Notas iniciais
Bem-vindos a Paradise Dominique. Espero que gostem!!!!

Dominique

14 de Fevereiro de 2015

A porta do elevador se abre e entro sem pressa, encaro o espelho, com o dedo indicador, ajeito o batom vermelho, os cabelos da mesma cor estão soltos. Gosto do que vejo, pisco para meu reflexo.

— “Jolie”. – A porta do elevador se abre e atravesso o corredor me divertindo com o barulho dos saltos da bota de cano longo sobre o assoalho brilhante, o porteiro ergue os olhos do jornal que lê distraído, me sorri sedutor como todos os dias, devolvo com uma piscadela que o faz alargar o sorriso. Tão jovem, se eu fosse como “mama”, mas não sou e prefiro homens a meninos, nunca fui boa educadora. Principalmente sexual, gosto de quem sabe o que está fazendo.

Quando chego na calçada, um vento frio sopra me fazendo estremecer, ergo a gola do casaco e aperto mais o laço do cinto. A rua está movimentada, o céu cinza com pesadas nuvens. Vai chover, talvez tanto quanto aquela primeira vez há quatro anos quando nos reunimos por acaso no Paradise.

Um táxi passa por mim acelerando, me ignora e está aí algo que odeio. Ser ignorada não é para mim. Mostro o dedo do meio que ele nota pelo retrovisor e buzina em resposta.

Mudo a posição do dedo quando outro táxi se aproxima, ele para e agradeço mentalmente. Entro batendo a porta, o homem me olha pelo retrovisor sorrindo educado.

—Pode seguir. – Digo apontando a rua, ele obedece. – Vocês sabem que nos filmes sempre estão a postos quando se precisa de vocês? – Ele balança a cabeça rindo.

—Nova York senhora, estamos sempre correndo contra o tempo. – O homem explica.

— Eu não, eu deixo que o tempo corra atrás de mim, vire à direita, por favor. – Ele obedece.

— O trânsito está péssimo hoje. Sábado e dia de San Valentin. Vai encontrar com o namorado? – O homem questiona.

—Namoradas, três. – Ele quase engasga, deixa de olhar para a frente e se volta.

— Caramba! Sério? – Faço que sim, ele engole em seco, balança a cabeça em negação e volta a encarar o trânsito. – Eu sem nenhuma.

— Acho que está trabalhando demais. – Ele concorda, me encara pelo retrovisor.

—Elas sabem? Quer dizer, uma sabe da outra?

— Sou sempre muito honesta. Uma lição que vocês homens deviam aprender.

Silêncio, o rapaz fica pensativo encarando o sinal vermelho enquanto aperta o volante, o sinal fica verde e ele avança, no fim do quarteirão, aceita minha ordem e vira à esquerda, depois direita e duas ruas depois, no centro de Manhattan, meu querido Paradise.

—Aqui está ótimo. – Digo abrindo a bolsa.

— Está fechado. – Ele me avisa.

— Eu sei. Festa particular. – O homem abre e fecha a boca, estico as notas. – Fique com o troco.

— Obrigado. – Ele pega o dinheiro e guarda no bolso enquanto abro a porta para saltar. – Senhorita... – Me volto já ciente do que vem a seguir. – Sabe, se quiser um quarto elemento no jogo...

—Tão previsível. – Salto e bato a porta do carro, ele arranca enquanto eu sigo em direção a porta, a placa de fechado balança quando giro a maçaneta. A sineta me recebe e eu simplesmente amo esse som, tem o som de lar. Amigos, aconchego. Família é o que sinto ao entrar no Paradise.

As três garotas já estão acomodadas em nossa mesa. Atrás do balcão, Ethan seca copos, Theodor toma uma bebida, no chão, em um tapete, Maitê brinca com uma boneca enquanto Sean baba em um chocalho em forma de âncora. Andy joga um tipo de videogame de mão também no chão, ao lado da inseparável irmã.

— Atrasada! – Savannah se coloca de pé para me receber. Está linda, ser mãe a deixou ainda mais determinada. Agora que o Paradise faz fila na porta e virou o bar da moda, eles quase não tem tempo livre, mesmo assim, Savannah mantem nossa mesa sempre reservada, ainda fecha o bar para momentos como esse e eu a admiro ainda mais.

Abraço e beijo todas as garotas Paradise. Por último, minha “ma petite”, que está cada dia mais linda. Dezenove anos, uma flor, eu já era divorciada, já tinha viajado o mundo e me metido em todo tipo de confusão aos dezenove, ela ainda parece a garotinha de quinze anos que conheci, mas sei que um dia, toda sua dor ficará no passado e ela poderá ser feliz do jeito que achar que a felicidade é.

— Seu champanhe, madame! – Ethan brinca trazendo a garrafa em um balde de gelo e apenas uma taça. Serena toma um drink leve, Savannah bebe suco e Dakota água.

Ethan se afasta de volta ao balcão, são quase quatro da tarde, logo o Paradise vai abrir para receber os irritantes pares apaixonados, com seus drinks vermelhos e músicas de fundo.

— Então, como andam as coisas? – Pergunto servindo uma taça do champanhe.

— Sean está andando. – Savannah conta e me viro para olhar o pequeno babão que continua a morder seu brinquedo. – Dentes. – Ela explica.

— Chamo de meleca desnecessária, por que não nascem com dezesseis?

— Para, Ele é lindo. – Savannah reclama e sorrio me voltando para ela.

— Claro que é, são as três crianças mais lindas que já vi. – Eu confesso. – Talvez Yves empate, ele era bem fofinho quando bebê.

Aquele pequeno dissimulado está sempre me tirando do sério, mas amo o humor provocativo que sua mãe jura que ele aprendeu comigo. Minha mãe engrossa o coro e eu e ele estamos ainda hoje nos provocando como se fossemos da mesma idade como minha mãe costuma brincar.

— Dia dos namorados. – Serena sorri. – Desde que nos conhecemos, não falhamos um dia. Todas aqui reunidas a cada ano.

—Mas tudo diferente a cada encontro. – Dakota diz emocionada.

— Tudo sempre melhor. – Savannah completa.

—Ou igual. – Dou de ombros.

— Pode ser. Sempre me lembro de como meus pés estavam congelados. – Serena ri. – Eu não me lembro de ter estado em pior situação do que naquele dia, você me salvou.

— Eu não, minha mãe que é uma fofoqueira e estava de papo com a mãe do esquilão.

— Dominique, deixe de ser modesta. – Savannah me acusa.

—Não sou modesta, nunca fui, nem humilde, é quase uma ofensa. – Brinco as fazendo rir.

— Mas é a mais linda e bondosa.

— Por que estão assim hoje, me acusando dessas coisas? Modesta, bondosa. O que eu fiz?

—Desculpe. Selvagem? – Serena brinca.

—Muito melhor. – Olho para o balcão onde Ethan e Theodor parecem envolvidos em alguma conversa interessante. – Esses dois se deram muito bem.

— Estão precisando de novos amiguinhos para compor o time. – Savannah comenta.

—Que acha de voltar ao tempo em que queria brindar abaixo os homens? – Provoco. – Melhor atacarem de Dakota.

— Nem pensar! – Ela se defende. – Estudos e só. Nada mais, de jeito nenhum. Não quero um garoto em minha vida. – Ela se apressa.

— Nenhuma de nós quer um garoto em sua vida. – Serena ajuda. – Já um homem...

—Ou uma mulher. Hoje eu disse ao taxista que namorava vocês três. – Ganho todos os olhares. Elas primeiro duvidam, mas sou eu e logo se convencem. – Ao mesmo tempo. – Aviso.

— Dominique, você é louca. – Dakota diz rindo. – O que ele disse?

— Pediu para brincar também. É óbvio! – Savannah responde por mim e balanço a cabeça afirmando.

—Idiota! – Dakota reclama. – Sou sua namorada preferida? – Ela pergunta já rindo.

— É “ma petite” que vai comigo a Paris umas férias dessas, mudar de ideia sobre homens e paixões. Sobre o amor tudo bem, concordo, mas paixão. Essa é sempre bem-vinda.

—Do tipo avassaladora que te faz casar com Elvis em Las Vegas? – Savannah me lembra.

—Desse tipo. – Eu respondo.

— Savannnah, o Sean quer ficar de pé. – Andy avisa. Nos viramos todas para olhar o garotinho todo atrapalhado e indeciso sobre como realizar o feito de ficar de pé sozinho. Tão fofinho, pena ser tão dependente de tudo e todos. Assustador uma vida depender de você, não nasci para cuidar de nada além de mim mesma e nem sou tão boa nisso.

—Ajuda ele filho. – Serena pede. Andy larga o jogo e ajuda o garotinho a ficar de pé. Ele tem segurando a mão de Andy, tentando desesperadamente chegar até Savannah que abre os braços para recebe-lo e tem todo amor que existe na humanidade refletido em seu olhar e isso é ainda mais apavorante.

— Parabéns! – Ela o ergue nos braços, enche o garotinho de beijos, ele se acomoda sonolento em seu peito. – Que sono, mamãe! – Ela diz afastando os cabelos castanhos escuros como os do pai. Os olhos são dela, claros e vivos, os cabelos do pai. Maitê fica de pé e vem caminhando em nossa direção. Ela é muito mais parecida com a mãe, olhos e cabelos escuros.

— Mamãe, colo. – Sua voz doce arranca sorrisos de Serena. Eu e Dakota trocamos um sorriso.

—São só quatro anos, vocês são muito rápidas. – Comento. – Há quatro anos éramos apenas as quatro Paradise, agora somos um pequeno exercito.

— Suco, mamãe. – A garotinha pede. Não leva um segundo para Theodor estar ao nosso lado.

— O papai vai te dar suco da lanchonete Paradise, vem. – Ele leva a garotinha que aceita o colo do pai animada.

— Meu pai não sabe que ela vai aprender a ler. Está escrito Bar na porta. – Andy diz seguindo o pai e a irmã e nos deixando rindo.

— Me contem, muitas reservas? – Savannah afirma.

— Vai lotar, mas sem música ao vivo, os garotos estão em turnê. Sempre lembro da primeira crítica que o Paradise recebeu, falava sobre eles e o sucesso e aconteceu. – Serena se lembra.

— Como vamos esquecer a crítica se tem um quadro aqui pendurado e outro na casa da Savannah? – Dakota comenta.

— Nossa casa irmã! – Savannah se apressa em corrigir.

—Força de expressão, passo tanto tempo em Yale que esqueço disso. – Dakota se defende, mas admiro sua determinação em sair da casa da irmã assim que se formar. Acho que será bom para ela ter seu próprio apartamento.

— O que vão fazer essa noite? – Pergunto tomando mais um gole de champanhe.

—Eu vou sair para jantar com o Theo. – Serena suspira tão apaixonada quanto sempre.

— Eu sou a que vai cuidar dos pequenos essa noite. – Dakota explica.

—Trabalhar, a noite será longa. Dia dos namorados. – Savannah me lembra. Ela tem uma babá que fica as vezes com Sean, ou ela fica e Ethan fica no bar, as vezes ele fica com Sean e ela no bar e sempre tem Serena que se dispõe a ajuda-los.

—E você?

—Vou ficar aqui. – Dou de ombros. – Não marquei nada. – Eu comunico. Em dia dos namorados nunca aceito um convite, os caras sempre tiram conclusões, você aceita jantar com alguém em uma noite como essa e logo vira namorada. Não é o tipo de mensagem que quero passar.

Ficamos conversando sobre a vida. Dakota conta mais sobre a universidade e as amigas que fez, nada além de grupos de estudo e passeios pela cidade, as festas, namoros e paqueras ela dispensa, entendo seu trauma, Dakota ainda acha que não merece um cara legal, que não saberia diferenciar ou que nunca vai encontrar um cara que valha a pena e talvez seja verdade, ou não, ela só vai descobrir se tentar, mas não sou eu a convence-la, não quero podar ninguém, não quero ensinar ninguém a viver. Minhas regras se aplicam a mim e mais ninguém.

Savannah conta das aventuras de Sean e de como Ethan é perfeito e presente. Ele a ajuda em tudo, é um pai preparado para todo tipo de situação e agora é um ótimo bartender também.

Serena e seus pequenos estão bem. Os avós de Andy adotaram Maitê que os chama de avós, Emily continua distante e tudo parece tranquilo. Theo ainda tem seu livro de regras de CEO e todo dia uma regra nova surge, ele é péssimo em serviços domésticos, mas ótimo com os filhos. A pequena Maitê já viu meia dúzia de vezes o musical O Rei Leão que Serena reza para sair de cartaz algum dia.

A conversa vai até a hora do bar abrir, quando as crianças precisam ser retiradas da “lanchonete” Paradise e Serena e Theo tem hora marcada para um jantar romântico no topo de um edifício qualquer. Theodor está sempre marcando esses jantares com violinos, e todo tipo de loucura romântica que Dakota inventa. O homem está completamente em suas mãos e ela se realiza inventando cenas cinematográficas que ele não cansa de por em prática.

— Vamos pequenos. – Dakota pega Sean no colo depois de se despedir.

—Eu levo a minha irmã. – Andy se prontifica. – Vem Lupe.

— Andy, dá só a mão para a Maitê, não precisa levar ela no colo. – Dakota avisa.

—Tá bom. – Eles já se despediram de todos, mas os quatro pais ficam a observar a partida como se fosse algum momento dramático de separação. – Dakota, acho que não vai dar tempo de brincar com você, esse dois vão dar muito trabalho.

— Que bom que me ajuda com eles. – Dakota diz enquanto eles caminham em direção a cozinha. – Divirta-se casais e Dominique! – Ela diz antes de sumir.

Serena e Theo de mãos dadas acenam antes de partirem e a porta do Paradise se abrir para os primeiros clientes. Savannah vai para o balcão, a música está baixa e encho mais uma vez meu copo com champanhe.

O celular vibra, é meu pai e sorrio, ele está na cidade, veio para uns dias por que tem negócios a resolver.

— Sim, “papa”.

—Oi divorciada, onde está?

—Paradise.

—O bar das suas amigas. Está acompanhada?

—Não. Ainda não. – Friso para ouvir sua gargalhada.

—Então vou te encontrar aí.

—Papai, é dia dos namorados, acho que devia sair com a sua esposa.

—Ela não é minha esposa, só moramos juntos e estamos brigados. Então vou te encontrar.

—Terminou? Por que toda vez que a minha mãe se separa você também se separa? – Reclamo.

—Coincidência. E não me separei, só brigamos.

—Não entendo dessas relações duradouras. Por que brigaram?

— Marcamos de jantar com sua mãe ontem, elas sempre se deram bem, mas então justo ontem Evelyn teve enxaqueca. – Essa esposa do meu pai está com ele há pouco mais de um ano, eles deviam estar em lua de mel. – Eu decidi ir sozinho ao jantar. Deselegante desmarcar, não acha? Ela ficou brava e brigou comigo.

—Por que você e minha mãe não podem ser um desses casais civilizados que se divorciam e se odeia e ficam me jogando um contra o outro como todo casal que se preze?

— Não tenho qualquer razão para odiar sua mãe, eu a amo, ela me deu você.

—Eu sei, foi algo incrível o que ela fez me trazendo ao mundo e tal.

— Vou te encontrar aí, tomamos um drink juntos.

No instante em que ele diz isso, a porta se abre e um homem de terno e lindos olhos negros entra acompanhado de um casal. Seu olhar vem em minha direção, ele se demora um instante a mais, então o homem ao seu lado chama sua atenção apontando uma mesa.

— Pai, tem um homem bem atraente entrando, quem sabe ele está sozinho e precisando de companhia nessa triste noite de casais apaixonados, posso estar salvando uma vida. Por que não vai tomar café da manhã amanhã comigo? Meio dia, o que acha?

—Que dorme demais e eu sou um pobre e solitário homem precisando ser salvo em uma noite de dia dos namorados. Estou indo. – Faço uma careta.

—Ok, vai pagar a conta, vou pedir outro champanhe. – Ele ri e desliga.

Meu pai chega em meia hora, eu e o desconhecido já trocamos meia dúzia de olhares e os amigos estão na fase de incentiva-lo a vir me conhecer, mas quando papai surge é certo que o homem vai desistir. “Papa” é um homem muito elegante, sessenta e cinco anos, cabelos grisalhos, porte atlético em ternos bem cortados, um tipo que ainda chama atenção pelo jeito seguro de ser que emana em cada movimento.

— Papai! – Praticamente grito por sobre a música alta, só quero mesmo que o bonitão não crie ideias, quem sabe com sorte ele escuta que é meu pai e toma coragem mesmo assim?

Meu pai acena, caminha em minha direção sorrindo, fico de pé e o abraço, ele me beija o rosto e a mão, me espera sentar antes de me imitar, sempre um cavalheiro.

—Ela sempre impecável.

— Maravilhosa, você quer dizer. – Ele ri.

— Sempre. – Ele olha em torno. – O uísque aqui é bom?

— “Papa” está no número um de Nova York, claro que sim. Vou pegar uma dose para você. – Deixo a mesa, não fico esperando que me sirvam. Savannah e Ethan estão ocupados, dou a volta no balcão e eu mesma sirvo o melhor uísque que eles tem.

— Depois vai conhecer meu pai. – Digo a Ethan.

— Achei que era outra coisa. – Ele me sorri e suspiro.

— Acha que todo mundo por aqui acha isso também? Ele não tem cara de ser meu pai? – Ethan dá uma olhada sobre os clientes, encara meu pai e nega. – Se ao menos ele tivesse cabelos ruivos.

Vou encontrar meu pai, ficamos conversando. Ele me conta os detalhes da discussão com a esposa e dou razão a ela. Eu não gostaria de um atual sendo amigo íntimo de uma ex. sou ciumenta ao que parece, não posso ter certeza já que nunca senti nada muito especial por ninguém.

Aron chega ao bar, eu o vejo passar sozinho e até sinto um pouco de pena, ele seria o tipo que estaria fazendo pedidos constrangedores em noites como essa, mas já terminou mais um relacionamento há pelo menos uns meses.

Se ele não fosse tão cheio de sonhos eu bem que beijava, mais que isso, ele é muito gato, tem um charme divertido de bom moço, do tipo que não mente e abre a porta do carro, meio atrapalhado, mas não me arrisco.

Não demora e ele está de pé junto com Ethan diante de nossa mesa.

— Pai, esse é Ethan o dono do bar, socio da Savannah, se lembra dela é claro. – Papai afirma, ele a conheceu rapidamente ano passado, ela estava grávida ainda. – Esse é o Aron, trabalha com o Fitzalan e sei lá, é o Aron.

Papai os cumprimenta, logo Ethan retorna ao trabalho, mas para minha completa surpresa, papai e Aron engatam uma conversa sobre o mercado financeiro e esportes e lá se vai minha noite.

— Você precisa ir a minha casa. – Papai convida Aron. – Dominique deve ir passar um fim de semana comigo, vá com ela.

—Que? – Pergunto surpresa.

— Leve o Aron com você. – Papai insiste.

—Seu pai quer que me leve com você em férias. – Aron repete.

— Aron é adulto “papa” ele pode ir sozinho.

—Algo errado entre vocês? – Meu pai olha de um para o outro.

— Somos diferentes em tudo. – Aviso. Aron balança a cabeça afirmando.

—Uhm! – Meu pai entende tudo errado, nem pensar, eu e Aron não temos nada em comum, ele quer o que abomino.

— Não! – Dizemos juntos. Meu pai solta uma longa gargalhada.

— Obrigado pela companhia, filha, vou para casa. Vejo você antes de partir. – Ele aperta a mão de Aron que promete aparecer e então sobramos nós dois à mesa.

— Noite do dia dos namorados. – Aron resmunga olhando em torno. – Todos felizes.

— Um dia uma garota terá pena de você e vai dizer sim.

— Ela vai me amar e seremos muito felizes. Aquele cara está te olhando, acho que ele está afim de ter o coração partido. Vá em frente. – Aron fica de pé com seu drink. – Vou tentar a sorte com aquela garota no balcão.

— Pobre futura ex namorada. – Ele me lança uma careta enquanto se afasta. Tão bonito, um desperdício.

Notas finais
BEIJOSSSSSSSSSSSSSssssss