TERCEIRO SET

6 Capítulo 05: Mas Enfim, Acontece


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Maurício acordou com alguém batendo na porta do quarto. Não, não era na porta. Era na própria cabeça. Abriu os olhos devagar e imediatamente se arrependeu.

A claridade atravessava a cortina como se tivesse sido criada exclusivamente para incomodar pessoas de ressaca.

Do outro lado do apartamento, ouviu um gemido.

— Me lembra...

Lucas apareceu na porta do quarto segurando uma garrafa d'água como quem segurava a última esperança de sobrevivência.

— ...de nunca mais tentar acompanhar o Fernando na cachaça.

Maurício riu, ainda deitado.

— Primeiro, não era cachaça.

— Pior ainda.

Lucas massageou as têmporas.

— Whisky.

Maurício levantou lentamente da cama.

— Whisky e vodka.

Lucas fez uma expressão de sofrimento.

— Não precisava lembrar desse detalhe.

— Vocês dois também podiam lembrar que tinham treino cedo antes de decidir descobrir qual bebida derrubava vocês primeiro.

Lucas abriu a geladeira. Encontrou apenas uma caixa de leite.

— Eu culpo o Fernando.

— Claro.

— Ele tem cara de quem faz péssimas escolhas.

— E você deliberadamente segue todas.

— Elas parecem ótimas na hora.

Maurício passou pela cozinha rindo. Apesar da ressaca do amigo, acordou estranhamente bem. Talvez porque tivesse dormido pouco. Ou porque passou boa parte da madrugada revivendo os acontecimentos do depósito. Toda vez que fechava os olhos... lembrava de Felipe.

Respira junto comigo.

A gente vai sair daqui.

Balançou discretamente a cabeça. Precisava parar de pensar nisso.

Quinze minutos depois, os dois já atravessavam o corredor do prédio. Lucas caminhava devagar, usando óculos escuros apesar do sol ainda tímido da manhã.

— Você tá ridículo.

— Eu tô apenas sobrevivendo.

Desceram os poucos degraus da entrada. Foi então que Maurício viu Felipe. Saía do bloco em frente exatamente como na manhã anterior. Mochila em um dos ombros, chaves girando distraidamente no indicador. Fones pendurados no pescoço. Parecia que aquilo já fazia parte da rotina.

Lucas acompanhou o olhar do amigo.

Sorriu.

— Mau...

Maurício já sabia.

— Nem começa.

— Será que hoje eu posso pedir carona?

Maurício olhou para o estado do companheiro. Olheiras profundas, cabelo completamente desalinhado. A expressão de quem travava uma batalha pessoal contra a própria existência.

Acabou rindo.

— Hoje eu faço essa concessão.

— Sabia que você tinha coração.

Lucas acenou sem qualquer cerimônia.

— Ô, capitão!

Felipe ergueu os olhos. Reconheceu os dois imediatamente. Retirou um dos fones do pescoço e se aproximou.

— Bom dia.

Olhou rapidamente para Lucas, depois para Maurício.

— Tão bem?

Lucas respondeu antes de qualquer um.

— Mais ou menos.

Felipe sorriu.

— Querem carona?

Maurício lançou um olhar para Lucas.

— Você falou alguma coisa?

— Eu?

Lucas levou a mão ao peito, ofendido.

— Jamais.

Felipe observou a cena por um instante.

— Não precisava falar. Acho que dava pra perceber.

Lucas soltou uma risada.

— Tá vendo? Ele é um homem de muita fé.

Seguiram até o estacionamento. Quando Felipe destravou o carro, Lucas fez um movimento rápido. Empurrou discretamente Maurício em direção ao banco do passageiro.

— Vai na frente.

— Mas—

— Minha cabeça tá implorando pra eu ir deitado atrás.

Antes que Maurício pudesse protestar, Lucas já havia aberto a porta traseira e praticamente se jogado no banco.

Felipe apenas balançou a cabeça, divertido.

— Tá vivo aí atrás?

— Ainda não tenho certeza.

O motor ligou. Por alguns segundos, ninguém falou. Felipe conectou o celular ao painel. Logo uma música começou a tocar em volume baixo. Maurício reconheceu a cena imediatamente.

Há um vilarejo ali

Onde areja um vento bom

Na varanda, quem descansa

Vê o horizonte deitar no chão

No treino, Felipe quase sempre usava fones. No ônibus, também. Vivia cantarolando distraidamente enquanto guardava material ou caminhava entre uma quadra e outra. Parecia nunca estar completamente sem música. Talvez nem soubesse ficar.

O silêncio dentro do carro durou pouco. Felipe manteve os olhos na avenida.

— Maurício.

Ele virou o rosto. Ainda era estranho ouvir o capitão iniciar uma conversa.

— Tá melhor?

Maurício demorou um instante para responder.

— Tô. — Fez uma pequena pausa. — Melhor.

Felipe apenas assentiu. Como se aquela resposta bastasse, o silêncio voltou. Lucas observava tudo pelo retrovisor interno. Parecia assistir a uma peça de teatro. Não aguentou muito tempo.

— Eu ainda tenho várias perguntas...

— Lucas.

Maurício o interrompeu imediatamente.

— O quê?

Lucas levou a mão à testa.

— Vou deixar passar. — Fechou os olhos dramaticamente. — Parece que a Beija-Flor está tocando dentro da minha cabeça.

Felipe riu baixo.

— Não lembro de ter visto você beber tanto assim.

— É porque você não viu. — Maurício respondeu antes que Lucas pudesse inventar alguma desculpa. — Ele e o Fernando roubaram a terceira garrafa de whisky da cozinha.

— Aquilo tava abandonado.

— Lucas.

— Tá bom...

O carro foi tomado por uma risada discreta. Até Lucas acabou rindo da própria falta de argumento. Pela primeira vez, Maurício sentiu que conversar com Felipe não parecia exigir esforço.

Era diferente. Ainda estranho. Mas diferente.

Alguns minutos depois, o carro entrou pelo portão principal do clube. O estacionamento já estava cheio. Atletas caminhavam apressados em direção ao ginásio. A rotina começava outra vez. E, junto com ela... as versões de cada um também.

O ginásio ainda estava mais silencioso do que o normal. Alguns atletas caminhavam devagar, segurando garrafas d'água como se elas fossem medicamentos. Fernando passou por Lucas.

— Tá vivo?

— Não.

— Boa.

Os dois seguiram em frente sem acrescentar mais nada. Maurício sorriu. A tranquilidade terminou quando Murilo entrou na quadra. Não precisou levantar a voz. Bastou sua presença e as conversas desapareceram.

— Bom dia.

Ninguém respondeu com muito entusiasmo.

Murilo observou o grupo por alguns segundos.

— Imagino que alguns tenham tido uma ótima noite.

Algumas risadas tímidas surgiram.

— Fico feliz. — Fez uma pequena pausa. — Porque agora vocês vão descobrir que ressaca também faz parte do processo seletivo.

As risadas morreram imediatamente.

— Vocês continuam sendo avaliados. Todo treino conta. Todo fundamento conta. Todo erro conta. Então espero que ninguém tenha deixado talento na festa de ontem.

Bateu palmas uma vez.

— Vamos.

A equipe se espalhou pela quadra. Felipe caminhou até o centro. A expressão leve da carona havia desaparecido. Os ombros estavam retos, a voz voltou a ser firme.

— Lucas, recepção. Fernando, comigo. Maurício, entra na linha três.

Sem "bom dia", sem brincadeiras, sem sorrisos. Era outra pessoa.

Maurício estranhou. Ainda fazia menos de uma hora que conversavam normalmente dentro do carro. Agora parecia distante outra vez.

O treino começou.

Recepção.

Defesa.

Transição.

Ataque.

Murilo interrompia sempre que alguém errava.

— De novo. Outra vez. Mais rápido. Outra. Isso tá lento.

O ritmo aumentava a cada sequência. Maurício respirava cada vez mais pesado, até que errou uma recepção. A bola desviou para fora da quadra.

— Maurício!

A voz veio antes mesmo de a bola tocar o chão.

Paulo André. O líbero veterano caminhou até ele.

— Você tá defendendo ou desviando da bola?

Maurício abaixou a cabeça.

— Foi mal.

Novo saque. Nova recepção. Outro erro. Paulo soltou um riso sem humor.

— Se for pra receber assim, pede pra jogar de ponteiro.

Alguns jogadores trocaram olhares, ninguém falou nada. Maurício apenas voltou para a posição. Murilo observava em silêncio como se esperasse para ver até onde aquilo iria.

Outro saque.

Maurício acertou. Paulo ainda assim balançou a cabeça.

— Tá inseguro demais. Vai sobrar pra quem tiver do teu lado.

Maurício respirou fundo. Tentou ignorar, mas Paulo não parou.

— Não tamo jogando no interclasse do Ensino Médio, mais atenção, caralho!

Antes que Maurício pudesse responder—

— Chega.

A voz de Felipe cortou a quadra inteira. Não foi alta, mas foi suficiente.

Paulo virou lentamente.

— Tô corrigindo.

Felipe caminhou até os dois.

— Corrige. Não humilha.

Paulo sustentou o olhar por alguns segundos.

— Desde quando você resolve como eu treino?

Felipe respondeu sem alterar o tom.

— Desde que eu virei capitão do time, baixa a bola.

Silêncio.

A quadra inteira parou.

Felipe continuou.

— Que isso, Paulo. Relaxa. Você nunca foi disso.

Por um instante... o rosto de Paulo mudou. Como se aquela frase tivesse acertado algum lugar que ele tentava esconder.

Ele desviou os olhos.

Respirou fundo.

Pegou uma bola.

— Esquece. Tô sem paciência hoje.

Virou as costas e caminhou em direção ao vestiário.

Murilo esperou a porta fechar.

Depois olhou para o restante da equipe.

— Intervalo de cinco minutos.

Ninguém comentou o que havia acontecido. Mas todos tinham visto, inclusive Maurício. Pela terceira vez em menos de vinte e quatro horas... Felipe era alguém diferente.

Na quadra, não havia o rapaz que dirigia ouvindo música. Nem o homem que o ajudou no depósito. Nem o representante sorridente da festa. Ali... existia apenas o capitão.

Maurício se deu conta que talvez todas aquelas versões fossem verdadeiras ao mesmo tempo. Só ainda não sabia qual delas era realmente Felipe.

O ginásio esvaziava aos poucos. As conversas se espalhavam pelos corredores. Alguns atletas seguiam para a academia, outros direto para o vestiário. Fernando já discutia com Lucas sobre qual dos dois havia sofrido mais durante o treino.

— Você nem treinou direito.

— Meu corpo tava em greve.

— Seu corpo sempre tá em greve.

Lucas olhou para Maurício.

— Pode ir na frente.

Maurício franziu a testa.

— Ué?

Fernando puxou Lucas pelo braço.

— Vem. Quero provar que você corre mais devagar que um central da série B.

— Eu tô de ressaca!

— Problema seu.

Os dois desapareceram corredor afora. Maurício permaneceu na quadra. Na verdade... nem ele sabia exatamente por quê. Talvez porque ainda precisasse organizar o próprio treino, talvez porque estivesse cansado. Ou talvez porque soubesse que Felipe era sempre o último a sair.

Felipe recolhia algumas bolas para o carrinho. Era curioso. Mesmo sendo capitão, fazia questão de ajudar a guardar tudo. Como se aquele trabalho também fosse dele. Maurício pegou duas bolas espalhadas perto da linha de fundo. Depois mais três. Quando percebeu... já estava ajudando.

Os dois trabalharam em silêncio durante alguns instantes.

Felipe empurrou o carrinho até a rede. Maurício colocou a última bola dentro.

— Valeu.

Felipe ergueu uma sobrancelha.

— Pelo quê?

— Pela situação com o Paulo.

Felipe deu de ombros.

— Ah... — Fez uma pausa. — Não foi por isso.

Maurício esperou.

— Ele voltou meio diferente desde que machucou o joelho no ano passado.

Felipe observou rapidamente a porta do vestiário.

— Isso não é muito a cara dele.

Maurício assentiu. Ainda assim sorriu.

— Mesmo assim... Valeu.

Felipe fechou a tampa do carrinho. Depois olhou diretamente para ele, Um sorriso pequeno apareceu no canto da boca.

— Você faz isso o tempo todo.

— O quê?

— Agradece.

Maurício franziu a testa.

— Ué... É educação.

— Não. — Felipe respondeu sem pensar. — Parece culpa.

Os dois ficaram alguns segundos em silêncio.

Maurício acabou rindo.

— Tá bom, Dra. Nair.

Felipe também riu.

Uma risada leve.

— Eu ia falar isso. — Fez uma pequena pausa. — Mas você também tá tentando ser meu amigo.

Maurício balançou a cabeça.

— Ah, não... De novo essa história?

— Tô errado?

— Bastante.

Felipe cruzou os braços.

— Então por que você ficou?

Maurício abriu a boca para responder. Nenhuma resposta veio porque nem ele sabia. Os dois se encararam por um instante. Felipe venceu primeiro, sorriu discretamente.

— Foi o que pensei.

Maurício bufou.

— Você é muito convencido pra alguém com esse topete penteado por vó.

— Eu escuto isso com frequência.

— Imagino.

— Normalmente de mulheres.

Maurício deu uma risada involuntária.

— Agora sim você ficou convencido.

— Agora?

Os dois riram. Era estranho. Era uma conversa que parecia acontecer sem esforço. Sem constrangimento ou obrigação. Sem que um precisasse medir cada palavra.

Felipe pegou a mochila.

— Vamos?

Maurício apenas assentiu. Saíram juntos da quadra. O corredor estava quase vazio. O barulho dos outros atletas vinha distante, misturado ao som das duchas ligadas no vestiário.

Caminharam lado a lado por alguns metros. Foi então que o celular de Felipe vibrou. Ele olhou para a tela e sorriu antes mesmo de atender.

— Oi, linda.

A voz mudou completamente. Ficou mais leve. Mais solta. Mais... íntima.

Felipe diminuiu o passo, sem perceber, Maurício continuou caminhando ao lado, ouvindo apenas pedaços da conversa.

— Chega hoje?

Uma pequena risada.

— Claro que eu lembro da senha da fechadura.

Mais alguns segundos.

— Trouxe o quê de Milão pra mim?

Outra risada. Dessa vez mais alta, espontânea. Maurício nunca tinha ouvido Felipe rir daquele jeito.

Nem com Fernando.

Nem com Lucas.

Nem no depósito.

Nem durante a carona.

Felipe parecia em casa. Sem perceber, Maurício diminuiu o próprio passo. Deixou alguns metros entre os dois.

"Linda."

"Senha da fechadura."

"Milão."

As peças se encaixaram rápido demais.

Então ele namora.

Sentiu um aperto estranho no peito. Não era exatamente tristeza, também não era ciúme. Era só uma decepção silenciosa por descobrir que aquela versão de Felipe, a mais leve de todas, provavelmente pertencia a outra pessoa.

Felipe encerrou a ligação sorrindo. Guardou o celular no bolso, olhou para o lado.

— Foi mal...

Esperou resposta. Nenhuma. Franziu a testa, olhou para trás. O corredor estava vazio.

— Ué... Cadê ele?

Maurício já havia dobrado o corredor. Sem olhar para trás, dessa vez foi ele quem decidiu encerrar a conversa antes de Felipe.

Maurício abriu a porta do apartamento falando.

— ...e eu ainda acho que o Murilo exagerou naquela sequência de saque. Não faz sentido repetir oito vezes a mesma formação se—

Largou a mochila no sofá.

— Quer dizer, faz sentido... mas oito também já é um pouco de sadismo, né?

Abriu a geladeira.

— Inclusive eu tô com uma fome absurda. Será que ainda sobrou aquela lasanha de ontem?

Nem esperou resposta. Continuou andando pela cozinha.

— E o Fernando realmente corre mais rápido do que parece. Achei que ele tava brincando, mas—

Lucas fechou a porta atrás dos dois. Ficou observando a cena por alguns segundos. Maurício continuava falando.

Sobre o treino.

Sobre o ginásio.

Sobre a comida.

Sobre qualquer coisa.

Qualquer assunto, menos o que realmente estava ocupando sua cabeça. Lucas cruzou os braços.

Esperou.

Esperou mais um pouco. Até que interrompeu.

— Maurício.

— Hm?

— Respira.

Maurício piscou.

— Eu tô respirando.

Tomou um gole de água direto da jarra.

— Não.

Lucas sorriu.

— Você tá fazendo um podcast.

Maurício soltou uma risada curta.

— Nada a ver.

Abriu um armário. Fechou. Abriu outro.

— Será que acabou o café?

Lucas caminhou até a bancada.

— Tá. — Silêncio. — O que aconteceu?

Maurício respondeu rápido demais.

— Nada.

Lucas apenas arqueou uma sobrancelha.

— Ah. Então deixa eu reformular.

Se aproximou.

— O que aconteceu depois que você ficou a sós com o Felipe?

Maurício continuou mexendo distraidamente na cozinha. Pegou um copo. Depois percebeu que nem estava mais com sede. Colocou de volta.

— Nada demais. A gente só conversou, guardou as bolas. Foi embora.

Lucas assentiu lentamente.

— Entendi.

Fez uma pausa.

— Então por que você tá falando sem respirar desde que entrou aqui?

Maurício finalmente parou. Olhou para o amigo. Bufou.

— Ele tem namorada.

Lucas ficou completamente imóvel. Processando.

— O quê?

— Ele tem namorada.

Lucas repetiu mentalmente a frase. Depois olhou para Maurício, depois sorriu. Devagar. Um sorriso perigoso.

— Rapaz...

Olha bem para Maurício.

— Você tá afim do capitão.

— Não.

— Acho... — Lucas começou a rir. — Acho que você acabou de se entregar.

Maurício pegou a primeira almofada que encontrou no sofá.

— Cala a boca.

A almofada acertou o peito de Lucas.

— Ai!

— Você é insuportável.

Lucas continuava rindo.

— Você conheceu o cara faz o quê? Uma semana?

— Na verdade eu conheci ele há dois anos...

— Não conta. — Lucas pegou a jarra da mão dele. — Você nem lembra daquele dia. De qualquer forma você já tá preocupado porque ele pode ter namorada?

Maurício passou a mão no rosto.

— Eu não tô preocupado.

— Não?

— Não.

— Então por que isso foi a primeira coisa que você resolveu me contar?

Silêncio. Maurício abriu a boca, fechou de novo. Não encontrou resposta.

Lucas aproveitou.

— Ah...

Agora entendi.

— Lucas...

— Você tá afim do capitão. Eu achei que você só queria que ele gostasse de você como jogador. Agora eu tô começando a achar que o problema é outro.

— Eu vou te matar.

— Não vai. — Lucas pegou a almofada de volta. — Porque você tá ocupado demais pra cometer um homicídio.

Maurício riu contra a própria vontade.

— Você é um idiota.

— Sou.

Lucas deu de ombros. Depois que seu sorriso diminuiu, respirou fundo.

— Falando sério agora.

Maurício esperou.

— Se ele realmente tem namorada... Deixa isso pra lá, pela tua paz.

Pausa.

— Vocês treinam juntos. Moram praticamente um do lado do outro. Vão viajar juntos. Se isso virar um problema... vai virar um problemão.

Olhou para o amigo.

— Eu não tô falando porque acho errado. Tô falando porque gosto de você. Não deixa uma coisa que nem começou bagunçar tua cabeça. Ainda mais agora. Tem competição chegando.

Maurício assentiu.

— É. Tem razão.

Foi até a janela. Sem perceber seus olhos procuraram automaticamente o bloco em frente. Respirou fundo.

No fundo... não era a possibilidade de Felipe namorar alguém que o incomodava. Era perceber que a versão mais leve, mais espontânea e mais feliz dele parecia pertencer a outra pessoa.

E, por algum motivo que ainda não conseguia explicar... isso doía um pouco.

🏐

Fim do capítulo.

💬 Agora eu quero saber de você:

O que você acha que MauMau deveria fazer?

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Nos vemos já, já. Às 20h15.

— Henrique Bravi