THE WALKING DEAD: Season 1
5 Confiar ou não?
Notas iniciais
Ao momento em que deitei minha mão a porta e empurrei-a, dei de cara a tais. Tais pessoas. Um homem de pele negra com cabelos escuros, um outro de pele clara e cabelos ruivos, uma adolescente de aproximadamente minha idade com cabelos loiros e compridos. Ao canto, um garoto de touca e cabelos castanhos, admirando um canivete. Todos estavam olhando pra mim, com uma cara de indignação. Porém, antes que pudesse sair correndo, tal homem de cabelos negros puxou sua arma e mirou-a para mim.
– Você não se mova! — Gritou tal.
– Eu não v-vou! Não atire, eu não quero problemas! — Exclamei.
– Você é um bandido por acaso?
– Não, eu não sou! Eu... — Por uns segundos fiquei em silêncio, subtamente havia esquecido como teria chegado lá.
– Diga, jovem. — Disse o homem de cabelos ruivos.
– E-Eu... — Lembro-me, então. — Estava sendo perseguido por homens, então tive de pular no rio, onde perdi a memória. Acordei a beira do rio, quando estava inconsciente, vi a Casa de Pesca e corri pra cá.
– Ele caiu no rio? Deve estar morrendo de frio... — Disse a loira, no fundo da sala. Não havia notado antes, porém percebi ao instante o quanto minhas mãos, levantadas, e minhas pernas tremiam. Minha mochila e meu agasalho estavam ensopados, e meus tênis já estavam a transbordar de água.
– Espera, os bandidos atacaram ele? — Disse o homem ruivo.
– Eles estavam com uma besta? — Perguntou o homem moreno.
– Sim, estavam. — Respondi, com a voz trêmula.
Tal homem então, me observando, guardou sua arma em seu cinto, surpreendentemente. Achei que seria enxotado, porém suas únicas palavras foram:
– Lisa, traga uma troca de roupas para o garoto.
– Sim, já vou. — Então "Lisa" correu até um cômodo de tal casa.
– Meu nome é Brandon. Este é Mark — Disse, apontando ao homem ruivo -, e aquele lá é Luke — Disse Brandon, apontando ao garoto no canto da sala. — Mas, ele é muito quieto, duvido que irá conversar contigo...
Ao mesmo instante que terminou a sentença, Lisa correu a mim com um edredon, na qual enrolei rapidamente sobre meu corpo.
– Pode ficar aqui até as coisas melhorarem. Mas lembre-se, nós estamos de olho em você, menino. — Exclamou Mark.
– Meu nome é Caleb.
– Bom... — Disse, sarcástico.
Lisa me guiou até um sofá, onde ficava ao meio da sala. Sentou-me ao sofá, na qual me encolhi na esperança de me esquentar.
– Você não estava com algum grupo? — Perguntou Lisa.
– Eu sobrevivi até aqui sozinho...
– S-Sozinho? Sério?
– Sim, porque? — Disse, com a voz trêmula.
– É muito raro ver pessoas que andam sozinhas. A maioria somente se encaixam em um grupo grande, com mais chances de sobreviver...
– Foi o que você f-fez? — Minha voz ainda era incerta pelo frio. Antes de saber que estava com frio, não estava tremendo. Então, deve ser totalmente psicológico.
– Eu... Bem...
– Desculpe, eu não q...
– Eu e meus amigos fugimos da cidade. Quando fomos a beira dela, bem... Estava cheia de walkers. Então um deles acabou por morder meu amigo. Tudo o que fiz foi gritar, e chamar mais atenção. No momento em que pensei que iria morrer, Brandon e Carl chegaram e me levaram para longe dali. Eu me debati, pois sabia que um dos meus amigos havia ficado lá... Essa é minha história.
– Meus pêsames... — Então, ela os chama de "walkers"...
– Não é nada... — Mirei meu olhar até o garoto do canto da sala, Luke.
– E o garoto ali?
– Luke...? Os encontramos na estrada totalmente sozinho, praticamente sem energias. Desde que conhecemos ele, ele quase nunca falou. Ele não nos contou como ele chegou lá.
– Entend-do...
Ao instante percebi que minha tremedeira não iria parar, então lembrei-me de minhas roupas molhadas. Só estavam deixando o edredom molhado também. Logo, levantei-me e fui até um suposto banheiro, onde mudei as trocas de roupa, e voltei a sala. Quando olho, me deparo com Brandon.
– Seus olhos estão se fechando praticamente.
Esfreguei meus olhos levemente, seguido da frase:
– Não preciso dormir, obrigado.
– Não perguntei se precisa, estou lhe mandando. — Brandon apontou até uma suposta escada, que levava aos quartos. — Vá no último quarto do corredor, lado direito.
Acenei a cabeça, indicando um "sim". Subo as escadas, e vou ao local pedido, onde me jogo em uma cama dura e suada. Não era, com certeza, a melhor. Mas desde que a epidemia começou, eu não dormi. Sinto como se, de alguma maneira, eu poderia dormir em paz. Uma sensação fluiu de meu corpo... Uma de segurança. N]ao demorou muito até eu adormecer.
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