Série Laços Romanos -Laços do Destino
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Júlia Vero
O Nero é o ser humano mais inacreditável do mundo. Não achei de todo ruim mostrar o campus para o forasteiro, notei que ele é um homem muito bonito, com seus cabelos pretos jogados para traz, sua barba por fazer e seu porte atlético de jogador de futebol americano. Esses ingleses. Depois que voltei para casa vim direto para o meu quarto selecionar os pontos para o meu trabalho, acho que agora o Nero não tem do que reclamar
Já é tarde da noite quando ouço meu telefone tocar, vejo que é uma mensagem do Marco me pedindo para destrancar a porta principal. Reviro os olhos. Variadas noites ele sai para a farra nas ruas de Roma e volta trade para casa sem a chave. Sobra para a “irmãzinha favorita” abrir, como ele me chama quando quer favores
Desço a passos largos e destranco a porta
—-Você é a melhor, irmãzinha favorita—ele diz com bafo de álcool e me beija o rosto
—-Quando você vai tomar jeito hein? —digo trancando a porta de novo
—-No dia que o jeito tiver dentro de um drink de frutas—ele sobe as escadas e me deixa sozinha na sala
Coitada das mulheres que se apaixonam pelo meu irmão. Suspiro. Subo correndo as escadas para poder dormi, lembro que tenho outra reunião com o Nero. Assim que me deito na cama logo adormeço, sou acordada com o barulho de uma forte chuva, me levanto e confiro o relógio que fica no meu criado mudo, marcam cinco da manhã. Fico aliviada pois estou dentro do horário. Vou em direção ao banheiro para tomar um banho quente, visto uma roupa mais aquecida que encontro, penteio os cabelos e desço a cozinha
—-Bom dia, querida—minha mãe me cumprimenta—Já de pé a está hora?
—-Bom dia, mãe—beijo seu rosto—Sim, tenho uma reunião com o meu orientador
Tomo um café da manhã, pego minha bolsa, me disperso da Fabiana e vou em direção a porta, ando depressa para não pegar outra chuva. De repente o Isaac invade os meus pensamentos, crio a hipótese de nos esbarramos hoje, mas tento não penso muito nisso para não me frustra caso não aconteça, ele deve estar muito focado nos estudos, veio da Inglaterra até aqui só para estudar mais. Estranho, eu não perguntei em que ele é formado
Sou desperta dos meus pensamentos quando um carro passa muito rápido por mim e me molha. Tinha uma poça enorme que o idiota do motorista do carro não desviou
—-Não se tem mais educação por aqui—berro quando o carro passa por mim—Ótimo dia, ensopada por um imbecil mal educado
Me esforço para tentar enxergar a placa do carro mas não consigo, só vejo que é um azul bem escuro. Droga. Entro no campus e vou direto ao banheiro, pego alguns papeis e tento me secar ou pelo menos amenizar, me olho no espelho e vejo como não estou nada bonita. Queria muito saber quem me deu um banho de água da chuva
Saio do banheiro e vou a sala do Nero, estou tão brava que acabo entrando sem bater e lá encontro o Isaac discutindo alguma coisa com o meu orientador
—-Não se tem mais educação nesta cidade—Nero esbraveja com a minha entrada
—-Não se tem mesmo—digo sentando na outra cadeira vazia de frente para a mesa—Levei um banho de algum imbecil que passou de carro
—-Júlia, agora não é o seu horário—Nero me fala e olho para o Isaac
—-É claro que é—mostro a ele meu horário—Só me atrasei dez minutos porque fui me secar no banheiro
—-E eu pedir que o Turner ficasse no seu lugar
—-Mas agora eu já cheguei
—-Posso sair se quiser—finalmente o forasteiro falou—Vou pegar um material que deixei no meu carro e já volto
Minha cabeça começa a funcionar, será que foi ele que me deu aquele banho?
—-Qual a cor do seu carro? —Pergunto
—-Azul escuro
—-Foi você! —Ele se espanta
—-Eu o que?
—-Que me molhou
—-Não, eu não...
—-Sim, você. Passou tem uns dez minutos pelo campus?
—-Sim, eu fui comprar meu café da manhã
—-Ah sabia! —Digo me levantando—Foi ele que me molhou e pegou meu horário da reunião com você, Nero
Nero me olha com uma cara de tedio e que estar pouco se importando para isso tudo
—-Me desculpei se te molhei—ele também fica de pé, agora tem um tom sério e autoritário—Realmente não fiz por mal
—-Fez por bem me dar um banho e sair me deixando lá molhada?
—-Chega! —Nero levanta também e bate na mesa—Quero os dois fora da minha sala agora. Não vou atender hoje mais nenhum jovem petulante. Amanhã mandarei os horários para os seus respectivos e-mails. Agora saiam!
Obedecemos ao velho rabugento e eu e o Isaac saímos da sua sala. Assim que apresso meus passos ouço a voz do forasteiro me chamar
—-Ei, Júlia
Não me viro e continuo andando
—-Garota, espera—ele segura meu braço e ficamos frente a frente
—-O que você quer?
—-Quero me desculpar pelo incidente de mais cedo
—-Olha, Isaac, eu fiquei muito brava com aquilo, mas tudo bem, passou—digo e ele me solta o braço
—-Mesmo? —Será que ele tem noção do quanto fica lindo fazendo esse ar preocupado em um corredor com pouca luz?
—-Sim, tudo bem—dou um sorriso meio morto, o máximo que consegui
—-Parece que não está tudo bem—ele passa a mão na barba—O que acha de tomar um café comigo?
—-Não dá...
—-Por favor—ele me interrompe—Foi errado ter passado naquela poça, eu realmente não tinha te visto
—-Aceito o café então—dessa vez consigo dar um sorriso melhor
—-Ótimo—ele me retribui com um lindo sorriso
Rimos da situação que a uma hora atrás estava me fazendo soltar fumaça pelo nariz. Vamos ao café que fica bem ao lado do campus, assim que sentamos na mesa somos logo atendidos e resolvo quebrar o silencio
—-Esqueci te perguntar em que você é formado
—-Publicidade
—-Bacana—digo e ele não troca a visão do meu rosto por nada no ambiente—Pensa em ficar aqui depois que terminar o mestrado?
—-Meu visto só dura seis meses, não fiz planos para ficar. Não sei direito que rumo terei que tomar, gosto de fazer uma coisa de cada vez
—-E agora quer pensar em só terminar o mestrado?
—-Isso aí
Conversamos mais um pouco sobre família, Isaac é um homem muito inteligente e comunicativo, é bem reservado e não deixou nenhum momento a conversa morrer, fiz ele dá bastante risada com algumas histórias da família
—-Ia adorar fazer uma matéria sobre os campos da sua empresa—ele me diz quando eu dou a ideia de ele publicar algo na Inglaterra sobre a empresa Vero
—-Acho que seria ótimo e você iria gostar muito—dou pernas a essa ideia—Vamos marcar um dia para que eu te leve lá
—-Combinado
Conversamos mais um pouco e digo ao forasteiro que preciso voltar para casa, nos despedimos com um beijo e um abraço. Pego o caminho de volta e logo chego em casa, procuro pela mamãe e ela não está, depois pelo Marco no jardim e ele também não está, vou a cozinha e encontro o Alexandre
—-Queria mesmo falar com você—digo fazendo o olhar do Alex levantar da tela do notebook para me encarar
—-Fala
—-O que acha de uma matéria falando sobre a empresa Vero em uma publicação para a Inglaterra?
Ele analise as minhas palavras e finalmente fala
—-Acho que seria algo positivo para os negócios que fazemos no exterior
—-Ótimo, tenho um amigo publicitário que vai lá essa semana conhecer para fazer a matéria
—-Amigo?
—-A matéria para a empresa, ouviu a essa parte?
—-Desde quando você faz amigos homens?
—-Na sexta eu o levo para conhecer, ok?
—-Júlia—ele me grita quando já pego o caminho das escadas
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