Só Eu Quem Quis...

4 Capítulo 4: Cultivando Flores no Deserto


A casa era impecável. As cortinas combinavam com os tapetes, e sempre havia flores frescas sobre a mesa da sala. Eu me esforçava para que, cada vez que Sasuke voltasse, ele encontrasse um lar que parecesse um santuário. Eu queria que ele visse que eu era a paz que ele tanto buscou na juventude.

I grew a flower that can't be bloomed in a dream that can't come true (Eu cultivei uma flor que não pode florescer em um sonho que não pode se tornar real).

Mas a verdade é que eu estava regando areia. Ino veio me visitar hoje e, por um momento, o olhar dela se demorou no meu rosto. Ela não disse nada, mas eu vi a pena em seus olhos. Ela vê a Sakura que o mundo conhece — a médica forte — mas também vê a mulher que vive em função de uma sombra.

— Você parece cansada, Sakura — ela comentou, tocando de leve uma das flores no vaso.

— É apenas o trabalho no hospital — eu menti, exibindo o meu sorriso de plástico.

Love you so bad, love you so bad (Te amo tanto, te amo tanto).

Eu repetia essas palavras como um mantra para justificar o vazio. Eu dizia a mim mesma que o amor era sacrifício, que o clã Uchiha era complexo e que eu era a única capaz de entendê-lo. Mas, no fundo, eu sabia que estava tentando manter viva uma planta que nunca criou raízes.

Try to erase myself and make me your doll (Tentei me apagar e me tornar sua boneca).

À noite, deitada no lado frio da cama, eu olhava para o teto e percebia o quanto de mim eu já tinha matado. Eu não falava mais alto, eu não ria com vontade, eu não tinha mais os desejos impulsivos daquela menina que amava o Sasuke. Eu me tornei um acessório na vida dele. Uma flor de plástico: bonita, resistente, mas sem vida e sem perfume.

Eu estava vivendo um sonho, mas o problema de sonhar acordada é que, em algum momento, o frio da realidade te atinge. E a realidade era que só eu quem quis transformar aquele deserto em um jardim.