Taka-chan good boy!
1 Pare de dizer que sou um bom garoto!
Notas iniciais
Taka ouvira dizer que Kotaro estava triste porque Ryuichi estava doente. Ele lembrou-se que no dia após aquele onde eram proibidos os chocolates, Kotaro havia se animado ao receber da garota mandona uma dúzia deles e decidira fazer algo a respeito.
− Oe! Baka-onii-chan! – chamou por Hayato. O garoto fez de conta que nem o escutou, passando os canais da TV de maneira despretensiosa e coçando a orelha com o mindinho. – BAKA-ONII-CHAN!
Taka gritou com todas as suas forças, recebendo em resposta um cascudo que o fez chorar, protestando o quando o odiava até Hayato pegá-lo no colo, nivelando seus olhares.
− Não pode querer me pedir um favor e dizer que me odeia, aho. – A expressão entediada permanecia no rosto. Não havia nada na TV naquela manhã e o clube havia liberado eles naquele fim de semana. – E não chore. Homens não choram.
Taka engoliu o choro, porque realmente precisava da ajuda dele. Sua mãe jamais permitiria que mexesse na cozinha sozinho!
− Ryu-nii ‘tá doente. – disse ele. – Podemos fazer doces pra ele e pro Kotaro-chan?
Por um milésimo de segundo, a expressão de Kamitani se fechou, pensando na possibilidade de acertar outro cascudo em Taka. O garotinho, esperando, apertou os olhos. Ao invés disso, sentiu a mão do irmão mais velho lhe fazer um cafuné.
− Tudo bem. – respondeu. – Vamos fazer isso.
Taka inclinou o rosto para o lado, encarando o irmão mais velho. Será que ele estava doente também?
X
O garotinho chegou à conclusão de que perguntar aquilo havia sido um erro, pois lhe rendeu mais um doloroso cascudo que certamente deixaria um galo em sua cabeça. Durante todo o processo de fazer os chocolates, ele ficou responsável por colocar os ingredientes no recipiente e misturar todos até ficarem homo... homo... como era mesmo a palavra que seu irmão havia falado? Gênio! Homogênio.
Taka não fazia nem ideia do que aquilo significava.
Sentia-se nervoso, afinal, era a primeira vez que iria até a casa de Kotaro!
Hayato havia embrulhado os chocolates, que estavam longe da perfeição, em papel de seda azul clarinho com pequenos tigres (o animal favorito de Kotaro). Olhou de canto para o irmãozinho, que parecia nervoso caminhando com o embrulho apertado entre os dedinhos.
− Tem certeza que quer fazer isso?
− BAKA! BAKA-NII! – berrou Taka. – Claro que sim! Kotaro-kun... é meu amigo.
As bochechas rosadas e a expressão sisuda arrancaram um sorriso de canto de Hayato.
− Vamos logo. Você anda muito devagar. – Suspendeu-o pela gola do casaco, recebendo seus gritos de protestos durante o resto do caminho.
X
Foram recebidos por Saikawa, e o mordomo os guiou até a sala de espera.
− O jovem Kotaro não quis a sobremesa que fiz para ele, mas ficarei mais que feliz de mostrar onde ele está, jovem Taka. Quer sorvete?
− HAAAI! – O menino respondeu de maneira energética. – Cadê o Kotaru-kun?
− Por aqui, por favor.
O mordomo apontou uma das cadeiras da sala de jantar, onde Kotaro parecia ter montado guarda, já que o quarto de seu irmão era uma zona proibida agora.
− Queira me acompanhar, Kamitani-san. – disse ao irmão mais velho. Kamitani acenou com a cabeça, deixando o irmão à própria sorte na companhia de Kotaro.
O garotinho de cabelos azuis e rebeldes aproximou-se do amiguinho, o embrulho apertado entre os dedinhos suados.
− O-oe! Kotaro! – chamou sua atenção. Kotaro ergueu os olhos do livro que lia e pegou-se surpreso ao vê-lo ali.
− Taka...chan. – A voz sempre sonolenta ressoou pelo ambiente. Baixinha e doce como uma bala de canela.
Taka, que não sabia ser gentil nem pela hora da morte, empurrou o embrulho contra o peito dele.
− Aqui, seu bobão! – O rosto adquiriu aquela tonalidade rubra nas bochechas, tamanha era a quantidade de sangue concentrada ali. – Onii-san foi ver Ryu-nii! Ele vai melhorar logo! Agora abre!
− Pra mim... – Os olhinhos de Kotaro brilhavam. Nunca havia ganhado um presente de um amiguinho!
Ocupou-se em começar a abrir o pacote devagar, sem rasgar o papel. Ato esse que deixou Taka enlouquecido ao ponto de arrancar o embrulho de sua mão e rasgá-lo completamente. Kotaro deu um risinho da impaciência do amiguinho e pegou a caixa, abrindo-a para ver o conteúdo: chocolates em forma de cabeça de tigre, muito mal moldados e com olhos tortos.
− Você... quem fez?
− Baka! Claro! Com o nii-chan. – Inflou uma das bochechas.
Kotaro sorriu, colocando um dos doces na boca. Algumas partes estavam excessivamente doces, outras explodiam amargas, mas o sorriso em seu rosto expressava a alegria que sentia. Em resposta, agradeceu como viu um dos garotos agradecendo na escola e deu um beijo no rosto de Taka. O menino virou um pimentão!
− Arigatou, Taka-chan. – Lhe fez um breve cafuné. – Você é um bom garoto.
− AAAAAAAAAAAAAAAAAAA BAAAAAKAA! NÃO FOI NADA DE MAIS! – Kotaro tinha a impressão de que fumaça saía das orelhas de Taka.
Da janela, Yagi, que havia ido visitar Ryuichi ao saber de sua doença, expeliu uma quantidade absurda de sangue pelo nariz.
− Preciso ver isso de perto!
− Nai, nai. – Nezu agarrou-o pela gola, arrastando-o para longe. – Vamos para o hospital antes que você sangre até a morte aqui.
Yagi choramingou durante todo o caminho, enquanto Taka e Kotaro dividiam uma deliciosa taça de sorvete assistindo uma animação na TV.
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