TWILIGHT: O Destino de Renesmee Cullen
1 Capítulo 1
BELLA SWAN
Eu não demorei a perceber que Renesmee era parecida comigo.
Não nas coisas óbvias, notadas de cara, como uma expressão automática ou um gesto semelhante. Mas naquelas mais complexas. Aos poucos, ela demonstrava seus sinais de independência, crescendo de forma tranquila e cheia de descobertas.
Eu tentei, é claro, e ainda tentava ser uma mãe presente, ajudando-a com o que precisasse. Mas Renesmee gostava de fazer as coisas sozinha. Era como eu, aprendendo a se virar desde sempre e desejando conquistar o mundo por conta própria.
Tenho de confessar que gostei disso. Era uma novidade, obviamente, ver alguém que nascera de mim andando por aí, demonstrando minhas características como se tivessem sido duplicadas.
Renesmee adorava ler. Conquistara o hábito muito cedo, e, diversas vezes, eu a pegava isolada em algum lugar, observando o rio ou vendo a paisagem, com um livro na mão. Adivinhava que ela gostasse desses momentos solitários tanto quanto eu.
Porém, agora, havia uma diferença. Pela primeira vez, pude ver as coisas um pouco pelos olhos de meu pai, ou daqueles que conviveram tempo o bastante comigo. Como mãe, era inevitável que eu ficasse preocupada com ela, desejando ler sua mente e saber se tudo estava mesmo bem. Por que ela se isolou hoje de novo? Por que preferiu ler em vez de dar um passeio com Alice? Será que está tudo bem? Será que ela precisa de algo?
Chegava a ser estranho, fato que eu já comentara diversas vezes com Edward. Eu sempre fui assim. E eu crescera bem. Então por que a preocupação tão exagerada com ela agora?
— Porque talvez parte de você desejasse que ela fosse diferente — dissera Edward uma vez, sorrindo consolavelmente, quando eu o perguntara sobre isso. — Talvez, não sei, querer que ela viva coisas que você não quis vivenciar.
Eu quis discordar, mas talvez houvesse mais verdades nas palavras dele do que eu gostaria de admitir. Não fora eu quem muitas vezes tivera problemas com autoestima, afinal? Me colocando para baixo por ser quem eu era? Talvez isso ainda existisse dentro de mim. Talvez parte de mim se preocupasse com o tipo de pessoa que Renesmee escolheria ser.
Era complexo. Mas, por outro lado, eu também me preocuparia se a situação fosse diferente. Se ela desejasse sair constantemente e aproveitar de uma vida agitada, conhecendo o mundo. Me preocuparia em saber onde ela estaria, se estaria bem. Mesmo que soubesse que Jacob estaria sempre por perto... um amigo que minha filha com certeza escolheria ter em todas as suas aventuras.
— Ei, tudo bem?
Levantei meu olhar, encontrando os olhos reconfortantes de Edward. Ele sorria para mim, pouco antes de sentar-se à mesa também.
Sorri de volta, mesmo que houvesse sido um sorriso fraco, e assenti devagar.
— Hoje está mais tranquilo. Mal sinto a sede de sangue. — Peguei mais um morango da tigela, saboreando devagar para sentir o gosto da fruta. — Estava pensando nela.
Edward pegou em minha mão, a que estava disposta sobre a mesa, e sorriu de novo.
— Ela está bem. Acabei de falar com Alice.
Olhei aflita para ele, embora sentisse como se um peso houvesse caído de meus ombros.
— Onde eles estão agora?
— Fazendo uma trilha até a cachoeira de Jesmond. Renesmee está adorando.
— Que bom.
Suspirei, tentando relaxar ao olhar para as grandes janelas de vidro atrás de Edward, que tinham uma vista fantástica das montanhas. Iam do teto até o chão, como da casa em Forks, e o clima nublado devido à época do ano impedia que o sol nos afetasse.
Era uma casa de campo. Alugamos faz alguns dias, pois eu queria ficar pelo menos um pouco perto dela.
Renesmee estava com quatorze anos. Uma idade avançada, embora seu crescimento acelerado tivesse me deixado desacostumada. Na minha cabeça, ela ainda possuía uns onze, idade em que se interessara pelo céu. Ela passara muitas noites vendo as estrelas com Edward... por mais que eu insistisse que precisava dormir.
A tranquilidade que ela passara como criança fora impressionante. Diferente das complicações do útero, Renesmee nunca nos dera trabalho. Sempre fora uma garota obediente, interessada em aprender e ouvir. Inteligente, observadora. Bondosa. Gostava de aprender sobre instrumentos, sobre os pássaros no céu, sobre mergulhos no oceano.
Entretanto, o que permanecera fora a leitura. Aos poucos ela conquistara Renesmee, atraindo sua atenção cada vez mais. Agora, aos quatorze, ainda tentava manter a chama pelo conhecimento acesa, mas nós sabíamos que a leitura a atraía mais. Era o que a ganhava: um bom e velho livro, não importando qual fosse. Renesmee se empoleirava numa árvore e passava o dia lá, mergulhada naquelas páginas.
Fora semana passada que ela deixara a leitura um pouco de lado. Comecei a flagrá-la rindo, junto de Emmett, os dois concentrados em algo na tela do computador. Estavam falando sobre trilhas. Passeios e cachoeiras. Renesmee ficara animada com a ideia, e Alice se empolgara também.
Em menos de uma semana, já estávamos viajando, embora Alice tivesse insistido que seria bom eu e Edward passarmos um tempo sozinhos. Mas eu queria acompanhá-la. Sabia que meu tempo com Renesmee era curto até que ela crescesse mais, então cada segundo ao seu lado era precioso. Além disso, eu também gostava de observá-la, de ler suas semelhanças em mim e pensar no que poderia fazer para ajudá-la a crescer bem.
Porém, aqui estávamos. Isolados numa casa de campo enquanto ela estava longe de mim, crescendo. Tinha medo, por mais que não soubesse exatamente o motivo.
— Bom, já ficamos aqui por tempo demais — disse Edward de repente, suspirando, antes de estender a mão para mim. Aceitei, me levantando, e sentindo o vento de imediato bater contra o meu rosto. Amei a sensação.
Eu costumava amar muitas coisas desde que me tornara vampira. Coisas simples, coisas que talvez eu tivesse deixado passar anteriormente.
— Aonde vamos? — eu perguntei, curiosa, conforme ele me puxava pela mão escada abaixo, pelos degraus de madeira em espiral, que faziam eu me sentir dentro de um sonho, conhecendo lugares e coisas que nunca imaginei que um dia conheceria.
— É uma surpresa, Sra.Cullen — disse Edward sedosamente, me fazendo morder o lábio de curiosidade conforme deixava-o me guiar casa afora.
Bom, eu precisava relaxar. Renesmee estava crescendo bem, e era isso o que importava.
Eu só não podia deixar de pensar e sonhar com o rumo que ela escolheria, com a pessoa que se tornaria a cada novo ano. Eu sabia que era e seria sempre uma nova descoberta, pois ela própria estava na busca de conhecer o seu destino.
Um destino que, com sorte, faríamos de tudo para ser o melhor possível.
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