TBF - Tempos Modernos
37 Essa é nova!
Notas iniciais
(Trilha Sonora: Firework — Katy Perry)
.P.O.V. Merida.
Afastei umas moitas e fui pararem uma clareira, e, bem no meio dela, havia um dragão! Mas, ele era IGUAL ao Banguela, a única diferença era que o dragão que estava na minha frente era branco com os olhos vermelhos, espera, um Fúria da Noite albino?! Nossa! O Soluço vai surtar se vir isso!
Deixei meu arco e minha aljava de flechas pendurados em um galho e me aproximei lentamente do dragão, que se virou e ficou me encarando. Pensei seriamente que ele ia me atacar, mas, ele me observou por um tempo e dilatou as pupilas, o que me acalmou.
– Olá, você tá perdido? — perguntei, aproximando minha mão do focinho dele, que se aproximou, hesitante. — Pode ficar calmo, e não vou fazer nada.
Ele encostou a cabeça na palma da minha mão lentamente, e eu comecei a fazer carinho nele, que ronronava alto. Notei que ele estava bem magro, quase esquelético, bem, eu entendo, deve ser difícil se camuflar com essas escamas brancas.
– Ei, você está com fome? — perguntei, fazendo com que o dragão assentisse com a cabeça. — Vou pegar comida pra você, me espera aqui.
Corri em direção a casa do Soluço, afinal, quem tem peixe em casa é ele, não eu. Toquei a campainha desesperada, mas, ciente de que ele não me negaria um pouco de peixe, principalmente depois que soubesse para quem eu iria dar esse peixe.
– O que aconteceu? — ele perguntou, assim que abriu a porta e viu meu desespero.
– Preciso que você me ajude com uma coisa. — respondi, apressada. — Pode me dar um pouco de peixe, por favor?
– Claro, mas, por quê? — ele questionou, mais confuso do que antes.
– Só vai acreditar vendo, então, pega lá o peixe e eu te mostro o que encontrei!
Ele voltou para dentro e pegou o peixe, colocando tudo em uma sacola, peguei a sacola e sai, arrastando o Soluço pela mão, apressada. Voltei para a clareira e fiz sinal para que ele esperasse.
– Voltei, e trouxe um amigo meu, tudo bem por você? — perguntei, entregando os peixes para o dragão, que novamente, assentiu com a cabeça. — Pode entrar, Soluço!
A expressão no rosto do Soluço quando ele viu o dragão foi indescritível. Era uma mistura de espanto, curiosidade, felicidade, medo e mais um monte de outros sentimentos misturados. Ele se aproximou hesitante, tentando fazer carinho no dragão, que olhou para mim.
– Tudo bem. — confortei-o. — O Soluço não vai fazer nada.
Assim que eu disse isso, as pupilas do dragão voltaram a dilatar e ele se aproximou do Soluço, ronronando.
– Qual o nome dela? — perguntou Soluço. Espera aí, ela?! Como ele sabe o sexo do dragão?!
– Como sabe que é ela? — perguntei, confusa.
– Aprendi algumas coisas com a minha mãe. — ele deu de ombros. — Ah, ela tem a nossa idade.
– Bem, acho que vou chamar ela de... ah, depois eu penso nisso! — exclamei. — Afinal, o que eu faço? Levo ela pra casa?
– Você acha que sua mãe deixaria? -ele perguntou, uma pergunta retórica, claro. — Fala sério.
– É, eu sei, mas, eu não posso deixar a coitada sozinha aqui, além, do mais, é um Fúria da Noite, que eu saiba você está procurando por um há anos! — eu exclamei, indignada.
– Eu sei, eu sei, então, nós podemos levá-la pra sua casa e eu te ajudo a cuidar dela, ok? — ele perguntou, acariciando o focinho do dragão.
– Ok. — respondi.
Fomos andando em silêncio até nossas casas, sendo seguidos de perto por uma Fúria da Noite curiosa. Realmente isso está ficando interessante, chegamos na minha casa e eu fui ajeitar um lugarzinho para ela dormir, afinal, ela não pode dormir no chão, né?
Comecei a procurar uns cobertores velhos, que ninguém usa mais, e fiz uma cama para ela dentro do meu quarto, não era bem uma cama, era mais um monte de lençóis, mas estava macio e aconchegante, é o que importa, né?
Voltei para o quintal, onde Soluço estava brincando com o Banguela e com a Anônima (vou chamá-la assim até escolher um nome.). Eles pareciam estar se divertindo, então só observei de longe, o Soluço sempre teve jeito com dragões, deve ser de família, afinal, a mãe dele sabe TUDO sobre dragões, ou, pelo menos, quase tudo.
Ele percebeu que eu estava observando e acenou para que eu me aproximasse, fui até onde eles estavam e sentei do lado dele, acariciando (ou tentando acariciar) os dois dragões, que não paravam de se mexer.
– Nunca pensei que teria dois dragões no meu quintal. — brinquei. — Na verdade, nunca pensei que eles existissem.
– Sério? — ele perguntou, incrédulo. — Nem quando você era pequena?
– Não, nunca pensei que dragões existissem, nunca MESMO. — finalizei.
Depois disso, nós ficamos em silêncio, observando os dois dragões se conhecendo. Eles eram exatamente os opostos um do outro, e isso era bom, enquanto o Banguela era mais extrovertido e animado, a Anônima era mais tímida e calma. Uma dupla bem cômica, mas que combinam perfeitamente, os opostos se atraem, né?
Imaginei que, se eles algum dia tivessem filhotes, sairiam brancos, pretos e cinzas, eu acho... Mas, não tenho certeza de nada, pode ser até que a Anônima nem seja um Fúria da Noite para começo de questão, mas, eles são tão idênticos!
Mas, e se forem só raças parecidas? E se for tudo uma mera coincidência? Melhor não pensar nisso, olha como eles estão se dando bem, parece que já se conhecem a séculos! Seria bom se eu pudesse ficar com ela, estou pensando seriamente em fazer todas as vontades da minha mãe para ela deixar, menos, é claro, namorar algum daqueles mimados que ela joga pra cima de mim!
Fiquei pensando nisso por um bom tempo, até perceber que era a única acordada por lá, os três estavam dormindo, Soluço encostado no Banguela e Anônima com a cabeça no meu colo. Acordei os três, chacoalhei o Soluço de leve pelos ombros, fiz carinho na Anônima e no Banguela, e os dois foram pra casa, me deixando sozinha com a albina.
– O que eu faço com você? — perguntei, entrando em casa, com a Anônima do meu lado.
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