Notas iniciais
Heeeeey amores > Como vão vocês?Cara, eu fiquei tão preocupada com o branco que me deu em Tricks of Fate que esqueci completamente de Acima de Tudo!Então cá está um belo, grande e lindo capítulo novinho em folha com muito romance, melosidade e melodrama!êê! o/

– Maaaaari! – Ainda de olhos fechados, ouvi a voz de Júlia cada vez mais próxima.

Minutos depois, senti o seu peso vir sobre mim de uma vez. Dei um grito e nós começamos a rir.

Fiz Júlia deitar-se na cama e me ajoelhei, começando a fazer-lhe cócegas.

Logo ela ria ainda mais, implorando para que eu parasse.

– Não... não... para, Mari... não, por favor! Para.... Mari, para! – Ela pedia, e logo eu comecei a rir também.

Eu ria do seu tom meio desesperado entre as risadas, dos seus cabelos bagunçados e das faces afogueadas. E logo eu ria tanto que não conseguia mais fazer cócegas. Caí deitada ao lado de Júlia, meio rindo e meio ofegante, exatamente como ela.

Me virei de lado e comecei a observar o movimento rápido de seu peito, que em pouco tempo já havia voltado ao ritmo normal.

– Bom dia para você também. – Ela disse, virando-se e dando um sorriso.

– Não fui eu que te acordei gritando e pulando na sua cama! – Exclamei, fazendo-a rir. – Mas bom dia, meu amor. – Completei, dando-lhe um beijo.

Depois de alguns meses, eu finalmente havia tomado coragem e pedido Júlia em namoro. Haviam passado sete meses desde o nosso primeiro beijo na rua da sorveteria, e mais ou menos cinco e meio desde que começáramos a namorar. Também fazia seis meses e meio desde que as aulas da faculdade começaram e eu começara a trabalhar em um Café Livraria em um shopping perto de casa.

– Mas você gostou, não gostou? – Ela sorriu.

– Demais. – Respondi e nós começamos a rir novamente.

Júlia rolou sobre mim e me deu um beijo rápido nos lábios – um selinho.

Sua mão passou pela minha cintura, descendo até o lado do quadril e apertando a minha coxa nua.

– Estava frio essa noite. – Ela disse, passando as unhas por ali. Coloquei a minha mão sobre a dela, afastando-a delicadamente.

– É raro eu sentir frio. Você sabe disso. – Pisquei. – Mas agora eu tenho que levantar.

– Ah... ok. – Ela respondeu, voltando a se deitar ao meu lado.

Rolei para a ponta da cama e me levantei, espreguiçando logo depois.

– Vou tomar um banho. – Avisei enquanto ela se sentava na minha cama, arrumando o cabelo bagunçado.

– Posso ir junto? – Ela mordeu o lábio e eu não pude deixar de soltar uma risada diante do seu olhar.

– Melhor não. Acho que pode não dar certo. – Respondi simplesmente, fazendo-a rir e caminhando até o banheiro.

Tomei um banho não muito demorado, de água absurdamente gelada, e tratei de vestir uma boxer antes de me enrolar na toalha e voltar ao quarto.

Júlia estava deitada na minha cama, e eu parei por algum tempo para observá-la mais detidamente. Seus cabelos estavam espalhados pelo travesseiro, bagunçados. O rosto estava meio tampado pelo CD que ela tinha nas mãos, objeto que tomava toda a sua concentração. Ela vestia uma camiseta regata simples, shorts jeans que deixavam suas coxas e pernas morenas descobertas. Pernas essas que estavam esticadas, com os pés descalços cruzados na altura dos tornozelos.

Deixei-a concentrada na capa do CD e escolhi uma roupa qualquer no armário. Depois de estar devidamente vestida, me sentei ao seu lado.

– O que te interessa tanto? – Perguntei.

Ela sobressaltou-se levemente, desviando o olhar do CD para o meu rosto.

– Não sabia que você tinha esse CD. – Ela disse com um sorriso.

– É sério?

– Sim. E olha que eu já fucei essas prateleiras mais que qualquer um. – Eu ri.

– Ele estava jogado atrás da cômoda, eu acho. Encontrei esses dias. – Dei de ombros.

– Mas é o Meu Mundo Ficaria Completo! Você não deu falta dele? – Ela exclamou, sentando-se na cama. Eu ri novamente.

– Só há alguns dias atrás. Mas eu acho que fui eu mesma que joguei ele na cômoda e ele acabou caindo. – Dei de ombros.

– E por quê? – Ela perguntou.

– Acho que foi por causa das músicas românticas. Eu estava meio de mal delas na época...

Ela riu.

– E que época foi essa?

– Isso é interrogatório, é? – Perguntei com um sorriso. – Mas foi há uns seis meses, se não me engano.

Ela começou a rir.

– Sério?

Assenti.

– Que coisa né...

Nós começamos a rir.

Me deitei com a cabeça sobre as coxas de Júlia e comecei a mirar seu rosto.

– Que foi? – Ela perguntou.

– Quais são os planos para hoje?

– Sei lá. – Ela deu de ombros. – Os primeiros eram estudar como louca para a prova de semana que vem. Mas aí eu percebi que já sabia toda a matéria na ponta da língua e resolvi vir aqui, abrir a sua porta com a chave que fica debaixo do vaso de plantas e te acordar gritando e pulando.

Eu ri.

– Foi uma boa ideia, sem dúvida.

– Eu sabia desde o início. – Ela sorriu e inclinou-se para frente, me dando um beijo rápido.

– Ei, que horas são? – Perguntei assim que o beijo se partiu.

– Boa pergunta. – Ela respondeu, esticando-se até a mesa de cabeceira e pegando seu celular ali. – São nove horas agora.

– Ah... legal. – Respondi simplesmente, passando as mãos pelo rosto.

– Isso tudo é sono?

– Não exatamente. – Dei um sorriso.

– Eu sei que é. – Ela riu.

– Não é não, de verdade. – Respondi. – É só uma preguiça de lembrar que hoje é dia de arrumar a casa.

– Relaxa, eu te ajudo.

– Não, de jeito nenhum! – Me levantei. – Você não veio aqui fazer faxina.

– Mas eu posso te ajudar. Não é um problema, sério.

– Não mesmo? – Perguntei.

– Não mesmo. É um prazer ficar contigo, Mari. Mesmo que seja arrumando a casa.

– Só você mesmo. – Balancei a cabeça, fazendo-a rir.

– É claro, né. Eu sou demais! – Ela exclamou.

– E tão modesta! Incrível. – Ironizei e ela riu.

– Bom, vamos lá. O que é para fazer?

– Antes de qualquer coisa, arrumar essa cama. – Dei de ombros.

– Ok. – Ela sorriu e nós nos levantamos.

Dobramos os lençois juntas, e da mesma forma arrumamos os travesseiros. Quando colocamos a colcha, não pude deixar de me distrair ao ver Júlia se inclinar para esticar uma das pontas.

– Tá olhando o quê, hein? – Ela perguntou ao se endireitar e me ver quase babando.

– E-eu? Em n-nada! – Gaguejei e ela riu.

– Hum, sei.

Comecei a dobrar as roupas que estavam jogadas sobre a cômoda, cadeira e prateleiras do quarto enquanto Júlia se oferecia para varrer o chão. Acabei por ceder e ela pegou uma vassoura pra fazer isso.

Como o apartamento não era tão grande, quando o relógio apontou meio dia e meia nós já havíamos terminado tudo.

– Ai... eu tô com fome. – Ela reclamou quando nos sentamos no sofá da sala.

– Eu vou fazer um almoço para nós. – Respondi, levantando do sofá.

– E eu vou te ajudar.

– De jeito nenhum! Você já fez demais aqui hoje! Senta aí no sofá que eu arrumo.

– Posso ficar pelo menos te assistindo nos bancos do balcão? – Ela pediu, olhando-me com um olhar de gatinho do Shrek.

– Pode! – Eu não consegui resistir e ela sorriu, comemorando e dando pulinhos como uma criança que ganhou um brinquedo novo.

– Então vamos lá.

Ela se sentou em um dos bancos e começou a brincar com um pano de prato que jazia ali enquanto eu separava o necessário para um macarrão Parisiense.

Depois de algum tempo, estava tudo pronto.

Coloquei tudo na mesa de jantar e nós comemos ali mesmo. Ao terminar, eu apenas coloquei os pratos na pia e me sentei junto á Júlia no sofá da sala.

Não nos demoramos muito naquele lugar, apenas conversando sobre qualquer coisa.

– Vamos lá para cima? – Júlia pediu a certo tempo, se referindo ao teto do prédio.

Concordei com um sorriso.

Peguei meu celular na mesinha de centro e nós pulamos a janela da área de serviço, subindo as escadas de incêndio e chegando rapidamente ao nosso destino.

Nos sentamos no chão, como sempre fazíamos. Coloquei no aleatório da playlist do meu celular, e logo a música No Recreio se fez ouvir.

Inicialmente ouvimos o toque do violão, mas assim que a música começou, tratei de cantar junto à Cássia Eller.

Quer saber, quando te olhei na piscina

Se apoiando com as mãos na borda

Fervendo a água que não era tão fria

E um azulejo se partiu porque a porta

Do nosso amor estava se abrindo

E os pés que irão por esse caminho

Vão terminar no altar

Eu só queria me casar

Com alguém igual a você

Júlia sorriu e continuou.



E alguém igual não há de ter

Então quero mudar de lugar

Eu quero estar no lugar

Da sala pra te receber

Na cor do esmalte que você vai escolher

Só para as unhas pintar

Logo estávamos cantando juntas.

Quando é que você vai sacar

Que o vão que fazem as suas mãos

É só porque você não está comigo

Só é possível

Te amar...

Ao terminarmos de recitar os dois últimos versos, trocamos um sorriso cúmplice. Coloquei seu cabelo atrás da orelha, exatamente como eu havia feito seis meses antes. Deslizei meu polegar em seus lábios, pressionando-os contra os meus logo depois.

Não faço ideia de por quanto tempo nós ficamos apenas sentadas ali, ouvindo e cantando músicas, trocando beijos e carinhos. Mas quando o sol brilhou forte no horizonte, começando a se esconder, percebemos que estava tarde.

Assistimos àquele pôr-do-sol com sorrisos no rosto. O céu se mostrava com milhares de cores diferentes; ia desde o azul celeste de quando olhávamos diretamente para cima até o rosado, alaranjado e avermelhado na linha do horizonte, apontando o sol que se escondia lentamente para dar lugar à lua.

Resolvemos descer quando o ambiente começava a escurecer, e os prédios e casas acendiam suas luzes.

– Já sei! – Júlia exclamou enquanto mirava a tela do notebook. Estávamos sentadas no sofá da sala novamente.

– Sabe o que, garota? A cura do câncer? – Perguntei e ela riu.

– Não, boba. Já sei o que a gente vai fazer agora.

– E isso seria...

– Ir ao cinema! – Ela exclamou. – Está passando aquela animação do Drácula, eu tô doida para assistir!

– O tal Hotel Transilvânia? – Perguntei. – Já ouvi falar. Parece ser divertido.

Ela riu.

– Então vamos?

– É claro, né. – Sorri e ela comemorou.

– Mas... eu vou ter que passar em casa para tomar um banho e trocar de roupa.

– Por acaso não tem chuveiro aqui não? – Perguntei, arqueando uma sobrancelha. Ela riu.

– Não é isso, é que...

– Nada de “é que”. Tem chuveiro, sabonete, toalhas e água aquecida aqui. – Dei de ombros, fazendo-a rir ainda mais.

– Tá bom, tá bom.

Nós fomos novamente até o meu quarto e, depois que eu entreguei-lhe uma toalha, ela entrou no banheiro.

Ouvi a porta ser fechada, mas não trancada. Me joguei na cama e fiquei ali, com as mãos sob a cabeça, mirando o teto azul.

Não sei dizer exatamente quanto tempo o banho de Júlia demorou, mas quando ela apareceu enrolada em uma toalha no quarto, eu não pude deixar de sorrir.

– Acho que tem roupas suas aí no armário. – Falei, sem me mover da minha posição.

– Onde? – Ela perguntou.

Me levantei e indiquei-lhe alguns cabides com algumas camisetas, shorts e jeans que eram completamente diferentes do resto do conteúdo daquele armário.

– Ah, valeu. – Ela disse, pegando uma camiseta azul celeste com uma silhueta das orelhas do Mickey em glitter da mesma cor, mas em um tom mais escuro. Ao lado da camiseta que fora jogada na cama, ela colocou também jeans skinny.

Sua toalha foi para o lado das roupas. Não me demorei muito observando o conjunto rosa-bebê de lingerie que ela usava, já que ele foi coberto rapidamente pela roupa.

Diante do espelho na porta do armário ela penteou os cabelos e passou um brilho cor-de-rosa nos lábios, que fora tirado de dentro da sua bolsa. Depois de mais algum tempo se arrumando, ela finalmente disse uma frase bastante esperada: “estou pronta.”

– Não vai trocar de roupa? – Perguntou logo depois.

– Ah, claro. – Respondi. – Mas tô com preguiça de escolher.

– Posso escolher para você? – Ela pediu.

– Desde que use roupas minhas, pode. – Dei de ombros e ela riu.

– Não vou te tirar do seu estilo, não precisa se preocupar.

– Muito obrigada! – Respondi e ela riu novamente.

Observei em silêncio ela tirar de dentro do armário jeans de lavagem, uma camiseta regata branca e uma camisa xadrez vermelha de mangas curtas. Depois disso ela pegou na parte de baixo um par de tênis pretos.

– Prontinho! – Exclamou e eu não deixei de sorrir.

– Obrigada.

Me levantei da cama e dei-lhe um beijo rápido antes de tirar a camiseta larga e meio curta que eu usava. Vesti a regata branca e a blusa xadrez por cima, substituindo meu short pelos jeans. Calcei os tênis, ajeitei o cabelo e, em menos da metade do tempo que Júlia gastara, eu estava pronta.

À frente do espelho do armário, ela me abraçou de lado e eu observei a nossa imagem refletida ali.

Júlia era mais baixa que eu. Não muito, mas era. Seus cabelos castanhos lhe caíam pelas costas e ombro, e nos lábios rosados ela exibia um sorriso. Seu corpo era delicado, mas tinha as curvas bem delineadas. A blusa azul não era muito justa, mas lhe destacava os seios e a cintura sem ficar vulgar. Os jeans skinny faziam o mesmo com suas pernas torneadas, e as sapatilhas azul-escuras davam um toque delicado e ainda mais feminino para ela.

Ao seu lado, estava eu. Eu e meus cabelos castanho-avermelhados curtos e eternamente desordenados. A pele branca, o sorriso leve nos lábios rosa bem claros com a argolinha prateada no canto. A camiseta regata branca não era tão larga, mas não tinha muito o que destacar. Meus seios eram quase inexistentes, minha cintura também não era fina. E, além disso, a blusa xadrez e os jeans largos ajudavam a esconder ainda mais a falta de “curvas femininas” naquele corpo. Meus tênis pretos e sujos só davam um ar ainda mais displicente para mim.

Ao fazer uma pequena comparação, uma dúvida me surgiu na cabeça.

– Ju...

– Sim?

– Qual é a graça de namorar uma menina fantasiada de menino? – Perguntei e ela riu.

– Como assim, amor?

– Eu tô falando sério, Ju. Sei lá... você é tão linda, feminina e delicada. Deveria arrumar uma namorada que fosse assim também. Ou que, sei lá, fosse pelo menos um pouco condizente com o seu estilo.

– Tá dizendo que não me quer mais, é? – Ela perguntou.

– Claro que não, pequena. Só estou curiosa em saber o que você achou em mim. – Dei de ombros.

– Se eu dizer que é o que eu não achei em ninguém mais vai ser muito clichê? – Ela perguntou e eu não pude deixar de rir.

– Acho que um clichê cabe bem aqui. Eu mesma estou quase numa crise existencial. – Dei de ombros e ela riu.

– Então... é isso. O que eu não achei em ninguém mais.

Eu ri.

– Tá legal, mas de verdade. Qual é a graça de namorar uma menina que é praticamente um garoto preso num corpo meio feminino? – Tornei a fazer a pergunta e ela riu.

– Deixa disso, Mari. Seu estilo é lindo, tá bom? E eu gosto muito de te ver se vestindo assim. Me dá orgulho. Você não tem medo do que vão pensar... é só você mesma.

Sorri.

– Sério?

– Seríssimo, amor. – Ela colocou-se na minha frente e me deu um sorriso. – Agora vem, vamos lá. Se não a gente vai perder o horário da sessão.

Sorri.

– É melhor.

Notas finais
Seis meses, pois é.E eu digo a mesma coisa que tá nas N/F do capítulo 2. Tipo, não tinha o que colocar nesse espaço de tempo! '-'Mas enfim.E aí, curtiram esse cap?Bom, só pra não perder o costume, eu preciso avisar que esse cap tem o nome meio estranho No Recreio porque esse é o nome da música da Cássia que elas cantam no cap! Agora se quer saber o motivo pergunta pra ela '-'Ou não, idkEnfim. Agradeço muuito à todos que comentaram e favoritaram Acima de Tudo, vcs são uns amores *-*E é isso.Au revoir! Até o outro cap >