Só Tinha De Ser Com Você
1 Andança
Com os sentimentos a flor da pele, era quase impossível para Julieta esconder a fúria que estava sentindo. Os sentimentos não eram mais voltados a Darcy, já que acabaram se reconciliando, mas sim a Lady Margareth. Julieta estava impressionada com a maldade e baixa índole da tia de Darcy. A verdade é que a baronesa estava a martelar tudo em sua cabeça caótica, que não pára nunca. Ao ver a agitação ta mais nova, Aurélio propôs um passeio que logo foi negado, mas como o homem não é de desistir fácil, a convenceu de que era uma boa ideia, e a Rainha topou, então.
A mulher ainda estava um pouco alterada devido a tamanho absurdos que ouvira há minutos, mas sabia bem como controlar esse tipo de sentimento – e qualquer outro. Acontece que para Julieta era muito mais fácil ser franca com seus sentimentos diante de Aurélio. Como se, com ele, ela pudesse de fato ser ela mesma. Se sente confiante ao lado do homem e sabe que ele só lhe receberá com palavras e gestos gentis. De fato, ela nunca encontrou alguém que a entendesse tão bem e a ouvisse sem qualquer pré julgamento.
Após alguns minutos destilando toda sua fúria ao universo, Julieta finalmente se acalmou e só então, envergonhada, pediu desculpas a Aurélio que sorriu gentilmente falando que gosta da mulher de todos os jeitos; furiosa ou não. Julieta, derretida por dentro com mais uma declaração não pode negar o riso auditivo. Quase sem querer, os dois se posicionaram de um modo em que daria uma bela fotografia: ambos frente-a-frente, sorrindo um para o outro com a piscina e um esbelto jardim de fundo.
“Bom, não quero mais pensar na tia de Darcy, aquela mulher me causas sentimentos totalmente indesejáveis. É como se eu visse Osório em minha frente.” Confessou Julieta que deixou Aurélio um pouco intrigado e curioso. Já que, como todos, o botânico sempre acreditou que Osório era o melhor dos homens, mas depois dessa meia confissão, ficou com uma certa negação diante da boa índole do falecido. Julieta percebendo que falou demais desviou o olhar, mas logo os direcionou aos olhos de Aurélio quando sentiu a mão do futuro barão tocar a sua.
“Vamos!” Propôs o homem e eles foram. Caminharam pelo jardim enquanto conversavam agradavelmente sobre tudo. Os filhos eram grande parte do assunto, visto que, maior que os sentimentos dos dois, os filhos são suas maiores riquezas... e preocupações.
Em passos lentos e pequenos os dois aproveitavam o sol que fazia em São Paulo e o aroma das flores que a brisa leve trazia.
“Acho que de fato, nunca conseguiremos ficar tranquilos com nossos filhos tão longe de nossa proteção. Entretanto, por outro lado, me sinto satisfeito ao ver que Ema, finalmente, desabrochou.” Comentou Aurélio, parando novamente frente a Rainha do Café. Estavam mais afastados da residência, logo não correriam o risco de serem vistos em um momento mais íntimo. Julieta sorria mostrando os dentes enquanto Aurélio acariciava suas mãos. A baronesa fitava os lábios do homem com uma vontade imensurável de beijá-los. E percebendo isso Aurélio atendeu o indireto pedido da Rainha. O homem a segurava pela cintura com uma mão enquanto, simultaneamente, a outra estava em seu pescoço, intensificando o beijo. Já a mulher acariciava de modo necessitado os braços másculos do homem. Em uma eterna guerra interna entre seu trauma ainda tão vivo e o desejo fervoroso de se entregar a Aurélio, Julieta tentando cessar tudo aquilo no beijo.
Com a respiração prá lá de ofegante, o peito da mulher subia e descia rapidamente assim que ela parou o beijo. Precisava de ar e a falta de oxigênio não poderia vir em hora melhor, visto que se continuassem assim, a mulher saberia muito bem onde tudo poderia terminar.
“Você me faz muito bem, Aurélio!” A rainha do café enfatizou bem a frase dita enquanto o admirava. O pai de Ema sorriu terno com a confissão e levou sua mão direita até o rosto da mãe de Camilo, acariciando. “Mas acho arriscado o que fizemos. Imagina se algum funcionário nos encontra.” Concluiu.
“Por mim já teriam visto. E não só eles.” Aurélio dispara sorrindo e arrancando Julieta que balançou a cabeça sutilmente em negação. O homem se aproximou a puxando pela cintura para mais um beijo apaixonado.
Aurélio conseguia pegar e devolver a sanidade de Julieta em uma rapidez inimaginável. Em um segundo a mulher se via completamente atraída pelo homem, como se houvesse algum imã ligando os dois.
“A sua falta de juízo ainda vai nos colocar em uma situação desconfortável.” Julieta comentou interrompendo o beijo.
“A senhora também não está em plenos juízo para ta beijando um empregado em plena luz do dia.” Aurélio brincou tirando totalmente a fala da baronesa.
“O senhor sabe que não é um empregado…” A rainha não continuou a frase mas o fazendeiro entendeu bem o que ela queria dizer.
“E você também sabe que às vezes não é tão dona absoluta de suas razões.” Aurélio disparou e a Rainha do Café inevitavelmente abriu a boca e franziu a testa reprovando o que o homem disse. Mas era bem verdade.
“Petulante!” Reforçou e Aurélio riu segurando em suas mãos.
“Estou brincando Julieta.” Ele correu a mão para o rosto da mulher deixando alguns carinhos ali. “Fico feliz em saber que sou mais que um funcionário na sua vida.”
Julieta suspirou pesado enquanto um sorriso aberto era revelado. Fora a vez de Julieta puxar Aurélio para um beijo. Suas pequenas mãos adentraram os fios de cabelos do homem e o clima logo mudou. O que era pra ser um beijo calmo, rapidamente passou para um, de certa forma, animalesco; necessitado. Aurélio ousou e desceu seus lábios ao pescoço de Julieta que solta leves grunhidos aprovando aquilo que o homem fazia. Os beijos molhados tiravam a Rainha do Café do chão, mas assim que o homem a beijou na boca de novo, viu que precisava aterrissar. Pararam o beijo e olharam em volta. Julieta estava de certa forma assustada e com medo de alguém ter visto-os, já Aurélio não parecia nenhum pouco incomodado; só sorria.
“Nos vemos depois, senhor Aurélio.” Disse Julieta firme enquanto tentava se recompor. A mulher ajeitou a postura e sem esperar o homem se pronunciar, saiu andando. Deixando o botânico a admirar.
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