TWINS - Os irmãos Solace
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Essa é apenas mais uma das minha ideias doidinhas :)
Espero que gostem!
LEIAM AS NOTAS FINAIS!!
P.s. O nyah! não tem o Austin para taguear então kkk choremos
Will e Austin Solace eram gêmeos, mas não aqueles gêmeos super parecidos como os gêmeos de Hollywood. Não, Austin e Will eram gêmeos diferentes.
Por muito tempo, era constrangedor para Will e Austin ter que constantemente explicar para as pessoas que eles não eram primos, ou só melhores, mas sim irmãos do mesmo útero vindos de placentas diferentes, era ainda mais constrangedor porque apesar de Austin e Will serem pretos, Will tinha muita mais passibilidade branca, tanta que precisava observar bem alguns traços de seu rosto para entender que ele era um homem preto, e Austin era preto retinto. Então a diferença de tratamento também era latente na maioria das vezes.
Will e Austin também gostavam de dizer que a vida deles era um experimento, porque desde que eles se entendiam por gente, eles compartilhavam tudo o que tinham: roupas, livros, acessórios e tudo mais, houve uma época em que eles compartilhavam escovas de dentes, porque descobriram que era só ferver em água quente e estaria como nova. Eles também compartilhavam o mesmo quarto desde sempre e estudavam na mesma escola, com os mesmo horários, eles tinham tanta intimidade que às vezes se arrependiam de ter dado tanta intimidade um com o outro.
Como no dia em que Will se descobriu pansexual. Para o pai deles, Will teve que falar na cara, mas depois Will passou por um pequeno surto e escreveu bilhetinhos para o resto da família saindo do armário. Austin fez Will destrancar a porta do banheiro no meio de uma diarreia nervosa para responder todas as perguntas que Austin tinha sobre como Will havia se descoberto e porque Austin não havia sido o primeiro a saber sobre. Ter que passar um relatório de sua atração sexual para o seu irmão gêmeo no meio de uma diarreia com todos os sons do cocô batendo na água realmente era intimidade demais.
Will e Austin também tinham dificuldades às vezes em se ver como indivíduos diferentes, porque mesmo tendo aparências diferentes, seus pais e todos ao redor costumavam ver eles como aquelas promoções de dois por um, se Will queria ir ao shopping, então Austin teria que ir também, as coisas só começaram a ser mais separadas quando Will desenvolveu crises de ansiedade sinistras e Austin começou a ter aulas particulares de saxofone, que Will dizia que era um instrumento de velho, mas vivia pedindo para Austin tocar Viva La Vida do Coldplay pelo sax.
Tudo mudou também quando Will arrumou um namorado no último ano deles no ensino médio, o nome do garoto era Nico e Austin jurava que ele parecia ter saído daqueles filmes clichês da Disney onde o bad boy parece nunca ter visto um pente na vida ou o sol. A primeira coisa que Austin disse a Will depois que Will disse que estava namorando foi: cara, eu não acredito que você palmitou desse jeito. E Will riu, e Austin riu, mas era verdade. Se bem que eles vinham de uma família com histórico de palmitagem, então talvez estivesse no DNA ou algo assim.
E então começaram as visitas noturnas. Parecia que Nico não sabia que Will dividia o quarto com um cara que precisava de seis horas exatas de sono para continuar sendo a pessoa radiante que era, porque Nico jogava as malditas pedrinhas na janela do quarto deles e acordava Austin e, bem depois, Will. E era Austin quem tinha que abrir a droga da janela e ver Nico escalando árvores e fazendo acrobacias para entrar no bendito cômodo. Will acordava, escovava os dentes e ele e Nico começavam a se beijar e ficar falando de coisas intimas demais para deixar que Austin virasse para o lado e voltasse a dormir. Nessas noites, Austin saia da cama e dizia que ia à cozinha, que voltava em quinze minutos, então ele descia as escadas e tomava um leite quente pensando no bolo na geladeira e checando as redes sociais. Às vezes, Austin ficava na cozinha por vinte minutos, mas só porque ele era um irmão bom demais para Will. E porque ele odiava ter que pensar que traumas ele teria se ficasse no meio daqueles adolescentes cheios de hormônios, principalmente quando envolvia o seu irmão gêmeo e o cunhado.
Mas as coisas só realmente começaram a ficar complicadas quando as férias chegaram, Will e Austin iam para a mesma universidade e dividiriam um apartamento com Nico na Universidade de Nova Roma. Ali eles teriam cursos diferentes, não ficariam na mesma turma e seus horários não bateriam como antes, além disso Austin estava entrando em parafuso com todas aquelas pesquisas sobre si mesmo na aba anônima. Não que aquilo fosse ele, mas as coisas batiam.
Desde o início da adolescência, Austin percebeu que ser um homem preto significava ter diversas expectativas em si que o faziam se sentir como um objeto, expectativas de ser um cara bem-vestido, entrar dentro de um padrão que envolvia músculos e barriga chapada, sorriso brilhante, barba bem-feita, cabelos sempre bem arrumados, ser educado, escutar racistas sem soca-los, e alimentar toda aquela coisa de transar com qualquer coisa vivo que diga sim. Mas Austin estava completamente fora desse padrão, ou pelo menos não seguia ele todo.
Desde que Austin havia começado o último ano do ensino médio, a pressão para que ele perdesse a virgindade foi crescendo, crescendo e crescendo. E, sinceramente, Austin nem realmente pensava em sexo assim, ele literalmente era uma daquelas pessoas que via pornô pelos plots, ele achava engraçado ver um vídeo quando a menina pedia uma pizza e o entregador chegava e falava “quem pediu uma pizza de calabresa?”, ele passava a parte dos dois pelados e pulava para o final quando o entregador ia embora e a menina dizia “mas você nem vai querer uma gorjeta?”, ele achava realmente hilário. As péssimas atuações faziam ele ter várias curtidas e compartilhamentos no seu Twitter anônimo que ele chamava de “pornô pelo plot com A”. Era engraçado como algumas pessoas também se identificavam com ele nessa coisa.
Mas enfim, Austin estava mal, ele tinha essa dúvida sobre ele mesmo. Austin recentemente tinha percebido que todas as vezes que pensou que tinha se atraído sexualmente por alguém era mais uma atração romântica do que sexual. E tinha percebido que quando ele tentava forçar a si mesmo para fazer aquilo de transar, ele se sentia perdendo tempo, ele poderia estar comendo bolo ou só aproveitando outras coisas. E depois de ele se forçar a fazer aquilo, vinha uma onda de enjoo como se o seu corpo tentasse colocar para fora todo o desconforto que ele havia passado tentando transar com alguém sem que sentisse aquela conexão romântica. Tinha uma resposta para aquilo tudo e tudo realmente batia com o que ele vivenciava e com o que ele sentia, mas dar o braço a torcer e aceitar aquilo mudaria tudo.
Austin passou boa parte das férias sem conseguir sair da cama, afundado em ansiedade e vazio, tentando entender o que estava acontecendo em sua cabeça. Ele mal podia entender o que estava passando ao seu redor porque tudo estava focado em sua cabeça. De novo, de novo e de novo sem parar, fazendo ele ter crises de insegurança fora da cama e comer em horários estranhos e chorar como um bebezinho.
Demorou semanas para Austin realmente entender quem ele era. Demorou mais tempo ainda para ele arrancar um pedaço de papel e escrever que se identificava como assexual hetero romântico com um link para definições no “P.s.” embaixo de sua assinatura e entregar para toda a sua família antes de passar o resto da tarde fora, voltando só quando a noite já estava meio alta. Abrindo a porta, ele viu um bolo com um bilhete da família escrito “você podia ter dito isso cara a cara, mas aqui está o seu bolo assexual, Austin!”.
Austin chorou comendo o bolo e ele não soube dizer se era porque o recheio de uva e baunilha do bolo de chocolate ficava ainda mais gostoso com aquelas bolinhas que imitava metal e chantilly ou se era porque ele se sentia realmente ele mesmo dentro do ambiente familiar finalmente.
Austin estava feliz, ele estava radiante, mesmo com Will insistindo para eles colocarem pack gêmeas de “o allo e o ace” e “a panela e o bolo” e “o bi gourmet e o aliado” nas redes sociais. Austin ainda estava trabalhando as ideias de Will para serem convertidas em pulseiras e não em packs da internet, porque Austin não queria ser lembrado compactuando com as loucuras delirantes do irmão gêmeo. Bem, talvez finalmente entendessem que eles são duas pessoas diferentes, mas gêmeas, hm?
Notas finais
O que acharam? Eu confesso que é a primeira vez que escrevo sobre uma vivência tão estupidamente específica de mim! Então kkk aqui estou eu!
Comentários e favoritos são bem-vindos!
Até a próxima!
Xx
Lah ♥
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