Notas iniciais
Aweeee, manolinhas.
Prometi que ia postar rapidinho, e cá estamos. Só cinco dias, dá pra crer? Pois é u_u Depois de sei lá quantos meses abandonada, nada mais justo.
Enfim.
Well, bonitas. Nesse capítulo, prometo muuitas emoções.
Júlia conversa com a Isabel, e a conversa vai ser narrada por um ponto de vista bem legal. E pra quem perguntou se a Mari não estava com ciúmes: é CLARO que está. Ela só não curte demonstrar isso.
Enfim. Apenas, aproveitem.

Deixei Júlia e Isabel com a cabeça cheia de pensamentos. Não tinha certeza de ter feito o certo ao deixar a minha namorada conversar com a sua ex, mas eu não poderia fazer de outro jeito, por mais que eu estivesse com ciúmes.

– Mari. Mari? Mari! – A voz de Ana me despertou, voltando minha atenção para ela.

– Sim?

– Tem como me explicar porque o clima pesou tanto ali atrás e por que você está aí há meia hora encarando o chão com essa cara de "estou pensando na solução para os problemas da humanidade"?

Acabei rindo baixo com o seu comentário, mesmo com a cabeça tão cheia. Ana riu.

– Não, mas agora é sério. Quem é aquela? E por que ela estava falando daquele jeito com a Júlia?

Mordi o lábio.

– Ela é tipo... A ex da Júlia.

– E VOCÊ DEIXOU ELA FICAR LÁ CHEIA DOS SORRISINHOS COM A SUA NAMORADA?! – O grito de Ana fez várias pessoas se assustarem, olhando em nossa direção. Eu e Pedro nos afastamos alguns passos.

– O que eu deveria fazer? Algemar a Júlia a mim e proibi-la de andar pelo campus?

– Claro! Você tem que cuidar do que é seu.

Com essa eu tive que rir.

– Olha, Ana. A Júlia não é nenhum objeto para ser tratada como minha propriedade. Se ela quer conversar com a amiguinha, que converse. Eu não posso impedir. – Dei de ombros.

– Não entendo como você consegue ser tão calma com esse tipo de coisa. Eu morreria de ciúmes, se fosse comigo.

Sorri de canto. Era perfeitamente óbvio que eu nutria ciúmes de Isabel, mas demonstrar isso não seria de nenhuma utilidade. Júlia era a minha namorada, mas também era livre para fazer o que bem entendia.

– Mas você tem ciúmes até do seu gato, ruiva.

Ela cruzou os braços.

– O Black gosta muito mais de ficar no sofá do que no meu colo.

Dei uma risada.

– Ok, vamos logo para a aula.

. . .

Assim que a minha namorada se afastou, junto a Pedro e Ana, em direção à sala de aula, eu continuei seguindo-a com o olhar, quase que como ignorando a morena de dreads no cabelo que estava à minha frente. O que eu realmente não queria era me virar para encarar aqueles malditos olhos verde-acinzentados, que tanto me haviam abalado há quase um ano – e, por mais que eu tentasse negar, ainda me abalavam um pouco.

Quando Mariana já estava fora de vista, me virei relutantemente para Isabel.

Ela sorria.

Ela sorria aquele maldito sorriso torto que, juntamente aos olhos, lhe conferia tal malícia que por um segundo eu imaginei ser possível que ela me despisse ali, apenas com aquele olhar.

– A sua namorada é bonita. – Ela disse, se recostando no encosto da cadeira, dizendo a palavra namorada lentamente, como se não acreditasse muito nela.

– Eu sei disso. – Respondi secamente, decidida a não deixar transparecer nem um traço do que acontecia comigo por dentro.

Ela sorriu, divertida.

– Há quanto tempo vocês... Hm... Estão juntas?

– Desde o início do ano. – Respondi sem rodeios. – Por quê?

– Nada... Curiosidade. – Ela deu de ombros e se inclinou para frente. – Você é feliz com ela, Júlia?

Essa pergunta me atingiu quase fisicamente, e na minha cabeça, imagens de Mariana surgiram. Vi seus olhos verde-escuros mirando os meus, suas mãos delicadas acariciando meu rosto, seu corpo magro pressionado ao meu, seus braços me abraçando.

As imagens foram quase como um choque, me puxando para a realidade. De repente, eu não estava mais abalada com os olhos de Isabel, ou com seu sorriso malicioso. De repente, apenas Mariana me importava, com seu sorriso de canto, os olhos verde-escuros e o pequeno piercing preto no canto do lábio inferior.

– Que tipo de pergunta é essa, Isabel? É claro que eu sou feliz com ela, se não nós não estaríamos namorando. – Respondi secamente, cruzando os braços.

– Sendo assim... Tudo bem. – O sorriso morreu nos lábios dela, se transformando em um suspiro profundo e sentido. Ela se inclinou para frente, me encarando profundamente. Quando falou, sua voz era macia e suave. – Sabe, Júlia, eu senti a sua falta. Digo... Quando eu estava em Santa Catarina. Eu pensava muito em você, lá. No seu sorriso, no seu jeito, no seu beijo...

Isabel esticou a mão, como se quisesse tocar meu rosto, mas não o fez, e voltou a pousá-la na mesa. Olhei para baixo. Corri os olhos pelos seus dedos finos e longos, as unhas curtas. Não queria encarar seus olhos enquanto ouvia o que ela dizia.

– Eu mal conseguia esperar para voltar, para olhar de novo para os seus olhos, tocar a sua pele... Meu Deus, você não saiu da minha cabeça. Mas... agora você tem namorada. – Sua última frase não tinha o jeito suave das outras. Era dura e continha um tipo de amargura.

Levantei os olhos, a encarando.

– Eu não acredito em você.

Ela arqueou as sobrancelhas.

– Não?

– Não, Isabel. Eu não sei o que você pretende com esse drama, mas eu não acredito em você. Você não gosta de mim, e eu sei muito bem disso. Se gostasse, não teria me ignorado por tantos meses, como fez.

– Você não entende, Júlia. Eu não fiz aquilo porque queria. Eu precisava, eu...

– Para! – Me levantei, batendo as duas mãos na mesa. Meu tom foi tão alto que atraiu o olhar de algumas pessoas que passavam. Ignorei. – Para com isso! Para de ser tão... Manipuladora. Eu já acreditei em você, e sofri por isso. A gente estava ficando, eu gostava de você, e você sabia disso, não tenta negar. Você me ignorou de um dia para o outro. Saiu com outras garotas, fingiu que eu não existia. E depois voltou para me bagunçar ainda mais. Por um tempo eu fiquei me perguntando os motivos disso, mas eu não quero mais saber. Eu estou feliz, eu tenho uma namorada, e a Mari não é igual a você. Então... Só me deixa em paz.

Isabel se levantou, seu rosto era insondável.

– Eu não sou como eu era antes, Júlia. E eu vou te provar isso. Eu vou fazer você gostar de mim outra vez.

Com isso, ela pegou a mochila sobre uma das cadeiras e jogou-a por sobre o ombro, saindo dali sem esperar resposta.

Minhas pernas cederam e eu voltei a cair sentada na cadeira, apoiando a cabeça nas mãos. Eu fizera de tudo para que as lágrimas não caíssem dos meus olhos enquanto conversávamos, mas agora isso já não parecia tão fácil. Deixei que as gotas de água salgada rolassem pelas minhas bochechas, enquanto secava-as inutilmente com a ponta dos dedos.

Peguei minha bolsa na cadeira ao meu lado e tirei dali de dentro o livro que eu estava lendo. O mesmo que Mariana comprara no dia em que havíamos nos conhecido. Abri na página marcada e me recostei na cadeira, tentando esvaziar a minha cabeça, concentrada nas páginas do livro.

Notas finais
Eu sei que esse capítulo tá beem pequeno, mas eu ia fazer menor, então fiquem felizes. Eu tinha escrito só com o ponto de vista da Ju, mas aí quando eu vi que não tinha dado nem 800 palavras, tive que fazer essa enrolaçãozinha. No fim das contas, ficou satisfatório.
Anyway, vocês gostaram? Espero que sim.
Well, super obrigado a todas as belas que comentaram e à Maddson, que favoritou. E, bom, mistermy, obrigada pelo aviso. Eu realmente me confundi um pouco, mas já consertei tudinho. E não, não havia nenhum lugar falando de sete meses, apenas seis e dois (onde eu já consertei).
Enfim. Comentem, moças bonitas.
E fantasminhas, façam o favor de aparecer! Quando o Nyah! marca 91 leitores e só 6 comentam eu já posso ficar triste, né?