Resposta

De onde estava consegui ouvir meu pai pedindo desculpas pelo meu comportamento e colocando a justificativa na perda da minha mãe. Odiava quando ele fazia. Minha mãe morreu! Não posso fazer nada. Contudo não fico colocando a culpa dos meus atos em seu falecimento. Ao ouvir isso, segurei meu braço com o corte e comecei a correr até o final da rua da casa dos Fosters. Senti algumas lágrimas quentes deslizarem em meu rosto e deixei rola-las, mas não parei por nada.

Chegue até o parque e lá eu sentei. Meu braço sangrava muito e estava muito assustada. Pensar na minha mãe sempre fazia isso. Imagens daquela noite voltaram atona. A casa, o fogo e, por fim, o grito agudo. Era tudo tão nítido em minha mente.

Fiquei assim por um tempo, até que a chegada de uma certa pessoa me assustou. Era Mike e com ele trazia um pano.

–Acho melhor você cobrir esse seu machucado- ele disse se aproximando. Pegou minha mão e cobriu com o pano- Não precisa chorar. Fomo nós que erramos.

Eu olhei para seus olhos e vi perdão neles.

–Eu não estou chorando por isso- disse fria.

Ficamos alguns instantes em silêncio.

–Por que todo mundo fala dessa Anna Amorim?- questionei.

A pergunta fez toda a cor do rosto de Mike sumir. Ele respirou fundo e olhou para o chão.

–Anna Amorim- ele deu uma curta risada- Ela era muito bonita. Com seus cabelos ruivos, olhos cor de mel. Ela namorava Lucas. Ele ainda não se recuperou da morte da garota- ele fez uma pequena pausa- Era igual a você, tirando, é claro, os olhos. Poderiam ser irmãs gêmeas- ele terminou e olhou para mim.

Então era isso, minha resposta para os olhares assustados. Eu era igual a garota morta. Isso era muito estranho.

–Então é por isso que todos se assustaram no meu primeiro dia- eu comentei para mim mesma e olhei mais para frente, onde a lua estava.

–Sara, me desculpa por qualquer coisa que minha família fez. É apenas que nos importávamos muito com Anna- ele disse com uma voz triste- E ver você- ele fez uma pausa e engoliu em seco- não foi uma das melhores experiências.

–Não tem problema- eu garanti ele que tudo estava bem, mas não estava.- Eu vou para casa- informei.

–Eu te levo- ele se ofereceu.

–Não obrigada, eu sei o caminho.

Fui até minha casa e meu pai me esperava na sala. Eu pedi desculpa e ele não questionou mais nada. Subi as escadas e tomei um longo banho. Olhei-me no espelho e reparei nas minha características que assustavam tanto as pessoas dessa cidade.

Estava cansada, portanto, coloquei o pijama e fui dormir, pelo menos tentei, pois os pesadelos voltaram. A casa, o fogo, o grito agudo e a morte.