Tão Perto... Tão longe...
16 Karin (parte II)
Notas iniciais
SAKURA'S POV
Estava quase no esconderijo em que estive com Sasuke. Eu não tinha muitas opções de lugares para procurar, então talvez achasse pistas por lá.
Não havia ninguém na entrada da caverna, assim como não havia genjutsus ou armadilhas ao redor. Entrei cautelosamente no lugar, estava mais escuro do que eu me lembrava e silencioso também...
Fui direto para o quarto de Sasuke. E no momento em que eu sentei na cama lágrimas vieram para os meus olhos e eu senti falta de dormir ali, senti falta de estar nos braços dele, falta do calor que ele emanava...
Não! Ele não merecia isso, essas lágrimas, e eu precisava encontrá-lo para dizer isso, para tirar tudo o que estava preso na garganta. Ainda não podia engolir o fato de ter sido deixada para trás, esquecida com tanta facilidade. Não parecia o Sasuke que tinha mudado por mim, que havia dito que me amava e me levado em uma clareira linda, com minhas flores favoritas.
— O que faz aqui? – Uma voz me arrancou de meus devaneios e eu encarei a porta.
— Karin?
— O que faz aqui? – Tornou a perguntar.
— Ah, eu... – não sabia o que responder, eu não queria falar em voz alta que estava procurando por Sasuke para saber o motivo de ele ter me deixado.
Tinha uma parte grande de mim que queria bater nele, gritar até que minhas cordas vocais falhassem, mas havia outra parte que queria vê-lo mais uma vez e perguntar o que havia acontecido, conversar com ele e perdoá-lo. Eu realmente estava zangada, mas tinha medo de fraquejar assim que o visse.
— Ele não está aqui, Sakura. – O tom dela não era arrogante, estava mais para impaciente.
— Eu sei... – sussurrei.
— Então... – ergueu uma sobrancelha ruiva.
Eu apenas a encarei, não sabia o que dizer. Ela suspirou e começou a entrar no quarto, então se sentou ao meu lado, deixando-me surpresa. Eu ainda não tinha certeza de qual era a relação que Sasuke tinha com ela, e sinceramente, tinha medo de descobrir.
— Escuta, eu não sei o que houve com vocês e não quero saber. Ele não está aqui e não voltou depois de pedir que eu salvasse você, então...
— Ele... pediu para você me salvar? – A encarei.
Ela não disse nada, apenas assentiu.
— Sabe onde ele está?
— Não.
— Por favor Karin, você deve saber de alguma coisa. Preciso encontrá-lo. — minha voz soou desesperada e eu me repreendi por dentro, precisava me lembrar do porquê eu queria encontrá-lo, eu estava zangada com ele, e só isso.
— Eu não sei! Me deixa em paz, é você quem ele ama, não é? Então você quem deveria saber onde ele está.
Eu a encarei, processando as palavras dela com cuidado.
— Por que essa insistência em deixar claro que ele me ama? — Levantei da cama e fiquei de frente para ela. Karin era um pouco mais alta que eu, mas pela primeira vez eu não me intimidei, sem tirar meus olhos dos dela eu continuei: — Ou melhor, por que essa insistência em tentar deixar claro que eu sou o motivo de ele não amar você? Sabe, achei que estávamos tendo uma melhora na nossa relação, mas você insiste em deixar tudo mais difícil! Insiste em ser uma vaca!
Primeiro ouvi o estalo, para logo em seguida sentir o tapa. Minha bochecha ardeu e quando voltei meu rosto para o de Karin vi lágrimas nos seus olhos. Fiquei parada, sem saber como reagir.
— Eu não pedi que tudo isso acontecesse, não foi culpa minha! Eu só segui ordens! Mas o Sasuke... Ele sim tem culpa, tudo isso é culpa dele, não minha. — ela me fitou por um longo momento, as lágrimas já escorriam por seu rosto, então fungou e desviou o olhar. — Não foi minha culpa.
— Do que você está falando? — minha voz saiu pouco mais alta que um sussurro.
— Ele não te contou? — sua voz saiu gélida e sem vida, fazendo os pelos dos meus braços se eriçarem.
— O que? — dei um passo na direção dela, esquecendo por um segundo da ardência na minha bochecha.
— O verdadeiro motivo de ele ter me tirado do esconderijo do Orochimaru.
Prendi a respiração. O que ela queria dizer com aquilo? Sasuke a havia levado por conta de suas habilidades, certo? Não, nada mais estava certo. Deus! Como eu queria que tudo fosse mais simples, e agora, mais do que nunca eu tive medo de dizer as próximas palavras.
— Qual foi... O motivo?
Ela me fitou, seus olho um pouco vermelhos e injetados, por um momento ela não disse nada, muito menos expressou alguma coisa. Então Karin suspirou e começou a dizer.
— Antes do Sasuke descobrir o que Orochimaru realmente pretendia, ele seguia quase todas as ordens dele, e quando Orochimaru disse que Sasuke precisava de um herdeiro o mais rápido possível, considerando que aquele garoto Uzumaki estava ficando cada vez mais forte e mais perto de enfrentá-lo e vencê-lo, Sasuke concordou. Então Orochimaru começou uma busca por possíveis esposas. Ele selecionou as que ele julgou serem mais fortes, e eu estava entre elas. — Karin fez uma pausa e só então eu respirei, estava em choque. — Bom, Orchimaru permitiu que Sasuke escolhesse... Ele me escolheu. Já deve saber que fiquei muito feliz. Sempre apreciei muito ele, sempre quis que ele fosse algo a mais do que um simples conhecido ou amigo, se bem que ele nunca quis nem minha amizade...
“Enfim, eu o segui, junto com Juugo e Suigetsu, estava pronta para me tornar o que ele quisesse, estava pronta para ser amada por ele, mas Sasuke nunca me amou. E quando ele descobriu que Orochimaru na verdade queria fazer experiências doentias com os genes dele, além de pretender tomar seu corpo também, Sasuke o matou, se é que aquilo pode morrer. Claro que isso foi antes de ele ir até o esconderijo em que eu estava. Mesmo sabendo do que havia acontecido com Orochimaru, eu não perdi a esperança de que Sasuke ainda me queria, mas ele disse que apenas queria minhas habilidades, que precisava delas e nada mais. Aquilo me destruiu um pouco, mas eu gostei de me sentir necessária para ele. Mas com o passar dos meses, eu parecia ser apenas um peso, e ele, que nunca ligou para mim, passou a ligar menos ainda, me tratando sempre com desdém e ignorância. Eu comecei a perceber o quanto ele me repudiava, como se eu tivesse feito algo errado, como se minha presença o irritasse, no entanto... eu nunca pesei que ele chegaria ao ponto de tentar me matar. E eu estaria morta se... se você não tivesse aparecido. Nunca te agradeci, pois sempre te vi como alguém que tinha tirado o amor que deveria ser meu, só que agora eu percebo o quanto fui injusta com você também. Tive tanta raiva da maneira com que Sasuke me tratava, que acabei descontando em você”
Eu a fitei, meus olhos estavam turvos por conta das lágrimas. Eu ainda não conseguia absorver aquela história, parte de mim não queria acreditar que algum dia Sasuke tenha mesmo visto Karin de outra forma, mas, mesmo assim, eu não sentia raiva dela, nem dele. Eu compreendia, sabia que nada havia sido planejado. Todos nós éramos vítimas nessa história, Karin principalmente... eu a julguei errado, Sasuke também. Eu quis abraçá-la, mas sabia que ela não iria querer. Enxuguei minhas lágrimas e continuei a olhá-la, não com pena, mas com compreensão.
— Sabe — ela recomeçou quando eu não falei nada — Quando eu voltei para cá, e te encontrei aqui, acreditei com todas as minhas forças que Sasuke só não queria ficar comigo porque você estava no caminho, mas então eu percebi que o amor é merecido e é algo que precisa ser regado constantemente. E você vem cuidando do amor que você tem por ele desde muito tempo, eu sei disso porque tenho certeza de que ele fez isso também. A verdade é que ele nunca esqueceu você ou da vida que tinha em Konoha. Vez ou outra eu o pegava olhando pro céu, pensativo. Tenho certeza de ele pensava em você. Você merece o amor dele Sakura.
— Você também merece o amor Karin. Todos merecemos. — minha voz estava um pouco embargada por conta do choro — sabe, eu te julguei mal todo esse tempo, nunca achei que você pudesse ter sofrido tanto por causa de um amor não correspondido. Você desejou esse amor muito mais do que eu, é até um pouco cômico sabe, porque eu sempre senti pena de mim, me perguntando o porquê do Sasuke não me amar, o porquê de ele ter me deixado e o porquê ele era tão fechado e nunca falava comigo, mas quando vim pra cá as coisas fluíram. Sabe, você tem razão, eu reguei meu amor por ele, mas não tenho certeza se ele fez o mesmo. Sasuke me abandonou quando eu mais precisei dele, não sei se ele ainda merece esse amor.
— Você está louca? Ele ama você, ama muito, eu vi. Tudo bem, ele te deixou, mas achou que estava morta! Você não pode sacrificar tudo o que já viveram até aqui só porque ele não quis ficar pra te ver morrer! Você ficaria? Assistiria à morte dele?
Fiquei parada, as palavras de Karin me atingindo uma por uma. Quando sai de casa estava disposta a gritar com ele, perguntar se me amava e fazer o maior drama, só que eu não parei para pensar, que se fosse ao contrário, se fosse ele deitado ali e não eu, será que eu ficaria para vê-lo morrer? A pessoa que eu mais amava no mundo. Não, eu não ficaria para ver a outra metade de mim se esvair e deixar de existir.
Karin disse que ela havia sido injusta, mas na verdade a única injusta era eu. A única egoísta.
Eu queria achar Sasuke, mas não porque eu estava com raiva, e sim porque eu o amava e estava com saudade. Saudade do sorriso que era só meu, saudade dos abraços e dos olhares tão cativantes e graciosos. Eu queria achá-lo porque eu precisava dele, precisava estar com ele.
Lancei um sorriso para Karin.
— Obrigada, obrigada por tudo mesmo. Sei que você disse que não me quer como amiga, mas eu, sinceramente, não consigo te ver como outra coisa. Você é maravilhosa e sei que algo igualmente maravilhoso te espera. Eu peço desculpas por tudo o que Sasuke já te causou e desculpas pelo o que eu mesma posso ter causado, me perdoa e obrigada de novo.
Ela me olhou por um longo tempo, então assentiu e um sorriso se formou em seus lábios.
— Vai procurar por ele?
— Vou sim. Não sei por onde começar, mas não vou desistir.
— Que bom.
— O que vai fazer?
— Ainda não sei. Acho que vou ficar aqui.
— Venha comigo. — falei rápido, ansiosa com a possibilidade.
— Não, não vai ser uma boa ideia.
— Vamos Karin, ainda tem assuntos não resolvidos, não é? Além disso, não há nada para se fazer aqui.
Ela suspirou e olhou para os lados.
— Eu não garanto que te seguirei todo o caminho.
Eu abri um sorriso de orelha a orelha.
— É o suficiente para mim.
***
Estávamos viajando há dois dias. Não conversávamos muito, mas não também não estava um clima ruim. Karin estava me ajudando a rastrear Sasuke com seus poderes e isso me deixava feliz, por muito tempo fiquei pensando na nossa conversa da caverna, refletindo sobre tudo e, em algum momento, eu senti que havia amadurecido.
Estávamos indo em direção a vila da Areia, já que era a mais próxima do esconderijo. Karin havia dito mais cedo que faltavam cerca de dois dias para que chegássemos. Considerando todas as outras viagens que já fiz, dois dias eram rápidos, mas com toda ansiedade que eu estava sentido seriam como a eternidade.
— Vamos parar na próxima cidade para dormir, continuaremos amanhã. – ela disse.
— Mas nós já estamos perto, se adiantarmos um pouco essa noite chegaremos lá pela manhã do outro dia. – eu estava disposta a andar dia e noite se isso significasse achar Sasuke mais rápido.
— Olha – ela parou e me encarou —, estamos andando há muito tempo, muito mesmo. Eu preciso descansar Sakura, e você também, caso contrário não terá forças para estar diante do Sasuke. Outra coisa, estamos apostando, não sabemos realmente se ele está lá.
Suspirei derrotada. Ela tinha razão, precisávamos descansar e comer alguma coisa, mesmo que isso significasse estar mais longe de Sasuke.
— OK.
— Ótimo. – ela virou e continuou andando.
SASUKE'S POV
Não faltava tanto para chegar à Suna, talvez três dias. Eu estava exausto, e conforme andava e o suor descia pelo meu pescoço eu podia sentir meu corpo implorar por uma cama. Quanto tempo tinha que eu estava andando? Qual a última vez que eu havia dormido ou comido algo?
Parei em uma pousada qualquer de uma cidadezinha pequena. Antes mesmo de ir para o meu quarto eu segui para o bar do lugar, que, assim como a pousada em si, também era bem pequeno, porém arrumado e organizado. Estava praticamente vazio, o que me deixou feliz.
— Saquê, por favor. – falei ao sentar-me no banco.
Meio minuto depois fui servido com meu pedido. Atrás de mim havia um grupo de mulheres conversando, sem muito esforço percebi que eu era o alvo da fofoca.
— Ele é bonitinho. – disse uma rindo.
— Bem, se não tivesse esse ar de bêbado durão eu até podia pensar em ir lá. – falou outra.
— É, e ele podia cuidar melhor dele mesmo, parece ser jovem, porém tem uma aura sobrecarregada. – a terceira disse meio séria.
— Ainda assim acho-o um gato. Pena que deve ser o tipo que parte coração. – disse a primeira.
— Concordo. Qualquer mulher que esteja disposta a ter um romance com ele deve ser maluca. Acho que no máximo só para passar a noite. –a segunda gargalhou junto com a primeira.
— Vocês são duas idiotas. – a terceira riu – porém eu tenho que admitir que ele realmente parece do tipo que gosta de brincar com as mulheres. Acho que é capaz até de matar uma para que ela não o procure novamente.
Quando dei por mim já estava de pé e seguindo para a mesa das três mulheres.
— Sugiro que as senhoras e suas bocas incrivelmente grandes saiam da minha vista, caso contrário eu não responderei por mim. – mal reconheci minha própria voz.
— Ei, calma aí garotão. Só estávamos conversando. – a dona da terceira voz disse. Ela era mais velha que as outras duas, cerca de vinte e quatro anos. Tinha longos cabelos ondulados e castanhos e seu rosto tinha muita maquiagem. – se não gosta que façamos suposições a seu respeito que tal conversar um pouco conosco?
— Tenho mais o que fazer. – falei.
— Tipo o que, beber até não poder mais? – a primeira garota disse, ela parecia ser a mais nova, pois tinha um rosto bastante infantil.
— Tipo evitar pessoas como vocês.
— Ah, qual é gatinho – a segunda disse sorrindo – aposto que você daria conta de todas nós.
— Sou comprometido.
O fato de que eu nunca mais veria a pessoa que eu mais amava nesse mundo não me impediria de continuar tendo um laço com ela. Sakura era única para mim e se eu não poderia tê-la, então não teria nenhuma.
— Ah, claro. E ela permite que você ande assim, todo desarrumado e que frequente bares de pequenas pousadas, onde sabe que existem garotas como nós. – a mais velha disse com um sorriso irônico. – Ou ela está traindo você ou é só mais uma das várias mulheres que está na cara que você já teve.
Em um segundo eu estava parado ao lado da mesa encarando aquelas três, e no outro eu estava segurando a mais velha pelo pescoço enquanto as outras duas gritavam por ajuda.
— Você. Não. Me. Conhece. Não sabe nada sobre mim! E principalmente – abaixei o tom de voz—, você não tem o direito de falar da Sakura assim! Não importa se ela está morta...
Comecei a apertar mais e mais o pescoço da mulher, ela arfava e esperneava. Suas amigas me arranhavam os braços para que eu a soltasse, mas eu não sentia nada. A vida havia começado a deixar o rosto da mulher quando alguém me puxou com toda força.
Eu abri a mão e a deixei cair no chão, estava chorando e tentava se afastar de mim junto com as outras.
— Saia do meu bar agora! – uma voz masculina disse.
Eu me virei e encontrei o barman. Ele trazia uma longa espada nas mãos, nada ameaçador, mas para evitar problemas eu decidi obedecer. Peguei minhas coisas e engoli o resto do saque de uma vez só enquanto ele dizia que eu não devia bater em uma mulher.
Antes de atravessa a porta eu me virei para as três, que estavam ainda no chão e me olhavam com olhos arregalados.
— A propósito, fui eu quem matou minha mulher. – ouvi um leve arfar de uma delas e me virei e saí.
Do lado de fora havia alguns curiosos. Todos se afastaram enquanto eu passava. Alguns me olhavam com nojo, outros assustados, porém todos tinham a mesma expressão de medo. Ultimamente eu não respondia por mim mesmo, eu me sentia estranho, outra pessoa, e esses ataques de raiva pareciam cada vez mais comuns.
Fui para uma área mais calma e me deitei sob uma árvore. Demorou bastante, mas finalmente o sono chegou.
****
Havia sangue em todo lugar, inclusive em minhas mãos. Olhei adiante e vi minha espada caída ao lado de um corpo desfalecido. Aproximei-me devagar até poder enxergar o corpo mole e sem vida.
Congelei.
— Sakura? – chamei.
Nada, nenhuma resposta.
— Sakura! – chamei mais alto – SAKURA! Acorde! Vamos!
Nada.
Entrei em desespero. Ela não podia estar morta.
— Sakura... – agora minha voz não passava de um sussurro.
Então o corpo dela começou a se desfigurar em meus braços, virando uma massa laranja, com um espiral no centro.
— Sabe o que é pior? Ela morreu achando que foi você quem a matou.
— Tobi...
***
SAKURA'S POV
Paramos em uma pousada pequena no centro da cidadezinha. Eu e Karin fomos para as fontes termais, não havia praticamente ninguém além de nós duas. Mergulhei na água quente e senti meu corpo relaxar. Eu realmente estava cansada.
Karin estava ao meu lado, ela prendera o longo cabelo ruivo.
— Seu cabelo tem uma cor linda. – falei sem pensar.
— Humm, obrigada. Mas eu não tenho tempo de cuidar dele direito. Quer dizer, você tem um cabelo com uma cor bem diferente e ele parece ser muito sedoso, como faz isso?
— Ah, eu sempre fui muito vaidosa e havia rumores na vila de que Sasuke gostava de meninas com cabelos longos, então eu fazia o possível. – senti meu rosto corar um pouco, ainda era estranho conversar com ela. — Mas recentemente eu percebi que se tivesse dedicado o tempo que passei cuidando do meu cabelo para treinar, talvez eu fosse muito mais forte hoje.
— Bobagem, você é bem forte. — ela sorriu — Aliás, eu queria saber que ele gostava de cabelo grande antes, quem sabe se minhas chances não aumentariam?
Eu sorri também.
— Talvez. — toquei uma mexa do cabelo e me lembrei automaticamente da noite em que ele fizera o mesmo.
— Sakura, você está bem?
— Sim, só estou pensando. Desculpa.
Houve um silencio até eu falar:
— Karin, você poderia voltar para Konoha conosco.
Ela hesitou um pouco e ficou me encarando.
— Não, acho que não. Eu não me encaixaria.
— Claro que sim! Você poderia trabalhar no hospital de Konoha comigo! Seria como um recomeço, para nós duas.
— Sakura, você precisa parar de viver contos de fadas às vezes. Você sabe que a vida que nós, ninjas, levamos é dura e nada é as mil maravilhas. Trabalhar no hospital parece algo bom, mas eu não sei o que é ter uma família há muito tempo, então jamais me acertaria lá.
— Isso não é verdade Karin… T-Talvez…
— Por favor não insista!
Então ela se levantou e seguiu para dentro. Cerca de quinze minutos depois eu também fui. Nós comemos em silêncio e fomos deitar.
Houve uma movimentação no andar de baixo, mas achei que não valia a pena deixar minha curiosidade falar mais alto.
***
Eu acordei primeiro que a Karin, então desci para tomar café antes.
— Eu ouvi dizer que ele ameaçou uma das mulheres, dizendo que a mataria. – ouvi alguém dizer enquanto me sentava e esperava pela garçonete.
— Na verdade, ele quase a matou, disseram que apertou o pescoço das três mulheres e quase matou uma delas. – outra pessoa disse. Provavelmente falavam sobre o que houve ontem à noite.
— Bom dia, senhorita, o que vai querer? – a garçonete parou ao meu lado.
— Hum, me desculpe, mas posso te perguntar algo?
— C-Claro senhorita. —ela abaixou o bloco de notas.
— Do que todos estão falando? Parece que houve algo sério aqui.
— Bem, meu pai cuida do bar à noite e ele disse que um homem muito bonito veio tomar saquê e umas moças que estavam sentadas começaram a mexer com ele. Então depois de alguma coisa que elas disseram, ele ficou zangado e partiu para cima delas. Ele realmente quase matou uma. Meu pai disse que não chamou ninguém porque ele parecia perturbado e elas o provocaram. Eu cheguei a tempo de vê-lo indo embora e o olhar dele era incrivelmente gelado. Antes de sair ele disse algo sobre ter uma mulher morta ou algo assim.
— Mulher morta? – congelei – você sabe descrever esse homem? Fisicamente? – comecei a ficar ansiosa. Poderia não ser nada, somente uma coincidência, mas mesmo assim, a esperança é a ultima que morre.
— Bem, não me lembro direito...
— Por favor! Qualquer coisa! Olhos, cabelo, roupas! Por favor. – eu estava praticamente agarrada a ela.
— Bem, como eu disse ele era bem bonito, mesmo se estava um pouco mal cuidado. E ele tinha olhos muito escuros, assim como o cabelo. Não me lembro de detalhes da roupa, mas ele carregava uma espada.
— Cabelos e olhos negros? – sussurrei — tem certeza disso?
— Sim, foi o que eu vi. Mas desculpe senhorita, eu não aconselho que vá atrás daquele moço, ele parece ter tendência a ser agressivo. Seria horrível ver uma moça como a senhora nas mãos de alguém como ele.
— Se ele for quem eu penso que é, você está enganada. Sasuke é a pessoa mais maravilhosa que já conheci nunca me machucaria. De qualquer forma, obrigada pela atenção.
Levantei correndo e quando estava no corredor encontrei com Karin, ela carregava nossas coisas as pressas.
— Pega! – ela me jogou minhas coisas – eu o encontrei! Está perto! Posso sentir o chakra dele. Não sei como não senti antes.
— Sim, eu sei! Ele esteve aqui ontem e nós não vimos!
— Vamos!
Seguimos correndo para achar Sasuke. Meu coração palpitava mais a cada passo que eu dava. Meu Deus, eu queria tanto abraçá-lo e beijá-lo! Estava tão ansiosa que não notei quando Karin parou. Acabei trombando nela sem querer.
— O que houve?
— Ele está lá. —ela apontou para além de algumas árvores. —isso é entre vocês. Vai, eu espero aqui. —ela suspirou.
— Obrigada Karin. De verdade, eu...
— Não precisa agradecer, vai logo!
— Certo!
Corri em disparada. Aquela ansiedade me tomando novamente. Um sorriso se formando em meu rosto. Eu queria poder ver aquele rosto lindo logo, aquele sorriso de lado e aqueles olhos ébanos. Sentia como se tivéssemos ficado anos sem nos ver e não apenas alguns meses. Por todo aquele tempo, houve um buraco dentro de mim, uma imensidão vazia que eu estava tentando aceitar, mas agora eu entendia: não era algo a ser aceito porque não era algo que fazia parte de mim. Sasuke fazia, e era ele quem eu queria no lugar daquele buraco. Preenchendo-me, me completando e sendo uma parte de mim como eu era uma parte dele. Eu queria o meu lindo Sasuke de volta.
Mas ao invés disso, o que achei foi um homem com a barba por fazer, roupas incrivelmente rasgadas e garrafas de bebidas jogadas perto dele. Dormia encostado na arvore perto de um pequeno riacho que passava por ali. Aquele homem não parecia com o Sasuke que eu esperava encontrar. Eu sequer tinha certeza de quem era ele.
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