Só vejo você.
1 Só penso em você.
Clara se pegou pensando em Marina, de novo, enquanto fazia o jantar. Cadú estava a chamando fazia alguns minutos, mas ela nem tinha percebido.
-Clara! Ow! Tá em que mundo amor?
-Ai, desculpa Cadú, o que foi?
-Eu estava conversando com o Nando sobre o empréstimo e...
-Não Cadú! Hoje não! Não to com cabeça pra aguentar esse problema.
-Mas que problema, Clara? Está quase tudo pronto, eu tenho tudo na minha cabeça arrumadinho!
-Mas não tem o dinheiro! Cadú você quer afundar sua família mais ainda em dívidas? É isso?
-Mas amor, eu juro que isso você vai querer ouvir, só para e me escuta um pouquinho.
-Eu já disse que hoje não Cadú! Minha cabeça está explodindo. -Clara desligou o fogão, fechando os olhos e contando até dez, enquanto Cadú só a observava, calado. -Coloca a mesa ai e janta com o Ivan tá. Não to a fim de comer agora.
Antes mesmo que o marido pudesse falar qualquer coisa, Clara foi para seu quarto. Ela estava tão cansada, cansada do Cadú só querer saber do restaurante. Ela queria muito que seu marido realizasse seu sonho, mas ele não colocava na cabeça que os dois estavam sem dinheiro pra algo a mais do que as despesas comuns e não podiam se dar ao luxo de gastarem.
Mas até que Clara tinha dó do marido. Ela mesma não tinha muitos sonhos. O único de quando era menor seria se casar. E Cadú tinha o realizado, porque ela não o ajudaria com o restaurante? Se ao menos ela pudesse ajudá-lo...
Clara andou até sua penteadeira. A única foto dela que Marina a deixou ver, das várias que ela havia tirado estava ali em cima. Atrás da mesma estava escrito, com a letra da fotógrafa: "Uma Clara mais clara. A que só eu conheço."
Ah, Marina!
Marina era uma fotógrafa que Clara conhecera numa exposição. As duas, no meio daquela multidão de pessoas querendo parabenizar ou conhecer um pouco sobre a Marina, conseguiram se comunicar sem usar nenhuma palavra. Quando os olhos de Clara encontraram os de Marina pela primeira vez, ela sentiu algo que nunca sentira antes. Um arrepio, uma sensação de que aquela mulher podia ver sua alma.
Desde aquele dia as duas viraram muito amigas e ficaram bem próximas bem rápido.
Agora Clara trabalhava como assistente de Marina. Sempre que ficava no estúdio se admirava com a fotógrafa trabalhando. Era tudo tão glamuroso e magnífico.
Não muito tempo depois de se conhecerem, Marina pediu para que Clara posasse para ela, o que, claro, Clara havia recusado, mas depois de tanto pedir, a fotógrafa conseguiu convencê-la.
E o dia do ensaio foi o dia mais feliz e maravilhoso que Clara tivera em um bom tempo. Mesmo sentindo-se constrangida por todas as atenções estarem voltadas para ela, logo Marina a deixou confortável. O que não era difícil, ela sabia como fazer Clara se soltar.
Agora Clara estava ali, depois de um intenso fim de semana com Marina na casa de seu pai, em Angra dos Reis, se perguntando porque aquela fotógrafa mexia tanto com ela.
Clara gostava de ficar próxima de Marina, gostava dessa intimidade tão nova em sua vida e tão boa, mas tinha medo. Tinha medo do que sentia quando estava com a fotógrafa, como sua barriga se enchia de borboletas, suas mãos suavam e as pernas ficavam bambas.
Sacudiu a cabeça para tentar tirar esses sentimentos da cabeça. Ela tinha que ser racional, afinal tinha um marido e um filho. Marina ficou fora de seus pensamentos por no máximo dois minutos, depois Clara começou a se perguntar se Marina também pensava nela com tanta frequência.
A fotógrafa, por sua vez, também estava em seu quarto, e tentava tirar Clara de sua cabeça.
Vanessa viu como Marina estava distraída e cabisbaixa desde que voltara de Angra, então decidiu conversar com ela.
-Você vai falar o que aconteceu em Angra pra mim, ou vai ficar andando por ai toda murchinha?
-Ai Vanessa que susto! Não sabe bater não?
-Ué, mas eu bati! Viu? Você anda tão distraída que nem me percebeu.
-Desculpa... -Marina se jogou de costas na cama e deu um suspiro longo. Vanessa deitou ao seu lado, as duas olhando para o teto, uma esperando a outra falar algo.
-O que a Clara te fez ein flor?
-Ela não fez nada, fui eu quem fez.
-Você beijou ela!? — Vanessa deixou escapar o ciúme em sua voz.
-Não! Nada disso! Eu me apaixonei pela Clara, Van.
-Bobagem Marina, a Clara é só mais uma conquista pra você, te conheço.
-Não, ela é diferente... Ela é... Ela é tudo que eu sempre procurei em todas as mulheres com quem eu já fiquei. -Só depois de dizer isso que Marina percebera que foi um erro. Vanessa levantou subitamente e disse, olhando nos olhos de Marina:
-A Clara é normal, Marina, ela é comum. E ela é casada, esqueceu? Você tem que parar de procurar o que quer que seja nas pessoas erradas! É a última vez que eu te falo isso: ela não serve pra você e logo logo você vai se cansar. -Então a ruiva saiu do quarto, deixando Marina pensando em suas palavras.
Cogitou ligar para Clara, pegou o celular e digitou seu número, mas desistiu... Desde que voltaram de Angra as duas não se falavam. Talvez fosse hora de parar de tomar todas as iniciativas, de tentar seduzir Clara. Marina percebeu que ela não atraía a dona de casa, ela estava feliz com a vida de casada dela, não era a Marina que mudaria isso.
A fotógrafa foi tomar um banho para tentar esfriar a cabeça.
Já era tarde, mas Clara ligou para Marina mesmo assim. Foi uma ação sem muito pensamento antes. Cadú tinha ido falar com ela depois do jantar e eles acabaram discutindo de novo. Era tudo que eles sabiam fazer ultimamente. Depois de colocar Ivan para dormir, Clara pegou o celular e ficou olhando para o número de Marina por um tempo até ligar realmente.
-Oi Clara! — a fotógrafa não conseguiu esconder a alegria por receber aquela ligação.
-Oi Marina. — a voz de Clara transmitia o sorriso sem graça que ela estava dando do outro lado da linha. Ela nem sabia o que ela queria falar com Marina... Talvez ela soubesse, mas não tinha certeza se era aquilo mesmo. E o silêncio foi ficando mais constrangedor.
-Então... Porque você ligou? Está tudo bem? Chegou de Angra bem?
-Sim, sim! Está tudo ótimo aqui... — "Eu só liguei pra ouvir sua voz" Clara pensou. — E só liguei pra saber que horas eu tenho que estar ai no estúdio amanhã...
-Ah... Claro. — Agora Marina estava um pouco, tá bom, muito desapontada. — Hum, nove horas está bom.
-Está bem então... Até amanhã!
-Até.
E nenhuma das duas desligou o celular. As duas tinham coisas a falar, mas nenhuma sabia exatamente como dizê-las.
-É, acho melhor eu ir. Já está tarde... E amanhã tenho bastante trabalho. Boa noite Clara. — Marina quebrou o silêncio e rapidamente desligou o celular. Respirou fundo e deitou, esperando que o sono viesse logo e a fizesse parar de pensar em Clara por algumas horas.
Do outro lado da linha, Clara soltava a respiração que estava presa desde que Marina atendera a ligação. Seu coração estava disparado. Não tinha mais como negar que sentia algo pela fotógrafa.
Então saiu de seu apartamento, subiu um andar e tocou a campainha da casa de Helena, sua irmã. Por sorte ela não estava dormindo e a atendeu.
-Clarinha! O que foi?
Clara simplesmente correu para os braços da irmã, chorando.
Depois que a irmã se acalmou um pouco, Helena fez chá para as duas e pediu que Clara contasse tudo. E ela contou. Cada detalhe do que sentia quando estava com Marina e mesmo quando estava longe dela.
-Eu não acho que eu ame o Cadú. Pelo menos não mais Leninha. Parece que agora, depois de conhecer a Marina, eu sei o que é realmente se apaixonar, mas eu não quero acabar tudo, me entregar para ela e aí não dar certo.
-Clarinha, eu acho que é bem melhor você arriscar tudo pra ser feliz do que viver o resto da sua vida imaginando como poderia ser.
-Talvez você tenha razão... Mas eu tenho que pensar no Ivan.
Clara deitou ali no sofá, no colo de sua irmã e dormiu.
No outro dia, Clara pensou em não ir para o estúdio, mas não aguentaria ficar o dia inteiro em casa, com o Cadú e nem estava a fim de sair.
Passou o dia ajudando Marina numa sessão, porém tentava ao máximo não fazer contato visual com ela, e trocou poucas palavras com a fotógrafa a manhã inteira. Quando Vanessa e Flavinha saíram para almoçar, Clara ia junto, mas Marina a chamou para conversar.
-Clara, está tudo bem? Você está fria comigo o dia inteiro... Eu fiz alguma coisa errada?
-Não... Desculpa se pareceu isso.
-Então... O que aconteceu? — Marina buscava os olhos de Clara em vão. Agora estava realmente preocupada.
-Eu... Eu não sei tá legal? Ou talvez eu até saiba, mas eu não quero admitir.
-Se tem algo a ver comigo eu quero saber! Olha pra mim e fala, Clara.
Clara sustentou o olhar para baixo por alguns minutos antes de olhar para Marina. Procurava palavras, mas nada saía. Agora sua boca estava seca.
Marina só esperava por algo, inquieta.
-Eu não posso mais ficar aqui! Desculpa. — disse, pegando sua bolsa e indo em direção à porta, mas Marina não a deixou atravessá-la e a puxou pelo braço.
-Você sente a mesma coisa que eu, não é? Você sabe, assim como eu, que o que acontece entre nós não é uma mera amizade ou afinidade. Você sabe que eu te quero, e eu posso sentir que você também me quer. Não é!?
Clara chegou mais perto de Marina, sentindo sua respiração. Pensou que a fotógrafa podia ouvir seus batimentos cardíacos de tão altos que estavam. -Talvez eu queira. Talvez estar com você seja exatamente o que preciso, mas eu não posso me dar ao luxo de querer e precisar! — uma lágrima escorria pelo seu rosto e sua voz começara a soar trêmula. -Eu tenho uma família me esperando em casa. Um filho que eu preciso cuidar. Então, -agora ela olhava nos olhos de Marina, ambas estavam ofegantes e somente há alguns centímetros uma da outra. Clara respirou fundo. — eu não posso ter você, Marina. — As palavras saíram raspando de sua boca e a machucaram mais que qualquer outra coisa. Pegou a mão de Marina que ainda a segurava pelo pulso e desvencilhou-se dela. — Eu sinto muito. — suas três últimas palavras foram apenas sussurros. Hesitante, ela finalmente saiu pela porta, tentando ao máximo não olhar para trás e voltar correndo para os braços daquela morena que, com toda a certeza, tinha seu coração.
Marina agora se encontrava em pé, paralisada, do jeito que Clara a deixara. Sua mente a mandava correr o mais rápido possível para agarrar Clara, mas suas pernas não obedeciam. Era inútil lutar, Clara não seria dela e Marina sabia disso, mesmo que doesse ela teria que aceitar esse fato.
Clara dirigiu o caminho inteiro para casa chorando. Toda essa situação era tão exaustiva. Ela sabia que queria Marina, mas talvez ela não fosse tão corajosa quanto pensava que era para desistir de todo o resto. O conselho de Helena veio em sua cabeça, mas Ivan também surgiu em sua mente. E se, ao se separar de Cadú, ferisse o filho?
Como ela queria fugir de tudo aquilo, queria esquecer que tinha marido, que tinha responsabilidades...
Ao chegar em casa percebeu que não ia adiantar tentar arrumar sua feição, seu rosto inchado revelava que andara chorando. Então simplesmente respirou fundo, passou a mão no rosto e entrou em casa. Ivan estava na escola e Cadú se encontrava sentado no sofá.
-Estou te ligando faz horas!? Por onde você esteve.
-No trabalho, onde eu estou sempre.
-É, com quem você sempre está! — exclamou o marido, um tanto quanto alterado. -Com a Marina! Você passa mais tempo com ela do que com seu filho!
-Cadú, eu não quero brigar agora tá legal? — Clara ia caminhando para seu quarto.
-Ah me desculpe, não sabia que eu teria que marcar hora pra discutir com minha mulher.
-Tá Cadú, fala! Fala tudo! Me xinga, fala que eu sou uma péssima mãe, péssima esposa! Vai! Mas não esquece que você tem muitos defeitos também!
-Pelo menos eu estou tentando fazer alguma coisa, não fico o dia todo saracoteando por aí com minha mais nova amiguinha.
Clara realmente não queria aquilo, ela queria tomar um banho pra tentar esfriar a cabeça. Ela tinha acabado de deixar a mulher por quem estava apaixonada pelo homem parado ali na sala naquele instante e ele fazia aquela escolha parecer totalmente errada.
-O que você quer que eu faça, Cadú!? -Clara agora falava alto. -Pela primeira vez em muito tempo eu sei o que é viver, com a Marina eu fico bem.
-Então você vai abandonar a sua família por uma mulher que você acabou de conhecer? Qual é a sua Clara!?
-Não Cadú! Eu fiz exatamente o contrário, eu acabei de deixar a mulher por quem eu estou apaixonada pra ficar com a minha família!! -Sua frase saiu mais alto do que ela gostaria e, seguida dela, um silêncio se fez. Cadú a olhava com desprezo e ela se sentia envergonhada, mas parecia que um peso fora tirado de suas costas e de seu peito.
-Você...? Como assim apaixonada por ela? -agora a voz dele era quase inaudível.
-Apaixonada Cadú, apaixonada como eu nunca estive antes. Acredite em mim quando eu falo que nada aconteceu e eu realmente nunca quis te magoar. Nunca! Foi por isso que eu vim pra casa hoje. -Clara andava de um lado para o outro na sala, com as mãos no rosto.
-Então nós ainda podemos, sabe, concertar tudo.
-Não… O motivo pra eu ter voltado pra casa hoje, o motivo pelo qual eu não me entreguei pra Marina foi o Ivan. Não você. Viu como isso é errado? -Clara tirou a mão do rosto pra encarar o Cadú. — Me desculpa... Mas é a verdade.
-Clara... Sai daqui! Por favor! Eu... Eu não quero olhar pra você agora!
-Cadú...
-Sai! -ele deu um berro que assustou Clara, então ela pegou sua bolsa e saiu.
Caminhou até o carro, sem saber o que fazer. Entrou nele, mas só ficou ali, parada, pensando no que aconteceria a seguir, quando Ivan entrou e sentou no banco do passageiro.
-Ivan? Por que você não está na escola? -Clara estava surpresa.
-Eu passei mal, então o pai foi me buscar...
-Ô filho... Desculpa por eu não estar aqui. A mamãe errou feio esses dias né? -Ela abraçou o pequeno e o beijou na cabeça.
-Não tem importância... -Ele olhou para o teto e ficou sem falar nada por um tempo.
-Você ouviu eu e seu pai brigando?
-Eu sempre ouço. -Ele deu de ombros. Clara não acreditava naquilo, queria fazer tudo para não machucar o filho e, no final de tudo, já o tinha magoado. -Mas... Dessa vez... Vocês vão se separar? -A carinha de Ivan fez o coração de Clara quebrar ao meio.
-Acho que sim querido... Sabe, eu não amo mais seu pai. Pelo menos não tanto nem como eu deveria amar pra continuar casada com ele, mas eu ainda te amo muito muito muito. -Enquanto falava isso fazia cosquinhas e beijava o filho.
-Eu também te amo. -Ele a abraçou. -Eu ouvi que você ama outra pessoa... É verdade?
Clara ficou constrangida então só balançou a cabeça afirmando. Ivan a encarou, esperando uma resposta mais completa.
-É um pouco complicado você entender isso agora... Mas eu estou apaixonada pela Marina.
-E ela está apaixonada por você?
-Acho que sim, mas eu estraguei tudo. -Clara parou pra pensar que o filho dela não era um bom conselheiro pra esse tipo de situação.
-Sabe, acho que se ela gosta mesmo de você ela vai querer você de volta... E você merece ser muito feliz, mãe. -Pelo jeito Clara estava errada. Mal conseguia acreditar que seu menininho era tão maduro.
Eles se abraçaram e então ele saiu do carro, como uma deixa para que ela fosse atrás de sua felicidade.
-Hey filho! -ele olhou para dentro do carro. — Quem te ensinou a ser tão maduro assim?
Ele deu de ombros e mandou um beijo pra ela. Clara então dirigiu agora com um ar de esperança dentro do carro. Sem as lágrimas tristes de antes.
Ao chegar no estúdio de Marina, Clara parou na porta, ofegante. Porém, não parou porque hesitava, parou por não saber como agiria a seguir. O que deveria falar? A fotógrafa, que até agora estava com sua atenções voltadas para o computador, percebeu a presença de Clara, então virou-se para ela.
-Clara...? — ela não sabia se sorria, feliz pela "dona de casa" estar ali ou se deveria se preocupar por Clara poder estar trazendo notícias ruins. Então sua expressão facial ficou em alguma coisa entre assustada e surpresa.
Clara respirou fundo, ainda na porta, e ficou olhando Marina profundamente e com desejo por alguns segundos. Quando a fotógrafa ia dizer algo, Clara simplesmente andou apressada em sua direção, puxando-a para mais perto pela cintura com uma mão, a outra alisava os longos cabelos de Marina. O olhar de Clara revelou tudo sem que ela precisasse falar alguma coisa durante esses segundos infindáveis e, finalmente, ela beijou Marina. Todos os toques proibidos, todos os beijos reprimidos e todos os desejos que uma sentira pela outra no passado estavam contidos naquele longo beijo.
Ao separarem-se, quase sem fôlego, nenhuma sabia o que dizer, pois parecia que seus gestos anteriores haviam explicado tudo, mas Marina gostaria de saber a história toda. Queria ter certeza que Clara não a deixaria para voltar com o Cadú.
-O que aconteceu? — a fotógrafa perguntou, ainda sem se soltar dos braços da amada.
-Eu finalmente me toquei que, sim, eu gostava da vida que eu levava, mas você me ensinou que eu poderia amá-la, desde que eu estivesse com você.
Marina não conteve o sorriso largo em seu rosto. Vanessa havia falado pra ela que Clara era só mais uma conquista, que ela se cansaria da monotonia muito facilmente, mas Marina sabia que estava apaixonada por aquela mulher tão comum, mas tão extraordinária. Já que não sabia como colocar essa paixão em palavras, simplesmente deixou que os braços de Clara a envolvessem e ficou ali, mergulhada no abraço da mulher que amava.
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