(Trilha Sonora: What Hurts The Most — Cascada)

.P.O.V. Soluço.

A Kyra já tinha ido embora há um tempo, estávamos só eu, Rida e a minha mãe, até que ouvirmos um barulho vindo da porta, era o meu pai, assim que ouvi passos no andar de baixo, pedi para a minha mãe ir conversar com ele, ficando sozinho com a Rida.

– Nossa, você deve estar bem feliz. — ela comentou. — Tipo, sua mãe apareceu!

– É, eu não poderia estar mais feliz. — respondi. — Bem, talvez...

– Como assim "talvez"?

– Eu queria alguém que me fizesse feliz que nem a minha mãe faz meu pai feliz, uma pessoa para fazer feliz.

– Relaxa, também estou sozinha.

– Você está sozinha porque quer. — eu disse, me arrependendo logo depois.

– O que você quer dizer com isso? — ela perguntou, um pouco irritada.

– Você é linda! — eu falei, corando. — Aposto que tem um monte de gente querendo namorar você!

– E você é a pessoa mais interessante que eu conheço!

– Mas ninguém ia querer me namorar! Eu sou só um mané.

– Você é meu amigo. — ela disse, encostando no meu ombro.- E isso já é o suficiente, você NÃO É um mané!

– Por que acha isso? — eu perguntei. — Falando sério, você me defendeu no primeiro dia de aula sem nem me conhecer, e até hoje você faz isso, às vezes, por que você fez isso?

– Bem, isso nem eu sei. — ela sorriu. — Acho que é porque eu não gosto de ver pessoas boas tristes.

– Mas você não sabia se eu era bom ou não.

– Sabia sim! -ela argumentou. — Você é uma daquelas pessoas que a gente sente que pode confiar.

– O-Obrigado, eu acho...

Ficamos em silêncio por um tempo até ouvirmos um barulho estranho vindo do quintal, descemos para checar, sem passar pela cozinha, pois meus pais estavam lá, fazendo sabe-se-lá o quê. Assim que pisamos no gramado, ouvimos o mesmo barulho, mas agora ele vinha da floresta que fica perto das nossas casas, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, a Rida saiu correndo para lá.

– Rida, espera! — eu gritei. — Pode ser algo perigoso, espera! MERIDA!

Ela não me escutava, só continuava correndo, mas, de repente, ela caiu em algum lugar, e eu, que não consegui parar a tempo, caí junto. Aquele era um buraco estreito, e nós estávamos caindo, e caindo, e caindo, parecia que a queda não ia acabar nunca.

.P.O.V. Alice.

Estava conversando com o Chapeleiro Louco sobre a diferença entre um corvo e uma escrivaninha, já era a terceira vez naquela semana que tínhamos essa discussão, de repente, escutei um barulho de alguém caindo, fui checar a entrada do buraco e encontrei dois adolescentes, uns três ou quatro anos mais velhos do que eu, o garoto esfregava a cabeça, confuso, a garota já tinha levantado e começou a observar o local.

– Quem são vocês? — perguntei. — Eu sou Alice.

– Eu sou a Merida, esse é o Soluço. — disse a garota, apontando para o garoto.

– O que estão fazendo aqui? — perguntei, preocupada.

– Nós caímos aqui! Aliás, que lugar é esse? — perguntou o garoto.

– Aqui é o País das Maravilhas, é bem legal vir visitar esse lugar. Mas, por que estavam andando por aqui?

– Ouvimos um barulho estranho e viemos investigar. — respondeu a garota

– Ah, devem ser os roncos do caxinguelê. — disse o Chapeleiro Louco, rindo. — Aquele danado sempre dorme.

– E, como fazemos para voltar? — perguntou o garoto, preocupado.

– Bem, ou vocês vão com o Peter, ou vocês podem montar no Jaguadarte. Mas, se puderem chamar alguma ajuda, seria melhor. — comentei.

– Chama o Banguela! — disse a garota, olhando para o garoto.

– Ah, é! — ele disse, e deu um assobio forte.

Logo depois, um enorme dragão negro pousou na frente deles.

– Ai. Meu. Deus! — eu disse, animada.- É a personificação do Jaguadarte! Só que mais fofa!

– Bem, temos que ir, Alice, tchau! — disse a garota, montando no dragão bem atrás do garoto.