de errado! Prometo!
O pai ainda a encarava, desconfiado, quando ouviram a campainha tocar e Yuki se levantou apressada da mesa, arrumando a saia rodada e os cabelos que lhe caiam pelas costas, para atender.
— Parece que a carona dela chegou – Yune deu risada, também se levantando da mesa e tirando seu prato e sua xícara para colocá-los na pia da cozinha. O rapaz não tinha problema algum com o namoro de sua irmã e seu melhor amigo, ao contrário do pai deles.
Yuki reapareceu na cozinha, de braço dado com Jun, que estava bastante desconfortável (o que não era uma coisa fácil de se conseguir) e atrás deles, Aya, a caçula dos Suzuki, vinha saltitando e acenando para Satsuki.
— Ohayou, Jun-chan – Sereny se levantou sorridente e lhe deu um beijo no rosto e beijou Aya logo em seguida. – Querem tomar café?
— Ah, arigato, tia Ny, nós já tomamos – ele respondeu, tentando relaxar, mas o olhar que Kouyou lhe lançava não era dos mais tranquilizantes.
— Eu vou buscar minhas coisas para irmos – Yuki informou, soltando o braço do rapaz e subindo correndo as escadas. Kouyou voltou a olhar o jornal.
— Não suba as escadas correndo, Luiza! – a mãe bronqueou, como fazia desde que a menina era bem mais nova.
Yune caminhou até o melhor amigo e lhe deu um tapinha no ombro.
— Não foi buscar Riiko ainda?
— Ela só tem as últimas aulas hoje – Vitor suspirou tristemente, fazendo o outro rir. – Como vai você, Aya-chan? – a garota piscou pra ele, batendo continência na sua direção.
— Muito bem, Yune-senpai! – ele gargalhou.
— Que bom! Satsuki, você já terminou seu café? Eu dou uma carona pra vocês duas até a escola.
— Terminei – a menina engoliu seu pedaço de bolo e se levantou da cadeira rapidamente. – Tchau, otou-san – ela deu um enorme beijo no pai, fazendo-o desamarrar a cara feia que estava desde a chegada de Jun. – Tchau okaa-san! – ela deu outro beijo demorado na mãe.
— Boa aula, querida! – Sereny afagou-lhe os cabelos e beijou-lhe a testa.
— Tchau pros dois – Vitor acenou de longe, mas a mãe o puxou para um abraço apertado, fazendo Jun gargalhar.
— Podemos ir também, Jun-chan! – Luiza retornou até a cozinha, para o alívio do namorado, que não queria ficar ali sozinho. – Tchau, otou-san – a garota deu um beijo no pai, que sorriu minimamente. – Tchau, okaa-san!
— Tchau, anjinho! Boa prova! Tchau, Jun-chan! Vou combinar com sua mãe um jantar pras duas famílias, viu? – ele assentiu, sem jeito enquanto os dois corriam para a porta.
Luiza entrou no carro do namorado, enquanto Satsuki e Aya entravam no carro de Yune.
— Que loja é essa que vocês vão depois da aula, Bella? – o irmão perguntou, desconfiado.
— É uma doceria, aniki – a menina deu risada.
— Só uma doceria, né, Satsuki? Não tem mais nada lá? – ele insistiu, preocupado.
— Olha ali, Yune! É aquela ali – a garota apontou para uma pequena lojinha de doces pintada de bege e cor-de-rosa, cheia de mesinhas onde as pessoas podiam se sentar e tomar café, conversando, vendo TV ou lendo um livro. – Parece suspeita pra você? – ela brincou.
— Eu tinha de ter certeza, né? – o irmão riu, sem graça e estacionou diante da escola das meninas.
— Arigato por se preocupar comigo, aniki – a mais nova lhe deu um longo beijo carinhoso, fazendo-o rir.
— Tenham uma boa aula, as duas!
— Arigato pela carona, Yune-senpai! – Aya acenou e as duas ficaram olhando-o partir. – Você escapou de uma boa, Bella!
— Ah, que isso! Eu nem menti! Nós não vamos lá de verdade? – a outra gargalhou.
— Vamos, nós vamos sim... Mas não é pelos doces que você quer ir conhecer aquele lugar, é Bella? – o rosto de Isabella ficou muito vermelho.
— Não fala isso em voz alta que alguém pode te ouvir! – ela puxou a amiga para as duas entrarem finalmente na escola.
— Mas eu não disse nada demais... – Aya gargalhou. – A não ser que alguém tenha um decodificador...
— Não é isso... É que eu quero ir lá antes que as outras garotas também descubram aquele lugar... – ela respondeu, olhando por cima do ombro para ter certeza de que não tinha ninguém prestando atenção na conversa delas.
— Você é mesmo maluquinha, Bella... – a amiga passou o braço pelo pescoço da outra, ainda rindo.
— O prevenido morreu de velho, é o que meu ojii-chan sempre me disse!
Satsuki ficou inquieta durante todas as aulas, esperando apenas pela hora de ir embora. Quando as duas garotas atravessaram os portões, correram para a nova doceria.
Era um lugar bonitinho e aconchegante. Elas se sentaram em uma das mesas mais ao fundo, ao lado de um pôster antigo do Luna Sea.
— Que boa sorte sentar perto dos senpais – a menina Takashima comemorou, contente.
— Uma fã dos senpais? – uma voz sorridente soou próxima das garotas, chamando-lhes atenção. – Boa tarde, eu terei o maior prazer em atendê-las! Meu nome é Daisuke!
— Eu sou Satsuki e essa é Aya! – a menina respondeu, alegremente.
— O que posso trazer pra vocês?
-Eu quero um chá de camomila e um pedaço de bolo de morango – Aya pediu, docemente, olhando para o cardápio.
— Eu quero um chá de hortelã e o bolo de chocolate – Satsuki respondeu, com um sorriso fofo.
— É pra já! – o rapaz se afastou, com um sorriso lindo.
— Ai, ele é tão gatinho! – Satsuki afundou o rosto nas mãos, fazendo a amiga rir.
— Já descobriu o nome dele e que é um fã do Luna Sea!
— Já posso marcar a data do casamento – a outra brincou, fazendo uma careta bonitinha. – Pelo menos, ele pode ter chances de ganhar a confiança do otou sendo fã dos senpais... É só por isso que ele ainda não gritou com Jun-chan mesmo...
— Isso e o fato de Jun ter o nome do J-senpai – Aya brincou.
— Aqui está o pedido de vocês, garotas! – Daisuke voltou, sorridente.
— Arigato, Daisuke-san – Satsuki agradeceu, cheia de meiguice e o rapaz fez uma reverência encabulada.
— Não precisa me tratar por –san, Satsuki-chan, eu só devo ser um pouquinho mais velho do que vocês... São estudantes da Higaku, não são?
— Hai – ela respondeu, alegremente. – Foi assim que ficamos sabendo dessa loja nova!
— Bom, espero que gostem! – ele fez uma nova reverência e se afastou.
— Eu vou voltar aqui todos os dias – Satsuki disse, sonhadora, dando um gole em seu chá.
— Você vai ficar doente com tanto doce! – Aya bronqueou.
— Será que eles têm um cardápio mais light? – a outra brincou.
— Você não tem jeito, Bella – a amiga gargalhou, gostosamente. – Esse bolo de morango está muito gostoso!
— O de chocolate também... Só não posso dizer que é o melhor bolo de chocolate que eu já comi, porque a okaa sempre faz ótimos bolos, né? – as duas riram.
— Voltei meninas, cortesia da casa – o rapaz deixou uma trufa na frente do prato de cada uma, charmosamente. – Espero que estejam gostando!
— Estamos gostando muito de tudo – Satsuki respondeu. – Arigato, Dai-chan! – o rapaz coçou atrás da cabeça, sem jeito, antes de se afastar mais uma vez.
— Acho que ele gostou de você – Aya analisou.
— Será? – a outra perguntou, empolgada.
— Parece que sim... Ou isso ou ele é realmente muito gentil com os novos clientes... E eu não o vi levar trufa pra mais ninguém...
— Mas ele também trouxe uma pra você...
— Porque se ele trouxesse só pra você, daria muito na vista!
— Eu espero que você esteja certa! – o rosto redondo da garota estava alegremente corado.
Enquanto as duas garotas voltavam a se concentrar em seus doces, elas ouviram os primeiros acordes de “Storm” do Luna Sea aumentando gradativamente o volume. Satsuki ergueu os olhos na direção do rapaz que estava atrás do balcão, aumentando o volume do rádio.
— Gosta dessa? – ele perguntou, sorrindo.
— É minha preferida – os olhos caramelados da garota brilharam apaixonadamente e ele deu risada, contente, voltando a atender seus clientes.
— É... Parece que conquistou mesmo o rapaz... – Aya deu risada.
As duas terminaram seus bolos e seus chás e se levantaram para pagar a conta e irem pra casa.
— Gostaram? – Daisuke perguntou, cheio de expectativa.
— Estava todo muito bom – Satsuki respondeu, entusiasmada, fazendo-o rir.
— Fico muito satisfeito! Espero que voltem sempre!
— Voltaremos sim!
As duas garotas saíram e Satsuki parecia mais animada do que o normal.
— Nós duas voltaremos sempre? – Aya perguntou, divertida.
— Você não precisa vir sempre... – a amiga deu risada. – Mas eu não vou sossegar até que aqueles olhos só olhem pra mim!
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