Só para frisar, tá tudo bem
1 Estou feliz...
— Tudo bem?
Preferiu aquele que afasta todo o meu conforto. E com duas simples palavras, traz o meu lado mais inapropriado. Eu gostaria de insultar ele, usar das palavras de mais baixíssimo calão — mas eu não tinha um motivo aparente, logo, eu pareceria lunático, impulsivo e agressivo.
E eu sou adorável, nunca indelicado.
Como eu poderia ser desagradável com uma pergunta tão aparentemente altruísta? Adoraria ir contra as minhas próprias ideologias, e com ele, ter um comportamento totalmente enfadonho — do tipo que faria minha família se revirar de decepção.
Tão enfadonho quanto tal atitude. “Tudo bem?”. Ele realmente disse isso? Eu poderia dormir sem ouvir isso, eu não compreendo... Que mente doentia a dele, desse bobinho, estraga minha vida, minha autoestima, minha vontade de viver, de recomeçar, de acreditar que o amanhã virá. E simplesmente vem, e pergunta tal absurdo, quanta crueldade.
— Sim, tudo bem. — Ora essa, que honestidade a minha...
Tudo bem, fora a decepção que você me causou, a decepção de ontem, a decepção de hoje e a que você provou me causar com a facilidade de respirar. Você é uma pessoa decepcionante.
A desesperança crônica no amanhã que suas palavras insolentes me causaram. Sua bestialidade me impressiona, estando bem escondida em seu rosto meio angelical.
Tenho vontade de chorar, raiva de não poder. Quero gritar até ficar rouco, quero gritar até ficar louco.
Isso sem contar com a ânsia de vômito, reação a tal pergunta idiota!
Fora tudo isso, tudo bem.
Infelizmente eu não disse nada disso. Entendo do perigo que me meti, eu poderia ter engasgado e morrido, por ter reprimido tais palavras na minha garganta. Em minha defesa, não é a primeira vez que ponho minha vida em risco assim.
Sou ruim de falar, péssimo de me comunicar, péssimo de sentir.
— Por acaso eu te quebrei?
Sim. Eu não respondi. Estou ferido e áspero.
— Pensei que estava cuidando bem.
Não há ressentimentos em suas palavras. Sua putinha.
Eu senti com você, lidei com você. Tentei ver além do que você era, aprender com você, e em você, achei algo encantador, embora grotesco. Você meio que se parece comigo, talvez essa seja o motivo, de eu me desprezar tanto em certos momentos.
Eu amei ele, e ele pareceu me amar. Foi lindo. Mas logo ele foi covarde o suficiente para me deixar, e simplesmente voltar, como se nunca tivesse ido embora, como se nunca tivesse me cortado com palavras, como se eu fosse apenas uma velha garantia. Uma simples brincadeirinha.
Não me surpreende, mas infelizmente, me abala.
Eu tenho sentimentos, será que ele sabe? Aquele estúpido do caralho. Perdão pelo palavreado, mas estou me desculpando por ética, ele merece muito mais. Mas isso não faz tanto sentido agora. Ele se foi novamente.
Estou feliz por não estar mais aos eu lado.
E só para frisar, tá tudo bem.
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