Só Entre Nós - Tonks e Lupin
1 Só Entre Nós - Capítulo Único
Rosa, um rosa bonito como as flores ou o pôr do sol, ou quem sabe um rosa como a borboleta que ela via pela janela... um rosa vibrante... uma rosa suave... qualquer tom mas que fosse rosa.
Tonks gemeu em frustação, por mais que ela tentasse não conseguia mais mudar a cor do cabelo para as usuais cores berrantes. Quem a visse agora não a reconheceria mais, o cabelo estava com uma cor apagada, quase morta, assim como os olhos que estavam com uma cor pastosa sem nenhum brilho.
Com um suspiro alto Tonks se jogou no pequeno sofá do seu apartamento,
— Maldito Remus! – gemeu frustada – cabeça de ovo! Mula teimosa.
Por que ele tinha que ser assim? Sim, ela era a prima mais nova do falecido melhor amigo dele, mas a muito tempo já tinha passado da maioridade bruxa. Por Merlin! Ela era uma mulher adulta, uma auror, morava sozinha e já sabia cuidar de si mesma. Por que ele tinha que vir com aquela desculpa que ela era muito nova, que não sabe o que quer.
— Eu não sou uma droga de adolescente – resmungou consigo mesma.
Remus estava sempre escorregando pelos seus dedos, quando ela achava que estava conquistando-o, mais uma desculpa aparecia. Ela estava cansada daquele joguinho, um dia ele era velho demais, outro era pobre demais, ou perigoso demais, ou iriam violar a memória de Sirius, ou... Remus não se cansava de usar “ou”.
Será que ele não conseguia ver? Eles eram o casal imperfeito ideal. Remus a fazia feliz então por que ele simplesmente não aceitava e ficava com ela? Ele tinha tanta aversão a ter o final feliz para sempre?
Não seria fácil, um lobisomem não é algo fácil, mas desde quando Ninfadora Tonks gostava de coisas fáceis? Desde seu tempo de Hogwarts o que ela mais gostava era de desafios, já tinha perdido as contas das vezes que entrara na Floresta Proibida sozinha procurando aventuras.
Remus podia ser mais velho, mas tinha o emocional de um garoto de quinze anos. A poção mata-lobo permitia que Remus se controlasse nas luas cheias, e na pior das hipóteses se ele se descontrolasse ela com seu conhecimento de auror poderia pará-lo. Tonks não tinha se tornado uma das auroras mais jovens à toa. Ela era rápida e eficiente com a varinha, poderia controlar e cuidar de Remus se algum dia fosse necessário.
E agora por culpa daquele bruxo idiota nem a cor dos cabelos ela conseguia mudar mais. Ser transmorfa era o que ela mais gostava sobre si, poder todo dia ter uma aparência nova e mais esquisita que a anterior, mas agora ela estava presa naquela cor de cabelo mórbida.
Com a Guerra Bruxa em seu auge, com a Aquele-que-não-deve-ser-nomeado de volta, o trabalho de auror estava mais pesado do que nunca, e ela precisava se infiltrar como espiã em diversos locais a procura de prováveis comensais da morte. Mas como ser uma espiã eficiente se nem mudar mais a aparência ela conseguia?
— Pensa Tonks, pensa... o que mais você pode fazer? – murmurou consigo mesma.
Ela precisava de planos, algum plano tão bom que Remus não poderia mais fugir. Mas como fazer isso quando ele parecia um vampiro fugindo da cruz toda vez que a via?
Tonks levantou do sofá e foi em direção ao quarto abrindo as portas do armário e analisando o interior. Hoje era reunião da Ordem da Fênix, o único momento que Remus não tinha como fugir.
— Preto? Não, preto não combina comigo e vai ficar claro que estou tentando impressionar... Verde? Também não, verde não combina com nada… azul? – olhou para a blusa azul pendurada – dizem que azul combina comigo...
Retirou a blusa do cabide e vestiu se olhando no espelho. Riu consigo mesma, sua versão de quinze anos ficaria chocada se soubesse que no futuro ela ficaria se arrumando em frente a um espelho tentando impressionar um garoto.
Tonks nunca fora o tipo de garota que gostava de se arrumar, ela era o tipo de garota prática que colocava a primeira roupa que via. Mas quem diria que no final ela estaria aqui passando diversos minutos em frente a um espelho decidindo o que vestir?
Ajeitou o cabelo prendendo com uma presilha brilhante que sua mãe tinha lhe dado e antes que mudasse de opinião sobre a forma que estava se vestindo e resolvesse trocar, desaparatou.
******
Ela fizera questão de se sentar ao lado de Remus esperando que ele fizesse alguma coisa, mas tudo o que o bruxo fez foi ficar quieto e parado como uma completa estátua. Não era esse tipo de reação que ela estava esperando...
Alastor Moody repassava as informações acumuladas e as funções de cada um, Schackebolt concordava e alterava alguns detalhes. Eles estavam pertos de conseguir descobrir o próximo encontro dos comensais da morte. Remus ao seu lado continua parado olhando fixamente para Moody.
Quando a reunião acabou e os bruxos foram desaparando cada um para seu lugar, Tonks pegou na mão de Remus que não estava esperando por isso e os dois desaparataram para o apartamento dela.
— Pronto, aqui estamos sozinhos. Pode parar de agir como uma criança e ficar me ignorando? – disse colocando as duas mãos na cintura.
— Nós não temos o que conversar, eu já te disse o que precisava – Remus respondeu cansado.
Dora percebeu que Remus não estava bem nesses últimos meses, ele vinha tentando recrutar outros lobisomens para a Ordem, mas até agora não tivera muito sucesso. A maior parte dos lobisomens preferia se isolar dos bruxos. Remus tinha duas grandes olheiras embaixo dos olhos.
— Remus, você sabe muito bem que precisamos resolver isso.
— Eu já te disse que você tem que superar, encontrar alguém da sua idade, alguém melhor e não que te ponha em perigo.
Tonks se aproximou de Remus, ficando a poucos centímetros de distância do bruxo.
— Outro não me faria sentir o que sinto, olha só os batimentos do meu coração, basta eu ficar perto de você que já dispara. Vai me dizer que não sente isso também?
— Eu sou velho demais para ti...
— E eu já disse que não me importo com isso.
— Sou pobre demais...
— Eu trabalho, posso muito bem sustentar a mim mesma. Não preciso de homem que me sustente.
— Dora... por favor... – ele se mexeu desconfortável – você sabe que não podemos.
Tonks se aproximou ainda mais do homem que amava, o coração parecia sair pela boca.
— Você realmente não sente isso?
E sem esperar por uma resposta Tonks encostou os lábios no do bruxo. Beijar Remus fazia mil borboletas passarem pelo estômago, sentiu que Lupin a abraçava pela cintura juntando ainda mais os dois corpos e aprofundando o beijo.
Tonks relaxou aproveitando as diversas sensações que passavam pelo seu corpo. Quando o ar se tornou escasso os dois se separaram ofegantes.
— Eu.. eu.. – Remus começou constrangido sem saber o que dizer.
— Fomos feitos para ficarmos juntos, esses beijos são a prova disso. Reconheça.
— Eu preciso ir Dora, é melhor eu ir.
E sem pedir licença Remus desaparatou do apartamento.
E assim três semanas se passaram, três semanas que Tonks não viu Lupin. O bruxo evitava agora até as reuniões da Ordem e ela sabia que o motivo era ela.
Ela chegou a mandar cartas para o bruxo pois independentemente de onde Remus resolvesse se esconder sua coruja sempre o achava. As cartas eram entregues, isso ela tinha certeza, mas Lupin não escrevia nenhuma de volta.
Remus gostava dela, o beijo que tinham trocado era uma prova disso. Se o bruxo não se interessasse nem um pouco por ela, não teria retribuído, teria?
As pessoas sempre descreviam o amor como algo incrível, emocionante, mas então por que ela não se sentia assim? Ela se sentia exausta, cansada de correr atrás de um homem que não parava de fugir dela. Cansada de um homem que só procurava desculpas para não ser feliz.
****
Caos, o mundo bruxo mais uma vez estava em caos. Por participar da Ordem a informação chegou primeiro nela, mas logo todos os aurores já sabiam do ocorrido. Hogwarts era para ser um lugar seguro para o mundo bruxo, Aquele-que-não-deve-ser-nomeado temia Dumbledore, mas assim sem nem esperar a escola tinha sofrido um ataque em massa.
Como eles tinham entrado na escola era um mistério, as barreiras de Hogwarts eram impenetráveis, ou ao menos eles sempre acharam isso.
Tonks viera correndo quando soube que Fenrir estava entre os comensais e que ele tinha atacado alguém. Mentalmente ela rezava que a vitima não fosse quem ela pensava. A bruxa ficou nos corredores patrulhando, procurando pistas e se algum comensal tinha ficado atrás, além de ajudar eventuais alunos machucados. Segurava a varinha com força nas mãos, podia apostar que sua tia estava envolvida nesse ataque também.
Sua família era confusa, poucas pessoas sabiam que ela e Bellatrix Lestrange eram parentes e ela gostaria de manter assim, sorte sua que sua mãe tinha uma cabeça boa e se desligou da família problemática.
Tonks travou quando olhou quem estava no final do corredor também a encarando. Depois de três semanas finalmente ela podia ver Lupin novamente. Ele estava mais pálido mas ainda era o homem que ela tinha se apaixonado. E felizmente não parecia machucado.
— Oi Dora – ele murmurou.
— Oi Remus – ela só pode responder de volta.
Os dois se encarando, sem saber direito o que fazer.
Lupin se mexeu desconfortavelmente e disse baixo:
— Fenrir esteve aqui, atacou Billy Weasley. Minerva acha bom eu ir lá explicar para ele o que irá mudar a partir de agora.
— Certo.
Ela conseguia ver a dor que Remus tinha ao pronunciar aquela frase. Ele odiava ser lobisomem e agora ele sofria por saber que mais um lobisomem existiria no mundo, o jovem e carismático Billy Weasley.
Os dois caminharam lado a lado em silêncio em direção a enfermaria. O lugar assim como o resto de Hogwarts estava uma bagunça, pessoas feridas para todos os cantos. Viram Rony, Hermione e Luna agrupados em torno de uma das camas da enfermaria.
Chegando ali o rosto de Lupin se contorceu, Billy estava cheio de cicatrizes de mordidas pelo corpo mas aquilo era esquisito, as marcas pareciam de humano e não de lobo. Felizmente Madame Pomfrey tinha dado algum sedativo e ele dormia calmamente.
O barulho das portas abrindo fez eles se virarem e os dois suspiraram aliviados quando Harry entrou são e sem nenhum grave machucado.
— Você está bem, Harry?
— Estou ótimo... e o Gui?
Como ninguém respondeu Harry olhou por cima do ombro de Hermione e viu um rosto irreconhecível no travesseiro de Gui, tão cortado e despedaçado que parecia grotesco. Madame Pomfrey aplicava em seus ferimentos um unguento verde de cheiro acre.
— A senhora não pode fechar os ferimentos com um feitiço ou outra coisa qualquer? – perguntou Harry à enfermeira.
— Não tem feitiço que dê resultado. Já experimentei tudo que sei, mas não há cura para mordidas de lobisomem.
— Mas ele não foi mordido na lua cheia – lembrou Rony, que fixava o rosto do irmão, como se pudesse forçar a cura só de olhar. – Greyback não estava transformado, então, com certeza, Gui não vai virar um... um verdadeiro...? — o garoto olhou inseguro para Lupin.
Lupin olhou Rony com pena, preferiu responder de forma cautelosa:
— Não, não acho que Gui vá virar um lobisomem de verdade, mas isto não significa que não haja alguma contaminação. São ferimentos malditos. Provavelmente não cicatrizarão totalmente... e Gui talvez adquira alguma característica lupina daqui para a frente.
– Dumbledore talvez saiba alguma coisa que dê jeito – Rony falou com convicção – Cadê ele? Gui lutou contra aqueles maníacos por ordem dele. Dumbledore tem obrigações para com ele, não pode deixar meu irmão assim...
— Rony... Dumbledore está morto – disse Gina.
– Não! – Lupin gritou chocado antes de desmontar na cadeira ao lado da cama de Gui.
Aquilo não podia ser verdade. O homem que tinha lutado contra todos os preconceitos e deixado um menino de 11 anos seguir seus sonhos e ser um aluno de Hogwarts, o homem que ele admirava estava morto. Aquilo não podia estar acontecendo.
— Como foi que ele morreu? – sussurrou Tonks – Como foi que aconteceu?
– Snape o matou – respondeu Harry.
E a partir de então Harry começou a descrever toda a cena que se desenrolou na Torre de Astronomia, sobre como fora imobilizado e coberto com a Capa de Invisibilidade, e como Snape a sangue frio tinha matado o diretor de Hogwarts.
As portas da enfermaria foram abertas novamente e McGonagall entrou. Como os demais, ela apresentava marcas da batalha recente: tinha arranhões no rosto e as vestes rasgadas.
— Molly e Arthur estão a caminho – anunciou ela – Harry, que aconteceu? Segundo Hagrid, você estava com o professor Dumbledore quando ele... quando aconteceu. Ele diz que o professor Snape esteve envolvido em alguma...
— Snape matou Dumbledore – respondeu Harry novamente.
Minerva assimilou a informação em choque, Dumbledore confiava em Snape e agora isso acontecia. Parecia que eles estavam em um pesadelo bizarro.
Harry continuou falando e explicou a dúvida que todos tinham em mente, como a escola altamente vigiada tinha conseguido ser invadida.
— Eles entraram pela Sala Precisa. — quase involuntariamente, ele olhou para Rony e Hermione, que pareciam arrasados.
— Meti os pés pelas mãos, Harry – disse Rony sombriamente. – Fizemos o que você pediu: consultamos o Mapa do Maroto e não vimos o Malfoy, e pensamos que devia estar na Sala Precisa, então eu, Gina e Neville fomos montar guarda... mas Malfoy conseguiu passar por nós. – Ele saiu da Sala mais ou menos uma hora depois que começamos a vigiar – acrescentou Gina. – Estava sozinho, segurando aquele horrível braço seco...
— A Mão da Glória – explicou Rony. – Só o portador enxerga, lembram?
— De qualquer forma – continuou Gina –, ele devia estar conferindo se a barra estava limpa para deixar os Comensais saírem, porque, no momento em que nos viu, ele lançou alguma coisa no ar e ficou tudo escuro como breu...
— Pó Escurecedor Instantâneo do Peru – esclareceu Rony, com amargura. – Do Fred e do Jorge. Vou ter uma conversinha com eles a respeito das pessoas que eles deixam comprar os produtos da loja.
— Tentamos tudo: Lumus, Incêndio – explicou Gina. – Nada penetrou a escuridão; só nos restou sair tateando pelo corredor, enquanto ouvíamos gente passar correndo por nós. É óbvio que Malfoy estava enxergando por causa da tal Mão da Glória, e orientou os Comensais, mas não nos atrevemos a lançar feitiços nem nada, com medo de atingirmos a nós mesmos, e até chegarmos a um corredor iluminado, eles já tinham ido embora.
— Sorte a de vocês – disse Lupin rouco. – Rony, Gina e Neville toparam conosco quase em seguida e nos contaram o que tinha acontecido. Encontramos os Comensais da Morte minutos depois, a caminho da Torre de Astronomia. É óbvio que Malfoy não esperava que houvesse mais gente vigiando, pelo jeito, tinha esgotado o suprimento de Pó Escurecedor. Lutamos, eles se dispersaram e nós os perseguimos. Um deles, Gibbon, escapou e subiu a escada da Torre...
Discorreram mais um pouco sobre o que tinha acontecido naquela noite, cada um se culpando e pensando o que poderiam fazer de diferente.
De repente as portas da ala hospitalar se abriram, sobressaltando a todos: o sr. e a sra. Weasley vinham entrando pela enfermaria, Fleur logo atrás, seu belo rosto aterrorizado.
— Molly... Arthur... – disse a professora McGonagall, levantando-se, depressa, para cumprimentá-los. – Lamento muito...
— Gui – sussurrou a sra. Weasley, passando direto pela professora ao avistar o rosto desfigurado do filho. – Ah, Gui!
Lupin e Tonks tinham se levantaram ligeiros, e se afastaram para o casal poder se aproximar da cama. A sra. Weasley curvou-se para o filho e levou os lábios à testa dele.
— Você disse que Greyback o atacou? – perguntou o sr. Weasley, aflito, à professora McGonagall. – Mas não estava transformado? Então, que significa isso? Que acontecerá ao Gui?
— Ainda não sabemos – respondeu a professora, olhando desamparada para Lupin.
— É provável que haja certa contaminação, Arthur – explicou Lupin novamente – É um caso raro, provavelmente único... não sabemos qual será o comportamento dele quando acordar...
Lupin agradecia aos céus que não era noite de lua cheia, o que significava que as consequências talvez não fossem tão severas.
A senhora Weasley só tinha olhos para o filho mais velho; ela começou a soluçar, as lágrimas caindo no rosto mutilado de Gui.
— É claro que a aparência não conta... não é r... realmente importante... mas ele era um g... garotinho tão bonito... e ia se... se casar!
— E qu é qu a senhorr querr dizerr com isse? – perguntou Fleur, repentinamente, em alto e bom som. – Qu querr dizerr com “el ia se casarr”?
A sra. Weasley ergueu o rosto manchado de lágrimas, parecendo espantada.
— Bem... só que...
— A senhorra ache qu Gui vai desistirr de casarr comigue? – quis saber Fleur. – A senhorra ache qu porr côse desses morrdides, el non vai me amarr?
— Não, não foi o que eu...
— Porrqu ele vai! – afirmou Fleur, empertigando-se e jogando seus longos cabelos prateados para trás. – Serrá prrecise mais qu um lobisome para fazerr Gui deixarrr de me amarr!
— Bem, claro, tenho certeza – respondeu a sra. Weasley –, mas pensei que talvez... visto que... que ele...
— A senhorr pensô qu eu non ia querrerr casarr com el’? U err’ esse a su esperrance? – desafiou Fleur, com as narinas tremendo. – Qu me imporrte a aparênce del? Ache qu sou bastante bonite porr nós dois! Todes esses marrcas mostrram qu me marride é corrajose! E eu é qu vou fazerr isse! – acrescentou com ferocidade, empurrando a sra. Weasley para o lado e arrebatando o unguento das mãos dela.
Tomada de coragem Tonks se levantou e colocou as duas mãos na cintura.
— Está vendo! – exclamou Tonks olhando aborrecida para Lupin. – Ela ainda quer casar com Gui, mesmo que ele tenha sido mordido! Ela não se incomoda!
— É diferente – respondeu Lupin, quase sem mover os lábios, parecendo subitamente tenso. – Gui não será um lobisomem típico. Os casos são completamente diferentes...
— Mas eu também não me incomodo, nem um pouco! – retrucou Tonks, agarrando Lupin pela frente das vestes e sacudindo-o. – Já lhe disse isso um milhão de vezes...
Como Lupin não podia ver? Isso não era uma pequena paixão que ia sumir com o tempo, por culpa dele o patrono dela agora era um lobo, por culpa dele ela não conseguia mais mudar as cores do cabelo, tudo por culpa dele...
— E eu já disse a você um milhão de vezes – respondeu Lupin evitando os olhos dela, encarando o chão – que sou velho demais para você... pobre demais... perigoso demais...
— E tenho lhe dito o tempo todo que a sua atitude é ridícula, Remo – interpôs a sra. Weasley por cima do ombro de Fleur, em quem dava palmadinhas carinhosas.
— Não estou sendo ridículo – respondeu Lupin com firmeza. – Tonks merece alguém jovem e saudável.
— Mas ela quer você – interpôs o sr. Weasley com um sorrisinho. – Afinal de contas, Remo, os homens jovens e saudáveis não permanecem sempre assim. – Ele fez um gesto triste para o filho, deitado entre eles.
Tonks só pode sorrir pelo apoio de Molly.
— Este não... não é o momento para discutir o assunto – replicou Lupin, evitando os olhares de todos e olhando, aflito, para os lados. – Dumbledore está morto...
— Dumbledore teria se sentido o mais feliz dos homens em pensar que havia um pouco mais de amor no mundo – disse secamente a professora McGonagall.
Quando todos se dispersaram e Tonks e Lupin saíram da enfermaria para dar privacidade aos Weasleys, Tonks se virou novamente em direção a Lupin.
— Eu te amo demais Remus, e você me ignorar está me matando. Olhe para mim – disse o encarando com firmeza – olhe de verdade para mim. Você me ignorar faz eu não conseguir sequer mais mudar as cores do cabelo. E todos sabem o quanto gosto de cores extravagantes.
— Dora, você irá superar isso... você...
Tonks levantou a varinha e murmurou o feitiço:
— Expecto Patronus.
E um lobo prateado saiu de sua varinha, correndo pelo corredor antes de desaparecer em uma fumaça branca.
— Eu... eu ... – Lupin a encarava com os olhos arregalados.
— Você foi professor de Defesa das Artes das Trevas, acho que entende o que significa quando o Patrono de alguém muda de forma. O meu Patrono ser um lobo não é por acaso.
Lupin suspirou e baixou os ombros, rendido.
— Você tem certeza Dora? Sabe que não será fácil. Nós dois juntos não será nada fácil.
— E desde quando a vida das mulheres da minha vida foi fácil? Minha mãe foi excluída da família quando resolveu casar com um nascido-trouxa como meu pai e bem, acho que estou seguindo o mesmo caminho.
Lupin se aproximou devagar da bruxa, segurando delicadamente na cintura dela. Com um suspiro cansado ele murmurou:
— Eu também te amo Dora, não devia mas amo demais.
Ele se curvou e encostou os lábios nos da bruxa. Estava cansado de lutar com seus sentimentos. Se ela retribuía os sentimentos, isso não podia ser errado, podia?
Tonks puxou Remus para mais perto, corpo contra corpo. Ela não queria soltá-lo, queria sentir o corpo colado ao seu. Puxou os cabelos do bruxo enquanto aprofundava o beijo. E, por fim, durante o beijo o cabelo da bruxa finalmente voltou a ter a cor rosa vibrante, a cor que ela tanto adorava.
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