Só um cafuné
1 Único.
Notas iniciais
trago para vocês a minha primeira NaruHina em ANOS! hahaha faz muito, mas muito tempo que eu não postava uma NH (porque comecei a escrever uma antes dessa e ainda não terminei) ♥
foi escrita para o 14º desafio do Imperio AllHina, o desafio de Aniversário do projeto! no qual pudemos escolher um tema dentre todos os outros já feitos (mas que sobraram). eu escolhi o desafio do Prompt e peguei o número 18, vocês verão logo abaixo.
a capa maravilhosa foi feita pela @briigit, e a betagem pelas lindas @cecysazs e @LSSF, muito obrigada, xuxus!
boa leitura :3
Por que ele havia escolhido a parte mais difícil de ser um ninja? Naruto se perguntava aquilo todos os dias desde que virara Hokage, e já tinha se passado alguns anos. A verdade era que talvez ele estivesse decepcionado com a vida que tanto almejara desde a infância, um tanto quanto desiludido também. Para ele, ser Hokage não era simplesmente sentar naquela cadeira e ficar rodeado por pilhas e mais pilhas de papéis; para ele, tinha um significado maior. Ser Hokage era ser o líder de seus ninjas da folha; era proteger seu povo acima de tudo. Entretanto… Realmente, tudo o que podia fazer tinha a ver com burocracia.
E isso o deixava mentalmente esgotado.
Com um longo suspiro, Naruto apagou a luz da sala e deixou o prédio do Hokage com os ombros encolhidos. O Uzumaki só queria chegar em sua casa e descansar, todos aqueles pensamentos fizeram com que perdesse o apetite. Também gostaria muito de tirar alguns dias de folga para aproveitar a família… A família dele… Aquela que ele almejava desde que era um menininho.
E aquela a qual estava negligenciando por causa de tanto trabalho.
Ah, sim, Naruto precisava de férias.
Estava decidido! Falaria com Hinata sobre isso assim que chegasse.
Mas, no momento em que cruzou a porta e encontrou a casa vazia, seu peito doeu com a falha de um batimento e ele esqueceu que tinha ideias inovadoras. Com o olhar baixo e um suspiro triste deixando os lábios, o Nanadaime girou a chave na fechadura e seguiu cabisbaixo para a cozinha. Apesar de precisar comer algo, não sentia fome.
— Naruto-kun! — a voz de Hinata soou atrás de si, o que fez o homem girar nos calcanhares imediatamente. — Chegou mais cedo hoje. — Ela trazia como recepção aquele sorriso tímido pelo qual ele se apaixonou na adolescência.
— É… — Desviou o olhar, desvencilhando-se da capa costumeira. — Eu meio que já estava ficando irritado com aquele lugar — disse e fez um biquinho com os lábios.
— Está cansado, né? — ela perguntou e se prontificou em ajudá-lo a retirar o pano pesado das costas largas. Hinata levou a capa para a área de serviço e voltou em questão de segundos.
— Bastante — respondeu o loiro com sinceridade.
— Então vem cá — a Uzumaki falou como quem não aceita recusas e o puxou pela mão enfaixada até a sala de estar.
No cômodo havia dois sofás vermelhos conectados de modo a formarem um “L”, uma mesa de centro com tampo de vidro e perninhas de madeira por sobre um tapete branco. Seria possível, alguns dias antes, encontrar uma bela televisão no lado oposto do sofá de maior comprimento, mas Hinata a tirou como castigo a Boruto e Himawari por terem inundado a casa enquanto brincavam de arremessar jutsus um no outro.
A ex-Hyuuga sentou-se no primeiro sofá e deu pequenos tapinhas no próprio colo, sinal que Naruto interpretou perfeitamente. O homem se deitou sobre o estofado vermelho e apoiou a cabeça nas coxas macias da esposa, que começou a deslizar os dedos finos pelos cabelos dourados dele.
— Você não precisa me esperar acordada, sabia? — Naruto começou a dizer com a voz arrastada, estava tão cansado que acabaria dormindo se Hinata continuasse com o carinho.
— Claro — respondeu, prontamente. — Faço isso porque quero te ver sempre que chega, bobinho.
Naruto fechou os olhos e sorriu. Como ainda conseguia se surpreender com a gentileza dela? Afinal, era uma das maiores qualidades da esposa e ele sentia no peito que não demonstrava tanta gratidão quanto a isso.
— Sabe, amor — ele começou a dizer —, hoje eu percebi uma coisa. — Hinata fez um murmúrio para que Naruto prosseguisse. — Eu percebi que estou frustrado com meu trabalho porque passo tempo demais nele e não consigo aproveitar vocês quando estou em casa. Acho que estou começando a odiar a vida de Hokage, ‘ttebayo! É tudo completamente diferente do que eu esperava, estou tão… Argh! — Ele passou as mãos no rosto e em seguida apontou para o relógio da cozinha, que era visível na parede atrás do sofá devido ao conceito aberto daquele andar. — Veja, são quase onze horas da noite e amanhã de manhã já preciso voltar para assinar umas quinhentas folhas que não tem nada, eu repito: nada a ver com-
— Ei, ei, shh... — Hinata sussurrou, impedindo que o Uzumaki começasse a soar como uma metralhadora.
Ela, então, parou de fazer carinho nos fios loiros e desceu as mãos delicadas — tão diferentes de um ninja comum, sem os conhecidos calos decorrentes dos treinos e sem cicatrizes, mas que precisavam ser daquele jeito para ter total precisão nas técnicas de luta de seu antigo clã — para o rosto masculino. Hinata segurou a cabeça de Naruto a fim de que não se mexesse, espalmando as mãos na mandíbula bem marcada, e começou a distribuir beijos pela face quente.
— Você... não vai... estragar... o cafuné… que eu… estou… fazendo… com esse… monte de… reclamações… — dizia e, a cada pausa que fazia, mais um beijo era depositado no rosto bronzeado. Naruto ria e Hinata não tinha pretensão nenhuma de parar.
Por fim, ela encostou os lábios macios na pontinha gelada do nariz dele e se afastou suficientemente para encará-lo nos olhos. Os dele estavam tão cansados enquanto os dela brilhavam em expectativa.
— Não, senhora — ele respondeu com um pequeno atraso. Ela sorriu e em seguida voltou a fazer cafuné. — Desse jeito vou acabar dormindo…
— Então eu vou ter atingido meu objetivo — ela rebateu com animação na voz.
Naruto riu nasalado e deixou que Hinata o domasse, como sempre. Ela penteava seus cabelos curtinhos. De vez em quando ziguezagueava com as pontas dos dedos no couro cabeludo ou apenas fazia um carinho preguiçoso. Somando as carícias ao cantarolar baixinho de uma canção antiga, ele tinha certeza de que cairia no sono a qualquer instante.
Só que o Uzumaki precisava se manter acordado.
— Como foi seu dia, hime? — perguntou, o tom sonolento fazendo a ex-Hyuuga rir.
— Ah, até que hoje foi bem corrido… — sussurrou de volta.
— Me conta mais…
— Hoje papai me chamou para resolver algumas coisas no clã — dizia ao esticar o braço livre para alcançar a mão do marido. Apesar de ter se casado com Naruto e perdido o sobrenome Hyuuga, Hinata não tinha se desvinculado totalmente dos afazeres que lhe diziam respeito no clã. — Depois tive uma pequena reunião com Konohamaru-kun… Você acredita que Boruto continua fazendo aquelas besteiras pra chamar atenção? — ela finalizou a fala com um tom de indignação, mas que se perdeu em uma risada. — Ele puxou mesmo você.
— Eei! Não vamos colocar a culpa em mim agora, ‘ttebayō! — o Uzumaki reclamou com a testa franzida. Ele aceitou a mão pequena da mulher que amava e começou a fazer carinho nela com o dedão.
— Não está mais aqui quem falou! — Hinata assobiou rapidamente. — Depois, eu fui à feira com a Hima e, quando chegamos em casa, ela me surpreendeu com uma pergunta.
— E qual foi? — ele quis saber, erguendo as sobrancelhas e tentando olhar para a esposa.
— Ela quer que eu a ensine algumas técnicas do clã… — respondeu com simplicidade, e ainda assim Naruto conseguia sentir o orgulho na voz dela. — Himawari quer começar a aprender antes de entrar para a Academia!
— Sugooi desu! — O loiro soltou um suspiro longo e seus olhos se encheram de lágrimas.
Naruto estava emocionado. Boruto continuava fazendo palhaçadas para tentar chamar atenção dos pais assim como ele fizera quando criança com o velho Sarutobi… E Himawari crescia tão rapidamente que ele não conseguia mais acompanhar de longe, não de longe como fazia. Sentia como se fosse explodir a qualquer momento devido à quantidade enorme de sentimentos que o assolavam.
— Naruto-kun… — Hinata disse com preocupação. — O que foi?!
— Acho que estou passando por uma epifania — respondeu, levando a mão livre para limpar as lágrimas. — Acabei de realizar que sou um marido e pai ausente.
— Ah, meu bem! — Ela começou a acariciar o rosto ligeiramente molhado pelas lágrimas. — Não é sua culpa. Você não se ausenta por querer, é diferente! — A gentileza falava por ela, mais uma vez.
Entretanto, seus filhos ainda não enxergavam a vida da mesma forma.
— Hime… Eu acho que as crianças não têm essa percepção.
A ex-Hyuuga não disse nada, porque era verdade. Uma verdade difícil de engolir.
— Gomenasai… — ele sussurrou. Ambos trocaram olhares tristes, porém cúmplices, e apertaram um a mão do outro. — Preciso fazer alguma coisa para reverter essa situação.
— Eu acho uma ótima ideia! O que tem em mente?
Naruto fechou os olhos e pensou por alguns segundos.
— O que você acha de passarmos férias em Suna? — Ele não precisava estar de olhos abertos para saber que ela sorria.
— Acho formidável.
Aquelas palavras concluíram o que o Uzumaki esperava: por mais que não pudesse modificar o que fizera ou deixara de fazer no passado, ainda podia escolher mudar seus atos no presente para colher um futuro feliz. Contudo, ainda havia uma questão: será que ele, como Hokage, realmente poderia tirar férias?
Bom, se não pudesse…
Naruto inventaria uma desculpa para ir visitar o Kazekage — e, de quebra, levar toda sua família junto.
Notas finais
espero que tenham gostado dessa NH xuxuzinha!
me sigam no insta se quiserem acompanhar as minhas histórias @gatitamatsushita! tem também o link no meu perfil.
se você já acompanha minhas fanfics, digo que os próximos capítulos estão aguardando betagem :(
se você não acompanha, seria incrível pra mim se me desse uma chance ♥
beijão!
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